23 Nov, 2017

NBA: Conferência Oeste

João PortugalOutubro 17, 201716min0

NBA: Conferência Oeste

João PortugalOutubro 17, 201716min0
Antevisão da nova época da NBA, na Conferência Oeste, onde os Warriors estão mais fortes do que nunca, existem 3 pretendentes de enorme valor e a luta pelos restantes lugares do playoff será uma selva autêntica.

Terminou a off-season mais épica da história deste e de todos os desportos. 7 All-Stars da temporada passada mudaram de equipa! Aconteceram trocas impensáveis! Continuamos a nossa antevisão com a Conferência Magnífica, o Oeste. Os meus continuam no topo da pirâmide e de lá não vão sair, e conseguiram melhorar a sua profundidade. Resta portanto lutar para 2º…e para os playoffs. Vai ser uma das lutas mais titânicas de sempre! Tantas equipas deste lado da NBA se esforçaram e reforçaram para conseguirem prolongar a época em Abril… vamos a isto!

Conferência Este 

O Faraó tem uma pirâmide maior

Comecei o texto com esta analogia e mantenho-a por mais um parágrafo. Golden State conseguiu manter o seu núcleo, resistiu aos avanços sobre Andre Iguodala, que mesmo assim foi bem pago (48 milhões de dólares por 3 anos), Kevin Durant ficou a preço de saldo e Curry finalmente foi recompensado por andar a carregar esta equipa a ganhar 11 milhões ao ano e assinou o mega contracto de 201 milhões por 5 anos.

Para além disso os Warriors convenceram Nick Young e Omri Casspi a juntarem-se e compraram o melhor jogador da segunda ronda do draft aos Bulls, Jordan Bell, por 3,5 milhões de dólares em mais uma prova de que as outras 29 equipas da liga andam a dormir, porque um jogador com um potencial enorme que já demonstra imensa qualidade esteve disponível até ao 35º lugar.

Antes de mudar para a parte mais interessante do artigo, os outros, falta atribuir um record aos Warriors, e vamos com 71-11, só para ser diferente de toda a gente. 71 é um número feio, ninguém escolheu. Este plantel com o novo calendário um pouco mais soft seria mais do que capaz de bater novamente o record de vitórias na fase regular, porém não é importante uma vez que já o conseguiram há 2 anos.

Vamos então tentar organizar o resto do Oeste e devemos agradecer a todas estas equipas porque no fim, para a posteridade ficará o 3º título em 4 anos de Golden State, quiçá com uma post season de 16-0, mas o que nos vai fazer ver jogos todas as madrugadas de outubro até abril, serão estes franchises do Oeste que vão proporcionar enormes espectáculos. Numa era sem Warriors haveria uns 4 ou 5 candidatos ao primeiro lugar da conferência.

Barbas e CP3 e não vão ser precisas 2 bolas no court [Fonte: HoustonChronicle]

Os Pretendentes

Depois de muitas indecisões e algum tempo a pensar, Houston, San Antonio e Oklahoma serão 2º, 3º e 4º, respectivamente. O Oeste vai destruir o Este em jogos inter-conferência e todas estas equipas vão ganhar 50 e muitos. Decidi esta ordem porque na primeira temporada de Mike D’Antoni a jogar Moreyball em Houston, os Rockets alcançaram a 10ª melhor marca de todos os tempos em offensive rating (114,7 pontos por 100 posses de bola) e agora juntaram Chris Paul a James Harden. Vão ser 48 minutos sempre com um base de elite em court, sempre com 3 ou 4 atiradores de longa distância (no mínimo), vai ser explosivo e esperemos ainda melhor que em 2016-17.

Houston também conseguiu contratar duas boas wings defensivas no defeso, PJ Tucker e Luc Richard Mbah-a-Moute. Apesar de terem enviado muitas peças importantes na troca por CP3, ficaram melhor equipados para enfrentar Warriors, San Antonio, OKC e até os Cavs se for caso disso na Final.

Acreditando que a lesão de Kawhi Leonard não seja nada de grave e o faça perder apenas um par de jogos na primeira semana, fico satisfeito em colocar os Spurs à frente dos Thunder. San Antonio continua a ter o sistema, a cultura, uma das melhores defesas da NBA e sabem como ganhar na regular season. Tem versatilidade nas wings, bigs que sabem lançar, foram buscar Rudy Gay e têm o meu MVP para 2017-18.

Leonard foi vítima de um duelo de triplos-duplos e de estatísticas volumosas entre Westbrook e Harden que eclipsaram uma das melhores regular season da história, só ao alcance de Lebron James e Michael Jordan. All-Defensive 1st Team, 25 pontos por jogo, mais de 60% de trueshooting% (valor que integra na mesma equação duplos, triplos e lances livres ponderadamente) e mais de 30% de usage rate. Crédito para esta descoberta é do Shane Young.

 

Lauvergne é uma das grandes novidades dos Spurs [Fonte: PoundingTheRock.com]
 

O plantel de OKC é curto depois do 5 inicial, e como já escrevi no artigo do Este, é algo menos importante este ano porque o calendário será menos apertado. Ainda assim, olhamos para o banco e para lá de Patrick Patterson não há muito que possa ser útil, principalmente nos playoffs. Westbrook também sabe ganhar regular season games, mas Sam Presti vai ganhar Executive of the Year depois de ter feito tudo para que os Thunder vão à Final do Oeste e sejam o principal adversário de Golden State. Presti fez tudo para que Russell Westbrook seja o franchise player de Oklahoma durante todo o seu prime.

Paul George e Carmelo Anthony trazem mais versatilidade aos line ups a usar (também graças a Patterson) e melhores opções na recta final das partidas, onde as menos boas tomadas de decisão de Westbrook sempre foram mais notórias.

Acertar no 5-8 é uma lotaria

Posto isto, as minhas escolhas vão para Denver, Minnesota, Portland e Clippers. Sim, custou bastante deixar tanto Utah como Memphis de fora, mas está aqui a razão pela qual os playoffs por conferências são tão injustos. Haverá pelo menos duas muito boas equipas no Oeste a ficar de fora enquanto que no Este um par de franchises pode conseguir apurar-se sem que sequer fosse esse o seu objectivo inicial.

Denver conseguiu atrair um dos melhores Bigs da NBA, Paul Millsap, para juntar ao emergente Nikola Jokic, o que criará a dupla interior mais versátil da liga, dois dos melhores passadores interiores. Gary Harris é um dos melhores jovens shooting guards da liga e não foi por acaso que os Nuggets tiveram o melhor ataque da temporada passada a partir do momento que Harris chegou ao cinco inicial, a 15 de Dezembro (mesma eficiência que Golden State).

Sabem qual é a grande fraqueza de Denver? A defesa (2ª pior da NBA no ano passado). Sabem qual é a grande virtude de Millsap? A defesa. E vai ter o condão de ajudar Jokic a não ser atacado por todos os lados. Os Nuggets têm profundidade e soluções para diferentes tipos de jogo. Emmanuel Mudiay voltou a ser o patinho feio, porém existe Jamal Murray, e a posição base continua a ser a mais fraca da equipa. É aqui que entra o brilhantismo de Nikola Jokic, que controla os ataques como um base, lança como um shooting guard e tem o tamanho de um poste.

Jokic e Millsap serão a parelha mais divertida da NBA [Fonte: The Denver Post]
 

Se os Timberwolves voltarem a defraudar as expectativas e não andarem perto das 50 vitórias, já não há muito a fazer. Jimmy Butler é um dos melhores jogadores da NBA e a sua posição era a mais carecida nos Wolves. Ainda por cima veio ao preço da chuva, Minnesota não cedeu nenhum jogador fundamental ou perto disso para o ter. Outro jogador que vai ajudar a melhorar a 27ª defesa da temporada transacta é Taj Gibson. Vale o que vale, mas no texto sobre os 10 melhores off-season moves, Jimmy Butler foi votado como a melhor movimentação do mercado e eu tenho de concordar que foi o melhor jogador a ser mudar de equipa.

Jeff Teague pode vir a interpretar melhor o papel de base nesta equipa do que Ricky Rubio e a presença veterana, que já jogou vários anos para Tom Thibodeau em Chicago, vai certamente contribuir para que Karl-Anthony Towns e Andrew Wiggins aumentem o esforço defensivamente.

É quase impossível deixar de fora dos playoffs uma equipa cujo backcourt titular gera 70% dos pontos necessários para ganhar uma partida. Pode ser exagerado mas Damian Lillard e CJ McCollum põem no marcador 73 pontos por partida, directamente ou por assistência para colegas.

Têm melhorado de ano para ano e são a razão principal (talvez devesse dizer única?) para que os Portland Trail Blazers ainda não tenham falhado os playoffs desde que LaMarcus Aldridge foi para San Antonio, Wes Matthews para Dallas e Nic Batum para Charlotte. Jusuf Nurkic também foi importantíssimo para que os Blazers tenham ganho defesa interior e capacidade de conquistar ressaltos, eles que eram a 24ª nesse aspecto antes de Nurkic chegar e a 7ª desde então.

Ora bem, por que escolhi os LA Clippers à frente de Memphis e Utah para a última vaga dos playoffs? Para já tenho a dizer que a probabilidade de estar errado é bem maior do que a de estar correcto, visto que a probabilidade de uma equipa destas atingir a post season é bem inferior à das restantes aglomeradas. Os Clippers recomposeram-se muitíssimo bem após a saída de Chris Paul via sign&trade. Conseguiram muitas peças para a rotação como Patrick Beverley, Lou Williams, Sam Dekker ou Montrezl Harrell.

Perderam JJ Redick na Free Agency mas responderam com Danilo Galinari e foram eles os primeiros a convencer o melhor jogador a actuar na Europa a vir para a NBA, Milos Teodosic. Claro que as lesões e os constantes problemas físicos de Blake Griffin serão  o pêndulo para uma temporada dentro ou fora do top8, mas o mesmo se pode dizer para qualquer equipa abaixo do 4º lugar.

Teodosic to Griffin! – vamos ouvir isto vezes sem conta [Fonte: NBA.com]
 

Jerry West nunca falhou os playoffs desde que começou a sua carreira nos Lakers em 1960. Exactamente, em 57 anos, West foi jogador, treinador, teve diversos cargos executivos, perdeu todas as Finais que disputou como jogador, mas já tem 8 títulos no currículo. Os mais recentes foram como President of Basketball Operations dos Warriors. Este verão rejeitou a oferta dos Campeões para continuar (a razão que foi tornada pública indica que Golden State lhe queria baixar o salário anual em um milhão de dólares) e assumiu a mesma função em LA, nos Clippers. Jamais seria capaz de ser o primeiro a prever que este legado absurdo e inigualável fosse interrompido esta época.

Quem vai ficar à porta dos Playoffs

Memphis manteve os seus dois melhores jogadores, Mike Conley e Marc Gasol, mas perdeu 3 elementos fundamentais da cultura Grit ‘n Grind, Zach Randolph, Tony Allen e Vince Carter. Para colmatar a saída de Z-Bo, o imperativo seria a reabilitação de Chandler Parsons que é uma sombra do que foi em Dallas, onde foi uma sombra do que valeu em Houston (em relação a Dallas estou a ser exagerado, mas tem mais piada escrever assim). O que vai acontecer à produção defensiva com wings como Tyreke Evans e Ben McLemore? A minha intuição é que quando tenho mais perguntas que certezas, é para deixar de fora.

Na mesma linha de pensamento, Utah perdeu o seu melhor jogador ofensivo, Gordon Hayward, perdeu George Hill, entrou Ricky Rubio. O base espanhol vai ser o grande responsável pelas melhorias de Rudy Gobert no capítulo ofensivo, porém as saídas de Hayward e Hill criaram um buraco enorme no ataque muito difícil de eliminar apenas com adição de outras peças.

Os Jazz também vão marcar menos triplos, indo em sentido contrário do resto da NBA, numa altura em que as equipas estão a caminho de lançarem 40 vezes de fora por partida. Gobert e Derrick Favors nunca funcionaram bem juntos e a necessidade de alternarem a sua presença em court até pode resultar com Joe Johnson a ocupar a posição 4, resta saber se este ainda tem capacidade física para desempenhar umas das posições mais complicadas na NBA (principalmente porque está em vias de extinção).

Os New Orleans Pelicans tentaram movimentar-se na direcção certa com uns meses de antecedência, ao trocarem para terem DeMarcus Cousins, só que o resto do Oeste apostou bastante nesta off-season. Resultado, ainda não é desta que Anthony Davis fará mossa nos playoffs, dificilmente lá chegará, e os Pelicans provavelmente serão forçados a trocarem Cousins durante a época porque não têm armas suficientes, principalmente atiradores.

O melhor atirador de longa distância do plantel, nesta fase da carreira, deve ser o próprio Cousins. Todo o talento de AD e Cousins não conseguiu comprar ou atrair lançadores de 3 pontos suficientes para fazer a máquina funcionar. Rondo fez uma cirurgia para reparar dano num músculo há uma semana. Jrue Holiday vai ser o único base da equipa nos primeiros meses da temporada.

Será que esta aliança dura mais que 1 ano? [Fonte: Sporting News]

Os que têm a lotaria garantida no Oeste

Dallas é uma equipa com talento, draftou um dos bases mais explosivos da classe, Dennis Smith Jr, que terá a posição só para ele, tornando-o num sério candidato a Rookie of the Year. Pode ser a despedida de Dirk Nowitzki, mais um momento triste para nós adeptos. Será também o ano em que Nerlens Noel dará tudo para conseguir uma extensão de 4 ou 5 que lhe garanta o futuro, visto que será o seu 4º ano de uma carreira com vários altos e baixos, todavia Rick Carlisle já avisou que não será titular. Graças a Dirk e a Harrison Barnes, os Mavs são das poucas equipas que conseguem construir line ups com 5 atiradores. Para onde a NBA se está a encaminhar é quando deveria ser o prime de Nowitzki. Seria um dos melhores de todos os tempos.

Os Lakers fizeram uma melhor off-season do que poderiam sequer sonhar. Aquela troca de D’Angelo Russell por Brook Lopez trouxe-lhes um jogador que em circunstâncias normais não aterraria em LA. Kyle Kuzma é uma das steals do draft até ao momento. Tem range, será um dos melhores atiradores da NBA dentro de poucos anos. Tem tamanho para jogar a SF ou a PF e já demonstra uma rara habilidade de espaçar o court e colocar-se na melhor posição possível para receber e atirar.

A meu ver também escolheram  o melhor rookie desta classe em Lonzo Ball, jogador inteligentíssimo com enorme visão, o seu lançamento acabará por aparecer. Com os elevados minutos que Luke Walton com certeza lhe dará, é o principal candidato a Rookie do Ano, a par de Ben Simmons dos 76ers. Ball pode, de uma vez por todas, ser o craque capaz de tomar a decisão correcta no timing exacto e descobrir soluções que parecem inexistentes que fará com que outras estrelas queiram vir para os Lakers.

Sacramento não contratou Zach Randolph, George Hill e Vince Carter para lutar pelos playoffs. Foi com o entuito de desenvolver a malta jovem, que são um número engraçado de miúdos talentosos. O importante neste tipo de jogadas é controlar os minutos que os veteranos vão ter em relação aos mais novos. Buddy Hield, Willie Caulley-Stein, Skal Labissiere, D’Aaron Fox e Justin Jackson precisam de tempo de jogo. Hill tem necessariamente de ser titular, vai ganhar 20 milhões por ano e é o melhor jogador do plantel. Como vai ser a integração de Fox? Potencialmente o starter na posição 1 a longo-prazo do franchise.

Os Phoenix Suns têm um pouco menos de presença veterana e também muitas bocas jovens para alimentar com minutos. Eric Bledsoe, Jared Dudley e Tyson Chandler vão continuar a ter a mesma função que no ano passado e a certa altura vão ser “afastados” para que os putos tomem as rédeas. Nos últimos anos gostei bastante de duas decisões dos Suns. Primeiro, depois daquele ano fantástico em que quando estava previsto serem uma das piores equipas da liga e ficaram mesmo à porta dos playoffs, com Dragic, Bledsoe e Gerald Green a jogarem incrivelmente bem, retrocederam.

O rebuild deles deveria ser mais longo, e está a ser. Em segundo lugar, draftaram muito bem na posição chave da NBA, as wings. Devin Booker (que é um 2, não totalmente wing, mas tem tamanho para várias posições), TJ Warren, Josh Jackson e Marquese Chriss. Mais cedo ou mais tarde aparecerão propostas por Bledsoe mas sem grandes bases projectados para o próximo draft, talvez valha a pena aguardar mais um ano.

Resumo dos prémios individuais:

Most Valuable Player – Kawhi Leonard (Spurs)

Defensive Player of the Year – Draymond Green (Warriors)

Rookie of the Year – Lonzo Ball (Lakers)

Sixth Man of the Year – Eric Gordon (Rockets)

Most Improved Player of the Year – Gary Harris (Nuggets)

Coach of the Year – Scott Brooks (Wizards)

Executive of the Year – Sam Presti (Thunder)

À 3ª será de vez para The Klaw [Fonte: Sports Illustrated]


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter