Arquivo de WCT - Fair Play

Adriano-e-Filipe-1.jpg?fit=1024%2C463&ssl=1
Eduardo MenezesMaio 27, 20174min0

Um abençoado campeão de volta ao lugar mais alto do pódio; um dos mais talentosos surfistas da atualidade longe da luta pelo título. Da mesma origem, mas completamente diferentes. Adriano de Sousa e Filipe Toledo, o protagonista e antagonista da última etapa no Rio de Janeiro.

Adriano de Sousa foi protagonista e venceu o CT#4 no Rio de Janeiro e encontra-se em 2º lugar na corrida pelo título do tour, empatado com o sul-africano Jordy Smith com 24,400, atrás apenas de John John Florence (HAW), 24,750 pontos.

O resiliente brasileiro, campeão mundial de 2015, parece estar voltando a sua melhor fase, sempre abençoado por Ricardo dos Santos, como Mineirinho costuma frisar em todas as suas entrevistas e dedicar todas suas vitórias – Ricardinho dos Santos, surfista brasileiro de ondas grandes,  foi assassinado em 2015, em frente ao seu avô, após uma discussão banal.

Tatuagem em homenagem a Ricardo dos Santos [Foto:ESPN.com.br]

Adriano, 30 anos, tendo mais de 11 anos na elite do surf, parece querer sempre mais. Se antes lhe faltavam vitórias e conquistas, isso mudou. Campeão de 2015 e primeiro vencedor brasileiro da mítica etapa de Pipeline no mesmo ano, não precisa provar mais nada a ninguém dentro e fora do tour.

Se comparado com outros surfistas brasileiros da elite, Adriano parece mais um estrangeiro, pois mesmo emotivo acaba por ser frio e calculista em suas batalhas. Aparecendo menos na mídia, tendo um surf mais focado, com mais power e talvez menos espetacular, treinando muito, mas muito mesmo, passando épocas tanto no Havaí como em Fiji, aprendendo aquilo que sabia menos e melhorando seus pontos fortes.

A sede por conquista e nunca desistir fazem com que possamos ver um protagonismo, vencedor acima de tudo. Adriano de Sousa é um exemplo que todos deveriam seguir, pois nem sua origem humilde, nem os contra-tempos da vida, o fizeram desistir. Pois soube reconhecer suas fraquezas e deficiências, fazendo disso motivação para ser melhor.

Mentalmente e tecnicamente, Mineirinho se superou e se supera a cada época. Um exemplo dentro e fora do mar, que leva consigo um irmão que o abençoa a cada heat e em todas as ondas do mundo.

[Foto: joliphotos.com]
[Foto: joliphotos.com]

Resiliência e humildade, características marcantes desse brasileiro devem ser notadas e aclamadas no mundo do surf. O capitão honra suas origens e seu amigo, fala menos e faz mais. Por outro lado…

O outro lado da moeda.

Filipe Toledo um dos mais talentosos e promissores surfistas do Brazilian Storm, parece às vezes estar um pouco perdido. E a pressão para que ele passe de promessa à realidade, pode estar pesando em suas performances e atitudes. Fazendo dele o grande antagonista da última etapa.

[Foto: Henrique Pinguim]

Se seus incríveis aéreos fazem o público e juízes ficarem boquiabertos, mas sua atitude de contestação e sua falta de controlo chamaram ainda mais atenção na última etapa. Filipinho foi penalizado por uma interferência em seu heat contra o Kanoa Igarashi (USA), tendo uma de suas notas cortadas pela metade, retirando em muito a sua chance de vencer a bateria e avançar na etapa, como também na corrida pelo título mundial.

Mesmo numa decisão delicada do juízes e até mesmo a ponto de ser contestada, o brasileiro não poderia ter a atitude que teve. Praticamente fora de si, manchando não somente a sua imagem, como também a de outros surfistas. Filipinho errou e foi punido, estando fora da próxima etapa em Fiji, retirando assim, grandes possibilidades de título ao jovem brasileiro.

Talvez, Toledo necessitasse ser um pouco mais Adriano de Sousa, se espelhar no atleta campeão, que anda a fazer muito. O perfil diferente não faz dele pior que Adriano, mas quem sabe um pouco mais de concentração, resiliência, atitudes pensadas e frias façam de Filipinho o grande surfista e atleta que tanto se espera. Se surf não lhe falta, atitudes de campeão e estrategismo devem ser acrescentados ao seu repertório, vencendo assim baterias mais complicadas mentalmente.

Tanto Adriano quanto Filipe são surfistas de elite, cabe a Filipe por a cabeça no lugar, parece que já começou quando assumiu a culpa no episódio de sua suspensão, e seguir os passos vencedores de Adriano. Dois grandes surfistas e quem sabe, dois grandes campeões.

bells-beach-Kirstin-Scholtz.jpg?fit=1024%2C683&ssl=1
Eduardo MenezesAbril 28, 20178min0

Um país, três etapas, diferentes vencedores e um antigo líder. A perna australiana do WCT, da World Surf League, começou agitada e mostrando que, realmente, o campeonato de 2017 tende a ser o mais disputado dos últimos anos. Mas o domínio dos melhores, entre os melhores, tende a continuar.

Se em Gold Coast, pudemos ver a coroação da superação e do talento nato, com a vitória de Owen Wright (AUS). Em Margaret River, ficamos com exibições quase perfeitas do último campeão, John John Florence (HAW), confirmando aquilo que todos já sabiam, o Havaiano tem muito surf e está cada vez mais competitivo. Porém faltava alguém tocar o sino na última etapa da perna australiana – Bells Beach, uma das mais antigas e icónicas etapas do tour -, coube ao sul-africano, Jordy Smith, essa honraria, demonstrando que o seu vice-campeonato de 2016 não foi por acaso e que 2017 poderá ser diferente.

Os 3 primeiros e Andino

John John Florence, figura mais que carimbada em todos artigos e conversas de surf, como o surfista com mais potencial de dominar a cena mundial, começou o ano como ou melhor do que terminou  2016, surfando muito, tirando manobras improváveis, mas não impossíveis para ele. Consistente e cada vez mais estratégico, assegurou duas 3º posições e uma vitória, somando 23,000 pontos e a lycra amarela. Se assim continuar, poderá assegurar o Bi-campeonato antes da derradeira prova em sua casa, Pipeline.

Jordy Smith, o vice-campeão de 2016 parece estar cada vez mais decidido em se sagrar o novo rei do surf. Iniciou com uma 9ª colocação e pareceu estar apenas a aquecer, para a última etapa australiana em Bells Beach, onde detonou e levou o sino para casa. Já soma 19,200 pontos e está na cola do havaiano.

Owen Wright, como num enredo de cinema, o australiano iniciou o ano da melhor forma possível. Vencendo em sua casa, após um ano fora da elite, devido a uma grave lesão que o obrigou a reaprender a surfar. Nas etapas seguintes, continuou consistente, ficando com uma 5ª e 9ª colocação, empatado com Smith na 2ª posição do ranking.

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

O surfista norte-americano, Kolohe Andino, merece sim um destaque nesse início do tour, o 4º colocado do ano passado, começou o ano tão bem quanto terminou a última época. Se conquistar alguma vitória nos próximo eventos, poderá chegar às últimas etapas do ano ou Pipeline com changes de título, e assim ser o underdog do ano. Andino está atualmente com 13,750 pontos e em 5º lugar.

Brazilian Storm

4 entre 12 dos melhores posicionados no ranking da WSL, são brasileiros. Com destaque a Adriano de Souza, o conhecido Mineirinho, com seu surf constante e competitivo, entretando muito potente e vistoso, chegou a dois quartos-de-final e uma 9ª posição, o que lhe garantem 14,400 pontos e a quarta posição na tabela de classificação, nada mal para quem tenciona ser campeão novamente.

Filipe Toledo em sua especialidade. [Foto: Henrique Pinguim]

Filipe Toledo se redimiu da péssima desclassificação logo no round 2 em Gold Coast, chegando a uma meia-final  e um 5º lugar nas etapas seguintes, dominando ondas pesadas, algo não muito comum no surf do brasileiro, caracterizado pelos seus aéreos. Sua melhora, o credencia para novamente ganhar a próxima etapa no Rio de Janeiro e lutar pela coroa ao final do ano.

O rookie de 2016, Caio Ibelli, surpreendeu em Bells Beach ao chegar a sua primeira final, após eliminar Frederico Morais (PT) nos quartos-de-final e ninguém menos que John John Florence, na meia-final. Junto com a dupla 13º colocações nas etapas iniciais, o zuca faz ótima figura em 2017, tendo o próximo evento em casa para consolidar entre os 10 primeiros, antes da ondas tubulares, que podem causar algum estrago as pretensoes do jovem surfista.

