Arquivo de Basquetebol - Página 2 de 16 - Fair Play

FXNZTPFXwAA1jOz.jpeg?fit=667%2C444&ssl=1
José AndradeJulho 16, 20227min0

O 1º estágio de preparaçãao da seleção feminina sub18 em Ovar deu-nos dois triunfos sobre o País Basco e é sobre as duas vitórias que hoje vos vamos falar.

Portugal vs País Basco: Só deu Portugal

No primeiro jogo, a seleção das quinas venceu por 64-34, um triunfo esclarecedor e onde Portugal realizou uma partida de grande nível. O conjunto das quinas entrou a todo o gás, deixando desde os primeiros momentos de jogo a seleção Basca em dificuldades no jogo. As comandadas de Agostinho Pinto com uma primeira parte de excelência fruto da pressão elevada que criava dificuldades às adversárias desde cedo, assistíamos ao domínio de Portugal que parecia jogar numa velocidade acima. Além do “andamento”, a pressão asfixiante levava a muitas perdas de bola bascas, além disso o conjunto visitante no ataque quando conseguia chegar perto do cesto luso não conseguia concretizar.

A primeira parte foi de domínio português em todos os pontos, no ataque víamos uma circulação de bola bonita que permitia o ganho de vantagens nas penetrações e que desmontava a defesa do País Basco, ainda íamos vendo as bolas da linha de três pontos a cair e o ganho de segundas bolas e ai muito importante as ações de jogadoras como a Andrea Chiquemba ou a Rita Rodrigues que deram à nossa seleção a vantagem. Na segunda parte, o domínio não foi tão expressivo, a selção Basca conseguiu equilibrar um pouco mais o jogo, mas nada que colocasse a vantagem lusa em causa, as jogadoras portuguesas conseguiram manter a superioridade e gerir a vantagem. Na segunda parte conseguimos ver mais de algumas jogadoras, deu para testar algumas estratégias, mas vitória inequívoca neste primeiro duelo em Ovar.

Portugal vs País Basco: Vencer na garra e na qualidade

O segundo jogo foi bem diferente, Portugal triunfou por 61-59 garantindo a vitória nos últimos segundos e depois de um jogo onde a seleção lusa foi obrigada a lutar muito. As Bascas começaram melhor esta partida, com uma mudança na abordagem ao jogo anterior, surgiram com linhas mais subidas, pressão a campo inteiro em muitos momentos e muito mais agressivas, aliás os momentos de ascendente basco foram muito fruto desses duelos que em alguns momentos roçaram o limite. A seleção basca tentou mostrar outra imagem e conseguiu. Portugal entrou mal na partida, foi crescendo ainda no primeiro quarto, mas a primeira parte não foi boa, não se conseguia parar a força no jogo interior e no ataque algumas precipitações que eram originadas pela pressão alta e pela defesa basca que levava a esses erros.

Portugal termina a primeira parte a precisar de corrigir vários pontos e com o selecionador, Agostinho Pinto profundamente irritado, por isso mesmo o conjunto das quinas acabou por regressar já em cima do recomeço de jogo, obviamente que não sabemos o que foi dito, mas imaginamos que as jogadoras tenham “levado na cabeça” e deu resultado, na segunda parte a seleção mudou bastante e conseguiu não só equilibrar o jogo como assumir um ligeiro ascendente nesta segunda parte. Foi um jogo muito físico, as Bascas tentaram sempre levar o jogo para o físico, para os duelos e para o excesso de agressividade. Portugal venceu, no terceiro e quarto períodos, a seleção lusa conseguiu inverter, passar a ganhar na luta das tabelas e errar bem menos, voltámos a ver as portuguesas mais assertivas, com mais calma no ataque e por isso de forma natural Portugal venceu este duelo onde se lutou muito, mas a qualidade da seleção feminina sub18 esteve em evidência e fez a diferença.

Em contagem decrescente para o Campeonato da Europa de Sofia, na Bulgária que se vai realizar de 30 de julho a 7 de Agosto, a seleção feminina sub18 está cada vez mais pronta e estes duelos deixaram vários destaques e é sobre eles que vamos falar um pouco, mas são eles:

– Andrea Chiquemba: Poderosa e inquebrável

Um dos maiores destaques desta seleção é Andrea Chiquemba, neste dois jogos deu para mais uma vez ficar impressionado pela capacidade física da jogadora que na próxima temporada vai estar nos Estados Unidos da América. Uma capacidade incrível de continuar a lutar mesmo quando as coisas não estão a correr bem e muita qualidade. Foi uma das melhores lusas nestes dois duelos, por vezes com missões que não saltam tanto à vista, mas sempre muito bem, na luta das tabelas, na defesa, nas ações ofensivas, sem dúvida uma das jogadoras que tem tudo para ser destaque em Sofia.

– Inês Bettencourt: Espalhar magia em todas as circunstâncias

Outras das jogadoras que mais se destacou foi sem dúvida, Inês Bettencourt, a base que também vai rumar aos Estados Unidos da América, foi sempre a jogadora mais esclarecida, capaz de “iluminar” e liderar quando a seleção mais precisava. É uma jogadora com muita técnica e que sabe muito bem o que fazer à bola, principalmente no segundo jogo a capacidade de ler o jogo e de saber quando acelerar foram preponderantes. Muita maturidade nesta base que conseguiu ser a peça que mais conseguiu desequilibrar as Bascas.

– Gabriela Falcão: Lutadora incansável

O terceiro destaque vai para Gabriela Falcão, também ela vai emigrar para o outro lado do Oceano Atlântico, mas a jovem poste esteve em evidência pela sua capacidade de lutar, não foram jogos fáceis em especial para as jogadoras interiores que principalmente no segundo duelo foram obrigadas a uma “batalha” muito física e Gabriela Falcão esteve sempre a altura dos desafios, conseguiu sempre aparecer nos encontros e fazer a diferença, também ela está cada vez mais pronta para ser um dos destaques no Campeonato na Europa.

– Laura Silva: Mira afinadíssima

O nosso quarto destaque é Laura Silva, a jovem que se evidenciou pelo tiro exterior nestes dois encontros, mas não só. Laura Silva foi preponderante, sempre que entrou “mexeu” com as partidas, deu sempre mais velocidade à seleção nacional e revelou uma mira pronta para os grandes desafios que estão por vir, mas esteve em destaque também pelo que fez jogar, voltar a mostrar a sua qualidade em especial na construção, poderá ser um dos “jokers” desta seleção em Sofia.

– Ana Pinheiro: Faz de tudo e sempre muito bem

Para terminarmos Ana Pinheiro, podíamos falar ainda de Rita Rodrigues ou Cristina Freitas, mas vamos destacar Ana Pinheiro que se evidenciou como sempre pela sua qualidade em todos os pontos, sempre bem na defesa e no ataque, surgiu bem quando assumiu mais vezes a construção, na luta das tabelas, na marcação, foi exemplar mesmo quando os jogos complicaram a jovem do CPN esteve em destaque pela sua capacidade de fazer tudo bem, uma regularidade aliada à sua qualidade que a deixam sempre como uma das figuras em todos os jogos.

Ficou aqui um olhar para os últimos jogos da seleção feminina sub18, dois triunfos em Ovar mais alguns destaques, sendo que o maior é a certeza que esta seleção está cada vez mais preparada para ir brilhar a Sofia, expetativas e confiança em alta para o que está por vir.

image.jpg?fit=800%2C533&ssl=1
José AndradeJulho 13, 20225min0

Hoje fazemos um exercício diferente e vamos já olhar para o próximo draft WNBA 2023 destacando 5 nomes que devem guardar já para o futuro da liga e do basquetebol feminino mundial, por isso venham connosco e fiquem a conhecer estas 5 jogadoras.

O grande destaque do draft da WNBA em 2023 é Aaliyah Boston, uma das maiores jovens talentos mundiais e que vai ser a escolha número 1 neste draft, mas nós vamos além desta futura grande estrela e olhar para outras 5 jogadoras repletas de potencial para serem nomes em destaque no basquetebol mundial e são elas:

– Diamond Miller: Talento absurdo

Um dos nomes que mais se evidencia já para o próximo draft é o de Diamond Miller, uma base de Maryland que tem mostrado uma grande evolução de época para época. Dimaond já teve algumas lesões sérias, mas falamos de um dos talentos mais entusiasmantes para o draft de 2023. É uma base forte fisicamente, que ganha muitas bolas no físico, e que possui uma técnica apurada, estes dois pontos sempre foram onde mais se destacou. Jogadora alta e com poderio físico, com braços longos, a juntar a isso é rápida e não tem medo de assumir nas alturas mais complicadas. Diamond Miller é uma atleta que defende cada vez melhor e que no ataque tem um “arsenal” de skills absurdo, ofensivamente é uma jogadora muito rica. Com a evolução que tem tido e o seu imenso talento, será um dos nomes grandes no basquetebol mundial em pouco tempo.

– Tamari Key: Uma das melhores defensoras

Mudamos para o Tennessee para falar de Tamari Key, uma poste muito forte que na última temporada apresentou um crescimento gigante no aspeto ofensivo. Tamari sempre se destacou pela defesa, desde cedo que se afirmou como uma das melhores defensoras desta classe, algo que continua a ser, a verdade é que na época passada se afirmou também a nível ofensivo. Tennessee teve em Tamari Key a chave para o sucesso na campanha passada, com a poste a liderar a equipa a nível defensivo e ofensivo, e foi mesmo a melhor a nível nacional no que aos desarmes de lançamento diz respeito e conseguiu a sua melhor média de pontos por jogo na carreira. Joga muito bem de costas e de frente para o cesto, sabe usar a sua envergadura e tem melhorado muito a sua técnica de lançamento, uma poste cada vez mais completa e que vai com toda a certeza ser uma escolha elevada no próximo draft.

– Jordan Horston: Base completa

Continuamos em Tennessee para falar de Jordan Horston, uma base muito completa e que é uma das melhores da sua posição neste próximo draft. Jordan Horston teve alguns problemas físicos, mas é uma base que acrescenta muito em todos os aspetos do jogo, isto porque é uma scorer, sempre com uma média de pontos elevada, pensa bem o jogo, e, para além disso, destaca-se pelo que faz a sua equipa jogar. Do lado defensivo também se consegue evidenciar, tanto pela capacidade de ressaltos como pelos roubos de bola, é uma base muito completa, que rende dos dois lados e que será um encaixe perfeito em todas as equipas pela sua capacidade de render em todos os contextos e formas de jogar, um talento que até ao draft tem tudo para subir nos mocks drafts e acabar a ser uma escolha elevada em 2023.

– Aijha Blackwell: Base lutadora

Vamos agora para o Texas onde para falar de Aijha Blackwell uma base que chegou a Baylor depois de ter estado no Missouri. Aijha fez história quando foi a primeira jogadora desde 1997-1998 a conseguir um duplo-duplo. Olhando para esta atleta, falamos de uma base que combina técnica com velocidade, tem a capacidade de ganhar os duelos no 1×1 através dessas duas armas, além disso é muito física. Com o seu 1,80m consegue ganhar muitas bolas e bater até jogadoras com uma estatura mais elevada, sendo que também se destaca na luta das tabelas e na defesa. Uma base habilidosa e que é uma combinação de tamanho, velocidade e capacidade técnica, veremos como rende em Baylor, mas poderá vir a ser uma escolha de top15 no próximo draft da WNBA.

– Elizabeth Kitley: Uma das jogadoras mais underrated do país

Terminamos esta nossa lista de jogadoras a guardar para o draft de 2023 da WNBA com a poste Elizabeth Kitley. Viajamos até à Virginia para falar de um dos maiores talentos, embora seja pouco falada e destacada. A sua equipa conseguiu montar um conjunto com grandes atiradoras que permitiam que Elizabeth se concentrasse nos seus pontos fortes, isto porque é uma poste no mais fiel à posição ou seja, uma jogadora alta, com instintos únicos em redor do cesto e com uma imensa habilidade para concretizar. Uma interior alta, forte fisicamente, e que se evidencia pelo seu footwork de muita qualidade, corre em campo como uma base, tem essa capacidade física e velocidade para recuperar posição rapidamente, joga bem sem bola, sabe que posições ocupar. Pode ser um caso sério, pela estatura e capacidade física, que se junta à capacidade de concretização, onde se evidencia pelos duplos-duplos, mas também pela sua técnica de lançamento e por ser uma boa atiradora. Uma poste que é quase indefensável no 1×1, nome a guardar muito para os próximos anos.

Ficaram aqui 5 talentos que vamos ter a possibilidade de acompanhar ao longo desta temporada e que vão ser nomes a guardar para o próximo draft e ainda mais para o futuro do basquetebol mundial.

FWxqZmhWYAMTPgh.jpeg?fit=1200%2C1501&ssl=1
José AndradeJulho 9, 20225min0

A temporada da WNBA está completamente ao rubro e as Minnesota Lynx depois de um começo atribulado são uma das equipas em destaque desde Junho e é sobre esta nova fase de Minnesota que vos vamos falar hoje.

As Minnesota Lynx iniciaram esta época com muitas dúvidas, várias jogadoras lesionadas e em diferentes fases de recuperação, muitos problemas para este conjunto lidar, mas desde cedo se viu que a grande figura ia ser a experiente Sylvia Fowles. A estrela assumiu o protagonismo de todas as colegas que estavam em falta e ainda do baixo rendimento e produtividade de outras. As Lynx só ganharam um duelo nas 7 primeiras jornadas, conseguiram criar alguns problemas nos jogos com algumas das favoritas, mas as ausências pesavam e deixavam este conjunto de Minnesota com alguns problemas. Depois de uma série negativa, o regresso das figuras que estavam lesionadas e algumas alterações no plantel ajudaram a que as Lynx conseguissem melhorar e dar a volta depois de um começo menos bom.

Nesta altura são 4 vitórias nos últimos 6 jogos, uma mudança radical ao que assistíamos no início de temporada. Indo além dos resultados, percebemos que a equipa melhorou bastante em especial no aspeto ofensivo e muito porque o banco começou a funcionar. A equipa consegue desde 21 de junho ter mais vitórias que nos 16 primeiros jogos, mas o ponto são as melhorias exibicionais da turma de Minnesota. O crescimento desta equipa faz os fãs sonharem com o regresso de Sylvia Fowles aos playoffs naquela que será a sua última temporada na WNBA.

A curta rotação foi a chave para as Lynx iniciarem a temporada como a pior equipa nível ofensivo, depois com os regressos e o acerto nas entradas, a equipa tal como se viu com as Las Vegas Aces passou a conseguir ter uma profundidade maior e com isso um desempenho melhor. O triunfo frente às Aces é o maior destaque, é necessário frisar que a equipa de LA acusou algum cansaço e a falta de rotação, mas as Lynx neste duelo mostraram de forma exata todas as melhorias que começam na capacidade de rotação com nenhuma das atletas a jogar mais de 28 minutos, depois disso não vemos muitas jogadoras a passar dos dois dígitos, mas todas marcam, todas conseguem fazer a diferença independente do tempo de jogo e em todos os casos o impacto é sentido nos dois lados do campo. Defensivamente a equipa sempre se conseguiu mostrar, obviamente que a dependência de Fowles era imensa no começo de temporada, algo que tem vindo a reduzir, em primeiro lugar porque a equipa foi obrigada a isso com a lesão da sua estrela e depois pelo crescimento que temos assistido nos últimos duelos.

As lesões ainda não estão totalmente ultrapassada e isso também obriga a esta gestão cuidada, mas o regresso de Damiris Dantas deu à esta equipa um poderio físico e uma capacidade muito importante na luta das tabelas, algo que faltava no começo da temporada. Um dos destaques deste crescimento das Lynx é Moriah Jefferson que também ela passou por problemas físicos, foi dispensada pelas Dallas Wings e depois do início atribulado, conseguiu assumir-se como uma das figuras desta equipa, sendo nesta altura uma das jogadoras fundamentais. O ponto alto para já de Moriah Jefferson nesta temporada foi o duelo com as Wings onde conseguiu a sua vingança, depois de ser dispensada, a jogadora que na próxima temporada estará na Europa ao serviço das espanholas do Avenida, conseguiu o seu primeiro triplo-duplo da carreira com 13 pontos, 10 assistências e 10 ressaltos, não só conseguiu a sua “vingança” como confirmou a melhor fase da temporada a nível pessoal e coletivo das Lynx. A melhoria ao longo da época colocam este conjunto nesta altura com um registo de 7-15 e a liderar no “scoring” da WNBA com 91.3 pontos de média por jogo, uma diferença abismal na produção ofensiva desta turma de Minnesota. Analisando os números podemos ver esta evolução, passaram de 78.4 pontos por jogo para 91.3, a nível de lançamentos de campo a percentagem subiu de 43.0 para 49.0, no que à linha de três pontos diz respeito o crescimento também é notório com uma passagem de 31.0% para 40.1%, algo bem revelador do que este conjunto tem melhorado no aspeto ofensivo.

