Arquivo de Rafael Gil - Fair Play

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João BastosMaio 29, 201710min0

O Alqueva voltou a receber a elite nacional das águas abertas nos dias 27 e 28 de Maio. O Campeonato Nacional de Águas Abertas disputou-se na marina da Amieira, onde já tinham decorrido as edições de 2014 e 2015.

Faz, este ano, exactamente 10 anos que se começou a disputar o CNAA, a prova que veio alavancar em definitivo a natação de águas abertas em Portugal. Desde 2007 que do programa de provas fazem parte os 5 km e os 10 km para masculinos e femininos, sendo que os 38 títulos absolutos atribuídos (em 2015 não se disputou a prova de 5 km) foram repartidos por apenas 13 nadadores.

Fonte: FPN | NOTA: Em 2016 realizaram-se dois campeonatos absolutos de 5 km (Aldeia do Mato – Maio e Peniche – Julho)

Este ano, e à semelhança do ano passado, para além dos títulos dos 5 km e 10 km, estiveram também em disputa os títulos nacionais dos 7,5 km e ainda os 1,5 km para nadadores masters, num circuito de 2,5 km, instalado na localidade de Portel.

[10 km] Angélica é a melhor de sempre

Também ainda não foi este ano que, a nível absoluto, novos nomes foram inscritos na tabela dos vencedores.

A nadadora do Fluvial Portuense, Angélica André, voltou a vencer os 10 km pela 5ª vez consecutiva, cruzando a meta com quase 4 minutos de avanço sobre a sua companheira de equipa Vânia Neves, que se sagrou vice-campeã nacional dos 10 km pela terceira vez consecutiva.

As duas mostraram, mais uma vez, que são de longe as melhores nadadoras nacionais de águas abertas, na distância olímpica, e estarão as duas, com certeza, no mundial na Hungria, em Julho.

Com esta vitória, Angélica é agora a maior vencedora de sempre na prova, ela que à partida estava empatada com a vimaranense Daniela Pinto, com 4 vitórias cada, na prova de 10 km. No cômputo das distâncias (5+10 km), Angélica também passou para a frente de Daniela com a conquista de 8 títulos “contra” 7.

A campeã nacional júnior foi, simultaneamente, a terceira classificada absoluta. Eva Carvalho da União Piedense chegou cerca de 18 minutos depois de Angélica e levou o ouro júnior e o bronze absoluto.

A fechar o pódio sénior ficou Maria João Fernandes, fazendo o pleno para o Fluvial Portuense no pódio sénior.

Ao pódio júnior feminino subiu ainda Maria Beatriz Dias, do Clube de Natação de Rio Maior, chegando 2 minutos depois de Eva Carvalho. O pódio júnior não teve ninguém na posição de bronze, uma vez que apenas Eva e Beatriz se apresentaram à partida desta exigente prova.

Pódio Sénior exclusivamente Fluvial | Foto: Facebook Angélica André

[10 km] Rafael é tri

Rafael Gil, do Sport Lisboa e Benfica, voltou a repetir a vitória das últimas duas edições. Ao contrário de Angélica, Rafael teve sempre diferentes rivais. Em 2015 conseguiu o seu primeiro título dos 10 km, vencendo Hugo Ribeiro, em 2016 foi bi-campeão nacional, vencendo o seu companheiro de equipa (na altura) Vasco Gaspar. Este ano foi tri-campeão absoluto, superiorizando-se ao júnior Tiago Campos (Clube de Natação de Rio Maior).

O resultado de Tiago Campos é absolutamente notável. Basta ter em consideração que o último júnior a conseguir ser vice-campeão absoluto foi…Rafael Gil. Foi em 2014, precisamente antes da série invicta de Gil. A diferença de Tiago para Rafael é que Tiago para a próxima época ainda é júnior.

Numa época em que os objectivos do nadador de Rio Maior seriam a presença no Europeu de Juniores de AA (mais do que confirmados nesta prova), arrisca-se a ser convocado para os Mundiais absolutos da Hungria, acompanhando o campeoníssimo nadador do Benfica.

