Arquivo de Shanghai SIPG - Fair Play

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Ricardo LestreJunho 19, 201712min0

Num continente onde persiste o reinado de Omar Abdulrahman, surgem outros jogadores que, temporada após temporada, continuam a demonstrar rendimentos excepcionais. O Fair Play dá-te a conhecer alguns dos nomes mais interessantes em todo o futebol asiático.

Kosuke Nakamura | Guarda-redes

Nacionalidade: Japonesa

Idade: 22 anos

Clube: Kashiwa Reysol

Internacionalizações AA: 0 (2 pela Selecção Olímpica 2016)

Valor de mercado: 800.000€*

Por detrás da excelente e surpreendente temporada do Kashiwa Reysol até ao momento, está Nakamura, guarda-redes japonês de 22 anos. Formado na academia dos Sun Kings, Nakamura estreou-se como sénior ao serviço do Avispa Fukuoka – equipa que disputara a J-League 2 e para o qual seguiu a título de empréstimo em 2015 – e o seu rendimento surpreendeu totalmente os responsáveis do Kashiwa: em 23 jogos somou cerca de 15 (!) clean sheets. Assim, em 2016, Nakamura foi a aposta número 1 do clube para a baliza e os resultados voltaram a confirmar todo o seu potencial. Em 32 encontros divididos pelas diferentes competições, o jovem keeper manteve as redes intactas por 13 ocasiões. Na actual temporada, com um total de 15 disputados, Kosu não sofreu qualquer golo em 7. Algo simplesmente fantástico.

O Outside of the Boot destacou, no mês de Janeiro, alguns dos nomes mais interessantes da J-League 2016 pelo que Kosuke Nakamura foi um dos visados. Ágil, dono de óptimos reflexos, boa elasticidade e de uma grande voz de comando de área. Por outro lado, revela algumas deficiências a nível do jogo de pés assim como de posicionamento, algo típico de um jogador tão jovem. A qualidade não engana. O sucessor de Eiji Kawashima já tem o seu destino traçado.

Abdelkarim Hassan | Defesa

Nacionalidade: Qatarí

Idade: 23 anos

Clube: Al-Sadd

Internacionalizações AA: 54/8 golos

Valor de mercado: 650.000€*

Produto da famosa Aspire Academy, Abdelkarim Hassan é hoje um dos grandes valores qatarís da actualidade e do futuro. Desenvolveu um percurso interessante pelas selecções jovens do país (sub-20 e sub-23) até figurar na convocatória do escalão sénior para a Asian Cup 2011, com somente 17 anos. Antes disso, assumiu um papel de destaque e destacou-se como o jogador mais jovem, inclusive, da Liga dos Campeões Asiáticos 2011, a única vencida até ao momento pelo Al-Sadd. Hoje, é um dos pilares da selecção nacional e de um dos maiores clubes do Qatar, treinado por Jesualdo Ferreira.

Hassan é um lateral esquerdo possante, de grande envergadura física (1,86 m, semelhante a Benjamin Mendy) que se sobressai imenso pela passada larga e pelo forte remate. É extremamente difícil de travar nas transições ofensivas e de ultrapassar nas transições defensivas. Disputa lances nos diferentes momentos da partida com uma intensidade brutal, o que muitas vezes prejudica as suas acções individuais e, consequentemente, as colectivas. Tem vantagem clara no jogo aéreo tal como nos duelos físicos e abarca uma capacidade técnica razoável para a sua posição. No entanto, a sua acentuada propensão ofensiva faz com que seja um pouco permeável a nível defensivo provocando, de forma algo frequente, situações de perigo aos restantes companheiros. Posto isto, caso se projecte uma selecção qatarí de qualidade para os próximos anos, Abdelkarim Hassan terá, certamente, um lugar reservado como um dos maiores esteios do plantel.

Nam Taehee | Médio

Nacionalidade: Sul-coreana

Idade: 25 anos

Clube: Lekhwiya SC

Internacionalizações AA: 30/3 golos

Valor de mercado: 4.000.000€*

Num continente onde subsiste o reinado de Omar Abdulrahman, já previamente analisado no Fair Play, surge um outro jogador de tremenda classe e cujas habilidades se destacam perante os demais. Nam Taehee, playmaker de elevado calibre e figura de proa do histórico Lekhwiya, é um dos jogadores sul-coreanos mais jovens de sempre a estrear-se nos maiores palcos europeus, aquando da sua passagem pouco proveitosa, diga-se, pelo Valenciennes FC em 2009/2010. Na verdade, Taehee desde muito novo que interagiu com o futebol europeu. Abandonou a formação do Ulsan Hyundai em 2007 para se juntar à academia do Reading FC onde se manteve por uma temporada e meia. O clube inglês reconheceu, de facto, as suas qualidades mas decidiu não avançar para um contrato profissional, o que levou o Valenciennes aproveitar-se da situação. Embora tenha alcançado uma proeza interessante, o tempo de jogo registado em França foi bastante escasso. Eis que, na época 2011/2012, o Lekhwiya SC, clube de topo da Qatar Stars League, assegurou a sua contratação. Nam Taehee viu, finalmente, todo o seu talento ser potenciado.

