20 Fev, 2018

Estamos a medir o que devíamos no desporto de formação?

Fernando SantosOutubro 30, 20175min0

Estamos a medir o que devíamos no desporto de formação?

Fernando SantosOutubro 30, 20175min0
Se não estamos, o que devemos fazer para medir o que é mais importante?

Este artigo faz parte da série “treino mental”, da responsabilidade do especialista Fernando Santos, do site “Muda o Teu Jogo“. A componente mental merece cada vez maior atenção por parte dos agentes envolvidos no desporto de alto rendimento, por isso muda o teu jogo com fair play

É cada vez mais generalizado o conceito de que não é através dos resultados que melhor avaliamos o sucesso no desporto de formação. Cresce a consensualidade sobre o mais importante ser, efectivamente, o desenvolvimento integral dos jovens.

Também é uma máxima sabida que “o que não se mede não se gere”. E que o que os adultos valorizam é o que os mais novos tentam cumprir, imitar e repetir.

Os parágrafos anteriores levam-nos à questão: “Estamos mesmo a medir o que devíamos no desporto de formação?” E a uma segunda questão que decorre da primeira: “Se não estamos, o que devemos fazer para medir o que é mais importante?”.

Actualmente é dado um peso exagerado aos resultados como resultado da cópia do que se mede no desporto profissional e que aparece nos orgãos de comunicação social. Pouca ou nenhuma medição se faz dos comportamentos que constroem os processos que originam esses resultados. Ironicamente, um treinador não consegue treinar resultados, apenas treina os comportamentos que sustentam os processos que determinam esses resultados.

Fazendo uma analogia com o que se passa na escola, seria impensável avaliar crianças da primária segundo os mesmos critérios que usamos nas grandes empresas. Logo, se é possível fazermos essa clara distinção na escola devemos transferir essa capacidade para o universo desportivo das nossas crianças.

Então, o que nos interessa medir e avaliar?

Em vez de resultados, interessa-nos medir COMPORTAMENTOS que expressam os VALORES que desejamos que sejam os alicerces dos futuros adultos.

Que valores são esses? O PNED – Plano Nacional da Ética no Desporto publicou, em http://www.pned.pt/media/28151/AF_Caderno_treinadores_digital.pdf, o conjunto de valores que devemos incutir: respeito pelo próprio, responsabilidade, autonomia, autocontrolo, superação, respeito pelos outros, solidariedade, cooperação, empatia, respeito pelo espaço, respeito pelas normas e participação.

A alegria no desporto de formação (Fonte: arquivo pessoal)

E não é apenas no desporto de formação que estes valores são cada vez mais valorizados. Senão, atentemos ao exemplo dado por uma das mais prestigiadas Ligas Profissionais do planeta, a NBA, que recentemente criou o prémio para Melhor Colega de Equipa que é atribuido no final de cada temporada.

Troféu da NBA para “Melhor Colega de Equipa” (Fonte: arquivo pessoal)

Cabe aos treinadores, quando possível em conjunto com os seus atletas, identificar os comportamentos a valorizar e a encorajar na equipa. Cabe aos dirigentes fazer o mesmo relativamente aos seus treinadores antes de distingui-los ou despedi-los. Cabe aos pais fazer o mesmo relativamente ao clube que patrocinam e ao qual confiam parte importante do desenvolvimento dos seus filhos. E porque não, os clubes também realizarem o exercício oposto e definirem os comportamentos que desejam ver nos pais? Porque não distinguir pela positiva os pais que mais contribuem para a promoção desses valores que constituem a identidade do clube? Muito há para fazer, felizmente.

Estatística ComportaMENTAL

A nossa proposta, partindo da nossa experiência no basquetebol e baseada numa normal folha de estatística que mede pontos, ressaltos e assistências, é a que vos apresentamos aqui. Uma ESTATÍSTICA em que todos os COMPORTAMENTOS registados carecem de “ZERO TALENTO”.

Estatística ComportaMENTAL “Muda O Teu Jogo” (Fonte: arquivo pessoal)

O desafio de registar apenas comportamentos objectivos observáveis leva-nos agora a tentar construir um referencial de critérios novo. Um referencial que permita o uso fácil e generalizado desta Estatística ComportaMENTAL. Para essa construção, que acreditamos ser possível em todas as modalidades, pedimos a vossa colaboração. Substituam a vossa folha tradicional de estatística por uma de comportamentos que desejam ver presentes nos jovens que treinam e nos adultos em que eles se transformarão.

Fonte: arquivo pessoal

Tudo dependerá do que valorizam e da vossa imaginação! Acreditamos que é um exercício que valerá bastante a pena. Convidamo-vos a partilhar connosco os resultados. Quanto à proposta que deixamos aqui para o basquetebol, está obviamente aberta a correcções, sugestões, críticas e comentários. Deixem-nos os vossos. Em breve traremos novidades!

Muito Obrigado!

Fonte: arquivo pessoal

 


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