Onde é que anda o Flop: Wason Renteria, o goleador de pólvora seca do Porto

Francisco IsaacAgosto 14, 20188min0

Onde é que anda o Flop: Wason Renteria, o goleador de pólvora seca do Porto

Francisco IsaacAgosto 14, 20188min0
Recordas-te de um avançado que prometia abanar as redes dos adversários do Porto, mas acabou por falhar a oportunidade no Dragão? Falamos de Renteria, recordas-te?

Jackson Martínez foi, provavelmente, um dos melhores pontas-de-lança a passar por Portugal nos últimos 15 anos, com o colombiano a ser reconhecido pelo seu faro a golo, velocidade ímpar, magia nos pés e eficácia em frente ao guarda-redes adversário. Foi um dos colombianos a dar-se bem no Dragão e que deu muitos milhões aos azuis-e-brancos.

Contudo, em 2006 houve uma primeira tentativa de trazer um colombiano artilheiro para a Invicta que tinha encantado bancadas no seu país de origem como no Brasil, ao serviço do Internacional de Porta Alegre. Um avançado que aos 20 anos tinha conseguido a estreia pelos cafeteros, prometendo muito como todos os adeptos da altura devem bem recordar.

Um striker formado no Bogotá Chicó, clube pelo qual ascendeu à categoria sénior aos 17 anos, deu muito nas vistas pela sua raça no ataque, grandiosidade no choque com os defesas, munido de uma destreza felina e de um jeito especial para esvoaçar as redes, acabou por ser contratado pelo consórcio MSI, o mesmo que adquiriu os passes de Tévez, Mascherano, entre outros.

PERFUME CAFETERO QUE NÃO FICOU AGARRADO NA BWIN LIGA

Mas bem, depois desta introdução de quem falamos? Wason Rentería. Quem? O leitor mais distraído ou que não viu o futebol português entre 2006 e 2009, não vai reconhecer o nome logo no imediato, até porque o colombiano só teve uma boa experiência em território nacional e foi mais para as terras do Minho… já lá vamos!

O ponta-de-lança ganhou reputação muito rapidamente no futebol da América do Sul, pois fez parte daquela fenomenal equipa do Internacional que entre vários títulos levantou a Libertadores em 2006. A par de Jorge Wagner, o colombiano (um dos poucos estrangeiros da formação que hoje em dia milita na Serie A do Brasil) foi um dis melhores marcadores na fase a eliminar, com dois golos, sendo ultrapassado pelo espectacular Rafael Sóbis na final.

Aos 20 anos era internacional pela Colômbia (que recomeçava a redescobrir-se na cena internacional) e campeão da Libertadores, com 13 golos concretizados. O seu potencial estava lá e alguns clubes começaram a fechar o cerco em Rentería. No meio do concurso pelo cafetero, o FC Porto avançou com 3M€ pelo jovem goleador que prometia dar grandes alegrias aos campeões nacionais em título.

Em Janeiro, o FC Porto fechou a contratação e Jesualdo Ferreira, que tinha assumido as rédeas do clube em Agosto passado, pediu logo a vinda do ponta-de-lança… eram necessárias soluções para a frente de ataque, apesar de na altura o FC Porto ter um leque de opções formidável: Lisandro Lopez, Adriano e Hélder Postiga. E ainda havia Bruno Moraes, outro avançado que tem outras histórias para contar.

Regressando a 2007, Rentería entre a meio de um campeonato frenético para o clube liderado por Jorge Nuno Pinto da Costa, entre um SL Benfica que sonhava em agarrar a liderança e um Sporting CP que no fim ainda vai dar um ar da sua graça… é precisamente contra os dois rivais de sempre que começam os problemas do colombiano. Mas antes, relembrar que se estreou com a “esquecida” Naval 1º de Maio, num encontro que terminou com 4-0 a favor da equipa de Jesualdo Ferreira.

Rentería entrou para jogar os últimos 15 minutos e não comprometeu… aliás, deixou pormenores interessantes, especialmente nas movimentações junto da área e a facilidade com que criava soluções de ataque para os seus colegas de equipa. Tinha pulso forte para mandar no meio da área, para causar problemas entre os centrais e descobrir boas linhas de passe.

Foi somando 15 minutos em 15 minutos até ao jogo com o Sporting CP, jogo para o qual não recebeu direito a convocação, apesar de ter feito uma boa exibição nos Barreiros (vitória do FC Porto por 2-1, com assistência do colombiano). Os dragões iriam escorregar em casa frente aos leões e Jesualdo Ferreira tinha cometido um “crime” para alguns adeptos, ao deixar de fora um avançado tão dotado como Rentería.

Gritava-se por “raça”, “garra” e “combate”, algo que Adriano não aparentava possuir… Lisandro Lopez estava lesionado e Hélder Postiga passou muito ao lado do encontro. Rentería parecia ter caído no goto dos adeptos sem ter feito qualquer golo nos 80 minutos realizados em três jogos. E, finalmente, estamos em pleno Clássico: o FC Porto em 1º com 52 pontos, a um mero ponto das águias… uma derrota trocava os líderes do campeonato.

Num jogo de loucos, são os do Norte a adiantar-se primeiro por Pepe, num desvio de cabeça perfeito na pequena área. O SL Benfica, com Fabrizio Miccoli no ataque insistiam em boas jogadas, aplicando um certo pendor ofensivo que não era correspondido com golos… até que Lucho Gonzalez decide empatar a contenda, com um auto-golo venenoso.

1-1 e qualquer das equipas podia conquistar os três pontos… no final do jogo mesmo, Mantorras vai ter uma ocasião soberana para o 2-1 mas Helton faz-se de salvador e tira a bola da baliza. Todavia, aos 90+5, Marek Cech tem um rasgão súbdito, sai a fintar dois jogadores do clube da Luz e mete a bola com perfeição total em Renteria. O avançado que entrara aos 80′ ficou cara-a-cara com Quim e, sem que ninguém até hoje arranjasse explicação, falha de uma forma estrondosa.

Foi o momento chave para o fim da carreira de Rentería no Dragão, com um inacreditável falhanço que deixou os adeptos em polvorosa, pois uma vitória arrumava – praticamente- o Campeonato Nacional. O FC Porto sofreu até ao fim da época e no final de todas as decisões levantou o caneco. Para Rentería foram uns dias de glória, que seriam substituídos com um “adeus” aos azuis-e-brancos.

Jesualdo Ferreira queria outras opções, Rentería tinha falhado 5 dos 6 testes que teve direito e o não-golo na Luz sentenciou a sua carreira de certa forma. Foi um momento crasso naquela época, tudo mudaria com uma vitória do Porto e com o cafetero como herói da noite.

Época seguinte entrou na ladainha de empréstimos tão comuns aos atletas que são carimbados como flops em Portugal… começou no Estrasburgo (9 golos em 30 jogos), passou por Braga, ainda foi ao Brasil actuar pelo Atlético Mineiro e encerrou a sua ligação contratual com o FC Porto depois de mais um empréstimo ao SC Braga. Foi ao serviço dos bracarenses que teve o seu melhor período na Europa, tanto na primeira como na segunda passagem.

Se em 2008/2009 fez 9 golos e 8 assistências em 38 jogos, já em 2010 (alinhou entre Janeiro e Maio) completou 3 golos e 3 assistências pelos guerreiros do Minho, apresentando-se sempre como um avançado ágil, forte e que podia desequilibrar no ataque desde que confiasse no seu papel dentro de campo. O maior problema de Rentería foi sem dúvida alguma a pressão a que foi submetido.

Esse pormenor vai marcar o restante percurso do colombiano, pois optará a seguir por rumar de novo à América do Sul, onde actuou ao serviço de vários emblemas de grande e menor dimensão: Once Caldas (quase 20 golos só num ano), Santos (pouco ou nada jogou pelos brasileiros), Millionarios (ajudou o histórico emblema colombiano a recuperar o título de campeão em 2012), Racing (fez 2 jogos mais ainda foi a tempo de receber a medalha de campeão), La Equidad e Guarani.

Contudo, aos 33 anos de idade Rentería está sem clube de momento depois de uma boa experiência no SC Tubarão (actua no Catarinense, um dos estaduais do Brasil) onde foi o artilheiro do campeonato com 11 golos, sendo dispensado no final do ano de 2017. De então para os dias de hoje, o colombiano nunca mais jogou futebol e aguarda por um novo contacto para seguir carreira.

Em 371 jogos, fez 117 golos, pouco para um avançado que prometeu tanto no início da carreira como sénior. A sua história no futebol fica marcado por aquele golo falhado em plena Luz, um tento que poderia ter mudado a sua carreira de “pernas para o ar” mas que acabou por etiquetá-lo como um avançado que nem um golo simples e “cantado” era capaz de concretizar.

Ficam os vários títulos somados na carreira, as passagens de sonho por alguns clubes importantes e o tal não-golo em 2007.


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