O grande expoente da geração brasileira, Gabriel Medina, aparece na 11ª colocação, muito aquém, daquilo que o surfista tupiniquim pode alcançar e da posição que costuma estar. Porém, todos já conhecem o grande potencial de Medina no tubos e na onda brasileira da próxima etapa, o que nos faz crer, que irá galgar posições no ranking nas próximas etapas.

Os novatos

Rookies 2017 – [Imagem: torcedores.uol.com.br]

Se assim podemos dizer, Leonardo Fioravanti (ITA) fica com o prémio de decepção nesse início de época, apesar dos resultados alcançados serem normais para um rookie, o jovem italiano e um dos primeiros classifcados pelo WQS de 2016 acostumou o mundo do surf com altas performances, quando assim competiu como wildcard no WCT 2016, por exemplo, sua 5ª colocação em Margaret River. Neste ano ainda não passou pelo round 2 e soma apenas 1,500 pontos.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Como destaques positivos temos o havaiano Ezekiel Lau, surfista que ficou com a úlitma vaga no WCT, graças a ajuda de Kanoa Igarashi (USA) que avançou a final em Pipeline e se garantiu também pelo WCT, deixando a vaga ao amigo pelo QS. Lau em Bells Beach alcançou sua primeira meia-final, perdendo apenas para Jordy Smith, campeão da etapa. O jovem já soma 8,750 e está em 11º, empatado com Medina e logo a frente de Kelly Slater.

Outro novato que iniciou o ano muito bem foi Connor O’Leary (AUS), o primeiro colocado do QS 2016, correu as três etapas em casa, uma grande vantagem nessa caminhada longa e dura que é o WCT. Logo na primeira prova do ano, chegou aos quartos-de-final, quando foi derrotado pelo campeão do evento e compatriota Owen Wright.

Não poderíamos deixar de falar dele, Frederico Morais (PT). O jovem português, caracterizado pelo seu power surf , continua muito estratégico e competitivo em todos seus heats. Alcançou um notável 5º lugar na última etapa da perna australiana, seu melhor resultado no ano, quando perdeu para o finalista do evento Caio Ibelli (BRA). O WCT é muito competitivo, mas Kikas já mostrou que tem força e mentalidade para se manter entre os melhores e se o campeonato acabasse hoje, Freferico estava na elite de 2018, uma vez que se encontra 19º lugar com 7,450 pontos.

Parece difícil e, realmente, é

Muitas vezes ao escrever um artigo sobre o WCT ou ao ler algo sobre a elite do surf, pareço estar sempre a ver os mesmos nomes. Os mesmo candidatos estão sempre lá, alternando apenas algumas peças e por assim dizer que dentro do dream tour, estar entre os melhores é uma tarefa muito difícil.

Se andarmos 2 anos atrás, quando o Capitão, Adriano de Souza (BRA) foi campeão e compararmos com a época passada, temos 5 atletas iguais nas 12 primeiras posições. E de notar que tanto Florence e Smith se lesionaram na época de 2015, Mick Fanning (AUS) não correu todas as etapas do tour de 2016 e Owen não participou da época passada, o que poderia significar 9 atletas iguais nas 12 primeiras posições.

Ao se comparar o ranking após os 3 eventos iniciais com o do final de 2016, 9 dos atletas classificados entre os 12 primeiros em 2017, estão na lista de 1 a 12 de 2016.

Ranking WCT 2016 e 2017. [Imagens: WSL]

Confira a classficação do WCT masculino aqui.

Podemos verificar algumas semelhanças e afirmar que estar na elite é muito difícil, mas estar entre os melhores da elite, requer muito mais. Demonstrando que no prime time, existe um domínio e para quebrá-lo, o atleta terá que dominar todos os tipos de ondas, desde de pequenas à enormes e tubulares.

Sem falar que apenas 6 surfistas, entre os 32 do WCT 2017, foram capazes de ficar no lugar mais alto do pódio.

Logo, podemos ver aqui que as prestações de Frederico Morais são muito boas e se notarem bem, ele tem os mesmos resultados que o tetra campeão, Mick Fanning. Ainda mais que pelo sistema da WSL, os heats cruzam os melhores classficados com os que vão mais abaixo da tabela, logo o Frederico está sempre a dividir ondas com àqueles acima citados. OBS.: com Fanning ocorre o mesmo nesse ano, uma vez que sua classificação em 2016 não foi a das melhores, ou alguém imaginaria um round 1 com Fanning e Slater? Ou round 2 contra Owen Wright?

Acreditar no power surf do português é uma realidade e que Kikas consiga se adaptar as mais diferentes ondas, como algumas menores que podem aparecer pelo tour e as usuais tubulares.

Ainda há muito a acontecer, 8 etapas com diferentes ondas e muitos candidatos ao posto mais alto, o WCT em seu melhor!

MOche.jpg?fit=1024%2C608&ssl=1
Palex FerreiraFevereiro 20, 20175min0

Do desporto marginal para a modalidade com alto poder de atração do público; de praias para “locais” ao conhecimento e reconhecimento mundial; do amadorismo às superestruturas e profissionalização. O surf português em destaque.

Dos primórdios à atualidade

Na década de 70 eram poucos os aventureiros que se lançavam às ondas em Portugal, provavelmente pouco mais que uma centena de surfistas, que deveriam ser a população de surf em Portugal, de então.

Hoje em contrapartida, milhares de surfistas, de todos os níveis, aproveitam essa modalidade em conjunto, desporto que tem vindo a ganhar notoriedade numa sociedade que se tornou fisicamente mais ativa.

Cresceram as escolas de surf, aumentou o número de atletas, praticantes e profissionais, podendo afirmar-se que o surf já é uma realidade em Portugal. Onde já existem estruturas que permitem um ensino desde tenras idades, pelas escolas de surf, que espalhadas pela costa portuguesa se dedicam umas melhores que outras, ao ensino do surf para todos que assim o pretendam.

Junto a isso temos a FPS (Federação Portuguesa de Surf), gerida pelo surfista da velha guarda, João Aranha, que tem vindo a desenvolver um excelente trabalho para que jovens se tornem os futuros surfistas da elite mundial, através dos centros de alto rendimento e de treinadores credenciados, com planos já bem definidos do ponto de vista técnico e físico, permitindo assim, uma rápida evolução.

O surf passou da marginalidade ao mainstream, em 2017 já é difícil encontrar alguém que não saiba o que é o surf, devido em grande parte ao mediatismo da onda da Nazaré, das performances em ondas mutantes dos bodyboarders, das linhas clássicas dos longboarders, entre muitas outras formas de se divertirem no mar, partilhadas pelas redes sociais.

De Portugal para a elite do mundo

Vasco Ribeiro, Tiago Saca Pires, Fredrerico Morais [Foto: José Sena Goulão]

Nos anos 2000, Portugal teve o caso de sucesso do percurso competitivo do surfista da Ericeira, Tiago Pires o “Prince of Portugal – como o comentador e ex-campeão mundial de 1989, Martin Potter o chamou – que com muita garra partiu rumo à entrada da elite mundial, o top 32 WSL (World Surf League), cuja presença se manteve por uns anos, com algumas críticas por parte de portugueses mais céticos face ao estilo do seu power surf.

Em 2017 Tiago Pires assume outro papel, o de ser mentor de um talento português, Vasco Ribeiro, surfista com inúmeros títulos nacionais e que irá atacar os circuitos de qualificação (WQS – World Qualifying Series) para tentar fazer companhia ao já seguro Frederico Morais, que em 2016 ganhou um lugar nos 32 melhores surfistas do mundo. Podemos concluir que para chegar à elite, deve ser considerado o power surf, domínio de tubos, e surf em ondas pesadas, que esta nova geração surfa sem receios. E falamos de surfistas, bodyboarders, e presumindo que brevemente longboarders se juntem à elite da categoria.

De desporto raiz à potencial de mercado

É o preço da evolução que estamos a atravessar. Os surfistas da década de 70 até com apenas um fato, que por vezes já estava roto de tanto uso e uma prancha para todas as condições conseguiam divertir-se o surf era mais puro, não havia a obrigação da competição e de obter resultados para o patrocinador. Hoje um groom (atleta novo) sub 12 já pode ter 3 ou 4 pranchas para cada tipo de ondas, fatos para inverno e verão entre outros artigos. Isto é mais um retrato da evolução de uma modalidade de nicho para abranger todos os seus simpatizantes, sendo agora mainstream de fácil acesso a todos.