Na defesa que até era o ponto melhor da equipa, notamos também um crescimento e basta ver que a equipa concedia 84.9 pontos por jogo de média e nesta altura desceu para 78.8 pontos de média, um crescimento assinalável em todos os aspetos para a turma de Minnesota. Sylvia Fowles continua a ser a grande protagonista das Minnesota Lynx, em 17 jogos tem médias de 14.9 pontos por jogo, 9.3 ressaltos, 1.2 roubos de bola e 1.3 desarmes de lançamento, médias que fazem desta super estrela a segunda melhor jogadora da Liga no que aos ressaltos por jogo diz respeito, a sexta melhor nos desarmes de lançamento e a melhor no que diz respeito aos lançamentos de campo com 64.5%, a experiente jogadora segue em temporada de grande nível que a colocam na luta pelo prêmio de MVP, algo que com o crescimento das Lynx poderá ficar mais perto e seria o melhor final de carreira para uma das melhores jogadoras de sempre. Os próximos duelos vão ser testes decisivos para esta nova fase das Lynx, a margem é muito curta para um possível lugar nos playoffs e por isso a turma de Minnesota está obrigada a vencer, mas nesta altura o rendimento e a qualidade jogo desta equipa são os grandes destaques na WNBA.

Ficou aqui um olhar para a nova fase das Minnesota Lynx, a equipa que passou de uma das piores para uma das em maior destaque na WNBA.

Selecao-Nacional-de-sub20-femininos-8.jpg?fit=1200%2C900&ssl=1
José AndradeJulho 7, 20226min0

Com o Campeonato da Europa sub-20 prestes a começar e depois de três duelos no 1º Torneio Internacional de Pombal, vamos aqui olhar para a competição deste ano para percebermos as esperanças da seleção feminina sub-20 portuguesa que tem tudo para surpreender na Hungria.

Portugal – República Checa: Má entrada custou demais

No primeiro jogo em Pombal, a seleção feminina sub-20 saiu derrotada por 73-66 frente à República Checa. O mau começo de jogo custou esta derrota, mas mesmo perante os problemas iniciais Portugal conseguiu equilibrar e na segunda-parte mostrou bem mais. A turma das quinas não foi abaixo depois dos erros iniciais, mostrando capacidade de superação. Mariana Cegonho como sempre a precisar de pouco tempo de jogo para fazer a diferença, é aquela jogadora que causa impacto independentemente do tempo de jogo. Não foi o melhor resultado para começar, mas ficou a capacidade de recuperar perante as dificuldades dos dois primeiros períodos e ainda o grande jogo de Eva Carregosa.

Portugal – Polónia: Kamila Borkowska foi o maior desequilíbrio

No segundo duelo de preparação, Portugal perdeu frente à Polónia por 51-62. Resultado enganador, pois foi um jogo muito equilibrado, a seleção nacional começou muito bem, totalmente diferente do dia anterior, defensivamente bem mais fortes, mais agressivas, mas o problema estava em Kamila Borkowska, uma jogadora com mais de 2 metros que foi dominando no jogo interior deixando sempre Portugal em dificuldades. Mesmo com a presença de Borkowska, as lusas conseguiram através de um segundo quarto irrepreensível estar na frente ao intervalo, com a defesa a conseguir anular quase tudo no ataque das polacas, foram dois períodos de superioridade lusitana. A segunda parte trouxe novamente mais dificuldades, mau recomeço de jogo no terceiro quarto a fazer a diferença. Algum cansaço normal, mas a chave esteve nos 46 ressaltos ganhos pela Polónia contra os apenas 27 portugueses, com destaque óbvio para a já citada Kamila Borkowska que conseguiu 18.

Portugal – Lituânia: Fechar com chave de ouro

No terceiro e último duelo em Pombal, Portugal venceu a Lituânia por 54-37 fruto de um grande jogo das portuguesas. Exibição de alto nível desde os primeiros instantes. A equipa das quinas entrou mais pressionante, agressiva e assertiva, tudo pontos chaves para um primeiro quarto absolutamente arrasador de Portugal. A Lituânia não conseguia lidar com a defesa alta pressionante de Portugal e cometia muitos erros, as lusas entraram de forma acutilante. Destaques nesta primeira parte de excelente nível, Inês Vieira e Leonor Paisana, não só pelo que jogavam como pelo que faziam jogar, sendo duas das peças mais importantes pelas ações defensivas. A segunda parte trouxe uma Lituânia melhor, o conjunto visitante cresceu e colocou mais dificuldades às portuguesas, mas nada de grave, a turma das quinas esteve sempre por cima, deu para testar algumas armas como Maria Lopes que conseguiu mostrar-se e estar muito bem nesta partida. Ficaram desfeitas dúvidas (se é que existiam), a seleção a mostrar que está pronta para a Hungria e para brilhar muito no Campeonato da Europa.

Depois deste torneio ficámos a conhecer a convocatória final desta seleção feminina sub-20, nota para a ausência de Natália Santos por lesão e de Carolina Duarte que foi um dos maiores destaques neste torneio de Pombal, ela que ultrapassou a lesão e se mostrou muito nestes três jogos. Olhando para a convocatória constatamos que está repleta de talentos e de várias jogadoras que podem vir a assumir como grandes protagonistas deste Europeu, é necessário destacar e sem querer entrar em previsões,  Mariana Cegonho ou Sara Peres que podem vir a ser os jokers deste conjunto.

As adversárias de Portugal no Grup oD, chegam com um pouco mais de experiência na divisão A: a Letônia tem três terceiros lugares nas ultimas tantas participações e a Sérvia dois segundos e um terceiro, além disso as portuguesas são o conjunto mais baixo em altura (1,73 metros de média) frente 1,78 m das sérvias e 1,80 m da Letónia e da Irlanda, mas nem a história, nem a altura são chaves para algo, aliás as nossas seleções jovens já conseguiram bater por diversas ocasiões cada uma delas e surpreender muita gente e é exatamente isso que pode  acontecer na Hungria. Portugal parte um pouco como underdog.

A Irlanda chega com Hazel Finn, base de qualidade e que mostrou isso mesmo no Europeu de sub-18, Sarah Hickey base de perfil diferente, mais alta e com maior capacidade física, Ciara Barne ou ainda Abigail Lafferty uma extremo de qualidade e que foi (e ainda é) de ser uma das protagonistas do lado Irlandês.

Olhando para a Sérvia, Isadora Tripkovic uma base que chega depois de uma grande temporada no Duga, as quintas classificadas na Liga desse país, depois Ana Bukvic uma jogadora versátil, que se destacou nas sub-18 e que também ela vem de uma grande temporada ao serviço do Art Basket, segundas classificadas no mesmo campeonato. Desta seleção podemos ainda destacar, Nevena Rosic uma base completa e com imenso talento ou ainda Marta Jovanic uma quatro que vai ser com toda a certeza uma das peças mais importantes deste conjunto sérvio.

Já na Letónia, saltam à vista nomes como, Katrina Ozola uma jogadora de posição que se destacou no Europeu sub-18 inclusive frente a Portugal, ainda podemos falar de Ieva Kurzane ou Elizabete Bulane, duas bases que também já são conhecidas das lusas fruto desse tal duelo. Destaque ainda Luize Sila, de apenas 17 anos, mas que já foi aposta no TTT Riga, uma atleta com experiência de Euroleague, aliás foi uma aposta clara na competição europeia somando mais de 200 minutos, 2.6 pontos e 1.8 ressaltos de média por jogo.

Portugal vai ter pela frente adversários duros, experientes, mas que já são conhecidos em muitos casos desta geração ou mesmo de outra seleção nacional. Tarefa que vai ser exigente, mas as esperanças e as expetativas estão em altas a poucas horas do começo deste Campeonato da Europa na Hungria.

Ficou aqui um olhar para os últimos duelos e um pouco para os futuros adversários no Europeu. Muita qualidade nas lusas e mesmo consciente que a tarefa será muito complicada, a certeza é de que esta seleção feminina sub-20 nos vão orgulhar e conseguir um grande resultado na Hungria.

Zandalasini-Empoli-Bologna-2.jpg?fit=1200%2C803&ssl=1
José AndradeJulho 5, 20225min0

Neste novo texto vamos falar do basquetebol feminino italiano que pretende recuperar o protagonismo maior na Europa aproveitando todas as novas oportunidades que surgiram.

Familia Schio: Pensar ainda mais em grande

Nesta altura já temos algumas das melhores do mundo a serem confirmadas na liga italiana, isto porque com as sanções às equipas russas muitas jogadoras que eram até então “inacessíveis” passaram a ser possíveis e com isso surge esta nova vida do basquetebol feminino italiano. As últimas semanas trouxeram várias confirmações que vão ao encontro das ambições italianas para a próxima temporada nas competições europeias. Nas equipas, o Familia Schio surge como a equipa mais ativa no mercado, as atuas campeãs já anunciaram Rhyne Howard – a primeira escolha do último draft – e uma jogadora que tem estado em destaque nesta temporada na WNBA ao serviço das Atlanta Dream nesta sua época de estreia já conseguiu lugar no all-star.

Para além de Howard, estão confirmadas também Amanda Zahui que vai chegar do Fenerbahçe, e Astou Ndour, uma das melhores postes do mundo. Ndour foi finalista na Eurocup ao serviço do Venezia e semifinalista em Itália, sendo uma das melhores da temporada no basquetebol europeu conseguindo 15.1 pontos, 8.1 ressaltos, 0.8 assistências, 0.9 desarmes de lançamento e 1.7 roubos de bola de média por jogo na Liga italiana, números que refletem mais uma época de luxo e que reforçam o acerto que é esta entrada para o Schio. Marina Mabrey base que está nesta altura a brilhar na WNBA com as cores das Dallas Wings e que na última temporada esteve na Austrália ao serviço das Perth Lynx conseguindo médias de 19.1 pontos, 4.3 ressaltos, 2.8 assistências e 1.4 roubos de bola por jogo na WNBL. Ainda garantiram, Elisa Penna que também esteve no Venezia. Todas estas entradas colocam já o Schio como uma das favoritas à Euroleague na próxima época.

