O Palmeiras não tem Mundial; não tem Copinha… Ops!

Marcial CortezJaneiro 26, 20225min0

O Palmeiras não tem Mundial; não tem Copinha… Ops!

Marcial CortezJaneiro 26, 20225min0
Dez entre dez palmeirenses e seus rivais conhecem a famosa musiquinha. Mas agora a letra vai ter que mudar. O Palmeiras é o Campeão Invicto da Copinha 2022.

Os torcedores da Capital paulista sabem de cor a letra. Não importa se você é palmeirense ou se odeia o Alviverde. A música é conhecida, pois se espalhou como fogo em palha nos últimos anos. Criada pelos corintianos para provocar o rival, a música diz que “O Palmeiras não tem Mundial; não tem Copinha nem tem Mundial”, num ritmo bem gostoso e dançante até. Já foi reproduzida em locais como bares, restaurantes, shows e é viralizada dioturnamente nos grupos de WhatsApp no Brasil.

Porém, como tudo na vida tem início, meio e fim, a data de 25 de janeiro de 2022, aniversário da cidade de São Paulo, será lembrada para sempre como o dia do fim da famosa canção. Tudo porque o Palmeiras goleou o Santos por 4-0 na final da Copinha e conquistou seu primeiro título do Certame, acabando definitivamente com a motivação da canção. Alguns jogadores em suas redes sociais lamentaram o fato, como o jovem Reinier Jesus que começou sua carreira no Flamengo e hoje joga na Alemanha:

No relvado, um show de futebol

No relvado, o que se viu foi um Palmeiras extremamente superior ao seu adversário no jogo final. Com apenas 15 minutos de jogo, o Verdão já vencia por 3-0. Daí pra frente, foi só administrar o resultado. O Santos não esboçou a menor reação e os miúdos do Palmeiras fizeram a festa. Marcaram o 4o e o 5o gols, este último devidamente anulado por uma situação de fora de jogo. Ao final dos 90 minutos, a incontestável vitória garantiu o primeiro título da Copinha ao time do Allianz Parque.

A campanha das “crias da Academia”, como são conhecidos os atletas da base, não deixou dúvidas: o Palmeiras foi campeão invicto, sem nenhuma disputa de pênaltis nos jogos decisivos e com apenas um empate, contra o Água Santa na primeira fase, num jogo em que a qualidade do futebol passou longe devido às fortes chuvas que caíram naquele dia. O relvado estava mais para piscina do que pra campo de futebol, e mesmo assim o Verdão ganhava o jogo por 1-0 quando sofreu o gol de empate no último minuto. De todo modo, ainda ficou com o primeiro lugar no grupo.

Palmeiras empatou com o Água Santa num relvado que não permitiu técnica nem toque de bola. Foto: Marcello Zambrana AGIF

Nas fases seguintes, o menino Endrick de apenas 15 anos, brilhou muito ao lado dos seus companheiros Vitinho, Vanderlan, Pedro Bicalho e Gabriel Silva, liderados pelo bom técnico Paulo Victor, o PV. O Palmeiras não teve dificuldades para chegar à final, ao superar todos os seus adversários, alguns com sonoras goleadas de 4-0 e 5-2. O jogo mais difícil foi contra o Internacional, que até então era o campeão por ter vencido a Copinha em 2020 (em 2021 o torneio foi suspenso devido à pandemia de Covid19), nos oitavos de final. As Crias venceram por 2-1, no jogo mais nervoso da inesquecível campanha na qual o “Verdãozinho” marcou 29 gols e sofreu apenas cinco.

Como se tudo isso não bastasse, o time das Crias da Academia apresentou uma nova característica – a de marcar gols nos minutos iniciais das partidas. De nove jogos disputados na competição, o Verdãozinho começou marcando gols nos primeiros 15 minutos por seis vezes.

Um projeto de longo prazo

Mas se engana quem pensa que este time surgiu agora, ou que tenha sido formado apenas para a disputa da Copinha. O time sub-20 do Palmeiras já conquistou muitos campeonatos em suas respectivas categorias. Estes miúdos que hoje vestem a camisola do Verdão já passaram por várias etapas vitoriosas em suas carreiras. O sucesso das Crias na Copinha é apenas a ponta do iceberg do excelente trabalho realizado nas bases do Verdão.

A reformulação começou em 2015, na gestão do presidente Paulo Nobre. Toda a base do Palmeiras foi mudada e o trabalho começou a ser feito, para que os times da base começassem a revelar jogadores que poderiam ser aproveitados no time principal e que tivessem potencial para serem vendidos a times europeus por um bom preço, de modo a gerar receita ao Verdão. Na gestão Galliote o trabalho continuou, e os resultados começaram a aparecer. O primeiro deles foi Gabriel Jesus, que fez história no time principal e hoje atua na Inglaterra.

Em 2017, por exemplo, todas as categorias da base (sub-20, sub-17, sub-15, sub-13 e sub-11) ganharam títulos importantes. Não é a toa que jogadores como Patrick de Paula, Wesley, Danilo e outros que hoje já atuam no time principal são nomes certos para futuras negociações com clubes europeus. Assim, o Palmeiras se consolida como um time formador e economiza na montagem de seus plantéis.

Palmeiras Campeão da Copa do Brasil Sub-17, em 2017. Na foto, é possível ver o jovem Gabriel Menino, hoje uma peça fundamental no time de Abel Ferreira. Foto: Lucas Figueiredo / CBF

A Copinha está aí. O (bi) Mundial a caminho…

Assim, já que estamos a falar do aproveitamento da base no time principal, em breve vamos ver o desempenho dos miúdos no Mundial de Clubes da FIFA no mês que vem. Abel Ferreira terá em suas mãos um time muito forte, atual tricampeão da América, a buscar o título máximo do planeta. E acabar de vez com a terrível musiquinha.

 


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