Nam Taehee é um médio-ofensivo de raiz que pode desempenhar a função de extremo. Contudo, as suas caraterísticas físicas/tácticas fazem com que a posição 10 seja a mais adequada. Drible curto, técnica e inteligência acima da média. Delicado na forma como trata o esférico. Capacidade de criação/decisão fenomenal. Remate certeiro. Qualidade de passe soberba. Excelente na execução de bolas paradas. Em suma, tem um talento gigante.

Completada a 5ª temporada com a camisola dos actuais campeões, o somatório total não engana: 169 jogos, nas várias competições, 66 golos e 55 assistências. Mesmo com a recente revelação da fusão entre o Lekhwiya e o El Jaish para a próxima temporada desportiva, sob o nome de Al Duhail SC, o sul-coreano continuará a ser o homem de destaque da equipa. Resta saber, portanto, se num eventual regresso à Europa, este tem condições para se impor definitivamente.

Wu Lei | Extremo

Nacionalidade: Chinesa

Idade: 25 anos

Clube: Shanghai SIPG

Internacionalizações AA: 43/7 golos

Valor de mercado: 1.500.000€*

No mercado onde abundam as transferências milionárias, o investimento e o desenvolvimento nas academias de futebol também tem sido em largas proporções. Wu Lei é, a par de Zhang Linpeng, a maior conquista do futebol chinês. Produto da academia de Xu Genbao, afiliada ao Shanghai SIPG, seu mentor, realizou um percurso notável pelos escalões jovens e chegou ao topo da sua carreira ainda muito jovem.

Wu Lei destaca-se pela capacidade atlética. É extremamente leve, rápido, forte nas transições e em situações de 1×1, muito ágil e astuto nas movimentações interiores/exteriores e, por fim, eficaz no momento da finalização. Ainda que a sua posição natural seja a de extremo direito/esquerdo, já cimentou uma posição privilegiada no topo da lista dos melhores marcadores da Super Liga e é dos jogadores chineses que mais contribuem para esse capítulo. No entanto, conta com uma certa dose exagerada de individualismo e com algumas deficiências na definição dos lances.

O ‘Maradona chinês’, alcunha que lhe fora atribuída por Genbao, representa o presente e o futuro. É um dos símbolos do Shanghai SIPG, clube liderado por André Villas-Boas que ambiciona afirmar-se em pleno no contingente asiático, e da própria selecção. Sobra a esperança de, num futuro próspero, surgirem mais Golden Boys como Wu Lei provenientes das escolas de formação do país.

Ali Mabkhout | Avançado

Nacionalidade: Emiradense

Idade: 26 anos

Clube: Al-Jazira SC

Internacionalizações AA: 17/12 golos

Valor de mercado: 800.000€*

Os Emirados Árabes Unidos têm em Omar Abdulrahman o seu maior símbolo, juntamente com Ahmad Khalil, portentoso avançado que desde muito cedo ganhou reconhecimento um pouco por todo o mundo. Ali Mabkhout saiu das escolas do Al-Jazira e conseguiu a sua debut na equipa principal aos 18 anos de idade.

Desde muito cedo que Mabkhout demonstrou aptidões para um ponta-de-lança. Forte fisicamente, rápido, solta-se muito bem da marcação e, claro, possui uma grande veia goleadora. Para uma pequena noção, desde a sua estreia disputou 104 jogos e marcou cerca de 76 golos e contribuiu com 16 assistências. É uma das pedras fundamentais dos actuais campeões da AG League e, na presente temporada, em 29 jogos balançou as redes por 32 ocasiões.

No contexto internacional, tem vindo a cimentar a sua posição como uma das maiores referências. Completa um trio fenomenal com Omar e Ahmad na frente de ataque, e tem vindo a apontar golos de belo efeito e, ao mesmo tempo, cruciais para os Leões de Zayed em diversas competições. Muito móvel, bom tecnicamente e na procura da profundidade – articula muito bem as suas movimentações com o limite do fora-de-jogo. Ao invés, revela algumas dificuldades no jogo aéreo e está longe da potência do seu compatriota Ahmad Khalil.

Omar Al-Somah | Avançado

Nacionalidade: Síria

Idade: 28 anos

Clube: Al-Ahli Jeddah

Internacionalizações AA: 2

Valor de mercado: 4.500.000€*

Um pouco mais experiente que os restantes, surge Omar Al-Somah, ponta-de-lança sírio, conhecido sobretudo no futebol asiático como The Arabic Zlatan Ibrahimovic. E a comparação é bastante pertinente. Iniciou o seu percurso futebolístico no Al-Futawa da Síria, deu nas vistas no Qadsia SC do Kuwait – um pouco tarde, diga-se- até que o Al Ahli Jeddah, uma das melhores equipas do futebol saudita, assegurou, na temporada de 2014, a sua aquisição por 2 milhões de euros. Al-Somah viria, então, a tornar-se a melhor contratação da história do clube. E é fácil explicar o porquê.

As similitudes com o astro sueco são evidentes. É um avançado alto (1,92 m), forte, excelente no cabeceamento, muito forte a proteger o esférico de costas para a baliza, e, acima de tudo, é uma autêntica máquina goleadora. Por muito que as suas características físicas apontem para tal, os seus golos não são de dificuldade reduzida. Bem longe disso. Al-Somah remata muito bem com os dois pés – daí que seja um óptimo executante de bolas paradas -, tem uma técnica bem apurada e é capaz de finalizar de várias formas e feitios. Basta olharmos para as suas estatísticas globais com a camisola do Al Ahli: 102 jogos, 105 golos e 11 assistências. Quebrou vários recordes de golos na Saudi Premier League, onde constam distinções como o Melhor Marcador Estrangeiro da história e/ou o jogador estrangeiro que mais hat-tricks regista até hoje.

Relativamente ao seu desempenho internacional, as divergências políticas com Bashar Al-Assad levaram a que se afastasse em definitivo da selecção, mesmo tendo cumprido poucos jogos. É livre, assim, de representar outro país da esfera ocidental desde que lhe seja garantida a cidadania – a Arábia Saudita continua à espreita. Esteve perto, no passado, de rumar ao Nottingham Forest, mas não conseguiu obter um visto de trabalho. Não fosse este o eterno dilema dos jogadores do médio oriente e Al-Somah tinha todas as condições para brilhar em qualquer uma das ligas europeias de topo.

Omar Kharbin | Extremo

Nacionalidade: Síria

Idade: 23 anos

Clube: Al-Hilal

Internacionalizações AA: 32/13 golos

Valor de mercado: 850.000€*

Omar Kharbin, aos 23 anos, tem vindo a despertar muita atenção na Saudi Premier League e, ao mesmo tempo, ao serviço da selecção síria de futebol, onde se assumiu como um dos – ou, talvez, o mais – jogadores bem cotados do plantel. Iniciou o trajecto no Al Wahda, do seu país natal, e, após consequentes empréstimos, avançou para o Al-Dhafra dos Emirados Árabes Unidos, cujo desafio lhe garantiu maior visibilidade. Criou impacto imediato ao apontar 17 golos e 5 assistências em 26 jogos, e o Al-Hilal não hesitou em garantir o seu empréstimo.

Kharbin tanto pode actuar a extremo como a segundo-avançado dentro de campo. Tem uma envergadura física de respeito (1,84 m), mas, por outro lado, é um jogador extremamente móvel. Movimenta-se muito bem no interior das áreas adversárias e aparece com frequência em zonas de finalização. Combina muito bem com os seus colegas e foge à marcação com facilidade, para além trabalhar imenso em prol da equipa. Na presente época, leva 15 golos em 20 jogos pelo clube saudita que parece decidido a apostar na sua aquisição definitiva.

*Valores segundo o site Transfermarkt.

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Ricardo LestreMarço 11, 201710min0

A chegada de André Villas-Boas ao futebol chinês surpreendeu o planeta do futebol naquele que foi um all-in da direcção do Shanghai SIPG para terminar com a hegemonia do Guangzhou Evergrande na Super Liga. Após um início empolgante sob o comando do jovem técnico português, o Fair Play lança a sua análise integral à equipa que promete fazer história na China e em todo o continente asiático.

Um clube com (muita) tradição na cantera

Anos antes do investimento milionário levado a cabo no futebol, o clube agora conhecido como Shanghai International Port Group Football Club procurava canalizar todo o seu capital no desenvolvimento e na projecção de jovens jogadores. Rebobinemos, então, a cassete para trás.

A história remonta para o ano 2000, com a criação da Genbao Football Academy pelo homem forte do futebol chinês Xu Genbao. Genbao é uma figura incontornável na República Popular da China. No seu vasto curriculum contam-se inúmeras experiências como técnico – isto após terminar a carreira como futebolista -, quer ao serviço da selecção nacional (sub-23 e sénior) quer de clubes como o Shanghai Shenhua ou o velhinho Dalian Wanda. Hoje, é um empresário de enorme sucesso. A fundação da Academia foi o perfeito exemplo da visão de Xu Genbao em torno de um desporto menosprezado e com pouco motivo de interesse no país. Para além de formar, deu oportunidade a atletas de alimentarem o sonho face à escassa quantidade de competições exclusivas para as camadas jovens.

Por esse motivo em particular, na temporada de 2005, deu-se por oficial a parceria entre a Shanghai Genbao Football Training Base e a Shanghai East Asia Sports and Culture Center, empresa de gestão desportiva estabelecida pelo grupo Shanghai East Asia Co.Ltd que por sua vez se encontra subordinado à Administração Desportiva de Shanghai. Deu-se, assim, um grande passo no que toca à profissionalização do futebol na China. Xu Genbao, como primeiro presidente, carimbou de imediato o paradigma da instituição: foco total na formação. Imagine-se que, no primeiro campeonato disputado, ou seja, na terceira divisão, o plantel era exclusivamente composto por jogadores com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos.