Virtus Bologna: Começa a surgir algum favoritismo

O Virtus Bologna surge como uma das equipas que mais investe tanto no feminino e no masculino e procura ganhar outro protagonismo internacional. A equipa de Bolonha perdeu a final da Liga Italiana e depois disso decidiu subir o seu orçamento e ambicionar ainda mais na Europa. As vice-campeãs de Itália começaram por renovar com Cecilia Zandalasini uma das estrelas e das peças mais importantes neste conjunto.

Depois anunciaram a entrada de Kitija Laksa, extremo que estava no Schio, em seguida ainda Iliana Rupert, a poste francesa que estava no Bourges e que atualmente está nas Las Vegas Aces, considerada uma das melhores jovens do mundo e que vai chegar a Itália como MVP da Eurocup que conquistou este ano, com o bronze ganho em Tóquio, a prata do Europeu em 2021, melhor jovem na Euroleague em 19-20 e como a 12ª escolha do draft da WNBA em 2021. Mencionar ainda Olbis Futo Andrè, internacional italiana com origens angolanas e que também chega do Schio, poste de 23 anos que na última época conseguiu médias de 9.5 pontos, 6,2 ressaltos e 1.4 roubos de bola por jogo, mesmo com muita concorrência conseguiu destacar-se, é mais uma aposta acertada deste conjunto do Virtus que irá também ser uma equipa a ter em conta para uma conquista nas competições europeias nesta nova época.

Outras transferências em destaque

Mencionar ainda a chegada de jogadoras como Ana-Marija Begic e Tinara Moore ao San Giovanni; ao Dinamo Sassari vão chegar duas extremos de qualidade como Janae Smith e Giulia Ciavarella, esta última vinda do Virtus Bologna, além de duas bases, Anna Makurat uma jovem polaca de imenso potencial e ainda Debora Carangelo que estava no Venezia e é uma base de créditos firmados no basquetebol italiano. Nina Dedic poste croata que assinou pelo San Martino depois de uma boa temporada nas também italianas do Broni; Que Morrison base que era uma das melhores no último draft da WNBA e que se vai estrear fora dos EUA na liga italiana ao serviço do Lucca, algo que vai ser das maiores atrações da próxima temporada.

Marie-Michelle Milapie, interior francesa que vai deixar o Flames da Liga francesa para rumar ao Campobasso e ainda o Venezia que também vai em busca de títulos em Itália e na Europa, para isso vão chegar Antonia Delaere, base belga que estava no Zaragoza onde era colega das portuguesas Maria Kostourkova e Maria João Correia, mas além da belga vai chegar a japonesa base que brilhou muito na liga alemã, ainda Laura Meldere interior letã que estava no Riga e que se juntou a Martina Fassina, extremo que era uma das melhores das polacas do Lublin e por fim Lorela Cubaj uma extremo que está na WNBA ao serviço das Seattle Storm e que vai regressar à Europa e a Itália como grande aposta deste Venezia. São algumas das entradas anunciadas que reforçam o crescimento do basquetebol italiano na próxima temporada.

Ficou aqui um primeiro olhar para o basquetebol feminino italiano que respira uma nova vida com elevadas ambições europeias para esta e as próximas temporadas.

aja-wilson.png?fit=640%2C360&ssl=1
José AndradeJunho 30, 20225min0

A WNBA está ao rubro e a luta para MVP segue com 3 jogadoras disparadas nessa corrida e hoje vamos falar deste trio de algumas das melhores do mundo que encanta e discute nesta altura o prêmio de melhor jogadora da temporada na WNBA.

A’ja Wilson – Las Vegas Aces: Cada vez mais favorita

Começamos a nossa lista por A’ja Wilson que nesta altura está na frente nesta corrida pelo prêmio de MVP da temporada. As Las Vegas Aces são a equipa sensação da temporada e A’ja é um dos nomes em maior destaque, pois tem demonstrando uma alta evolução em alguns pontos do seu jogo. A craque das Aces surge com o tiro exterior a ser uma arma cada vez mais temível e mais usada, ela que nesta altura é a jogadora com a sexta melhor média de pontos por jogo (18.7) e a atleta com melhor média de ressaltos (9.9), números que deixam em claro o porquê de estar na frente desta corrida.

A’ja tem ainda uns 35.0 % da linha de três pontos, é mesmo a área onde tem evoluído mais, demonstrando que está uma jogadora cada vez mais completa, sendo uma atleta cada mais difícil de travar. Na defesa ainda se evidencia como a segunda jogadora com mais desarmes de lançamento por jogo (2.4).. Ressaltadora de elite, eficaz nos dois lados do campo e é mais uma jogadora que deu um passo em frente na sua evolução com Becky Hammon, sendo mesmo nesta altura a estrela na frente nesta luta pelo MVP.

Breanna Stewart – Seattle Storm: Menos destaque, mas muito rendimento

Mudamos para aquela que surge logo atrás de A’ja Wilson na luta pelo prêmio de MVP, mais uma das melhores jogadoras do mundo, Breanna Stewart que torna a ser uma vez mais um dos maiores destaques da temporada na WNBA sendo que nem sempre tem tido o destaque merecido para aquilo que vai fazendo na liga. As Seattle Storm estão novamente no topo, com a chegada de Tina Charles as expetativas cresceram e as soluções aumentaram para o que ainda está por vir, mas muito do que esta equipa tem conseguido deve-se a Breanna Stewar.

