No meu tempo era melhor (contém ironia)

João Pedro SundfeldJulho 2, 20223min0

No meu tempo era melhor (contém ironia)

João Pedro SundfeldJulho 2, 20223min0
15 anos é idade de craque. É preciso corresponder, brilhar nos grandes times do mundo, na equipa nacional. Senão, não presta

(Contém ironia)

Gabriel Veron só se machuca. Patrick de Paula faz corpo mole. Menino deslumbrou. Todos maiores de idade. Precisam urgentemente jogar bola. Já têm idade de craque. Pelé era campeão do mundo com 17, ora. Já passou da hora dessa molecada sair da balada e ir pro campo. Aprender a chutar, marcar. Hora de virar homem!

O menino Endrick fazendo gol sem fim, precisa estar no profissional. Como assim não pode? Precisa poder. Não tem outra opção. Com 15 anos já precisa estar lá, treinando com os caras. Só pode jogar mesmo aos 16? Então que com 16 entreguem camisa 10 e faixa de capitão. Não tem igual, é o novo Ronaldo.

Tantos jovens no Brasileirão ainda, o Luiz Henrique indo para a Europa. É esse foco que todos precisam. Quem se contenta jogando em Red Bulls Bragantinos, Vascos e São Paulos. Todos falidos em um campeonato medíocre. Passou dos vinte anos, precisa estar na Espanha, Inglaterra, Itália. Senão…

São muitos os nomes que vemos subindo para o profissional, né? Mas quantos chegam longe? Todos ‘perninhas’, como gosta de dizer o Diniz. Se perdem, não têm foco. 19 anos precisa ser titular incontestável. Artilheiro do campeonato. Dominar a defesa campeã de tudo.

Com 20 anos, Ronaldo era campeão mundial e melhor do planeta. Bola de ouro repetida em 1997. Com 22, Ronaldinho também vencia uma Copa. Dener morreu com 23 sendo o maior talento desde Garrincha. Craques surgem desde cedo, e é necessário demonstrar isso em campo. Afinal, quem é banco com 18 anos não será melhor do mundo, muito menos terá nível para Seleção. Mais ironia.

E daí que existem nomes mais experientes? Que é o primeiro ano de profissional? Desde quando isso importa, não é mesmo. Afinal, por que os clubes têm formação se não formam craques no berço. Uma vergonha não ter três Messis e dois Ronaldos no meu time. No seu, então, nem se fala.

Calma? Quem precisa de calma? Adaptação é coisa dessa geração. Pergunta se tinha tempo para se adaptar em 1930, ou 10, ou 20. Heitor fez 327 gols, será que precisou se adaptar? Ah, mas quem liga que o primeiro título pelo Palestra Itália demorou quatro anos para acontecer?

E nem me venha falando de Marcos, que só conseguiu se firmar em 1999. Afinal, bom mesmo era Leão, campeão do mundo em 70 com 21 anos. Depois dele, não me lembro de um guarda-redes de verdade que o Brasil teve.

Esses meninos de Cotia que o São Paulo tem, quantos são nível mundial hoje? Nenhum! O melhor não consegue jogar. Nenhum presta, nenhum salva. Aquela base lá, não tem por que existir. Já acabaram os Kakás e Lucas Mouras. Depois disso, não terá mais ninguém. Ironia.

Esses meninos precisam virar homens. 15 anos é idade de craque. Precisam urgentemente representar as cores dos maiores do país, quem sabe até do Brasil. Vendido para a Europa? Precisa ser titular na hora. Não pode esperar um ou dois anos. Tem que substituir CR7, Neymar e Messi na hora. Colocar os caras no banco.

É a hora dos meninos-homens. Não precisam de tempo para crescer. Precisam é parar de perder tempo. Sub-20 é coisa para jogador que não serve. Se tá lá, não vinga. Precisa estar com os grandes desde pequeno. Para virar gigante mesmo com 12 ou 13. Os principais times do mundo querem isso, nomes prontos nessas idades. Eu quero no meu time também.

Se não segue isso, não presta.

E não me venha perguntar o que eu achava do Vini Júnior dois anos atrás…

Acompanhe mais da cobertura do Palmeiras com João Sundfeld aqui, no Nosso Palestra!


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