Arquivo de Brasil - Página 2 de 16 - Fair Play

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Renato SalgadoMaio 14, 20205min0

Na semana passada, São Paulo e Corinthians tiveram derrotas importantes na Justiça trabalhista. Derrotas que podem ser muito perigosas para o futuro do futebol brasileiro. Ambas as equipas foram condenadas a pagar adicional noturno e valores extras referentes a trabalho aos sábados / domingos e feriados.

O meio-campista Maicon, atualmente no Grêmio, atuou pela equipa do São Paulo entre 2012 e 2015. A equipa do Morumbi entrou com recurso, mas não obteve êxito. Na votação do recurso, os magistrados da turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da segunda região entenderam que o tricolor paulista deve pagar integralmente as verbas pedidas pelo jogador.

A condenação ficou em R$ 200 mil reais (além das custas processuais, avaliadas em R$ 3.400,00). No entanto, com juros e correção monetária, o montante pode chegar aos R$ 700 mil reais, uma vez que a ação foi iniciada em 2016, há quatro anos.

Maicon conduz a bola durante jogo entre São Paulo e Bahia, em 2014 Foto: Gazeta Press

Em mensagem postada no seu Instagram (veja abaixo), Maicon afirmou que estava cobrando seus direitos.

“Futebol é entretenimento para quem assiste. Para nós, é nosso ganha pão, nossa profissão. E todo trabalhador tem seu direito garantido. Só que, por sermos jogadores de futebol e todo mundo achar que ganhamos muito, jamais teremos que cobrar essas coisas. Está errado”, escreveu, em trecho de longo desabafo.

“Independentemente da profissão ou valores de salários, direitos são direitos, e ponto final”, completou.

 

No processo, foram apresentadas diversas súmulas que mostram a participação de Maicon em jogos terminados após 22h, que é o horário em que o trabalhador passa a ter direito ao adicional noturno. Além disso, foram anexadas outras súmulas que comprovam a participação do atleta em partidas realizadas aos domingos e feriados, o que dá direito a jornada dobrada. Maicon jogou de 2012 a 2015 no São Paulo, disputando 161 jogos e anotando 9 gols.

Corinthians também tem derrota na Justiça para Paulo André

O Corinthians resolveu mais uma ação trabalhista na Justiça. Desta vez com o ex-jogador Paulo André, atualmente diretor de futebol do Athletico-PR. As partes, além de selarem a paz, entraram em acordo em dezembro do ano passado, no Parque São Jorge e o clube terá de pagar R$ 750 mil reais em 15 parcelas.

De acordo com o que apurou a reportagem do Fair Play, o jogador moveu uma ação acusando o Timão de não cumprir algumas obrigações trabalhistas, além disso, queria o pagamento dobrado em relação aos dias trabalhados aos sábados / domingos e após as 22hs00. O processo é referente ao período entre 2009 e 2014, enquanto defendeu a camisa alvinegra. O clube foi derrotado na Justiça do Trabalho.

Paulo André é ex-zagueiro do Corinthians – Foto: Portal Meu Timão

Paulo André atuou pelo Corinthians por cinco anos, período em que conquistou praticamente tudo o que disputou: Campeonato Paulista (2013), Campeonato Brasileiro (2011), Recopa Sul-Americana (2013), Copa Libertadores (2012) e Mundial de Clubes (2012). Ao todo foram 153 jogos e 10 gols marcados.

Decisão polêmica da justiça, abre Jurisprudência para novas ações de jogadores contra os clubes, que ameaçam tomar atitudes enérgicas contra CBF/Federações e até mesmo, contra a Rede Globo de televisão

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez enviou um comunicado à CBF e Federação Paulista de Futebol com o pedido para não jogar mais no período noturno e aos sábados & domingos, além dos feriados. A ideia é evitar processos futuros e mais complicações com ex-atletas do clube. O comunicado foi estendido à Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos. 

Presidente do Corinthians Andrés Sanches – Foto: Portal Meu Timão

Após essa atitude do dirigente corintiano, outros clubes prometem aderir ao movimento caso a Justiça Trabalhista não reveja a sua decisão, uma vez que os jogadores de futebol e tudo que envolve o esporte, não podem ter a mesma legislação trabalhista que tem um trabalhador comum.

 

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Marcial CortezMaio 8, 20205min0

No final do mês de abril de 2003, a pequena e desconhecida equipa do Paysandu, de Belém do Pará, venceu o poderoso Boca Juniors em sua casa, a temida arena conhecida como “La Bombonera”.

Pra se ter uma ideia do tamanho desse feito, seria como se o Paços, ou o Moreirense, com todo o respeito devido a estas equipas, encarasse o Bayern no Allianz, em Munique, e voltasse pra casa com a vitória.

Mas essa história começa um ano antes, em 2002, quando a equipa do Paysandu Sport Club, de Belém do Pará, que em 2020 irá disputar a Série C do Brasileirão assim que a bola voltar a rolar no relvado após a pandemia, ganhou o extinto certame chamado “Copa dos Campeões”.

Paysandu Campeão da Copa dos Campeões. Foto: José Leomar / Placar

A Copa dos Campeões existiu somente por três temporadas – 2000, 2001 e 2002. E foi justamente na época de 2002, quando o certame teve o maior número de participantes, que o Paysandu surgiu para o cenário nacional. O torneio era composto por campeões das Copas Regionais.

As Copas Regionais foram uma tentativa de substituição dos campeonatos estaduais. O país foi dividido em regiões, da seguinte forma: Torneio Rio-SP, Copa Sul-Minas, Copa Nordeste, Copa Norte (também conhecida como Copa Verde por causa da Amazônia) e Copa Centro-Oeste. Alguns destes torneios obtiveram sucesso absoluto, como a Copa Nordeste e a Copa Verde, que são disputadas até os dias atuais, e outros foram definitivamente eliminados do calendário do futebol brasileiro.

A Copa dos Campeões fazia parte do calendário oficial da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), e o título dava ao campeão uma vaga na Copa Libertadores do ano seguinte. E foi aí que o pequeno Paysandu fez bonito. Na primeira fase, a equipa brigou com Corinthians, Fluminense e Náutico, obtendo o primeiro lugar em seu grupo. Logo em seguida, eliminou o Bahia nas quartas de final, o Palmeiras na semifinal e conquistou o título na finalíssima contra o Cruzeiro, embrião da super equipa de Vanderlei Luxemburgo que ganharia todos os títulos no ano seguinte em 2003.

Na Libertadores da América, o Paysandu continuou firme no caminho das vitórias. Num grupo que contava com Cerro Porteño (PAR), Sporting Cristal (PER) e a poderosa Universidad Católica (CHI), o “azarão” paraense ficou em primeiro lugar, com uma campanha fantástica: abriu seis pontos de vantagem sobre o segundo colocado Cerro Porteño, com quatro vitórias e dois empates, incluindo uma goleada por 6 a 2 na casa do time paraguaio. O Paysandu classificou-se para as oitavas de final de modo invicto.

Velber comemora golo na vitória por 6 a 2 contra o Cerro Porteño. Foto: Jorge Saenz/AP

E foi aí que as coisas se complicaram. Ou não, como diria Caetano Veloso. Pelo sorteio das oitavas de final, o Paysandu teria que enfrentar o Boca Juniors. Primeiro jogo no temido estádio “La Bombonera”, em Buenos Aires, e jogo da segunda mão em sua casa, Belém do Pará.

Dia 24 de abril de 2003. Estádio La Bombonera. Boca Juniors (ARG) x Paysandu (BRA). O jogo corre tenso, como todo jogo decisivo de uma copa continental. Aos 21 minutos do primeiro tempo, uma disputa de bola causa uma dupla expulsão e elimina um jogador de cada lado: Robgol pelo Paysandu e Clemente Rodriguez pelo Boca Juniors. O primeiro tempo termina zero a zero.

Na segunda etapa, outro baque contra o “Papão da Curuzu”, como é conhecido o Paysandu em Belém do Pará: aos 10 minutos, o jogador Vanderson é expulso após uma cotovelada criminosa no jogador Schelotto do Boca. Paysandu com nove jogadores em campo, contra o Boca com 10 e jogando na Bombonera. Um cenário típico para uma goleada argentina…

Mas é nesse momento que o futebol mostra porque é considerado o esporte rei: contra todas as estatísticas e análises lógicas possíveis, aos 23 minutos, o Papão faz o seu gol com o craque do time, Iarley: Paysandu 1 x 0 Boca Juniors.

O técnico do Boca, Carlos Bianchi, ainda tentou colocar um jovem jogador que estava no banco de reservas, um tal de Carlitos Tevez, mas mesmo assim não adiantou. Quando o árbitro apitou o final da partida, a equipa do Paysandu entrava para a História, igualando um feito que somente o Santos de Pelé e o Cruzeiro de Ronaldo Fenômeno conseguira até então – ganhar do Boca na Bombonera.

Alguns dias depois, no jogo de volta, a lógica prevaleceu e o Paysandu caiu em casa, bravamente, pelo placar de 4 a 2. O time, mesmo derrotado, foi aplaudido de pé por 60 mil pessoas. A equipa do Boca Juniors seguiu até o final da competição, sagrando-se campeã, enquanto que ao Paysandu restou guardar o seu nome na história do futebol brasileiro. Destaque para o autor do gol da equipa paraense, Iarley, que foi contratado pelo Boca Juniors e sagrou-se campeão mundial no mesmo ano, desta vez vestindo a camisa dos argentinos.

 

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Renato SalgadoAbril 23, 202015min0

Valendo-se de uma estratégia para mudar de função no papel, o ex-jogador, atual coordenador da seleção brasileira, não deixou por completo a possibilidade de lucros em duas empresas em que tinha participações, responsáveis pelo gerenciamento do futebol do Ituano FC, que disputa a primeira divisão do campeonato paulista.

Pelo Código de Ética da CBF, o campeão mundial de 2002 teria que deixar qualquer atuação nas empresas, por “constituir situação de conflito de interesse ter participação em direitos de atletas, clubes, empresas e ativos e bens que possam vir a sofrer valorização direta ou indireta pela atuação da respectiva entidade”.

O agora cartola arrumou uma forma de driblar esse artigo 13 do código e assim seguir nas duas frentes, tanto na CBF como mantendo os pés nos negócios em um clube que recebe verba da entidade maior do futebol através de premiações e cujos atletas podem se valorizar se convocados para a seleção.

Com um ato na Junta Comercial, deixou de constar como sócio para virar “usufrutuário”.

Foi um drible sutil.

Dessa forma: o futebol do Ituano é gerido pela “JP Gerenciamento de Futebol” e pela “Dimache Participações Esportivas” desde 2009, como mostram os balanços financeiros do clube. Ambas com participação de Juninho Paulista. Nos balanços, está dito que tais contratos foram ampliados e prorrogados em 2015 e especifica que a Dimache seguirá gerindo o Ituano até 2030.

Em 9 de abril de 2019, o responsável pela gestão do futebol do Ituano assume como “diretor de desenvolvimento de futebol” da CBF, cargo que já o obrigaria a deixar a participação nas empresas.

Três meses depois, 8 de julho, recebe promoção e é anunciado como o novo coordenador da seleção principal. No lugar de Edu Gaspar, que no dia seguinte é apresentado oficialmente pelo clube inglês Arsenal como diretor técnico.

O cargo na CBF exige a saída de uma empresa que tem negócios ligados ao futebol, como mostra o estatuto. A Dimache, gestora do Ituano, tem dois sócios: a JP Gerenciamento de Futebol e a Oxi Esportes e Entretenimentos.

