A joia que podia ter brilhado ainda mais

Virgílio NetoAbril 17, 20193min0

A joia que podia ter brilhado ainda mais

Virgílio NetoAbril 17, 20193min0
Nesta semana completam-se 25 anos da morte de Dener Augusto de Sousa, avançado brasileiro que muitos afirmam ter sido muito melhor que Neymar, Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho.

Há 25 anos, precisamente em 19 de Abril de 1994, o avançado Dener era vítima de acidente automobilístico no Rio de Janeiro. Os adeptos mais novos pouco sabem quem era ele. Entretanto, mesmo pelo escasso tempo que esteve em atividade (em comparação com outros exponentes do futebol), colecionou memoráveis momentos de genialidade única. Falam ele ter sido melhor que os Ronaldos (Nazário e Gaúcho) e Neymar.

Dener Augusto de Sousa fora revelado por um clube luso-brasileiro, a Portuguesa de Desportos, da capital paulista. Em algumas situações enquanto nas canteras do clube, precisou abrir mão da carreira de futebolista para trabalhar e ajudar nas despesas de casa. No fim dos anos 80 destacou-se na equipa júnior e conseguiu uma chance na principal. Em sua estreia, apesar da derrota, jogador adversário pediu para que trocassem camisolas ao fim do jogo, em reverência ao desempenho de Dener, que recusou, a alegar que o salário não dava para reembolsar o clube pela troca. Em mais de cem jogos pela Lusa, quase trinta golos. Alguns inesquecíveis.

A sua estreia pela Canarinha aconteceu em um empate por 3 a 3 contra a Argentina, no estádio do Vélez Sarsfield, em Liniers. Em 1992 fez parte da seleção brasileira que não conseguiu a classificação para os Jogos Olímpicos de Barcelona. No ano seguinte foi transferido por empréstimo para o Grêmio, clube em que conquistou seu único título enquanto futebolista profissional: o campeonato estadual do Rio Grande do Sul. Terminado o contrato, retornou à paulistana Portuguesa, mas ao final do ano fora novamente emprestado para o carioca Club de Regatas Vasco da Gama.

Na estreia pelo Vasco, em Janeiro de 1994, um encontro histórico: um certame amigável contra o argentino Newell’s Old Boys, em Rosário. Na equipa “Leprosa” jogava – ninguém mais, ninguém menos – que Diego Armando Maradona, que dispensa apresentações, não é mesmo? Ademais, o Newell’s tinha uma “seleção”, com o treinador “Loco” Bielsa em início de carreira. Pois bem. Este colunista viu os melhores momentos daquele jogo pela televisão. Dener teve uma atuação impressionante a fazer o que sabia de melhor: conduzir a bola, posicionar-se, precisão nos passes e remates, além do drible. Ou seja, quase todos os fundamentos. Assim era Dener. Apesar de o marcador não ter saído do zero, ao final do jogo o brasileiro saiu ovacionado pelos adeptos da “Lepra”. Em um dos lances em que Dener passa por três defensores mas é vencido pelo guarda-redes, a câmera da televisão mostra Maradona a aplaudi-lo.

Em seu último jogo na vida, em um domingo 17 de Abril, um empate contra o Fluminense, no Maracanã. Fora ele expulso neste jogo. Ganhou a Segunda-Feira de folga e foi para São Paulo, sua terra natal. Terça-Feira pela madrugada, dentro da cidade do Rio de Janeiro, seu amigo que estava a conduzir é tomado pelo sono, perde o controlo do carro que colide com uma árvore, a pôr fim à vida de uma grande joia do futebol do Brasil, que podia ter brilhado ainda mais.

Dener deixou três filhos pequenos. Hoje, um dos seus netos destaca-se nas categorias de base do clube que o avô foi revelado.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter