4 reforços “baratos” que foram e são estrelas em Portugal

Francisco IsaacJulho 3, 20206min0

4 reforços “baratos” que foram e são estrelas em Portugal

Francisco IsaacJulho 3, 20206min0
Comprar barato e vender caro ou cosneguir que o atleta se torne uma referência-lendária são "musts" para conseguir um negócio de alta qualidade. Escolhemos 4 jogadores que preenchem estes requisitos, entre algumas dezenas de nomes

É um artigo demasiado “curto” já que há vários outros jogadores que facilmente se enquadravam nesta lista de jogadores que chegaram a troco de uns (milhares) de cêntimos e acabaram por se tornar referências durante épocas ou mesmo décadas, em cada um destes clubes. De campeões europeus a capitães lendários, qual deles o melhor negócio desde o início do século XXI?

MANICHE (SL BENFICA -» FC PORTO)

De nova coqueluche dos encarnados, a renegado e relegado para a equipa B do SL Benfica até a reforço surpresa do plantel de José Mourinho que viria a conquistar toda a Europa… esta é rapidamente a história de Nuno Ribeiro, ou mais comumente conhecido por “Maniche” que foi daqueles casos de alto sucesso no FC Porto. Foi uma das operações mais inteligentes e, na altura, questionáveis da SAD liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa já que Maniche era visto pelos adeptos azuis-e-brancos como um atleta profundamente enraizado na mentalidade do SL Benfica e que dificilmente encaixaria na do FC Porto… passados poucos meses da chegada do médio às Antas (ainda se jogava no mítico estádio da cidade do Porto) já era um dos mais aplaudidos pelas bancadas. Maniche custou cerca de 0€, ou seja, chegou à Invicta a custo-zero depois de ter findado o contrato que o ligava ao emblema lisboeta.

Naquelas duas épocas de alta glória europeia e nacional do FC Porto, Maniche compunha um trio de meio-campo espectacular com Costinha e Deco, dominando por completo a maioria dos seus adversários entre 2002 e 2004, sendo autor de 17 golos, dois deles magnificos contra o Olympique de Lyon nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. O dinamismo constante e a aquela energia total aplicada no desenrolar do jogo foram essenciais para dar uma maior velocidade e verticalidade ao “miolo” de jogo da estratégia de José Mourinho. Sairia do clube em Julho de 2005 para o Dinamo de Moscovo a troco de 16M€, pondo fim a uma ligação que ofereceu-lhe um relançamento na carreira, títulos e um estatuto de lenda dos azuis-e-brancos.

RABAH SLIMANI (CR BELOUIZDAD -» SPORTING CP)

57 golos em 111 jogos (sem contar com as assistências) e uma evolução total que acabou por encher os cofres dos “leões” em 2017 quando saiu para o Leicester por 30M€, quatro anos após ter chegado ao Sporting CP por uns meros 300 mil euros. Foi uma autêntica pechincha paga pelo internacional argelino mas a verdade é que Rabah Slimani só se tornou o bom ponta-de-lança que foi e é quando recebeu as instruções da parte de Leonardo Jardim, Marco Silva e Jorge Jesus, desenvolvendo-se numa unidade ameaçadora dentro da área que sabia cooperar e ajudar na construção de linhas de ataque, algo que cria saudades eternas nos adeptos verde-e-brancos.

Slimani foi-se agigantando dentro da área época após época, começando na equipa “B” para depois rapidamente arrancar uma série de oportunidades no plantel principal, merecendo rasgados elogios pela forma agressiva com que batalhava junto dos centrais, pela técnica de desmarcação ou por rapidamente conseguir acompanhar uma subida incisiva e rápida do ataque do Sporting. Não marcou tantos golos como Bas Dost, mas é inegável o crescimento e a evolução de Slimani que passou de um desajeitado ponta-de-lança para um atleta decisivo e fulcral que tentou dar o título de campeão aos “leões”, com uma última época incrível de 45 jogos, 31 golos e 6 assistências.

LUISÃO (CRUZEIRO -» SL BENFICA)

Ficará para sempre na história do SL Benfica como um dos grandes capitães a passar pelo clube da Luz, com um registo impressionante de seis Títulos da Primeira Liga, 3 Taças de Portugal, 7 Taças da Liga e 4 Supertaças, sendo um dos atletas com mais troféus conquistados ao serviço das “águias”. Quando chegou a Lisboa no Verão de 2003, o valor pago pela direcção liderada então por Manuel Vilarinho foi irrisório perante a qualidade que o brasileiro trouxe a uma defesa constantemente fustigada, para além da longevidade que apresentou até ao fim da carreira… foram 15 anos de ligação aos encarnados dentro de campo e raramente foi um problema.

1M€ foi o valor pago e que significou 523 jogos, 45 golos e 18 assistências, números suficientes para poder colar Luisão à caderneta dos maiores símbolos de um dos históricos emblemas nacionais. A imposição do seu estilo forçou os ataques adversários a assumirem um risco maior na atitude ofensiva, já que Luisão – nos seus melhores tempos – apresentava um poder de aceleração excepcional, somando-se ainda a qualidade na marcação cerrada, a interferência astuta e completa no jogo aéreo (no ataque praticamente deu o título de 2005 com aquela cabeceamento frente ao Sporting CP) e uma voz de comando que ajudou a construir uma das defesas de melhor calibre do SL Benfica do século XXI.

RAFA (CD FEIRENSE -» SC BRAGA)

Rafa foi um dos negócios mais “custosos” para António Salvador, mas que passado uns anos renderia quase 20M€ aos bracarenses e marcaria definitivamente a ascensão do emblema minhoto à dimensão de “grande” no contexto nacional. Rafael Silva saiu do Feirense em 2013 a troco de 500 mil euros, e nas quatro épocas que vestiu a camisola dos guerreiros conquistou o patamar de referência e principal condutor da movimentação ofensiva dos vários treinadores que passaram pelo SC Braga, pautando uma magia especial de grande dimensão que incendiava tanto as alas como o centro do ataque, impondo constantes problemas e dificuldades às formações adversárias.

Quando o SC Braga avançou com quase meio milhão para garantir o concurso do extremo, surgiram algumas vozes dissidentes que não percebiam o porquê de tal gasto, supostamente “excessivo”… olhando para trás, não há forma de dizer que não foi um dos melhores negócios do futebol português envolvendo a contratação de jogadores e clubes locais. Rafa será para sempre relembrado como um dos maiores nomes deste Braga do século XXI, seja pelos golos, assistências, exibições e até troféu conquistado (Taça de Portugal em 2016) e um dos negócios mais proveitosos de sempre da administração dos guerreiros.


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