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José Nuno QueirósDezembro 20, 20214min0

Daniel Bragança tem sido muito elogiado por Ruben Amorim, sempre que o técnico leonino é convidado pelos jornalistas a comentar a situação do internacional sub-21 português no plantel verde e branco.

Com apenas 2 titularidades na Liga Portugal Bwin, Daniel Bragança parece tardar em afirmar-se na equipa do Sporting, pelo menos neste modelo utilizado por Rúben Amorim, assente em 2 homens no miolo.

A nível técnico não há nenhum médio com a qualidade de Bragança no Sporting. O jovem de 22 anos transpira classe em campo e como se costuma dizer, a bola não chora nos seus pés, verificando um acerto de passe de 92%. Bragança consegue ainda sair com a bola jogável em situações de aperto e mostra ser muito útil no último terço a descobrir e a servir os colegas da frente, sendo muito útil contra equipas que se apresentam fechadas e remetidas ao seu terço defensivo.

Daniel bragança
Foi titular 2 vezes. Uma frente ao Arouca. (Fonte: Diário Notícias)

Então o que falta a Daniel bragança para se afirmar neste Sporting?

Acima de tudo falta aumentar ainda mais os índices de intensidade e a capacidade defensiva. Olhando para os habituais titulares do meio campo leonino, Palhinha e Matheus Nunes, percebe-se muito bem aquilo que o técnico leonino pretende para o seu modelo de jogo: Jogadores com um raio de ação alargado, com capacidade de pressionar alto os médios rivais, prontos para fazer acompanhamentos defensivos a todo o terreno, e com agressividade na disputa da bola para lá da natural capacidade de desarme que devem possuir.

Ora é precisamente por isto que Daniel Bragança não é uma presença habitual no onze verde e branco. Com ele em campo o Sporting pode ganhar no processo ofensivo, mas perde no defensivo (que é o mais importante nesta equipa). Não é apenas pelo trabalho dos centrais que o Sporting é a defesa menos batida do campeonato e a defesa menos batida da sua história à 15ª jornada. É essencialmente pela forma como impede que os adversários cheguem perto da sua baliza.

Tendo que jogar muitas vezes contra táticas que colocam 3 atletas no meio campo, é importantíssimo que os 2 do Sporting igualem os 3 adversários na ocupação dos espaços, para com isso impedir a progressão adversária e, acima de tudo, ganhar as “segundas bolas” que permitem iniciar o processo de contra-ataque.

O Daniel têm evoluído muito neste aspeto do jogo, mas nunca será um jogador com a capacidade de correr dezenas de metros com a bola como o Matheus Nunes durante 90 minutos, ou com a capacidade de desarme de João Palhinha. Sendo que Amorim, já desde a época passada mostrou que não é isso que pede a Bragança.

Analisando a sua atuação na época passada é visível que a sua entrada em campo acontecia quando o Sporting precisava de ganhar e já tinha o adversário remetido à sua área e com os espaços praticamente fechados. Amorim percebia que Daniel bragança era o jogador ideal para procurar esses mesmos espaços e que já não corria riscos defensivos, uma vez que o rival abdicava de atacar. Foram muitos os jogos ganhos nos últimos minutos e sua influência foi gigante, mesmo que de forma menos direta.

Talismã na época transata, merece mais este ano? (Fonte: GoalPoint)

Este ano já vemos o treinador a apostar mais no jogador em situações de vantagem para manter a posse de bola e conseguir “enervar” o adversário que procura o “tudo por tudo” para marcar. Uma estratégia em tudo semelhante à que era usada por João Mário na época transata.

Veremos qual será o futuro de Daniel Bragança no Sporting. Conseguirá impor-se depois das saídas de Palhinha e Matheus, ou será sempre um jogador talismã para sair do banco?


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