Com o passar do tempo, o Shanghai East Asia foi lançando grandes fornadas de jogadores – muitos dos quais são titulares absolutos na selecção nacional – onde constaram nomes como Wu Lei, Zhang Linpeng, Cao Yunding, Gu Chao e Jiang Zhipeng, e, simultaneamente, vencendo títulos e escalando posições até ao topo do futebol chinês. Em 2013, com a entrada da Shanghai International Port (Group) Co. Ltd, gigante empresa que detém controlo de todos os terminais públicos no porto da cidade, o paradigma imposto sofreu uma transformação astronómica. Literalmente.

Xu Genbao, o “Padrinho do futebol”, na China Football Summit 2016, realizada em Chongming. (Foto: pioneersports.cn)
Chen Xuyuan, actual chairman do Shanghai SIPG, ao lado de Javier Tebas e Enrique Cerezo, na tour asiática do Atlético de Madrid em 2015. (Foto: atleticodemadrid.com)

O curto legado de Sven Göran-Eriksson

Já sob o desígnio do milionário Shanghai SIPG e após uma primeira temporada de afirmação, Eriksson foi apresentado no ano desportivo de 2015 numa clara tentativa de cimentar a posição da equipa no pódio da Super Liga. O status quo do Shanghai SIPG mudou automaticamente e, dado o rico plantel ao dispor do técnico sueco, as dúvidas relativas à hegemonia do Guangzhou Evergrande começaram a surgir. O objectivo, no entanto, passava apenas por assegurar um lugar de acesso à AFC Champions League.

O plantel escolhido por Eriksson, na primeira época ao serviço do clube, teve um grande selo de qualidade. A experiência de elementos como Darío Conca, Asamoah Gyan, Tobias Hysén e Davi contrastou na perfeição com a boa base de jogadores chineses existentes no plantel. Cai Huikang, Yu Hai, Wang Shenchao, Fu Huan, Shi Ke, Lü Wenjun, Sun Xiang e, obviamente, o prodígio Wu Lei, são alguns exemplos. A nível táctico, a equipa organizava-se num 1x4x2x3x1 com grande foco nas acções de Darío Conca. O argentino, além de dono e senhor das bolas paradas, desempenhava a grande função cerebral no meio-campo. Todo o futebol do Shanghai SIPG versão 2015 era pensado e executado por si.

Onze base do Shanghai SIPG 2015. (Fonte: Lineup11)

A maior virtude desta formação centrava-se, particularmente, na forma disciplinada e pragmática com que se impunha perante os adversários. O desequilíbrio entre os sectores era raro e havia uma facilidade tremenda em produzir jogadas quer em ataque posicional quer em contra-ataque. Não era nada fácil bater o Shanghai SIPG de há duas épocas atrás. Que o diga o Guangzhou Evergrande de Scolari, que terminou no primeiro lugar somente a dois pontos de distância.

No ano seguinte, retirando a bombástica contratação de Elkeson, o plantel, assim como Eriksson, manteve-se intacto. E a ansiedade também. Com a história participação na Liga dos Campeões Asiáticos em disputa, o esforço teria de ser redobrado. O certo é que a equipa conseguiu uma prestação interessante na competição, mas, ao invés, foi revelando uma maior inconstância no campeonato e perdeu por completo o comboio do título. No somatório total, o Shanghai SIPG atingiu o terceiro posto e ficou a cinco pontos atrás dos rivais do Jiangsu Suning e a doze do Guangzhou Evergrande. Terminava, assim, o curto mas importantíssimo legado de Svennis.

Foto: ESPN

A aposta surpresa em André Villas-Boas

“Queremos trazer o troféu de campeão para Shanghai em 2017!”

Foi assim, sem qualquer tipo de relutância, que o dono e senhor do clube Chen Xuyuan se pronunciou na antevisão à presente temporada. O main target das Águias Vermelhas é, oficialmente, terminar com o longo reinado do Guangzhou Evergrande Taobao e o investimento efectuado teria de acompanhar tamanha ambição.

O xeque-mate da direcção em André Villas-Boas surpreendeu e agitou todo o mercado europeu. Um treinador jovem, com qualidades reconhecidas e com muitos pretendentes nas Big-5 que acabaria, no final das contas, por rumar ao emergente campeonato chinês. AVB foi, de facto, anunciado no timing ideal não só pelo tempo que teria para estudar o plantel, mas também pela antecipação negocial, diga-se, a outros clubes europeus de grande relevo.

Relativamente à composição do seu grupo de jogadores, Villas-Boas não usufruiu inteiramente da ‘carta branca’. Hulk e Elkeson já preenchiam duas vagas de extracomunitários, porém, a lesão prolongada de Darío Conca e a iminente saída de Kim Ju-young para o Hebei China Fortune abriram espaço para mais dois jogadores da sua preferência. Odil Akhmedov (FK Krasnodar) e Oscar (Chelsea FC), este último envolvido na transferência mais cara de sempre do futebol chinês, vieram colmatar essas mesmas lacunas.

As entradas no plantel em 2017. (Fonte: transfermarkt)

A época está ainda no seu começo, mas, tacticamente, já são visíveis as ideias de AVB. Algumas das quais bem conhecidas. Não obstante, a recente alteração da Associação Chinesa de Futebol para a utilização de jogadores estrangeiros veio atrapalhar um pouco o trabalho do técnico português ainda que noutros clubes a situação seja bastante mais complicada. De acordo com a nova regra, apenas três jogadores estrangeiros poderão ser utilizados em simultâneo e pelo menos um de dois jogadores sub-23 tem de entrar nas contas iniciais. Posto isto, ao contrário do que se tem sucedido na Liga dos Campeões, André Villas-Boas vê-se forçado a colocar Zhang Huachen no onze inicial, acabando por proceder à polémica substituição após poucos minutos decorridos no primeiro tempo. Na imagem seguinte, consta aquele que é o onze mais forte do Shanghai SIPG até ao momento.

Esquema táctico do FC Seoul 0-1 Shanghai SIPG (21/02), a contar para a AFC Champions League.  (Fonte: cortesia de Emilio @Scout5Continen)

Mesmo numa fase tão precoce da época, o futebol ‘espetáculo’ característico do português tem sido notório. A equipa soma 5 vitórias consecutivas em 5 encontros e um total de 16 golos marcados e 2 sofridos e demonstra uma assimilação de processos excepcional.

Na baliza consta Yan Junling, um dos melhores keepers chineses da actualidade, que transmite enorme segurança aos companheiros. A linha defensiva é coesa e acima de tudo muito rotinada – não tão alta como noutras experiências do português – conta com dois laterais de grande propensão ofensiva como Fu Huan e o capitão Wang Shenchao e ainda dois defesas-centrais posicionais como He Guan e Shi Ke. Inicialmente a defesa do Shanghai SIPG era apontada como o tendão de Aquiles, mas a verdade é que tem surpreendido bastante pela positiva. No meio-campo, o duplo-pivot com Cai Huikang e Odil Akhmedov torna-se vital no contraste com o maior peso atacante da restante equipa. Huikang mais posicional e defensivo e Akhmedov com um papel mais próximo de um box-to-box, actua com maior liberdade dentro das quatro linhas. Por fim, segue-se o quarteto genial composto por Oscar, Hulk, Elkeson e Wu Lei no último terço. Oscar, ainda que muito diferente de Conca na distribuição de jogo, combina, de forma exímia, com os restantes colegas em espaços reduzidos. Se a frente atacante da máquina de Felipão encanta à primeira vista, a de Villas-Boas não fica nada atrás.

O Shanghai SIPG versão 2017 vive do seu ataque e da forma como o quarteto Oscar-Hulk-Elkeson-Wu Lei se envolve para chegar ao golo. No mapeamento de passes que se segue relativo ao jogo frente ao Changchun Yatai a 4/03, cortesia de @11tegen11, é visível a frequência com que todos os membros de outros sectores se procuram ligar com os jogadores mais adiantados. É quase um sufoco para o adversário. Todos estes quatro membros jogam muito próximos entre si, produzem triangulações constantes e, consequentemente, momentos fantásticos de futebol.

Fonte: cortesia @11tegen11

Dadas as presentes circunstâncias, (re)nasceu um novo titã do futebol chinês. A essência da formação de jogadores perdura embora as aquisições milionárias tenham um peso tremendo a curto prazo. Assim surgiu o primeiro treinador a contrariar o tradicional cliché. O temível Shanghai SIPG Football Club de 2017 é um produto de grande qualidade made in André Villas-Boas.

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Ricardo LestreFevereiro 16, 201715min0

Perante o aproximar do início de mais uma temporada da Super Liga Chinesa, o Fair Play, em parceria com Leonardo Hartung, jornalista do China Brasil Futebol, decidiu presentear os seus leitores com algumas previsões sobre o que se pode suceder no campeonato que tanto amedronta o futebol europeu.

Leonardo, em primeiro lugar, gostaria de te agradecer, em nome do Fair Play, por teres aceitado o nosso convite para a realização desta Flash-Antevisão da Super Liga Chinesa 2017. Partindo agora para a acção, quais são as tuas apostas para…?

A contratação

LH. Oscar (Shanghai SIPG) – Impossível não ver o meia brasileiro como a principal contratação do futebol chinês em 2017. € 60 milhões de euros e Oscar chegou ao Shanghai SIPG para ocupar a vaga do lesionado argentino Darío Conca. Deve-se também olhar além dos valores. Oscar, assim como foram Hulk, Elkeson e André Villas-Boas simbolizam uma nova era do SIPG. Única equipe presente no G4 das últimas três edições da Super Liga (fora o campeão Guangzhou Evergrande), fazendo sua segunda participação consecutiva na Champions Asiática e a segunda que mais cede jogadores à Seleção Chinesa (só perdendo para o Evergrande). Para a diretoria do SIPG, chegou a hora de colher os frutos do bom trabalho com os jogadores locais e do investimento estrangeiro. E isso deve passar pelos pés de seu novo camisa 8.

Hernanes (Hebei China Fortune) – Não tendo sido, propriamente, uma transferência bombástica como a de Oscar – estima-se que o valor ronde os 8 milhões de euros mais 2 por objectivos –, por tudo o que se mencionou em cima, Hernanes foi, do ponto de vista táctico, uma contratação brilhante. A cedência de Gäel Kakuta, um dos elementos com melhor toque de bola do meio-campo, ao RC Deportivo, abriu caminho para a entrada de mais um extra-comunitário no plantel e, perante a permanência de Stéphane Mbia, esse elemento teria abarcar uma grande versatilidade em terrenos centrais. Eis que surge a opção Hernanes, médio-centro brasileiro que nunca teve a sua situação definida na Juventus FC. Manuel Pellegrini assegura assim um catalisador de enorme calibre que tratará de pautar todo o futebol de ataque da equipa.

A equipa sensação

LH. Guangzhou R&F – Segunda maior posse de bola e segunda equipe que mais passa na Super Liga. O Guangzhou R&F faz tudo isso gastando pouco e sem contratações bombásticas. E também com bons valores nacionais, como Tang Miao, Jiang Zhipeng, Wang Song e Xiao Zhi, além de estrangeiros de qualidade e baixo custo (se comparado com os rivais) como Eran Zahavi, Renatinho e Jang Hyun-Soo. Os 58,39% de posse de bola e 14.722 passes na Super Liga 2016 impressionaram o país. E a chegada de Júnior Urso mostra bem o que o técnico Dragan Stojkovic quer em 2017: mais bola nos pés e muita velocidade em sua equipe.

Tianjin Quanjian – A par do Guangzhou R&F, o Tianjin Quanjian, um dos recém-promovidos à Super Liga tem tudo para deixar boas impressões nesta nova edição. Fabio Cannavaro, conhecedor da realidade chinesa, levou o Tianjin a um excelente campeonato na segunda divisão, a China League One, onde viria a terminar no primeiro lugar da tabela. Óptimo plantel, bom futebol, e reforços de peso. Nomes como Axel Witsel, Alexandre Pato, Wang Yongpo e Kwon Kyung-won preenchem, com muita qualidade diga-se, as opções do técnico italiano que ainda procura atrair um ponta-de-lança de créditos firmados no recente defeso. Muita expectativa, portanto, na cidade de Tianjin, local onde se disputará um intenso derby entre Quanjian e TEDA, este último treinado por… Jaime Pacheco.

A equipa desilusão

LH. Shandong Luneng – Tradicional equipe do futebol chinês, o Shandong Luneng sofreu na Super Liga ao mesmo tempo em que fazia história na Champions Asiática na última temporada. A 14ª posição com apenas dois pontos a mais que o rebaixado Hangzhou Greentown pareciam ligar o sinal de alerta em Jinan. Mas o desmanche do elenco com as saídas de Walter Montillo, Jucilei, Wang Yongpo e ainda prováveis de Yang Xu e Zhao Mingjian preocupam apesar da chegada de Zhou Haibin e o retorno de Diego Tardelli. 2017 pode ser mais um ano difícil para os torcedores do Shandong Luneng.

Beijing Sinobo Guoan – A gestão do Shandong Luneng tem levantado imensas questões nos últimos tempos, mas, o que esperar do histórico Beijing Guoan? Com a entrada da Sinobo Land, cujo investimento total se traduziu numa larga fatia de 64% dos direitos administrativos, os Guardas Imperiais enfrentam a nova temporada colocando-se na lista dos clubes mais valiosos do mundo. 2016 não foi um ano feliz para a formação de Pequim que decidiu apostar no espanhol José González para comandar o novo ano desportivo. O mercado de transferências não tem sido muito movimentado, pelo que já se confirmaram várias saídas de peso para os rivais directos e apenas certas entradas com alguma relevância. Mesmo admitindo publicamente a necessidade da aquisição de um novo avançado (!) – Burak Yilmaz permanece no plantel –, o problema do Beijing Guoan é bem claro. O plantel é rico, contudo, mal aproveitado e há uma necessidade urgente que a equipa se reerga.

O treinador

LH. Manuel Pellegrini (Hebei China Fortune) – Esqueça o fraco segundo turno do Hebei China Fortune com duas vitórias, oito derrotas e apenas 14 gols marcados em 15 partidas. O período de ambientação do chileno Manuel Pellegrini na China terminou. Agora sim começa a cobrança, que o experiente treinador já conhece de longas datas. Para 2017, o Hebei focou no mercado interno e mostrou a vontade do clube com as chegadas do zagueiro Ren Hang e dos meias Zhang Chengdong e Yin Hongbo. A cereja do bolo veio no final da janela: a chegada de Hernanes dá o toque de classe e técnica que o Hebei tanto precisa para mostrar o seu projeto à China. Se em 2016 a equipe brigou pela vice-liderança no início da liga, este ano promete ser mais um forte candidato às vagas na Champions Asiática. E quem sabe, ao tão sonhado título chinês.

André Villas-Boas (Shanghai SIPG) – Naquela que foi uma decisão surpreendente por parte do jovem treinador português, André Villas-Boas assumiu um projecto ambicioso no Shanghai SIPG, instituição que pretende quebrar com a hegemonia do Guangzhou Evergrande o mais rápido possível. O ciclo fantástico, futebolísticamente falando, sob o leme de Sven-Göran Eriksson terminou e a chegada de AVB funciona como um all-in da direcção que pretende, assim, tornar o SIPG uma referência do continente asiático. A capacidade técnica/táctica de Villas-Boas é inegável e, embora na sua carreira tenha algumas experiências menos positivas, o núcleo que tem ao seu dispor não deixa qualquer tipo de dúvida. O Shanghai SIPG é o mais forte candidato a destronar o Guangzhou Evergrande e André Villas-Boas o homem ideal para conseguir tal proeza.

O jogador

LH. Alex Teixeira (Jiangsu Suning) – O início de ano do brasileiro de 27 anos era tímido. Poucos gols e uma queda precoce na Champions Asiática. Até a chegada de Choi Yong-Soo e do colombiano Roger Martínez, e Alex Teixeira voltou a ser o homem-gol visto no Shakhtar Donetsk. Antes engessado na ponta esquerda, o jogador passou a fazer dupla de ataque com o ex-atacante do Racing. Assim, Alex Teixeira se tornou o artilheiro do Jiangsu Suning e o destaque da equipe, chegando a 11 gols e sete assistências na Super Liga 2016. Com uma equipe entrosada e sem mudanças para a temporada 2017, Alex Teixeira e o Jiangsu Suning prometem vir ainda mais forte para enfrentar o poderoso Guangzhou Evergrande.

James Chamanga (Liaoning Whowin) – Uma menção honrosa para James Chamanga, veterano capitão do Liaoning Whowin que mesmo com 37 anos de idade continua a desempenhar um papel extremamente importante no seu conjunto. A experiência do avançado zambiano tem sido fulcral nas últimas temporadas, onde os Liao-Tigerkins acabaram por evitar grandes dissabores. Juntamente com Anthony Ujah e com o especial apoio de Robbie Kruse, Chamanga tratará de liderar o Liaoning Whowin a aventuras menos perigosas, porque 2017 não será nada fácil para os pupilos de Ma Lin.

Fonte: Daily Express

O goleador

LH. Eran Zahavi (Guangzhou R&F) – Difícil falar do incrível futebol do Guangzhou R&F e não mencionar o talento do atacante israelense. Custando menos que Graziano Pellè, Anthony Ujah e outros mais, Eran Zahavi fez incríveis 17 gols em 19 partidas na temporada passada. Dos 11 gols marcados na Super Liga, dez foram marcados dentro das áreas dos oponentes. Eran Zahavi teve formidável desempenho em apenas seis meses na China e promete fazer muito mais na temporada que se aproxima.

Elkeson (Shanghai SIPG) – O melhor marcador estrangeiro de sempre da Super Liga não tem vivido os melhores tempos da sua carreira. Durante a sua estadia no Guangzhou Evergrande, o avançado brasileiro marcou uma quantidade absurda de golos e ajudou o clube a conquistar inúmeros troféus nacionais e internacionais. A sua transferência para o Shanghai SIPG, na época transacta, reacendeu a chama após algumas lesões complicadas: 34 jogos, 15 golos e 14 assistências. Números interessantes, mas dada a contagem habitual de Elkeson, acabam por não deslumbrar. Agora, o panorama mudou. O avançado canarinho tem nada mais, nada menos do que Hulk, Oscar e Wu Lei como seus colegas e um treinador que privilegia imenso o futebol de ataque. Caso tudo corra sem sobressaltos, o seu nome figurará no topo da lista de melhores marcadores.

A táctica

LH. O 5-3-2 do Jiangsu Suning – A chegada de Choi Yong-Soo no comando do Jiangsu Suning foi um divisor de águas na equipe de Nanjing. Antes engessada no 4-2-3-1 de Dan Petrescu, a equipe passou a jogar em um promissor 5-3-2. Sem dúvida a chegada do colombiano Roger Martínez também agregou muito ao Jiangsu Suning, mas a mudança no estilo de jogo deu grandes resultados. No segundo semestre, o Jiangsu chegou a ser uma real ameaça à liderança do Guangzhou Evergrande na Super Liga e encarou o rival com todas as forças nas finais da Copa da China. Apesar do vice-campeonato em ambas as competições, o Jiangsu manteve a base com esperanças de ter um 2017 ainda melhor pela frente.

. O 1-4-2-3-1 do Yanbian Funde – Facilmente desdobrável num 1-4-1-4-1, o sistema táctico adoptado pelo experiente Park Tae-ha provocou imensas surpresas na temporada anterior. O Yanbian Funde foi o maior tomba-gigantes e registou resultados absolutamente surpreendentes contra adversários de maior dimensão. Futebol rápido, muito focado no contra-ataque e com grande ênfase nas acções do pequeno maestro Yoon Bitgaram. Apenas com uma saída de peso, do capitão Cui Min, e com várias contratações cirúrgicas, o Yanbian Funde prepara 2017 de modo assegurar o mais breve possível a manutenção no principal escalão do futebol chinês, mas sempre com a caixa das surpresas bem aberta.

Os relegados

LH. Guizhou Hengfeng Zhicheng – Grande surpresa da China League One 2016, quando conquistou o vice-campeonato com a mesma pontuação do campeão Tianjin Quanjian, o Guizhou Hengfeng Zhicheng estreia na Super Liga em 2017. Junto com a equipe campeã, os comandados de Li Bing tiveram a melhor defesa na segunda divisão. O Guizhou Zhicheng manteve o seu treinador e quase todo o sistema defensivo. As saídas do zagueiro Iban Cuadrado e do atacante Mazola, artilheiro da equipe no último ano, podem ser sentidas apesar das chegadas de Tjaronn Chery, Ali Ghazal e Michael Olunga. O Guizhou Hengfeng Zhicheng é um dos grandes candidatos ao rebaixamento, como o Yanbian Funde também era no início da temporada anterior após o vice-campeonato da China League One 2015. Se espelhar no estreante do ano anterior é uma boa ideia para o Guizhou.

Henan Jianye – Na última temporada chinesa, a equipe de Jia Xiuquan ficou notabilizada por ter o pior ataque da Super Liga com 26 gols marcados e uma das defesas mais vazadas com 44 gols sofridos. Bem fechada e com rápidos contra-ataques, o Henan freqüentou a parte de cima da tabela no primeiro semestre de 2016, mas teve forte queda e terminou a temporada em 13º. As saídas do talentoso meia Ivo, do bom zagueiro Ryan McGowan e de seu melhor valor local o meia Yin Hongbo deixam uma grande pulga atrás da orelha dos torcedores do Henan Jianye. A equipe precisa urgentemente de reforços, faltando três semanas para o início da Super Liga 2017. O atraso pode custar caro.

.  Changchun Yatai – Depois de uma luta intensa contra a descida de divisão durante toda a época de 2016, o Changchun Yatai respirou de alívio ao somar quatro vitórias consecutivas nos últimos cinco jogos da Super Liga e fugiu de uma realidade que se aproximava a cada dia – os comandados de Lee Jang-soo estiveram cerca de 25 (!) jornadas na zona da despromoção. Na ainda activa janela de transferências – fecha a 27 do presente mês – o Changchun movimentou-se bem relativamente às opções atacantes. Saíram Marcelo Moreno – o ‘herói’ e melhor jogador da equipa –, Julien Gorius, Mislav Orsic, Darko Matic e Ognjen Ozegovic e entraram Odion Ighalo, Marinho e Szabolcs Huszti. Retirando o sector ofensivo, cuja qualidade está, aparentemente, assegurada, o plantel vive com muitas lacunas defensivas. O Changchun Yatai continua a ser, portanto, um conjunto desbalanceado e a despromoção volta a ser uma realidade concreta.

Liaoning Whowin – Por muito que a situação do Henan Jianye seja, de facto, mais alarmante em relação às restantes, o Liaoning é outra formação que se insere no leque de potenciais relegados à China League One. 47 golos sofridos na edição anterior – uma das defesas mais batidas da competição – e com a dupla Chamaga-Ujah ao resgate em várias ocasiões, o Liaoning viveu momentos conturbados no que toca a movimentações de jogadores estrangeiros. O mercado australiano voltou a estar no foco da direcção, com a chegada de James Holland e de Robbie Kruse, porém, a matéria nacional existente não enche medidas. Será uma autêntica corrida contra o tempo para os Liao-Tigerkins.

O campeão

LH. Guangzhou Evergrande – 2017 deve ser o ano do heptacampeonato consecutivo da equipe do Cantão. Mas não será nada fácil. A concorrência tem aumentado e a temporada promete trabalho duro para os comandados de Luiz Felipe Scolari. Jiangsu Suning, Shanghai SIPG e Hebei China Fortune, um pouco mais distante, prometem atrapalhar os planos do Guangzhou Evergrande. Ainda assim, os atuais hexacampeões começam mais uma temporada chinesa como favoritos ao títulos. O motivo? O Evergrande tem os melhores jogadores locais e é a equipe que mais coloca jogadores na Seleção Chinesa. Sem contar do talento brasileiro de Paulinho, Ricardo Goulart e Alan, que torna o Guangzhou Evergrande ainda mais temido.

Guangzhou Evergrande – A máquina campeã do futebol chinês aparece, mais uma vez, na pole position para atingir o título. Em ‘equipa que ganha não se mexe’, e o Guangzhou Evergrande voltou a manter o seu núcleo de jogadores e a sua equipa técnica bem coesos. O valor dos hexacampeões é incontestável, mas irão os mecanismos funcionar na perfeição? A época não se avizinha fácil para os Tigres do Sul por muito que as odds continuem a apontar o contrário. 2017 será, ao que tudo indica, o ano mais duro – pelo menos a nível interno – para os meninos de Luiz Felipe Scolari.

O XI ideal

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Fonte: Lineup Builder

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Fonte: Lineup Builder

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