Nesta altura lidera em termos de média de pontos por jogo (22.0), é a nona jogadora com melhor média de ressaltos por jogo (7.6) e é ainda a segunda melhor em relação aos roubos de bola por jogo (1.9). A questão que muitos colocam em relação a Breanna Stewart para a afastar do prémio MVP é a defesa, mas a verdade é que as Storm com ela em campo, têm 90.4 pontos concedidos por 100 posses e sem Stewart sobe para 102.9 pontos, algo que demonstra bem a importância que tem no lado defensivo da sua equipa, sendo que é também a jogadora com melhor ranking de eficiência, mostrando também o seu peso no ataque na turma de Seattle. Eficácia e super rendimento dos dois lados do campo e um inicio de temporada de alto nível que voltam a colocar Breanna Stewart como uma das favoritas a melhor temporada, nesta altura é a número dois na luta pelo prêmio de MVP.

Jonquel Jones – Connecticut Sun: A rainha continua na luta pela revalidação do estatuto de MVP

A MVP da última temporada mesmo que menos destacada devido ao começo de época das Aces e aos problemas das Sun, continua a dominar e está muito presente nesta luta por este prémio. Nesta altura leva uma média de 14.6 pontos e de 9.1 ressaltos por jogo, sendo mesmo a terceira melhor neste último parâmetro, apenas atrás de Aj’a Wilson e Sylvia Fowles duas das maiores protagonistas deste começo de época. O problema central está na queda na média de pontos, mas a verdade é que a rainha da última temporada está mais eficaz, sendo a sétima na liga em pontos por tentativa e é ainda a décima melhor em lançamentos de campo com 51.5%. Jonquel Jones é novamente uma das jogadoras que mais domina no garrafão, estando nesta altura com 21.1% em oportunidades de ressaltos, a segunda melhor da liga. Mesmo que alguns números tenham caído, Jonquel Jones continua no topo, sendo uma das jogadoras mais habilidosas, eficazes e preponderantes na sua equipa e da WNBA. A MVP da última época além dos ressaltos é uma das craques mais eficientes, o começo não foi o melhor, mas podemos ver já um crescimento nestes últimos jogos, vamos com toda a certeza ter Jonquel Jones ainda mais na luta pelo prêmio de MVP a partir de agora.

Deixámos aqui as três principais jogadoras na luta pelo prêmio de MVP, mas ainda menção para Emma Meesseman ou Kelsey Plum, entre outras jogadoras que poderiam figurar neste top3 de maiores candidatas a MVP. Será com toda a certeza uma lista a ser alterada ao longa das próximas semanas e esta luta vai estar cada vez mais ao rubro, por isso estaremos cá para falar e ir atualizando este top3.

FVZUdQvXoAAnAs-.jpg?fit=1200%2C801&ssl=1
José AndradeJunho 27, 20228min0

Depois do estágio em Pombal, a seleção universitária feminina partiu para Viana do Castelo onde defrontou a Finlândia por duas ocasiões triunfando de forma clara em ambos os duelos e é sobre cada um dos jogos que vamos falar hoje.

Portugal – Finlândia: Começar em grande e terminar ainda melhor

No primeiro de dois duelos em Viana do Castelo, Portugal triunfou por 68-49 frente à Finlândia. Neste segundo estágio a única alteração na convocatória passou pela entrada de Raquel Alves que se juntou a este grupo conseguindo também ela mostrar a sua imensa qualidade nestes dois jogos. No jogo um, a equipa das quinas entrou de início com, Susana Carvalheira, Mariana Silva, Sara Barata, Carolina Rodrigues e Raquel Laneiro. Portugal com um principio de encontro muito bom, onde Sara Barata assumiu um papel de destaque através da marcação de pontos, o conjunto luso começou cedo a dominar nas tabelas e a conseguir a partir da maior mobilidade e velocidade ofensiva o ascendente deste jogo. A Finlândia sentiu dificuldades, devido à transição defensiva que se juntou à perda dos duelos e da luta das tabelas que iam sendo ganhos pela seleção nacional.

Destacar a importância das ações defensivas de Raquel Laneiro e Carolina Rodrigues, as duas através da pressão alta criavam problemas às “pensadoras” de jogo da Finlândia. Parcial inicial de 7-0 favorável ao conjunto lusitano, com a resposta das visitantes a surgir por Sara Bejedi que começou também ela cedo a “carregar” a sua seleção, mas este crescimento acontece fruto do aumento da pressão destas que levou a que as portuguesas cometessem mais erros, por isso mesmo Ricardo Vasconcelos parou o jogo, corrigindo os posicionamentos que estavam a começar a falhar e a originar oportunidades para a Finlândia. As dinâmicas lusas mudam com a entrada de Luana Serranho, com a base a voltar a mexer com o jogo e a trazer aqui uma melhoria importante para o ataque português. O segundo quarto voltou a oferecer um conjunto luso superior, com Joana Alves em destaque no domínio das tabelas e com o ataque a estar mais fluído além da defesa novamente mais pressionante que ia deixando assim as finlandesas em dificuldades de novo na organização ofensiva. Realçar a boa entrada de Raquel Alves, em especial nas ações defensivas que ajudaram à melhoria lusa.

A bola voltava a circular entre todas as jogadoras da equipa das quinas, com Mariana Silva em evidência pela sua mobilidade e jogo de pés que encantava quem assistia este duelo e que permitia à turma lusa voltar a dominar este encontro. Na ida para os balneários, a desvantagem nacional era de dois pontos, 26-28. A segunda parte começa com o conjunto das quinas mais atrevido, com linhas mais subidas e, com isso, a conseguir logo vários roubos de bola com mais uma vez as ações defensivas de Raquel Laneiro e Carolina Rodrigues em destaque, duas atletas que construíam muito bem e mesmo com menos pontos brilhavam pelo trabalho que faziam.