O estado do surf é hoje um espaço de potencial enorme para marcas ganharem mais engagement (numa linguagem de puro marketing), de se aproximarem dos seus clientes numa versão mais cool, e claro que é muito mais rentável economicamente.

De facto, o Surf cresceu muito nos últimos anos, as empresas associadas ao surf multiplicaram-se – marcas de roupa, pranchas, fatos, lojas, e até tecnológicas (previsões de tempo, relógios com informação GPS, entre outras) – e usaram esse arranque da modalidade para se desenvolverem.

O progresso

A evolução foi lenta, demorou 30 anos ou mais, mas valeu a pena todo o esforço de todos os envolvidos (organizadores, surfistas, público, marcas etc), pois atualmente Portugal apresenta uma superestrutura que organiza vários eventos, nacionais, internacionais e uma etapa do circuito mundial em Peniche.

Portugal no centro das atenções do surf mundial. [Foto: Pedro Mestre]

Esse crescente número de provas internacionais, nacionais e regionais, junto com as características climatéricas que Portugal tem em relação à Europa, permitem concluir que este mercado pode representar um forte valor ao país, porque trabalha desporto, turismo, praia e uma modalidade da moda. Logo as previsões são bastante sorridentes, para todos os intervenientes.

Pipeline-North-Shore-Foto_MorganMaassen.jpg?fit=1024%2C681&ssl=1
Eduardo MenezesFevereiro 17, 20171min0

Após 2016 cheio de emoções, com o retorno do título mundial ao Hawai, pelas mãos de John John Florence. A elite do surf mundial masculino prepara-se para mais um ano de grandes batalhas, reviravoltas, polémicas, emoções e altas ondas. As disputas iniciam-se no mês de Março, com a “perna” Australiana, passando por mais 7 países, inclusive Portugal, em 11 etapas que definirão o melhor surfista do mundo.

11 etapas, 8 países e apenas 1 sonho! Conheça os palcos do WCT 2017, da World Surf League – WSL:

 

Vans-World-Cup.jpg?fit=916%2C612&ssl=1
Eduardo MenezesDezembro 7, 20163min0

Se uma frase pode resumir os últimos dias de surf do WQS de 2016. Ela seria, Kikas e mais 9 se classificam para o WCT de 2017. O surfista Português, Frederico Morais, assombrou o mundo do surf nas duas últimas etapas do WQS 2016, chegando em 2º em ambas competições, além de liderar a Tríplice Coroa Havaina.

Se, antes das competições no Havaí, o sonho de ter um Português no tour principal parecia muito distante, Kikas fez esse sonho se tornar realidade. O surfista de Cascais apresentou um surf muito agressivo, tanto no Vans World Cup quanto no Hawaiian Pro, vencendo baterias emocionantes e muito disputadas. Chegando a duas finais, somando 16,000 pontos no ranking, colocando Portugal, novamente, na elite do surf, depois de contar com Tiago Saca Pires no WCT, durante os anos de 2008 a 2014.

No Vans World Cup, Frederico viu alguns de seus adversários caindo, heat pós heat, como Thomas Hermes (BRA), Jesse Mendes (BRA) e Evan Geiselman (USA), porém outros avançando, caso dos classificados para o tour 2017, Jadson Andre (BRA) e Jack Freestone (AUS), por exemplo. Mas, Kikas não se deixou levar pela pressão, continuou focado e surfando muito, para fazer mais uma final de WQS 10,000.

Na meia-final, a classificação para o WCT 2017 parecia mais que assegurada, porém um heat contra 3 surfistas, Tanner Gudauskas (USA), Jack Freestone (AUS) e Ezekiel Lau (HAW), que brigavam diretamente com Kikas por uma vaga no mundial 2017, serviu para consolidar e ratificar a presença do Português no tour principal do ano que vem. O surfista de Cascais deu mais um show e avançou para a grande final.

Classificação WQS 2016 - [Imagem: WSL]
Classificação WQS 2016 – [Imagem: WSL]

Saiba mais sobre a disputa do WQS e o modelo de classificação para o WCT. 

Parecia que nada parava o surfista Português, contudo, de novo, um dos seus adversários no próximo ano, retirou de Kikas a vitória da etapa, pelo menos dessa vez não seria a nota 7,33. O Sul-africano, Jordy Smith, confirmou sua ótima fase e com o total de 15,06 venceu o Vans World Cup, deixando Frederico em segundo lugar e precisando de uma nota 6,84 para vencer.

Frederico ficou, mais uma vez, na 2º colocação de uma etapa do WQS, atrás de um surfista do tour principal, mas isso já pouco importava. A classificação para a elite de 2017 estava mais que garantida, como também a liderança do Triple Crown e uma vaga no Billabong Pipe Masters 2016.

Se não faltou emoção para o povo Português, os nossos coirmãos Brasileiros podem dizem o mesmo. Num dia muito emocionante para Jadson Andre, um dos surfistas mais queridos do Brazilian Storm. Que passou por um ano dificílimo em 2016, uma vez que não tem um main sponsor  e está em 25º do WCT, posição que não lhe garantia na elite em 2017.

A beira de sair do WCT, o guerreiro Jadson Andre, chegou as meias-finais e conseguiu sua classificação para a elite, ficando em 8º na classificação geral do WQS. Outro Brasileiro classificado é Ian Gouveia.

Já a Europa tem muito por comemorar, pois para além de Morais, os Franceses Joan Duru e Jeremy Flores, como o Italiano Leonardo Fioravanti estarão no tour da World Surf League 2017.

#GoKikas

Frederico-Morais-trofeu-foto-Ryan-Miller-3.jpg?fit=1024%2C683&ssl=1
Eduardo MenezesNovembro 25, 20163min0

Após a 2º colocação no Hawaiian Pro 2016, penúltima etapa do WQS do ano, o surfista Português, Frederico Morais, está a uma etapa de ser o mais novo Português a desbravar a elite do surf Mundial.

A final do Hawaiian Pro 2016, para além de Frederico Morais, contou com a presença de John John Florence (HAW), Marc Lacomare (FRA) e Adrian Buchan (AUS), sendo que Frederico empatou com Florence, 15.66 no somatório, mas perdeu o título por não ter a maior nota da bateria, primeiro critério desempate. O título bateu na trave por mais de uma vez, pois o surfista de Cascais precisava de 7.34 para virar a bateria final, porém obteve a nota 7.33 em suas duas últimas ondas.

Melhores momentos do último dia de competição do Hawaiian Pro 2016.

A soma de 8,000 pontos, na classificação do WQS do Havai, fez com que Kikas assumisse o 10ª lugar na corrida de acesso ao WCT de 2016. Posição que lhe garante na elite em 2016 e o consagra como o segundo atleta lusitano a estar presente no tour mundial, após o desbravador Tiago Saca Pires.

Classificação do WQS 2016 [Imagem: WSL]
Classificação do WQS 2016 [Imagem: WSL]

Ranking completo do WQS.

Infelizmente ou felizmente ainda resta uma última etapa, o Vans World Cup WS 10,000, também pertencente a Tríplice Coroa Havaiana e ao circuito de acesso, evento que confere ao vencedor a pontuação máxima de 10 mil pontos.

Resta a Frederico desempenhar, novamente, um grande papel na ondas mágicas do Havaí e manter-se, no mínimo, em sua posição de número 10. Para tal, algumas previsões dizem que a soma de 2,000 pontos, 17º lugar ou um avanço até o round 4, seria o suficiente para Kikas subir de divisão.

Vasco Ribeiro (PRT) em ação no Hawaiian Pro 2016. Fechou sua participação na 17ª posição. [Imagem: Faceebok | Vasco Ribeiro)
Vasco Ribeiro (PRT) em ação no Hawaiian Pro 2016. Fechou sua participação na 17ª posição. [Imagem: Facebook | Vasco Ribeiro)

A diferença de 0.01 é de se lamentar, porém não há tempo para tal. A próxima etapa do WQS tem janela entre 25/11 e 06/12. A Vans World Cup definirá 10 surfistas que estarão no tour de elite em 2016 e Federico Morais apresenta chances reais de cravar um lugar onde, até hoje, somente Saca esteve.

No próximo evento, Kikas terá ao seu lado outro surfista Português, Vasco Ribeiro, que chegou ao round 4, 17ª colocação, na primeira era da Tríplice Coroa Havaiana. Uma ajuda de Vasco, com eliminações de concorrentes de Frederico, será com certeza uma ajuda muito bem vinda.

Entenda como funciona a classificação para a elite do WCT.

Vale lembrar que Frederico Morais já disputou uma final do Vans World Cup, no ano de 2013.

Agora é torcer pelos atletas portugueses! E que as ondas Havaianas os levem para mais uma descoberta: o tour do WCT 2017.

Fique esperto:

Principais concorrentes da elite, que ainda não garantiram sua vaga pelo WCT: Jadson Andre (BRA) e Jack Freestone (AUS).

Concorrentes do WQS: Thomas Hermes (BRA), Jesse Mendes (BRA), Evan Geiselman (USA) e Ezekiel Lau (HAW).

Acompanhe a competição em direto, no site da World Surf League.

Tyler-at-Cascais.jpg?fit=1024%2C681&ssl=1
Eduardo MenezesSetembro 23, 20167min0

Após muita polémica no Hurley Pro at Trestles 2016, etapa disputada pelo WCT masculino, o surf da World Surf League chega a ondas Europeias. Disputas em Portugal e França, pelo WCT Masculino e Feminino, além de um QS 10,000 acontecem entre setembro e outubro.

A WSL tem sua primeira escala em Portugal, na praia de Carcavelos, Cascais. A praia Portuguesa será palco das etapas Cascais Women’s Pro e do QS Billabong Pro Cascais, com janela de competições entre 24/09 a 02/10. E Portugal pode ser o palco de um título inédito no mundo do surf profissional.

Cascais Women’s Pro

Cascais Women's Pro 2016 [Imagem: WSL]
Cascais Women’s Pro 2016 [Imagem: WSL]

A prova feminina pertence ao tour das melhores surfistas do mundo, atualmente liderado pela Australiana Tyler Wright (53.450). Após ser campeã da última etapa em Trestles na Califórnia, o Swatch Women’s Pro, a Aussie, vencedora de 4 etapas em 2016 e a 5º colocada do tour 2015, tentará manter sua liderança e confirmar-se como principal indicada ao título de 2016.

Em sua perseguição está a Americana Courtney Conlongue (46.200), que defende seu título em águas lusas, e pode alcançar o primeiro posto do tour já nesta etapa e assim apimentar ainda mais a disputa.

Carissa Moore (HAW) é outra candidata a ser melhor surfista de 2016. Com 42.500 pontos, a Hawaina 3º colocada no ranking, pode ficar muito próxima da Aussie caso some os 10.000 pontos da etapa em Cascais. Por fora, correm a outra Havaina Tatiana Weston-Webb (38.450), vencedora da etapa Americana, Vans US Open of Surfing 2016 e Stephanie Gilmore (AUS), 5º colocada (37.300) e vice-campeã da última etapa do WCT Feminino.

A Portuguesa Teresa Bonvalot está na bateria 3, do round 1.  A jovem surfista local, campeã Européia Júnior 2016 da WSL, enfrenta a atual líder do campeonato, Tyler Wright, e Bianca Buitendag (ZAF), 12º do ranking, por uma vaga no próximo round. Um heat muito difícil, mas com os adeptos Portugueses ao seu lado, uma ótima surpresa poderá acontecer.

Women's Championship Tour Jeep Leader 2016 [Imagem: WSL]
Women’s Championship Tour Jeep Leader 2016 [Imagem: WSL]

Tyler pode já sagrar-se campeã do tour 2016,caso vença a etapa de Cascais e Courtney Conlogue fique em 5º ou abaixo na classificação da etapa Portuguesa. Fique atento e não perca, quem sabe, a conquista do inédito título mundial para a Australiana.

Tanto a etapa feminina quanto o QS masculino, têm janela de competições entre 24/09 e 02/10 e serão realizados na Praia de Carcavelos, com chamadas às 7:30,  horário local. Dependendo das condições do mar, os eventos podem ser realizados na praia do Guincho, Cascais.

A importância do Billabong Pro Cascais by Allianz.

A elite do surf mundial masculina é composta por 34 atletas, sendo que 32 surfistas se classificam pelo ranking do WCT ou pelo Qualifying Series (QS). Os 22 primeiros do WCT garantem sua vaga para todas as etapas do ano seguinte, igualmente aos 10 primeiros da divisão de acesso. Sendo que fica a cargo da comissão da WSL escolher mais 2 surfistas para serem wildcards da época, que correrão todas as etapas do tour principal, mesmo que não tenham conseguido a classificação. Normalmente são surfistas do CT, que por motivo de lesões no ano, foram impedidos de competir e, consequentemente, se garantir no tour. Por fim, para completar cada etapa são escolhidos mais 2 wildcards, podendo ser através de convites, normalmente atletas locais, ou via trials.

Billabong Pro Cascais 2016 [Imagem: WSL]
Billabong Pro Cascais 2016 [Imagem: WSL]

Porém diferente de outros desportos, como o glorioso futebol, os atletas da, digamos, da 1º divisão podem participar de eventos da divisão de acesso, e assim, terem possibilidades de conquistar uma vaga pelo QS, caso não estejam entre os 22 do tour principal. Com a época chegando a sua reta final, muitos surfistas da elite precisam se garantir somando pontos pela divisão de acesso.

Para além disso, as etapas do Qualifying Series se diferem a nível de pontuação e premiação. O número a frente da sigla QS identifica o máximo de pontuação em jogo, o Billabong Pro Cascais é um QS 10,000, dando assim ao vencedor 10.000 pontos na corrida para o acesso a elite do surf. Aplica-se a mesma lógica para os QS 1,000, QS1,500, QS3,000 e QS6,000. A etapa Azores Airlines, um QS 6,000, realizada no mês de Setembro na ilha de São Miguel, rendeu 6 mil pontos ao Brasileiro Ian Gouveia.

Saiba como ficou o Azores Airlines 2016.

Logo, é possível ver o nível de importância das etapas Lusas para a definição do próximo ano, sobretudo o QS Cascais, uma vez que haverá somente mais dois QS 10,000, que ocorrem no Hawai, válidos pela Tríplice Coroa Hawaiana, juntamente com a etapa de Pipeline válida pelo WCT.

Um ótimo aquecimento para o tão esperado Ripcurl Pro Portugal,  de 18/10 a 29/10, na praia de Supertubos em Peniche.

Com tudo isso, pode-se esperar grandes disputas e atletas da elite em Cascais. Com 16 surfistas do WCT, além de muitos Portugueses, não faltará emoção na disputa para uma vaga no tour de 2017.

Atletas do WCT no Billabong Pro Cascais: Jadson Andre (BRA), Adam Melling (AUS), Alex Ribeiro (BRA), Alejo Muniz (BRA), Stuart Kenedy (AUS), Sebastian Zietz (HAW), Miguel Pupo (BRA), Keanu Asing (HAW), Italio Ferreira (BRA), Caio Ibelli (BRA), Dusty Payne (HAW), Matt Banting (AUS), Jack Fresstone (AUS), Davey Chatels (AUS), Jeremy Flores (FRA), Kanoa Igarashi (USA).

Surfistas locais: Nic von Rupp, Frederico Morais, Vasco Ribeiro, Tomas Fernandes, Pedro Henrique, José Ferreira e Marlon Lipke.

Menções honrosas a: Aritz Aranburu (ESP), Mason Ho (HAW) e Ricardo Christie (NZL) nomes conhecidos do tour principal da WSL; Leonardo Fioravanti (ITA) 5º lugar em Margaret River; Tanner Gudauskas (USA) e Brett Simpsom (USA) 3º e 5º colocados em Trestles, respectivamente.

Confira a classificação do QS masculino.

Confira a matéria, no site da WSL, sobre a corrida para a elite (Em inglês).

Em tempo:

WCT: Jordy Smith sagrou-se campeão da última etapa do Samsung Galaxy Championship Tour 2016, na Califórnia e entrou na briga pela disputa do título mundial, assumindo o 4º posto com 35.200 pontos a 3 etapas do fim. Classificação WCT.

Dedo do técnico: Glenn Hall, surfista reformado do tour em 2015, é técnico de Tyler Wright e Matt Wilkinson e pode ser campeão 2x esse ano. Wilko é terceiro colocado no WCT.

Talento em família: o apelido não é mera coincidência, Tyler é irmã de Owen Wright atleta do tour profissional masculino, 5º em 2015, afastado dessa época após uma grave queda em Pipeline, num free surf antes da etapa de dez/2015, onde lesionou-se, tendo uma concussão cerebral, após um traumatismo craniano, que limitou movimentos e equilíbrio. Owen voltou a surfar apenas 7 meses depois de muita luta e trabalho de recuperação.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS