Arquivo de Modalidades - Fair Play

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André Dias PereiraJaneiro 30, 20262min0

Falar em Australian Open nos últimos anos é falar de Aryna Sabalenka. A bielorrussa garantiu a sua quarta final consecutiva em Melbourne derrotando Evina Svitolina, por 6-2 e 6-3, nas meias-finais. Este sábado, 31 janeiro, a bicampeã terá pela frente Elena Rybakina, que busca um título inédito em sua carreira.

Depois de vitórias em 2022 e 2023, Sabalenka reencontra a mesma adversária de quando conquisto o seu último título em Melbourne. E no atual panorama do circuito será mais que uma rivalidade, é a síntese de duas abordagens de jogo opostas.

Chegar a quatro finais de Grand Slam de forma consecutiva é um feito raro, que a coloca ao lado de outras lendas como Evonne Goolagong e Martina Hingis, na era Open. Para chegar a esta final, deixou trás  francesa Tsiatsoa Rajaonah (6-4, 6-1), a chinesa Zhuoxuan Bai (6-3 e 6-1) , Anastasia Patapova (7-6, 7-6), a candiana Victoria Mboko (6-1 e 7-6) e ainda a norte americana Iva Jovic (6-3, 6-0), para além da citada Elina Svitolina (6-2, 6-3).

Consistência é a palavra que melhor descreve a bielorrussa. Não apenas pelas quatro finais seguidas, mas também porque chega a mais uma sem perder qualquer set. Mas mesmo sendo a número 1 do mundo, a verdade é que ainda não conseguiu transformar essa sequência em domínio absoluto nos Majors. Sabalenka alterna vitórias com derrotas em torneios importantes, e mesmo em finais oscila. E é talvez isso que a distinga e distancie de um dia alcançar outras lendas como Serena Williams ou Steffi Graff.

O teto de Sabalenka

O circuito feminino está muito volátil e aberto. E isso joga a favor e contra Sabalenka. Por um lado, a sua potência física e mentalidade competitiva permitem-lhe que possa continuar a empilhar mais torneios do que outras rivais. Porém, por outro lado, isso também pode querer dizer que o seu legado pode ficar marcado não pela hegemonia mas por um contínuo equilíbrio de forças sem que haja uma rival consistente. E isso não é pouco. Porque se Sabalenka quiser construir um legado histórico, mais do que somar vitórias o que se torna referência é o contexto e sobre quem essas vitórias aconteceram.

É, todavia, inequívoco, que se vencer o tricampeonato na Austrália, a bielorrussa se coloca como uma referência moderna no torneio e até no circuito. Mas a pressão para converter essa consistência em hegemonia deverá aumentar. Caso não o faça poderá ser lembrada como uma das melhores de sua geração mas apenas mais um nome vitorioso, entre tantos outros, e não como um dos grandes da história.

 

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Francisco IsaacJaneiro 25, 20264min0

Ponto final na Super Cup 2025/2026 com os Lusitanos a perderem a hipótese de se sagrarem campeões da competição, depois de uma derrota algo pesada frente aos Iberians que até pode ter consequências a nível da EPCR Challenge Cup e a obtenção de investimento provindo da World Rugby e Rugby Europe. A análise ao encontro em três pontos.

MVP: DIEGO RUIZ

Num jogo em que os Lusitanos praticamente perderam por uma diferença de 30 pontos é difícil optar por um MVP, mas Diego Pinheiro Ruiz acaba por receber essa distinção pelo bom trabalho realizado na defesa, tendo sido dos poucos que realmente apresentou uma placagem efectiva e que parou o adversário antes da linha-de-vantagem – houve outros com mais placagens, mas era sempre realizada de forma passiva ou com necessidade de um assistente, algo já vislumbrado em Novembro. O asa cedido pelo Provence Rugby da Pro D2 mostrou-se activo e dinâmico, investindo bem sempre sob o portador de bola adversário impedindo que os estragos fossem de maior índole. Infelizmente a nível do ataque teve pouco espaço para brilhar já que os Lusitanos tiveram sentidas dificuldades em controlar a posse de bola durante a maior parte do tempo, apesar de que o asa ainda assim surgiu bem em três momentos, encaixando bons offloads para os seus companheiros de equipa. Foi substituído nos últimos 10 minutos numa altura em que o jogo estava mais que decidido.

MELHOR PONTO: SUPLENTES QUISERAM MAIS

Um aplauso terá que ser dado à genica que o banco de suplentes trouxe ao jogo, em especial Afonso Tapadinhas, Rodrigo Marques, Tomás Amado e Samuel Bacon, com estes a lutar constantemente e na procura de equilibrar o jogo pelo menos no que toca às dinâmicas. Apesar de não ter sido suficiente, importa destacar a energia, raça e ambição de quem passou a maior parte do encontro na condição de suplente. Tapadinhas marcou um bis, Marques foi agressivo na placagem (mesmo que tenha terminado com três erros defensivos) e Samuel Bacon foi elegante na maior parte das acções, pontos positivos para estes jogadores que querem um lutar por um lugar nos Lobos.

PONTO A MELHORAR: INDISCIPLINA CUSTOU CARO

Quatro cartões amarelos, dezassete penalidades e quatro ensaios que advieram directamente dessa indisciplina. Os Lusitanos apresentaram-se em Amesterdão sem Tomás Appleton (o Fair Play endereça as melhores e uma recuperação rápida ao capitão dos Lobos e Lusitanos) e notou-se no foco e na capacidade de perceber o que o juiz-de-jogo pretendia dos atletas portugueses, com estes a perderem mais tempo em discutir com o próprio ou a não acatar as recomendações feitas, especialmente nos primeiros 40 minutos. Quatro amarelos significaram quarenta minutos a jogar com 14 e, numa equipa carregada de juventude, é difícil contornar este problema. Com uns Iberians experientes e que estudaram bem a lição de Dezembro passado, os Lusitanos rapidamente perderam o controle com o resultado a se avolumar de uma forma gritante, o que acabou por levar à derrota.

Porém, há algo que importa também de assinalar, o facto de que Simon Mannix optou por criticar abertamente a arbitragem num jogo em que os Lusitanos concederam uma derrota por 42-17, quase como dizendo que a franquia lusa tinha tido mais hipóteses de ganhar se o juiz-de-jogo tivesse sido outro. Infeliz, no mínimo, especialmente perante a falta de capacidade do treinador perceber os problemas inerentes à selecção nacional e franquia em jogos em que são submetidos a uma enorme pressão no breakdown ou junto ao ruck e nas fases-estáticas. Por outro lado é também inenarrável dizer que os Lusitanos são uma equipa só de ‘jovens’ e os Iberians são todos profissionais. Não é culpa da Federação de Rugby da Espanha que os seus atletas tenham bolsas desportivas equiparadas a semiprofissionalismo e que a Federação Portuguesa de Rugby não consegue cumprir com o que prometeu em 2022, de que mais de 50% dos atletas seriam também semiprofissionais. Em 2025 frente à Irlanda foi uma ladainha dos ‘ricos e pobres’, em Novembro optou por outro discurso e, agora, em Janeiro a um mês do Men’s Rugby Europe Championship, temos a conversa dos árbitros, os outros que têm mais recursos (sem irem a Mundiais, etc), etc. Há que mudar esta postura, especialmente se o objectivo é incutir os valores de jogo e competitivos certos aos atletas mais jovens.

Foto de destaque da Rugby Europe Super Cup e 


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