Em 30 de julho, 22 dias depois de Juninho assumir a coordenação da seleção principal, a Dimache entra no protocolo da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) para comunicar que o ex-atleta deixava a função de gestor da empresa para dar lugar a Paulo Silvestri. Em 7 de agosto o ato é publicado. Com o ato, Juninho deixa o cargo de gestor da Dimache como pessoa física, mas a sua “JP Gerenciamento de Futebol” prossegue na empresa.

O drible no estatuto se completa em 7 de dezembro do mesmo 2019. Se já tinha saído da “Dimache” mas a “JP Gerenciamento de Futebol” permanecia, faltava deixar a empresa que leva suas iniciais.

É quando, na “JP Gerenciamento de Futebol”, no lugar da saída como determinaria o Código de Ética, o dirigente da CBF lança mão de uma artimanha muitas vezes usada para mascarar a participação de pessoas públicas com conflitos de interesse: a “JP Gerenciamento de Futebol” comunica a saída de Oswaldo Giroldo Júnior, o Juninho Paulista, da empresa, transferindo sua parte por R$ 992.000,00 (novecentos e noventa e dois mil reais) para Edney Arakaki.

E no ato seguinte, a JP Gerenciamento de Futebol estabelece que Juninho Paulista passa a ser “usufrutuário” do capital desse mesmo Edney Arakaki.

Pelo sistema jurídico do direito civil, o usufrutuário tem posse naquela parte mas não a sua propriedade. E pode assim, mesmo sem constar na sociedade, “obter os seus frutos, tanto naturais como civis”. Assim, para todos os efeitos, o usufrutuário, não tem mais participação acionária na empresa, mas pode se beneficiar dos ganhos.

Dessa forma, em resumo, a “Dimache”, administradora do Ituano, tem a “JP Gerenciamento de Futebol” na sociedade mas esta, no papel, não teria mais Juninho, evitando conflito de interesse.

Salvo se não tivesse deixado de ser acionista para ser “usufrutuário”.

A reportagem mostrou o caso para diversos profissionais da área do direito que foram unânimes em afirmar, ao lerem os documentos, que nessa condição, Juninho Paulista pode vir a receber eventuais ganhos em transações do Ituano e das empresas.

No conselho executivo da Dimache estão ainda o pai de Juninho Paulista, o senhor Oswaldo Giroldo, e também Edney Arakaki, de quem é usufrutuário.

Na história recente do Brasil, o mais famoso usufrutuário foi Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara dos Deputados atualmente preso por corrupção. Em tentativa desesperada para se livrar da perda de mandato, em entrevista ao Fantástico em 2015, afirmou que não era dono das contas no exterior atribuídas a ele e sim “usufrutuário”. Posteriormente, precisou se retratar em sessão da Comissão de Ética do Congressso pela falsa versão, mas alegou que a condição de usufrutuário não representava patrimônio e sim “expectativa de direito”, e portanto não era beneficiário. No fim acabou cassado pela farsa e posteriormente preso.

Saída de Gabriel Martinelli do Ituano para o Arsenal coincide com data da ida de Edu Gaspar para Londres e chegada de Juninho na CBF

Foto: globoesporte.globo.com

Julho de 2019 foi especialmente movimentado em relações comuns e coincidentes entre Edu Gaspar e Juninho Paulista.

Ao mesmo tempo em que Gaspar deixava a seleção para assumir a direção do Arsenal, na Inglaterra, onde foi apresentado no dia 9, Juninho Paulista pegava o lugar dele na CBF, oficializado no dia 8.

Uma semana antes, no dia 2, o jovem atacante Gabriel Martinelli, de 18 anos, foi anunciado no clube londrino para onde estava indo Edu Gaspar, em transação, segundo o site Transfermarket, tradicional do mercado do futebol, de 6,70 milhões de euros. O jovem foi revelado no Ituano, gerido por Juninho Paulista e suas empresas, e estava na mira de diversos clubes da Europa.

Cronologia da negociação de Gabriel Martinelli entre Ituano e Arsenal :

2/7/2019: Gabriel Martinelli é anunciado pelo Arsenal

8/7/2019: O ex-gestor do Ituano mas ainda usufrutuário Juninho assume na CBF como coordenador no lugar de Edu Gaspar

9/7/2019: Edu Gaspar deixa o posto de coordenador na CBF e assume o Arsenal

Foto: globoesporte.globo.com

Edu Gaspar, Juninho Paulista e o Arsenal,foram perguntados por quem a transação foi conduzida entre as partes. Se Juninho Paulista e Edu Gaspar participaram, mesmo estando ainda na CBF. Através da sua assessoria de imprensa pessoal, a mesma do Ituano, Juninho Paulista afirmou que participou do início da transação mas “já não fazia mais parte da administração do Ituano” no momento da venda.

Gabriel Martinelli está tendo um início arrasador na Premier League inglesa. A avaliação é de que esteja valendo já o triplo do que custou. Com o jovem especulado até para o Real Madri, o Arsenal acena com também triplicar o salário daquele que já marcou 10 gols em 21 jogos e já é o jogador mais jovem da história do clube londrino a fazer gol na estreia como titular na primeira divisão ao empatar o jogo contra o West Ham, no encerramento da 16ª rodada.

Apenas como exemplo de possível interesse de conflitos entre eventual obtenção de lucros como “usufrutuário” da participação na gestão de um clube e a condição de dirigente da CBF: o Arsenal não informa os termos da transação. Mas no modelo de transações atuais, é comum que entre as metas esteja a remuneração do clube vendedor em caso de convocações do atleta para seleção nacional. Assim, se Gabriel Martinelli vier a ser convocado, hipoteticamente, havendo essa cláusula, o Ituano poderia lucrar com isso. E ainda no campo das hipóteses, a empresa gestora também, tendo o Coordenador da seleção brasileira e também usufrutuário dos ganhos. O jogador já foi convocado uma vez para amistoso da sub-23, atuando na derrota do Brasil para a Argentina por 1×0, em Buenos Aires, no dia 17 de novembro de 2019. Na ocasião, os documentos da “JP Gerenciamento de Futebol” apontam Juninho ainda entre os sócios, já que a mudança para a condição de usufrutuário está registrada apenas no dia 7 de dezembro.

A Berlain Team: Juninho nega relação com empresa em paraíso fiscal que tem documentos em nome de Oswaldo Giraldo Júnior

A reportagem encontrou registros de uma empresa em nome de Oswaldo Giroldo Júnior no paraíso fiscal do Panamá, a Berlain Team, aberta em 14 agosto de 2007 no equivalente a Junta Comercial daquele país.

Na documentação, o endereço que consta como de Oswaldo Giroldo Júnior é Banque Safdié AS, em Genebra, Suíça. O dirigente da CBF negou conhecer tal empresa. (veroutro lado” abaixo).

Ter offshore não é crime, desde que a existência seja comunicada a Receita Federal do Brasil.

Oswaldo Giroldo Júnior, o Juninho Paulista, nega conhecer a Berlain Team, offshore em paraíso fiscal em que consta um “Oswaldo Giroldo Júnior”:

Outro lado:

Juninho Paulista:

A reportagem enviou as questões abaixo para Oswaldo Giroldo Júnior, o Juninho Paulista, através da assessoria de imprensa da CBF, que reencaminhou para a assessoria pessoal de Juninho Paulista, que é a mesma que a do Ituano.

Perguntas:

1- Depois de assumir o cargo de Coordenador da Seleção Brasileira, foram verificadas movimentações nas empresas responsáveis pela gestão do Ituano Futebol Clube nas quais o senhor tinha sociedade, como a JP Gerenciamento de Futebol e a Dimache Participações Esportivas. No entanto, através dessas movimentações, é possível se constatar que o senhor ainda tem algum vínculo com elas, na condição de “usufrutuário”. Também os representantes que entraram em seu lugar nas empresas são os mesmos que assumiram responsabilidades e cargo no Ituano.

2- Gostaria de saber se o senhor não considera que pode haver conflito de interesse e descumprimento do “Código de Ética” da CBF em manter a possibilidade de ganhos com as empresas gestoras de um filiado da CBF.

3- A venda do jogador Gabriel Martinelli do Ituano para o Arsenal se concretizou no exato período em que o senhor assumia o cargo de coordenador no lugar de Edu Gaspar, que foi para o clube inglês. Gostaria de saber se a negociação por parte do Ituano teve sua participação.

4- Em caso negativo, se o senhor não tomou parte, quem conduziu as negociações por parte do Ituano? As empresas JP e Dimache não obtiveram dividendos com a venda? Em caso positivo, o senhor não considera que pode ter existido conflito de interesses em função do cargo ocupado na CBF?

5- O senhor abriu a Berlain Team no Panamá em 2007. A empresa está registrada no Brasil?

Resposta:

“Desde o início do mês de abril de 2019, quando fui oficializado como Diretor de Desenvolvimento da Confederação Brasileira de Futebol, eu deixei a administração do Ituano Futebol Clube.

Sobre a negociação do atleta Gabriel Martinelli com o Arsenal, fui o responsável pelas primeiras conversas no final de 2018 até o acordo em março de 2019. A venda só se concretizou em junho de 2019, quando o atleta completou 18 anos de idade. Quando o contrato foi formalizado, já não fazia mais parte da administração do Ituano. Por fim, desconheço a existência da empresa Berlain Team”.

Arsenal e Edu Gaspar:

A reportagem enviou, através da diretoria de comunicação do Arsenal, questões para Edu Gaspar e para o próprio clube. A assessoria mandou apenas uma resposta para os dois. Ver questões e respostas abaixo:

Para Edu Gaspar:

  1. A compra do jogador Gabriel Martinelli se concretizou exatamente no momento em que o Sr deixava o cargo na CBF e ia para o Arsenal. Em seu lugar, ficou o ex-jogador Juninho Paulista, ex-dirigente do Ituano, clube de Martinelli. Gostaria de saber se a negociação do jogador já foi feita pelo senhor, então ainda ocupando cargo na CBF?

2. Em caso negativo, se o senhor não tomou parte alguma, quem conduziu as negociações por parte do Arsenal? Em caso positivo, se não acha que existia conflito de interesses sendo diretor da CBF em negociar o jogador.

3. Em caso de ter participado das negociações, quem era o representante do Ituano nas negociações?

Para o Arsenal:

  1. Quem foi o representante do Arsenal nas negociações com o Ituano para contratação de Gabriel Martinelli?

2. Quem era o representante do Ituano nas negociações?

3. Qual foi o preço final? Houve comissão para intermediários? Se houve, quanto?

Resposta:

“A transferência de Gabriel Martinelli foi concluída antes que Edu se juntasse a nós. Não divulgamos pagamentos por transferência nem detalhes específicos sobre transações de transferência para nenhum jogador.”

Decisão de CBF

Já o presidente da CBF, Rogério Caboclo, decidiu manter Juninho Paulista no cargo de coordenador da seleção brasileira, apesar de o ex-jogador ter permanecido como usufrutuário da empresa que gere o Ituano. O caso foi revelado pela Agência Sportlight.

Segundo Caboclo, a CBF tomou conhecimento de que o ex-jogador permanecia como usufrutuário da empresa somente quando foi consultada para a matéria.

– Para ele, a questão do usufruto era suficiente para que ele tivesse deixado (o Ituano) porque, na prática, ele já não frequentava mais o clube, não tinha gestão. Segundo orientação de advogados, ele entendeu que o usufruto era o suficiente, desde que não exercesse mais poderes sobre a empresa. Surgiu a notícia, eu disse a ele que não era suficiente. Ele compreendeu. Tinha que sair da empresa. Foi suficiente. É uma questão que passou. Ele saiu da empresa e a vida vai continuar do jeito que estava. Existiu a definição. Ele deixou a empresa definitivamente – disse Rogério Caboclo ao GLOBO.

O presidente da CBF entende que Juninho não chegou a concretizar desvio ético, apesar de ter passado mais de seis meses como usufrutuário da companhia – período no qual já trabalhava como diretor de desenvolvimento da CBF. O status na companhia permitia a Juninho se beneficiar do dinheiro, mesmo não permanecendo como sócio. Foi o Ituano quem vendeu o atacante Gabriel Martinelli ao Arsenal. Uma eventual convocação à seleção principal pode valorizá-lo, gerar nova transferência e render percentual ao Ituano pelo mecanismo de solidariedade.

– Não houve erro ético porque ele não fez nenhuma venda e não se valeu do cargo dele aqui para nenhum tipo de negócio. A situação do Martinelli (ida ao Arsenal) é anterior à entrada dele. E não tem nada com a saída do Edu Gaspar também, que assumiu o clube pós-Copa América e não tinha ingerência no Arsenal. O negócio do Martinelli estava engatilhado desde março, antes de o Juninho entrar aqui e muito antes de o Edu ir para lá – completou Caboclo.

Na decisão de manter Juninho, o presidente da CBF indicou que pesou o fato de não haver substituto natural com o perfil que a entidade quer para o cargo de coordenador da seleção: ser ex-jogador. Caboclo recordou os questionamentos sobre Gilmar Rinaldi, que era empresário antes de trabalhar na seleção ao lado de Dunga.

– As pessoas cobram presença de atletas na CBF. Eu sou entusiasta disso. Acho que algum dia a CBF pode ter um ex-atleta como presidente. É algo natural para mim. Mas tem que ser um ex-atleta preparado. Não tem um ex-atleta preparado vagando no mercado. Ou seja, que esteja desempregado, sem atividade relacionada ao futebol. Ou você traz ele de alguma atividade, função. Para isso, você tem que compreender que ele tem que se desligar da atividade. Cobraram porque Gilmar Rinaldi exercia a função de agente. Ele era, e precisou de um tempo para se desvincular. Com Juninho, não foi diferente – afirmou o dirigente.

Mas a manutenção de Juninho Paulista não o livra do procedimento aberto pela Comissão de Ética do Futebol Brasileiro. Segundo o artigo 13 do Código de Ética do Futebol Brasileiro, ao qual a CBF está submetida, um dos itens que constituem conflito de interesse é o funcionário possuir participação de empresas que possam sofrer valorização direta ou indireta pela atuação na respectiva entidade.

– A comissão de ética é independente. Eles vão avaliar sob o ponto de vista ético, com análise crítica deles – finalizou o presidente da CBF.

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Marcial CortezAbril 20, 20206min0

A interrupção do futebol no Brasil, ocorrida no mês de março passado, impediu e/ou adiou a realização da partida entre Palmeiras e Corinthians, o maior clássico do país.

E nesse ponto, você deve estar a perguntar a si mesmo: como assim, o maior clássico do Brasil? Alguns dias atrás esta mesma coluna dizia que o Grenal era o maior clássico tupiniquim, um jogo tão importante que até patrocinadores conhecidos no mundo todo haviam trocado as cores de seus produtos para agradar às equipas e seus adeptos, e agora o colunista muda de opinião e diz que o maior clássico brasileiro é Palmeiras x Corinthians?

Pois é, vamos explicar detalhadamente esta questão para não deixar dúvidas. Começaremos com a definição de alguns pontos. O primeiro deles é a rivalidade. Para um clássico ser grande, é fundamental que exista rivalidade entre os adversários. E o Brasil, por suas dimensões continentais, apresenta muita rivalidade regional. E aqui já abordamos outro ponto: um grande clássico precisa de regionalidade. Porque é no âmbito regional que surge a rivalidade. É no âmbito regional que as equipas se enfrentam todos os anos, é no âmbito regional que o desejo de vingança cresce após uma derrota. Assim, não vamos falar das rivalidades inter-regionais, que existem, mas são efêmeras e transitórias. Já tivemos as épocas de ouro de Grêmio X Palmeiras, São Paulo X Cruzeiro, Flamengo X Atlético, Santos X Botafogo, Corinthians X Vasco e assim por diante.

Vamos focar na rivalidade entre vizinhos, e os exemplos são inúmeros: Remo e Paysandu, em Belém do Pará; Moto Clube e Sampaio Correa, no Maranhão; Ceará e Fortaleza, no Ceará; Bahia e Vitória, na Bahia; Coritiba e Athletico, no Paraná; e os mais conhecidos Cruzeiro e Atlético, em Minas Gerais, e Grêmio e Internacional, no Rio Grande do Sul. Em todos estes locais, a rivalidade é concentrada em duas equipas.

Maiores Clássicos do Brasil. Arte: GloboEsporte.com

Existem três Estados, no entanto, em que há mais de duas equipas com importância histórica: São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Nestes locais, temos várias rivalidades regionais diluídas entre os grandes clubes. Isso faz com que a briga citada nos primeiros Estados, por estar concentrada em somente duas equipas, a torne mais forte do que nos três últimos em que temos mais de duas equipas importantes na disputa. Em outras palavras, a rivalidade nos Estados em que há apenas duas equipas na briga é maior do que nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

Ora, então como Palmeiras x Corinthians pode ser o maior clássico do Brasil se não é a maior rivalidade do Brasil? Essa pode parecer a “pergunta do milhão”, mas é mais fácil de responder do que se imagina. Para ser o maior clássico do país, não basta ter uma grande rivalidade. Guarani e Ponte Preta, por exemplo, são clubes que não se suportam, são rivais extremos. No entanto, nenhuma das equipas tem repercussão nacional, e aqui entra o terceiro ponto importante para determinarmos o maior clássico do país: a repercussão. As equipas de Pernambuco não repercutem nacionalmente como as do Rio e São Paulo. Sendo assim, para determinar definitivamente qual o maior clássico do país, vamos focar nos dois principais Estados: Rio de Janeiro e São Paulo.