O jogo continuava bastante disputado, assistíamos a muitos duelos e foi neste terceiro quarto que podemos ver o melhor momento da Finlândia no ataque quando optaram por circular mais a bola e, beneficiando de algum desacerto nas marcações lusas, conseguiam encontrar sempre alguma jogadora livre e dessa forma pontuar, equilibrando o jogo. O selecionador nacional olhando para o melhor período visitante lança Carolina Gonçalves, Marina Carvalho e Ana Teresa Faustino que se revelaram muito importantes para a recuperação do controlo do jogo por parte do conjunto das quinas. O quarto período deu-nos ainda mais animação, onde até foi a Finlândia a entrar melhor, mas cedo Portugal assumiu o comando do jogo conseguindo mesmo o triunfo. A solução passou pelas correções defensivas, pelo tiro exterior que começou a surgir neste derradeiro quarto, ainda o ganhar dos duelos, o maior acerto ofensivo e pressão alta, tudo isto foi a chave para esta vitória portuguesa neste primeiro jogo com a Finlândia.

Portugal – Finlândia: Ganhar encantando ainda mais

No dia seguinte e no segundo jogo que encerrava este último estágio da seleção universitária feminina, Portugal derrotou a Finlândia por 79-65. O cinco inicial deste duelo teve na entrada de Luana Serranho por troca com Raquel Laneiro a única alteração em relação à partida anterior. O jogo iniciou logo com as duas equipas a lutarem muito pela bola, com a equipa da casa a ter ainda no primeiro minuto uma grande contrariedade quando Mariana Silva foi forçada a abandonar o jogo. Depois de uma bola dividida a atleta portuguesa saiu a coxear e acabou por não mais voltar ao encontro, mesmo recuperada a equipa técnica não quis arriscar.

Sob a batuta de Carolina Rodrigues, o ataque luso ia brilhando, a base portuguesa dava nas vistas mais uma vez, com o destaque a ser novamente a boa circulação de bola que ocorria e a organização ofensiva que desequilibrava a seleção finlandesa. Nota muito importante para uma das alterações em relação ao duelo anterior, a pressão alta a campo inteiro que o conjunto de Ricardo Vasconcelos fazia e que levava a que a Finlândia errasse muito, principalmente na saída de jogo. Tal como no primeiro duelo, parcial inicial favorável a Portugal, desta feita de 9-0 e fruto de um começo quase perfeito da turma das quinas.

Mencionar a boa entrada de Marta Vargas, que apesar de nem ser sempre a jogadora a aparecer para marcar de pontos, foi preponderante na defesa. O conjunto visitante foi crescendo com o decorrer da partida, começaram a lidar melhor com a pressão lusa e com isso equilibraram mais este duelo, por esse motivo o refrescar da nossa seleção e com as entradas de Ana Teresa Faustino e Raquel Laneiro a serem destaques mais uma vez pela maior velocidade que ambas colocaram na partida, o que permitiu a recuperação portuguesa. Este primeiro quarto termina com Portugal por cima refletido no ataque ao cesto incrível de Marta Martins nos últimos instantes que nos deixou de novo na frente do encontro.

O segundo quarto voltou a trazer uma seleção nacional mais pressionante o que colocava a Finlândia de novo em grandes dificuldades. 39-31 ao intervalo com destaque para Susana Carvalheira que mostrava a sua muita qualidade de passe e ainda nota para a saída de Carolina Rodrigues que foi mais uma contrariedade. A Finlândia tentou no começo do terceiro período levar o duelo para a questão da estatura, mas Portugal soube dar a volta e contrariar esse jogo físico do conjunto visitante através da maior mobilidade e qualidade. No melhor período finlandês a entrada de Carolina Gonçalves foi fulcral para Portugal voltar a recuperar e a estar de novo por cima do encontro, porque com ela surgiu novamente a maior velocidade e a pressão alta lusa. Destacar a importância de Joana Lopes, mais uma atleta que não pontuou muito, mas que brilhou no “trabalho sujo”.

O terceiro quarto termina com um magnifico triplo de Raquel Laneiro, a base portuguesa que apesar de ter lutado muito, não teve muita sorte e por isso os festejos efusivos de todos neste tiro. À entrada do derradeiro quarto, Portugal estava na frente por 9 pontos e este último trecho só trouxe mais domínio luso e um conforto maior neste duelo. A dupla Raquel Laneiro e Luana Serranho colocou em água a cabeça da defesa finlandesa, Sara Barata continuou irrepreensível, Susana Carvalheira dominava nas tabelas e Mariana Carvalha era omnipresente surgindo de forma excecional dos dois lados do campo. Quarto período quase perfeito que selou este triunfo da seleção universitária feminina no segundo duelo com a Finlândia.

Por norma terminamos com alguns destaques individuais, mas vamos aproveitar para elogiar todas estas jogadoras presentes nestes dois estágios da seleção universitária feminina, primeiro porque nos fazem sonhar com algo no próximo ano nos jogos universitários, mesmo que com algumas alterações em relação a este grupo e depois porque voltaram a deixar à vista de todos a qualidade absurda que o nosso basquetebol tem, mostrando que além de jogarem bem, conseguem derrotar qualquer seleção e que só precisam de espaço e de maior reconhecimento, porque estas jogadoras são extremamente talentosas.

Muito talento, enormes jogadoras e dois triunfos importantes nestes duelos em Viana do Castelo que coroou dois estágios excecionais da nossa seleção universitária feminina.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS