Clube brasileiro é maior exemplo de péssima gestão esportiva e financeira

Renato SalgadoSetembro 24, 20207min0

Clube brasileiro é maior exemplo de péssima gestão esportiva e financeira

Renato SalgadoSetembro 24, 20207min0
Após uma década de decepção e sofrimento, equipa coleciona derrotas vexatórias, eliminações em todos os mata-matas contra os principais rivais e vem frustrando o torcedor ano após ano.

O São Paulo talvez seja o exemplo mais bem acabado daquilo de má gestão do seu elenco, do seu clube, do seu departamento de futebol, o São Paulo se perdeu, é impressionante, o São Paulo não tem mais nada a ver com aquele time majestoso que foi tricampeão mundial e jogava uma barbaridade. Referência em administração, departamento de futebol, médico, fisiologia e fisioteratpia para toda América do Sul.

Somente na era Leco – o atual presidente do São Paulo assumiu após a renúncia de Carlos Miguel Aidar, em 13 de outubro de 2015 -, 13 treinadores passaram pelo Tricolor, contando interinos e auxiliares. Dos nove efetivos, oito já foram demitidos (ou pediram as contas), sem que o time apresentasse uma melhora. O mandatário assumiu com Doriva no comando, mas viu o ídolo sair praticamente um mês após assumir. Daí em diante, Edgardo Bauza (que se demitiu para treinar a seleção argentina), Ricardo Gomes, Rogério Ceni, Dorival Júnior, Diego Aguirre, André Jardine, Cuca e Fernando Diniz já foram efetivados como técnicos do Tricolor.

TÉCNICOS DA ‘ERA LECO’

2015: Doriva e Milton Cruz
2016: Bauza, Jardine, Ricardo Gomes e Pintado
2017: Rogerio Ceni, Pintado e Dorival Jr
2018: Dorival Jr, Jardine e Aguirre
2019: Jardine, Wagner Mancini, Cuca e Fernando Diniz

Algumas das demissões ficaram marcadas como impopulares – Diego Aguirre é visto até hoje como injustiçado e Rogério Ceni saiu após perder boa parte do elenco -, enquanto outras foram elogiadas na época. Todas elas, entretanto, não evitaram vexames e eliminações no futuro próximo.

Com a última eliminação, no Paulistão e a mudança do calendário no futebol brasileiro, o tricolor não tem mais a possibilidade de ser campeão em 2020. Com isso, o São Paulo martiriza-se na segunda pior seca de sua história. No Paulistão, 15 anos sem conquistar o torneio. E já são 8 anos sem títulos e contando…

Rogério Ceni levantando a taça do Paulistão de 2005, o último título estadual do time tricolor. | Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press.

Com todos os desastres, eliminações, derrotas e problemas na diretoria, o São Paulo passa a impressão de ter parado no tempo, deixando com que as conquistas da primeira década dos anos 2000 subissem à cabeça, fazendo com que o tricolor perdesse sua essência vencedora. Nesta última década, o torcedor viu seus principais rivais empilhando títulos, enquanto o São Paulo empilhou vexames. A atual gestão é comandada por Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. No comando do tricolor desde outubro de 2015, o atual presidente entregará a seu sucessor, em dezembro de 2020, o legado de R$ 416 milhões em contratações de jogadores (a maioria delas fracassadas), R$ 526 milhões em dívidas e um total de zero títulos.

Presidente Leco em meio à entrevista coletiva. | Foto: Marcos Ribolli.

Faltando pouco menos de três meses para as eleições do Conselho Deliberativo e Presidência do clube, o cenário está definido. Até o momento, temos a candidatura confirmada de Júlio Casares, diretor na gestão Leco, mas que não admite ser a situação. Quanto à oposição, o nome de consenso escolhido foi de Roberto Natel. Mas para termos uma eleição mais justa, os eleitores não podem ficar restritos aos 300 conselheiros (sendo que são 200 conselherios vitálicios e 100 conselheiros eleitos pelos sócios do clube). Mas sim, deveriam considerar os sócios torcedores e do clube social.

São Paulo tem 26 eliminações em mata-matas na década, veja a lista

Veja a lista completa:

2011

  • Santos (semifinal do Paulistão)
  • Libertad-PAR (oitavas da Copa Sul-Americana)
  • Avaí (quartas da Copa do Brasil)

2012

  • Santos (semifinal do Paulistão)
  • Coritiba (semifinal da Copa do Brasil)

2013

  • Corinthians (semifinal do Paulistão)
  • Atlético-MG (oitavas da Copa Libertadores)
  • Ponte Preta (semifinal da Copa Sul-Americana)

2014

  • Penapolense (quartas do Paulistão)
  • Bragantino (terceira fase da Copa do Brasil)
  • Atlético Nacional (semifinal da Copa Sul-Americana)

2015

  • Santos (semifinal do Paulistão)
  • Santos (semifinal da Copa do Brasil)
  • Cruzeiro (oitavas da Libertadores)

2016

  • Audax (quartas do Paulistão)
  • Juventude (oitavas da Copa do Brasil)
  • Atlético Nacional (semifinal da Libertadores)

2017

  • Corinthians (semifinal do Paulistão)
  • Defensa y Justicia-ARG (primeira fase da Copa Sul-Americana)
  • Cruzeiro (quartas da Copa do Brasil)

2018

  • Corinthians (semifinal do Paulistão)
  • Athletico (quartas da Copa do Brasil)
  • Colón-ARG (segunda fase da Copa Sul-Americana)

2019

  • Talleres-ARG (segunda fase da Libertadores)
  • Bahia (oitavas da Copa do Brasil)

2020

  • Mirassol (quartas do Paulistão)

Se dominou o futebol brasileiro na primeira década dos anos 2000, quando foi tricampeão nacional, venceu a Libertadores e o Mundial, nos dez anos seguintes o São Paulo ficou longe das taças. O time venceu a Copa Sul-Americana de 2012, chegou a uma semifinal da Libertadores (2016) e a uma final do Paulistão (2019). Além da distância dos títulos, o São Paulo passou a contabilizar quedas diante de rivais de menor expressão. No Paulistão, o clube teve eliminações para Penapolense, Audax e Mirassol. Na Copa do Brasil, ficou pelo caminho contra Avaí, Juventude e Bragantino… e por aí vai!

Agora, resta ao São Paulo juntar os cacos e aguentar o final da tenebrosa gestão atual, sustentando-se em seus principais jogadores e respeitando seu torcedor e sua história. Vitórias e derrotas fazem parte do espetáculo que é o futebol, mas a cota de vexames já passou da conta.


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