Holanda sem Van Dijk: Ainda haverá esperança para o Euro 2020?

Gonçalo MeloMarço 19, 20215min0

Holanda sem Van Dijk: Ainda haverá esperança para o Euro 2020?

Gonçalo MeloMarço 19, 20215min0
Artigo com a análise à seleção holandesa, que apesar de muito talentosa, vai a jogo no Euro 2020 sem o seu líder e capitão Virgil Van Dijk.

A seleção holandesa vem desde 2018 a reerguer-se no panorama do futebol de seleções, depois de ter ficado de fora do Euro 2016 em França e do Mundial da Rússia, precisamente em 2018.

Ronald Koeman assumiu o comando técnico da equipa, operou uma necessária renovação na equipa, e foi lançando de forma recorrente jovens jogadores que se assumiram como figuras fundamentais da equipa da laranja mecânica, e que deram o salto para grandes equipas e grandes campeonatos europeus.

Em 2019 a equipa jogou a fase final da primeira edição da Nations League, sendo derrotada na final pela seleção Portuguesa.

O problema da transição

Ainda em 2019, Koeman aceitou a quase recusável proposta para orientar o Barcelona, e deixou a laranja mecânica órfã do seu líder. Frank de Boer foi o escolhido para assumir o projeto, depois de experiências totalmente falhadas ao serviço de Inter e Crystal Palace, e de uma passagem pela MLS.

O talento da equipa não desapareceu, pelo que o antigo técnico do Ajax terá aqui uma tarefa dificil mas alcançável, tarefa essa que não será menos ambiciosa que pelo menos uma fase adiantada do Euro 2020. No entanto, a equipa terá provavelmente de ir a jogo no Euro sem o seu capitão, Virgil Van Dijk.

O talento que há nas opções

A equipa tem na baliza um guardião experiente e completo, como é Jasper Cillissen, no entanto, a condição de suplente que Cillissen tem no Valência pode levar o selecionador a optar por Marco Bizot ou Tim Krul para a titularidade, não esquecendo ainda as opções Jeroen Zoet ou o jovem Justin Biljow.

Denzel Dumfries, Hans Hateboer e Joel Veltman concorrem pela direita da defesa, com Patrick Van Aanholt e o jovem craque Owen Winjdal a discutirem a esquerda.

No meio campo defensivo, Maarten De Roon e Frenkie De Jong são os senhores do meio campo, mas nomes como Davy Klaassen, Kevin Strootman, Davy Propper ou os jovens Teun Koopmeiners e Ryan Gravenberch dão sérias dores de cabeça ao técnico.

Na posição mais ofensiva do trio de médios, Giorginio Wijnaldum e Donny Van de Beek não deverão ver os seus lugares ameaçados.

Nas alas do ataque as opções são quase infindáveis. Memphis Depay, uma das grandes figuras desta laranja mecânica, beneficiou do adiamento do Euro 2020, pois não houvesse esse adiamente devido à Covid 19, Depay teria falhado a competição devido a lesão, ele que muitas vezes também é utilizado como falso 9 na seleção, tal como sucede no Lyon.

Steven Bergwijn, Quincy Promes, Steven Berghuis, aos quais juntamos o veterano Ryan Babel e os jovens Calvin Stengs e Justin Kluivert, formam um conjunto de extremos extremamente talentoso, de onde só deverão sair três para se juntar a Depay.

Quanto à frente de ataque, parece ser uma corrida a três por dois lugares, apesar de o jovem Marvin Boadu, ponta de lança de apenas 20 anos do AZ Alkmaar, nunca poder ser totalmente descartado.

Ainda assim, o experiente Luuk De Jong e o jovem Donyell Malen (uma autêntica locomotiva, que muitas vezes é usado como extremo esquerdo, fazendo trocas constantes com Depay) parecem partir com vantagem.

Mas De Boer terá uma grande dor de cabeça, de seu nome Wout Weghorst. O gigante ponta de lança de 1,97 m está a realizar uma época brutal no Wolfsburgo, somando 16 golos e 6 assistências em 26 jogos na Bundesliga, podendo beneficiar da condição de suplente de De Jong no Sevilha para ganhar o seu lugar nos 23 finais.

 

 

Muito talento, mas sem um líder para o guiar

Mas vamos então à grande interrogação que paira na cabeça dos holandeses. O capitão, líder e jogador mais valioso da equipa, Virgil Van Dijk está, como sabemos, lesionado já há vários meses, e a probabilidade de estar apto para o Europeu é francamente reduzida, pelo que mesmo que seja dado como clinicamente apto, o seu ritmo de jogo e confiança estarão naturalmente longe do topo.

A ausência de Van Dijk poderá parecer minimamente contornável, pois olhamos para as opções e vemos o jovem Mathijs De Ligt, os experientes Stefan De Vrij e Daley Blind, e ainda vários outros nomes interessantes como Nathan Aké, Karim Rekik ou os jovens do Ajax, Perr Schuurs e Jurrien Timber.

No entanto, nenhum deles é um terço do que é Van Dijk. Para além de ser para muitos o melhor central do mundo na atualidade, Van Dijk é líder e capitão de equipa, uma espécie de porto seguro e abono de família para esta Holanda, e uma extensão das ideias do treinador dentro de campo. Com a saída de Koeman, a seleção laranja sofreu naturalmente um abanão, como comprovam os e empates na liga das nações deste ano.

A presença do seu capitão seria fundamental para guiar esta jovem laranja mecânica ao sucesso no próximo europeu, e isso dificilmente vai acontecer. A voz de liderança vai ser outra, e, além disso, a seleção vai perder capacidade defensiva, velocidade, controlo da profundidade e uma arma mortífera no jogo aéreo ofensivo.

Será a Laranja Mecânica capaz de fazer um bom Euro 2020 sem o seu principal jogador, que além das qualidades futebolísticas é também o líder desta equipa?

Só em Junho saberemos. Mas todos conseguimos constatar a falta que Van Dijk tem feito ao Liverpool. Será a Holanda caso diferente?


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