10 momentos do Campeonato do Mundo de futebol pt.2

Fair PlayJulho 4, 20225min0

10 momentos do Campeonato do Mundo de futebol pt.2

Fair PlayJulho 4, 20225min0
Dos golos descalços de Leonidas ao encontro entre EUA e Irão, vamos contar algumas histórias marcantes de Campeonatos do Mundo do passado nesta colectânea

De Junho até Novembro, o Fair Play vai recordar alguns dos melhores momentos de Campeonatos do Mundo, oferecendo sempre duas histórias ao leitor, podendo ser divertidas, sérias, insólitas, educacionais, ou de outro género, e que ajudaram a escrever uma página na espectacular história do torneio de futebol mais aguardado a cada quatro anos.

BANKS E A VIGANÇA DE MONTEZUMA

No mundial de 1970, Gordon Banks ficou famoso pela sua majestosa defesa ao cabeceamento de Pelé. Entrou para a história do futebol como uma, senão, a melhor defesa do mundo, que o Rei recorda nas seguintes palavras: “Já marquei mais de mil golos, mas sempre lembro do que eu não fiz em 1970”.

Depois de carimbar a passagem na fase de grupos, Alf Ramsey – selecionador inglês – deu um dia livre aos seus jogadores. Os jogadores aproveitaram para conhecer melhor a gastronomia e as bebidas locais. Banks , Charlton, Cooper, Geoff Hurst e Moore entraram numa cantina onde foram recebidos em euforia e comeram e beberam até mais não. Convém notar que os ingleses tinham levado comida, água e outras bebidas para fugirem à famigerada “Vingança de Montezuma”.

Montezuma, imperador azteca, recebeu Hernán Cortés, conquistador espanhol, com muita benevolência. Foi traído. Antes de morrer, rogou a praga: todo estrangeiro que pisasse no México seria acometido de um severo mal-estar. E isso aconteceu com Gordon Banks.

Como relembra: “Não sei se a garrafa foi aberta na minha presença ou não, só sei que meia hora depois comecei a passar muito mal. (…) O problema era que eu tinha que ir ao wc tantas vezes que não conseguia descansar de jeito nenhum“.

Com o titular afligido por uma crise gastrointestinal gigantesca, chegou a vez do guarda-redes suplente – Peter Bonetti – assumir a defesa da baliza inglesa frente a Alemanha Ocidental (RFA). O jogo começou a ganhar por 2-0, mas Beckenbauer, Muller e companhia acabariam por virar o jogo para 3-2 afastando os detentores do titulo, vingando a final de 66 com ajuda de um imperador Azteca.

UM GOLO ANULADO QUE (TALVEZ) MUDOU TUDO

Em 1978, a Argentina recebeu em sua casa o Campeonato do Mundo, com 16 equipas participantes, entre os quais os estreantes do Irão e Tunísia, para além dos habitués do costume como o Brasil, Argentina, Itália, Espanha, e a campeão em título, a República Federal Alemã, dando cor a um Mundial que se esperava emocionante, muito por conta do ambiente que se iria viver nas bancadas. Este cenário frenético oferecido pelo país das Pampas acabou por ser a cor que maior contraste deu a esta edição de 1978, sem falar das controvérsias que se iriam passar durante a prova, com o Brasil a estar curiosamente envolvidas em todo, mas sempre do lado da vítima e de nação prejudicada. Não, não estamos a falar do 6-0 que a Argentina infligiu no Perú, resultando na relegação da canarinha para a disputa do 3º lugar da prova máxima do futebol mundial, e sim o que queremos relembrar hoje é do golo anulado frente à Suécia que acabou por forçar a ida do Brasil para o grupo B, quando poderiam ter encaixado no grupo A e assim evitar os seus “vizinhos” sul-americanos.

Mas o que tem de especial um golo anulado? Tudo. Todavia, antes de atacarmos a situação em concreto, há que relembrar dois pormenores importantes para que o leitor não estranhe a história: o primeiro passa pelo facto do Campeonato do Mundo ter sofrido diferentes alterações de formato, sendo que em 1978 ainda estava veiculado o de duas fases-de-grupos com quatro equipas, seguindo-se a final e o 3º lugar para as duas primeiras classificadas da segunda fase; os jogos de futebol só eram jogados até aos 90′ não existindo tempo de compensação. Tendo esses dois detalhes como nota, passamos ao momento em que o Campeonato do Mundo de 1978 poderá ter mudado de rumo, no encontro entre o Brasil e Suécia.

O jogo de estreia para ambas as selecções foi disputada até ao limite do exequível com ambas as formações a procurarem formas de chegar às redes com Sjöberg a concretizar por um bom remate, respondendo o Brasil depois por Reinaldo, registando-se um empate a um golo na entrada para a segunda metade. A canarinha pressionou até onde podia, esbarrando todos os seus remates quer nas luvas de Ronnie Hellström ou nos cortes providenciais de Björn Nordqvist, elevando o timbre do duelo ao seu pico máximo… até que chegou o momento do golo, ou melhor, não-golo de Zico. Centro de Reinaldo a partir de um canto, e Zico com uma cabeçada monstruosa fez as redes vibrar, colocando o público brasileiro ao rubro e a festejar! Porém, e antes que os festejos continuassem, o árbitro Clive Thomas anulou o golo por dizer que quando o pontapé de canto fora marcado já o tempo de jogo tinha terminado, e o cabeceamento de Zico era portanto “ilegal”. Incredulidade, choque e escândalo, levando aos jogadores, staff e adeptos brasileiros a um estado de total fúria perante uma decisão, no mínimo, pouco esclarecedora. No fim, o Brasil acabou mesmo com um empate a um golo, e este resultado teve como “consequência” no cair para o Grupo B da fase-seguinte, no qual constava a Argentina, futura campeão do Mundo.

Clive Thomas que já era visto no Reino Unido e Europa como um árbitro complicado, problemático e com historial de tomar decisões pouco “lúcidas” em jogos de importância máxima, acabou por assinar um dos momentos mais insólitos do futebol mundial.


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