No Rio, o clássico entre Flamengo e Fluminense já ocupou o cargo de maior clássico do Brasil por muitos anos. Havia (e ainda há) rivalidade, regionalidade e repercussão nacional. Em muitas situações, utilizamos a expressão “Fla-Flu” para designar um embate entre duas forças antagônicas. Porém, aqui entra o quarto ponto importante para cravarmos nossa afirmação: a regularidade, ou seja, um clássico para ser grande tem que ser importante em qualquer época, em qualquer
momento da História dos clubes. E foi justamente nesse quesito que o Fla-Flu perdeu a força e o título de maior clássico do país. No final do século XX e início do XXI, o clássico Flamengo e Vasco superou o Fla-Flu, e hoje em dia é o principal clássico carioca. Peço aos adeptos que me perdoem, mas Flamengo e Vasco hoje é maior do que o Fla-Flu.

Vimos então que, para ser o maior clássico do país, o jogo precisa ter o que eu chamo de “os quatro erres” – Rivalidade, Regionalidade, Repercussão e Regularidade. O clássico que preenche completa e totalmente TODOS esses requisitos, sem dúvida, é Palmeiras x Corinthians, o maior clássico do Brasil.

O clássico é tão importante que possui algumas marcas históricas:
Já serviu para salvar o São Paulo da falência iminente, no que ficou conhecido como “Jogo das Barricas” em 1938;
Já serviu para apoiar o Partido Comunista Brasileiro em 1945, fato que virou livro (¨Palmeiras x Corinthians 1945 – o Jogo Vermelho¨, escrito por Aldo Rebelo);
Já foi citado no filme “Boleiros”, em 1998;
Já virou filme, “O Casamento de Romeu e Julieta”, em 2005, com Luana Piovani no papel principal. O filme foi distribuído não só no Brasil, mas em vários países do mundo.
Já definiu vários campeonatos paulistas, torneios Rio-São Paulo, dois campeonatos brasileiros e até mesmo um dos finalistas da Copa Libertadores da América em 1999.

O Casamento de Romeu e Julieta em versão alemã. Foto: Trigon-Film

Em 2020 as equipas vivem situações completamente opostas: enquanto o Palmeiras está em paz com seu técnico e com seus adeptos, precisando apenas de um ponto para se classificar às fases finais do Campeonato Paulista, seu rival Corinthians vê a vaga para os jogos decisivos cada vez mais distante, e está a correr inclusive o risco de ser rebaixado à segunda divisão do certame.

A interrupção do campeonato por conta da pandemia de Covid-19 ocorreu às vésperas da partida, portanto quando tudo isso acabar este será o primeiro jogo a ser disputado por eles. Será mais uma marca histórica do clássico mais importante das terras canarinhas.

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Renato SalgadoAbril 9, 202011min0

Sem sucesso na negociação coletiva, os clubes da elite do Brasil iniciaram abril em situações distintas em relação aos salários de jogadores e funcionários durante a paralisação do futebol. Há quem não mexerá na remuneração, quem ainda tenta acordo e outros que já acertaram uma redução.

As férias coletivas já estão em curso, mas Atlético-MG e Fortaleza foram os que anunciaram um corte mais profundo na própria carne, chegando a até 25%. O time mineiro manteve um piso de R$ 5 mil. Ou seja, quem ganha menos que isso não sofre perdas: 77% dos funcionários, segundo estimativa do presidente Sérgio Sette Câmara. Além disso, o desconto percentual é escalonado. Os 25% atingem o topo da pirâmide.

No Rio, o Flamengo mantém o salário integral de abril e já informou no balanço que, caso a interrupção de jogos dure até três meses, o impacto será “absorvível”, sem representar riscos para as finanças do clube.

O Botafogo, que do exercício de 2020 pagou só janeiro, decidiu que não mexerá no salário dos jogadores.

— Não vamos tomar a decisão de salário agora. Não é algo tão simples, traz desgaste junto ao elenco. Queremos evitar ao máximo. É uma decisão extrema. Não tem sentido se precipitar — explicou Luiz Felipe Novis, vice de finanças alvinegro.

O Vasco conseguiu nesta semana finalmente encerrar os compromissos relativos a 2019. Em relação aos salários, o clube apostava inicialmente no acordo coletivo com a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf). Apesar do fim das conversas entre a entidade e a comissão de clubes, cuja recomendação é negociar individualmente, o cruz-maltino ainda não avançou. O presidente Alexandre Campello mantém diálogo com o capitão Leandro Castan, mas não há números fechados.

O presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, foi quem capitaneou a negociação com o sindicato dos jogadores. Mas ele também tem as questões internas para resolver. Diretores, gerentes e prestadores de serviços toparam 15% de redução salarial enquanto durar a pandemia. Nesta quarta-feira, o tricolor pagou 25% da folha de fevereiro, que venceu no quinto dia útil de março.

Na Série A, há clubes que fecharam acordo com os jogadores, mas evitam revelar o percentual. É o caso de Ceará e Grêmio. O Bahia também costura acordo:

— Estamos conversando com os atletas para definirmos até o início da próxima semana. Só vamos falar em números após o acordo. Estamos fazendo internamente primeiro — explicou Guilherme Bellintani, presidente do clube baiano.

No futebol paulista, há um cenário de incerteza em relação ao São Paulo. A primeira proposta do clube — redução de 50% dos salários — foi rejeitada pelos jogadores. O Palmeiras quer honrar os compromissos por inteiro. O Santos segue essa linha, enquanto o Corinthians analisa o cenário de crise antes de formalizar qualquer movimentação.

O Atlético-GO vive um certo aperto. Decidiu pagar março integralmente, mas abril é uma incógnita, até porque precisa lidar com a saída de patrocinadores.

— Esperamos que haja alguma medida do governo e da CBF. Nosso segmento emprega muita gente — disse o presidente Adson Batista.

Situação nos clubes da Série A

Athletico: Jogadores liberados por tempo indeterminado.

Atlético-GO: Além de férias, pagará março integralmente. Não definiu os meses seguintes.

Atlético-MG: Redução de 25% sobre o salário de funcionários, incluindo diretoria, jogadores e comissão técnica, pelo período em que durar a pandemia do coronavírus.

Bahia: Férias de 1º a 20 de abril. Conversa com atletas para definir questão salarial até o início da próxima semana.

Botafogo: Férias entre 1º e 20 de abril. Decidiu não reduzir salários dos jogadores agora.

Red Bull Bragantino: Pagará salário integral dos atletas. Férias de 1º a 20 de abril.

Ceará: Fez acordo para redução percentual do salário dos jogadores em março e abril. Não revela o número. Deu férias de 20 dias.

Corinthians: Férias de 20 dias. Não definiu a questão salarial.

Coritiba: Pagará salários de forma integral.

Flamengo: Férias de 20 dias. Pagará os salários integralmente.

Fluminense: Férias de 1º a 20 de abril. Diretores, gerentes e prestadores de serviços propuseram redução de 15% dos salários durante paralisação.

Fortaleza: O salário do elenco de março, pago em abril, terá abatimento de 25%, a ser quitado depois. Do salário de abril, jogadores renunciaram 10% em definitivo. Mais 15% será pago depois. Executivos do clube toparam 15% de renúncia definitiva enquanto durar o problema.

Goiás: Férias até o dia 20 de abril. Jogadores e clube negociam redução salarial.

Grêmio: Deu férias de 1º a 20 de abril. Anunciou redução salarial dos jogadores, mas não informou percentual.

Internacional: Concedeu férias de 1º a 20 de abril. Ainda avalia números antes de decidir negociar redução salarial com os jogadores.

Palmeiras: Férias de 1º a 20 de abril. Pretende manter os salários dos jogadores.

Santos: Férias de 1º a 20 de abril. Não pretende reduzir salários.

São Paulo: Determinou férias de 2 a 21 de abril. Propôs aos jogadores corte de 50% no salário pago em carteira e suspensão dos direitos de imagem a partir deste mês (com pagamento previsto para o início de maio). O acordo não foi fechado.

Sport: Tenta negociação individual. Férias de 20 dias.

Vasco: Deu férias de 20 dias. Aguarda negociação coletiva com os jogadores.

 

CBF anuncia medidas de apoio financeiro aos clubes e Federações

Entidade repassará às equipes que disputam as Séries C e D valores equivalentes à média de duas folhas salariais dos atletas de cada competição. O mesmo apoio será dado aos participantes das Séries A1 e A2 do Campeonato Brasileiro Feminino.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai destinar R$ 19 milhões, a título de doação, para a base da pirâmide do futebol coordenado pela entidade em competições de nível nacional, em função das dificuldades causadas pela pandemia do novo coronavírus. Cada clube que disputa as séries C e D do Campeonato Brasileiro vai receber um auxílio financeiro direto no valor equivalente a duas vezes a folha salarial média dos atletas de cada uma dessas divisões, segundo dados apurados no sistema de registro de contratos da CBF. A mesma medida será aplicada ao futebol feminino e destinada aos clubes que disputam as Séries A1 e A2 do Campeonato Brasileiro.

Serão beneficiados 140 clubes, em uma ação realizada pela CBF com o apoio das Federações Estaduais. O objetivo é colaborar para que esses clubes possam cumprir seus compromissos com os jogadores e jogadoras durante o período de paralisação do futebol. Além disso, a CBF decidiu doar para cada uma das Federações Estaduais o valor de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais).

“Vivemos um momento inédito, de crise mundial, cuja extensão e consequências ainda não podem ser calculadas. É necessário, portanto, agir com critério e responsabilidade. O nosso objetivo, com essas novas medidas, é fornecer um auxílio direto imediato. Mas, além disso, temos que seguir trabalhando para assegurar a retomada do futebol brasileiro no menor prazo possível, quando as atividades puderem ser normalizadas”, afirma o presidente da CBF, Rogério Caboclo.

Os recursos de R$ 19.120.000,00 serão destinados da seguinte forma:

– Para os 68 clubes da Série D, o auxílio individual será de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais), num total de R$ 8.160.000,00 (Oito milhões, cento e sessenta mil reais).

– Para os 20 clubes da Série C, o auxílio individual será de R$ 200.000,00 (Duzentos mil reais), num total de R$ 4.000.000,00 (Quatro milhões de reais).

– Para os 16 clubes da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino, o auxílio individual será de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais), somando R$ 1.920.000,00 (Um milhão, novecentos e vinte mil reais).

– Para os 36 clubes da Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino, o auxílio por clube será de 50.000,00 (Cinquenta mil reais), com o desembolso total, pela CBF, de R$ 1.800.000,00 (Um milhão e oitocentos mil reais).

– Para as Federações Estaduais, são R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais) por entidade, num total de R$ 3.240.000,00 (Três milhões, duzentos e quarenta mil reais).

O pagamento dos valores destinados aos clubes será realizado a partir desta terça-feira, 7. Essas ações se somam a outras medidas tomadas anteriormente pela CBF, também com impacto financeiro direto para o sistema do futebol:

– Isenção por tempo indeterminado aos clubes das taxas de registro e transferência de atletas. A medida deve gerar aos clubes uma economia em torno de R$ 4.000.000,00 (Quatro milhões de reais) nos primeiros três meses de aplicação.

– Adiantamento de uma parcela de R$ 600.000,00 (Seiscentos mil reais) para os clubes da Série B do Campeonato Brasileiro referentes aos direitos de TV da competição, feito com recursos próprios da CBF, no valor total de R$ 12.000.000 (Doze milhões de reais).

– Adiantamento aos árbitros do quadro nacional do pagamento de uma taxa de arbitragem, calculada a partir da maior taxa paga pela CBF em 2019 para sua categoria, no valor total de R$ 900.000,00 (Novecentos mil reais).

Com isso, as doações e isenções da CBF aos clubes e Federações alcançam R$ 23.120.000,00 (Vinte e três milhões, cento e vinte mil reais). Somadas aos R$ 12.900.000,00 (Doze milhões e novecentos mil reais) em adiantamentos, as ações da CBF representam um total de R$ 36.020.000,00 (Trinta e seis milhões e vinte mil reais).

Além dessas medidas emergenciais, a CBF mantém seu compromisso com o investimento no futebol. Em 2019, a entidade aplicou R$ 535 milhões no futebol brasileiro, em suas diversas áreas. A CBF arca com os custos, no todo ou em parte, de 20 competições, que garantem milhares de empregos na indústria do futebol. Por exemplo, somente na realização das Séries C e D do Campeonato Brasileiro, há um investimento de cerca de R$ 80 milhões.

“Vamos manter os investimentos para permitir a realização das competições previstas para 2020”, diz Rogério Caboclo. “O nosso maior compromisso para preservar clubes e empregos é fazer a indústria do futebol voltar a funcionar quando a retomada for possível”, completa Caboclo.

Desde que suspendeu todas as competições nacionais e articulou com as Federações Estaduais para que fizessem o mesmo, a CBF trabalha em quatro eixos de ações:

1 – Preservação dos contratos e receitas dos clubes: a manutenção dos contratos existentes, em especial os contratos de direitos de televisão, que são a base da sustentação dos clubes, além dos patrocínios. Em relação à receita advinda da bilheteria, a CBF vem construindo diferentes alternativas de adequação do calendário, a partir da primeira data em que seja possível retomar as competições. Além disso, a CBF terá total flexibilidade para adotar medidas que viabilizem a conclusão de todas competições previstas para 2020.

2 – Acordos trabalhistas: através da Comissão Nacional de Clubes, a CBF apóia um processo de diálogo que permita acordos trabalhistas justos e equilibrados para clubes, atletas e funcionários. O primeiro fruto foi a decisão por consenso dos clubes de concessão de férias coletivas no mês de abril.

3 – Governo Federal: a Entidade está levando propostas juridicamente sustentáveis para que o futebol seja preservado. A CBF defende que sejam estendidas aos clubes as medidas que o governo federal vem oferecendo para as empresas, no sentido de resguardar empregos e os compromissos financeiros de curto prazo. No caso do PROFUT, uma lei específica para o futebol, a proposta é que os clubes recebam um prazo para readequar o pagamento de suas obrigações tributárias.

4 – Crédito: A CBF tem dialogado com o mercado financeiro para permitir o acesso dos clubes a linhas de crédito com juros baixos, que viabilizem atravessar o momento de paralisação dos campeonatos.

A CBF continua trabalhando intensamente, em conjunto com clubes e Federações, para que o futebol brasileiro supere esse enorme desafio.

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Marcial CortezAbril 8, 20203min0

Apesar do futebol estar parado em quase todo o planeta, a IFAB (International Football Association Board) continua seu trabalho a todo vapor. Na última terça feira, foram publicadas as novas regras da entidade, definidas no evento 134th Annual General Meeting realizado em Belfast, na Irlanda do Norte, na última semana de fevereiro, e que passarão a valer a partir do dia 01 de junho em todo o mundo. Vamos comentar as principais mudanças:

1. Nas cobranças de penalidades, os cartões amarelos e vermelhos aplicados durante o tempo normal e a prorrogação não serão considerados.

Aqui começa a primeira polêmica: então um jogador que eventualmente tenha sido expulso durante a partida poderá ser relacionado para bater uma cobrança na hora da definição por penalidades? Você considera isto justo? Imagine um jogador que tenha cometido uma agressão grave no decorrer do jogo e tenha sido punido por esta ação. Este jogador poderia se tornar um heroi nesta mesma partida, ao definir um eventual último pênalti decisivo.

2. Num pênalti, caso o guarda redes tenha se adiantado antes da cobrança e a bola bata na trave ou saia pra fora, a cobrança será validada. Somente se repetirá a cobrança se a bola tocar no guarda redes.

Outra polêmica. Sabendo dessa regra, os guarda redes poderão se adiantar à vontade para atrapalhar o batedor. Se eles não tocarem na bola e ela não entrar, isso vai favorecer a defesa. Ora, se o objetivo do futebol é o golo, essa regra tem tudo para não dar certo.

3. Infração por mão: o limite superior do braço coincide com o ponto mais baixo da axila. Ou seja, a região da manga curta da camisola é considerada válida. A IFAB cita como limite ¨o fim da manga da camisola¨.

IFAB considera manga da camisola como limite para validar mão na bola. Foto: Marcio Alves / Agencia O Globo

Essa regra, certamente, é a que mais vai causar problemas. Fabricantes diferentes confeccionam camisolas distintas. O comprimento de uma manga é diferente do comprimento da outra. Ora, como farão a definição do que é mão e o que não é mão? O VAR vai decidir? E se a camisola do fabricante X tiver a manga mais comprida que o fabricante Y? Aquela bola de lançamento longo que normalmente é matada no peito, poderá ter um ¨pequeno auxílio¨ do antebraço para o jogador fazer o domínio? Desde que a parte do antebraço esteja coberta pela camisola, a regra nova diz que isso será válido. Essa alteração poderá mudar radicalmente a forma com que o futebol é jogado atualmente.

 

Além destas regras, outras mudanças estão a ser estudadas pelo IFAB, entre elas a alteração da forma de medição do tempo de jogo, com paralisação do cronômetro em algumas situações, entre outras. Como se vê, o futebol está em constante evolução, mas nem sempre as regras mudam para melhor.

Vamos aguardar a bola rolar na relva para ver como estas mudanças ocorrerão na prática.

 


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