O terceiro lugar do pódio absoluto foi para outro nadador júnior, José Carvalho, da União Piedense, batendo ao sprint os segundo e terceiro classificados seniores: Alexandre Coutinho da Columbófila Cantanhedense e Mário Bonança do Sporting.

A completar o pódio júnior ficou Diogo Marques da Columbófila Cantanhedense.

Pódio Sénior com Alexandre Coutinho, Rafael Gil e Mário Bonança | Foto: Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

[5 km] Tirado a papel químico

No sector feminino, o pódio absoluto dos 5 km foi exactamente o mesmo do pódio da prova mais comprida, ou seja, com Angélica no lugar mais alto, Vânia no lugar de prata e Eva a ficar com o bronze.

Angélica André somou o tri dos 5 km ao penta dos 10 km, aumentando o seu pecúlio para 8 títulos absolutos na soma de todas as edições dos nacionais de Águas Abertas.

Nesta prova ainda fez melhor: acompanhou os primeiros nadadores masculinos que decidiram a prova ao sprint. Mais uma grande demonstração de Angélica.

Na classificação sénior, foi Raquel Ranito (Sporting) que acompanhou as duas nadadoras do CFP no pódio, levando o bronze.

Na categoria de juniores 18-19 anos, Eva Carvalho foi a única participante, levando portanto o ouro, tal como Inês Martins (CFP) no escalão juniores 16-17 anos.

Na categoria das mais novas (Juniores 14-15 anos) houve maior competição, com 11 nadadoras, superiorizando-se por larga margem a nadadora do Clube de Natação de Rio Maior, Mafalda Rosa, ficando até muito próxima do pódio absoluto nesta que foi a sua primeira experiência num nacional de Águas Abertas. Ana Rita Queiroz (Fundação Beatriz Santos) e Letícia André (União Piedense) foram 2ª e 3ª classificadas na categoria, respectivamente.

Pódio júnior 14-15 anos | Foto: Facebook Secção de Natação CNRM

[5 km] Uma hora decidida ao sprint

Na prova mais curta, era expectável que as diferenças fossem mais curtas, mas também era expectável que os nadadores com pior ponta final tentassem partir o grupo desde início.

Assim não aconteceu e a prova foi decidida ao sprint. Ao fim de 58 minutos a nadar em alta rotação, um grupo de 8 nadadores mantinha aspirações de conquistar o título.

Mantendo a nota de destaque dos nadadores juniores nestes campeonato, José Carvalho, da União Piedense, tocou primeiro na plataforma superiorizando-se aos seniores.

Apenas um segundo e meio depois chegou Alexandre Coutinho, que melhorou um lugar em relação à prova dos 10 km.

Assim como melhorou uma posição em relação à posição absoluta dos 10 km o sportinguista Mário Bonança, que ficou com a medalha de bronze.

O pódio sénior ficou assim composto:

  1. Alexandre Coutinho (Columbófila Cantanhedense), 58:27.20
  2. Mário Bonança (Sporting), 58:27.48
  3. Rafael Gil (Benfica), 58:27.74

Ao pódio júnior 18-19 anos subiram:

  1. José Carvalho (União Piedense), 58:25.89
  2. Tiago Campos (Rio Maior), 58:28.01
  3. Diogo Marques (Columbófila Cantanhedense), 58:30.14

No pódio júnior 16-17 anos ficaram:

  1. Diogo Nunes (Fluvial Portuense), 1:01:44.90
  2. Gonçalo Bárbara (Portinado), 1:04:52.84
  3. João Branco (Aquático Pacense), 1:08:56.44

Finalmente, o pódio dos mais novos – Juniores 14-15 anos:

  1. Samson Costa (Fluvial Portuense), 1:02:49.81
  2. Ivan Amorim (Fluvial Portuense), 1:02:53.18
  3. Paulo Frota (Fundação Beatriz Santos), 1:02:53.46
Pódio absoluto 5 km | Foto: Facebook Nadadores SFUAP

[7,5 km] As melhores escolas de AA em confronto directo

A prova dos 7,5 km foi introduzida no ano passado e destina-se aos nadadores de 16/17 anos de ambos os sexos. O intuito é promover uma evolução gradual nas distâncias mais longas incentivando jovens nadadores a integrar esta vertente da natação.

A Sociedade Columbófila Cantanhedense, a União Piedense e o Fluvial Portuense são os principais clubes nacionais de referência das águas abertas [como também considera Rafael Gil na sua entrevista ao Fair Play] e os seus nadadores são presenças assíduas nos pódios absolutos.

Apesar disso, na contabilização de todos os nacionais, ainda são equipas como o Algés e o Vitória de Guimarães que surgem como os maiores vencedores a nível absoluto, mas muito se deveu aos sucessos individuais de Arsenyi Lavrentyev (Algés) e Daniela Pinto (Vitória) porque em termos de escola de águas abertas são, de facto, a SFUAP, SCC e CFP que se destacam.

Esta contextualização serviu exactamente para introduzir os resultados da prova de 7500 metros, destinada ao escalão Júnior 16-17 anos, que teve as seguintes composições dos pódios:

Masculinos:

  1. Diogo José (2001), Columbófila Cantanhedense, 1:28:22.00
  2. Diogo Nunes (2000), Fluvial Portuense, 1:28:55.80
  3. David Cristino (2001), União Piedense, 1:33:55.10

Femininos:

  1. Sara Alves (2001), Columbófila Cantanhedense, 1:34:31.40
  2. Filipa Rodrigues (2001), União Piedense, 1:41:18.70
  3. Inês Martins (2001), Fluvial Portuense, 1:41:59.40

Ou seja, neste trielo, levou a melhor a equipa de Cantanhede, com a SFUAP e o CFP a terem um “empate técnico” entre si.

Pódio Masculino dos 7,5 km | Foto: Facebook Nadadores – SFUAP

[1,5 km] Masters respondem à chamada

A natação master (escalões não competitivos acima dos 25 anos) tem cada vez mais praticantes em Portugal. Entre ex-nadadores federados a pessoas que descobriram o gosto pela natação em idades mais avançadas, encarando as provas mais ou menos a sério, o importante é o espírito de participação, convívio e partilha e o sentimento de pertença e paixão pela modalidade que estes nadadores incutem nos mais novos.

Ao apelo da Amieira, os nadadores masters responderam em força: foram 210 nadadores inscritos à partida (o que numa prova de águas abertas pode ser bastante caótico).

O vencedor já era antecipado, a partir do momento em que o campeão de 2014 dos 10 km, Hugo Ribeiro (Estrelas de S. João de Brito), que se retirou das competições recentemente, decidiu participar. Chegou com cerca de 1:15 minutos de avanço sobre José Freitas (escalão F), o segundo nadador a cruzar a linha de meta.

No sector feminino foi a nadadora do Clube de Natação do Litoral Alentejano, Susana Mateus, a primeira a chegar.

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Rodrigo ZaccaMaio 28, 201711min0

Na terceira entrevista da série com nadadores de águas abertas convidamos o atual Tri-Campeão Nacional dos 10k Rafael Gil (Sport Lisboa e Benfica), que é treinado pelo Técnico Mário Madeira. Ele conversou com Rodrigo Zacca, nosso colunista de águas abertas, e contou um pouco sobre seu passado, presente e futuro no desporto.

fpRafael, o que leva um recordista nacional absoluto de natação pura à decisão de apostar na vertente de águas abertas?

RG: Antes de ser recordista nacional absoluto de NP sempre fui um “apaixonado” desta disciplina. Tudo começou com provas do circuito de mar do Algarve durante as férias. Desde sempre que adorei praticar AA. O espírito das AA e único! Os nadadores criam ligações, como família. Esta vertente tem muito mais a haver comigo. Gosto de me sentir livre a nadar, em sítios incríveis. Se me perguntassem há um ano atrás qual preferia, respondia que eram diferentes, mas que adorava as duas. Neste momento, esta é a minha disciplina, amo o que faço.

Rafael Gil, atual Tricampeão Nacional absoluto nos 10 Km | Foto: Arquivo Pessoal

fp: É possível conciliar a vertente de natação pura com as águas abertas, mantendo o nível competitivo?

RG: Todos os nadadores de AA têm que saber nadar bem em piscina. A época de AA é curta e torna-se difícil fazer apenas mar. A piscina é fundamental. O nível competitivo tem que ser forte em ambos. Como é óbvio, há alturas de piscina que servem apenas para treino. Nós procuramos ser sempre competitivos e fazer as melhores marcas pessoais mas temos que optar pela melhor preparação para a nossa disciplina. Os modelos de competição moldam os modelos de preparação.

fp: Como é ser nadador do Benfica? Estrutura, Treinos, Grupo…

RG: É tudo diferente. É o 4º clube que represento, depois de Clube MonteGes, Naval Amorense e SFUAP. A nível de estrutura acho que num ano não consegui perceber bem. É enorme. O SLB estruturalmente é gigante. É um clube que oferece condições perfeitas para o alto-rendimento.

A nível de treino, estou super satisfeito. Sinto falta de muito volume que fazia anos passados, mas não tenho tempo para o fazer. Cometi um erro ao pensar que conseguia conciliar a faculdade com os treinos, mas é muito difícil. Matriculei-me em todas as cadeiras possíveis, o que acabou por causar menos tempo para treinar.

Para o ano certamente será diferente e terei que fazer escolhas diferentes, mais equilibradas. O meu grupo de treino é óptimo. Tenho duas pessoas que me ajudam imenso no treino (João Mota Correia e João Duarte Santos). São uma mais valia para o meu trabalho e certamente os resultados que tenho obtido, devo-lhes pela ajuda. A equipa técnica está cheia de pessoas que adorei conhecer. Muito capazes e profissionais. Estou muito feliz no SLB e farei aqui o meu ciclo olímpico para 2020.

Foto: Arquivo Pessoal

fp: É conhecido que o Benfica está a desenvolver um ambicioso projecto nas modalidades, para este ciclo olímpico. Esse projecto passa pelas águas abertas?

RG: O SLB até ao final do ciclo olímpico, vai trazer novidades incríveis. O projecto 2020 é mesmo muito ambicioso, assim como os atletas que integram este projecto. Neste momento eu sou o único nadador no projecto que faz águas abertas. Espero com o tempo conseguir “arrastar” mais nadadores comigo. Mas com toda a certeza, a aposta do projecto passa pelas AA.

fp: Em relação ao mundial da Hungria, qual é o objetivo?

RG: O objetivo é Setúbal. A presença no Mundial Ainda não é certa. Depende da taça do mundo. Caso consiga o apuramento, a meta é bater a minha classificação pessoal, 41º feito em Kazan2015. Espero conseguir entrar no TOP30 nos 10km.

Foto: Arquivo Pessoal

fp: Vamos falar um pouco de treino. Qual série costumas realizar como referência para verificar seu estado de treinamento?

RG: Há várias séries que faço para “testar”. Muito diferentes do ano passado mas 2x(2×400+4×200+8×100) ou 16x(100 + 2×50) são as que mais tento baixar de mês para mês. Os registos são cada vez melhor.

fp: De maneira geral, como é organizado o teu treino em seco visando a performance em águas abertas?

RG: Neste momento faço ginásio (máquinas) 2/3x semana + 3x treino funcional (CrossFit/CORE). Nunca estive tão forte no treino seco como estou neste momento. Tento fazer treino específico de águas abertas em mar 2x semana. Para além disto, faço nado amarrado 2x semana durante 1 hora.

fp: Como organizas a tua alimentação e hidratação diária?

RG: Há dias que são complicados com a alimentação. Faço refeições ricas em Carbohidratos (cerca de 40% da ingestão diária). Tenho experimentado vários métodos, varias dietas, vários tipos de refeição. A que notei uma diferença enorme e que controlei muito bem foi a Super Compensação de carbohidratos. 3 dias antes da competição principal, subo aquele valor de 40% para 70%. As minhas reservas tornam-se maiores. O que para 10km me ajuda bastante. Hidratação é muito fácil. Eu bebo muita água diariamente. Quer no treino quer no dia a dia. Uma garrafa de 1.5l de água fresca, faz parte do meu dia.

fp: Quem são os nadadores e nadadoras do futuro das águas abertas de Portugal? Alguma aposta?

RG: Há grandes nadadores que vão dando os seus primeiros grandes passos. Admiro o Diogo Marques do Cantanhede. Acho que ele tem o perfil para nadador de AA. Gosto do trabalho dele, gosto da forma como ele pratica a disciplina. Tem muita margem de progressão e um futuro brilhante. Espero poder vir a partilhar grandes momentos com ele. Vejo-me certamente no futuro das AA com mais duas meninas, as duas referências nacionais. (Vânia Neves e Angélica André). Tiago Campos começa a dar uns passos interessantes e o futuro vai passar por ele também.

fpÉs sem dúvida uma referência dentro e fora de água para estes jovens. Como trabalhas isto na tua rotina diária?

RG: Eu trabalho para ser uma referencia. Assim como já tive as minhas e sou o que sou hoje devido a essas pessoas. Arseniy, Vasco Gaspar e Mario Bonança ensinaram-me muito desta disciplina. Devo-lhes muito tudo o que conquistei até hoje. Eles passaram-me o legado das AA, assim como eu espero vir um dia a passar. As AA transmite-nos energias positivas. Espero conseguir passar essas energias e ensinamentos para dentro da disciplina e do meu clube sempre. Todos os nadadores nacionais de águas abertas vêm-se como família. Eu tento passar para o clube.

Foto: Arquivo Pessoal

fpNa tua opinião, como vês a atenção dedicada por clubes e treinadores portugueses para as águas abertas?

RG: Vejo poucos clubes a investir nas AA, também por falta de atletas com interesse em experimentar a disciplina. Poucos clubes = poucos treinadores. Há 3 grandes potências nacionais nas AA que realmente apostam. (Cantanhede, Fluvial Portuense e SFUAP). É difícil conseguir exposição Social nas AA. Em Portugal temos grandes técnicos de AA, com vontade e motivação de saber mais e procurar mais. Mas falta muito para se tornar uma disciplina respeitada e valorizada.

fp: Mesmo sem ter conquistado a vaga para RIO2016, o que funcionou durante a tua preparação? E o que precisa funcionar para carimbar o passaporte para Tokyo2020?

RG: Houve muitas coisas que funcionaram bem, mas também houve coisas que não funcionaram tão bem. O passaporte para Tokyo pode ser garantido ao melhorar tudo o que funcionou menos bem. Tenho muito ainda que aprender, evoluir e treinar. As AA estão a evoluir muito. Preciso de mais experiência.

fp: Conta-nos um pouco de como é treinar em alto nível, estudar e se for o caso, trabalhar… Tens patrocinadores e/ou apoios?

RG: É difícil. O ano passado foi fácil treinar. Eu apenas treinava. Parei de estudar durante dois anos para tentar os jogos olímpicos. Este ano está a ser muito difícil. Estudar e treinar é compatível. Temos o exemplo do Vasco Gaspar. Dos melhores internacionais de sempre e um médico com um futuro brilhante. Apenas o tempo é diferente. Em vez de 4 horas para treinar só tenho 2. Faz toda a diferença na preparação. Tenho um patrocinador no momento, a MyProtein. Sem este apoio não conseguia estar a competir ao nível que estou. A MyProtein tem garantido tudo o que preciso a nível de nutrição e suplementação. É sem duvida outra equipa que adoro representar e de que tenho um orgulho imenso de poder fazer parte.

fp: O que é necessário para Portugal se tornar uma referência mundial nas águas abertas?

RG: Muita coisa tem que mudar nas AA. Mas como dizia uma grande pessoa com quem tive o prazer de treinar, o David Ferro, “há dois anos nadávamos no fim do grupo. O ano passado nadávamos no meio da tabela. Este ano lutamos no segundo grupo. Para o ano, quem sabe, podemos nadar nos primeiros lugares”. Nós temos as condições perfeitas para avançar na corrida. Técnicos excelentes. Faz-nos apenas falta mais experiência competitiva. Nós fazemos 3-5 competições internacionais durante uma época. Outros países fazem o dobro ou o triplo. A nível de experiência conta muito. Mas a evolução é notória. Cada vez nadamos mais rápido, em distâncias maiores, com os melhores do mundo.

Foto: Arquivo Pessoal

fp: Há Fair Play nas águas abertas?

RG: Claro que sim! As águas abertas é uma disciplina em que o contacto físico é permitido. Mas não é por isso que tem que haver medo. É normal o contacto físico. Para além disto, é uma disciplina muito tática e estratégica. Todos os nadadores fazem o possível para assegurar e fazer valer a tática escolhida. O FairPlay existe. Mais presente em alguns nadadores do que em outros. Mas sem duvida que é uma disciplina que devia ter mais exposição. É um desporto bonito, em sítios lindos. E por todas estas razões que eu amo AA e cada vez faz mais parte de mim.

Muito obrigado e votos de sucesso Rafael!

Twitter oficial Rafael Gil

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João BastosFevereiro 25, 20177min0

A época de águas abertas vai arrancar, e como aconteceu em 2016, o Campeonato Nacional de Longa Distância disputou-se em Fevereiro, servindo de diagnóstico aos nadadores que se preparam para enfrentar o mar. Fique a saber quem foram os novos campeões da Longa Distância

Nadou-se em Rio Maior a fase final do Campeonato Nacional de Longa Distância, composto pelas distâncias de 5000 metros para os escalões Juvenil-A, Juniores e Seniores e os 3000 metros para os nadadores do escalão juvenil-B.

Tri-Angélica e nova prata para Vânia

Foto: Facebook Lfnunes

No sector feminino, e à semelhança do que já sucedera o ano passado, o título iria ser discutido pelas colegas de equipa no Fluvial Portuense e melhores especialistas portuguesas de águas abertas da actualidade, Angélica André e Vânia Neves.

Angélica iria tentar o seu 4º título nacional nesta prova (terceiro consecutivo) e a olímpica Vânia Neves vinha tentar o seu primeiro título de longa distância.

Desde o início da prova que se percebeu para que lado iria pender o título porque Angélica André começou “com tudo” e imprimiu um ritmo muito forte, com passagens de 4:31.58 aos 400 metros e 9:09.20 aos 800 metros, conseguindo manter o ritmo de 1:09/1:10 a cada 100, terminando com 1:05.91.

O tempo final de Angélica foi de 58:15.17, valendo-lhe o título sénior e absoluto, e constituindo nova melhor marca dos campeonatos no escalão sénior. O record absoluto continua na posse de Florbela Machado que nadou em 57:53.99 quando ainda era júnior.

Vânia Neves completou os 5km com o tempo de 1:00:16.20, a sua segunda melhor marca de sempre.

Com os dois lugares mais altos do pódio por absolutos a serem uma reedição do ano passado, o terceiro ficou para a sportinguista Raquel Ranito (também sénior) que completou a prova em 1:01:04.56, melhorando mais de um minuto ao seu anterior melhor registo.

Sara Alves leva o ouro júnior

Foto: Facebook Lfnunes

No escalão de juniores foi Sara Alves, da Columbófila Cantanhedense, a superiorizar-se à concorrência. A internacional por Portugal o ano passado tinha conseguido ir ao pódio de absolutos ainda em idade de juvenil. Este ano até tirou cerca de 1 minuto e meio ao tempo do ano passado (registou 1:01:21.12 este ano), mas não chegou para repetir a posição absoluta de 2016.

As juniores de primeiro ano estiveram em grande plano e ocuparam o pódio por inteiro. Filipa Rodrigues (União Piedense) ficou com a prata com 1:02:51.52 e Inês Martins (Fluvial Portuense) com o bronze, nadando em 1:06:08.77.

Mariana Mendes vence em juvenis-A

No escalão juvenil-A, a nadadora Mariana Mendes, do Colégio de Monte Maior, conseguiu uma melhoria significativa do que tinha feito na fase de qualificação e venceu com 1:02:09.97.

No sentido inverso, Alexandra Frazão, da equipa de Olivais e Moscavide, tinha-se qualificado para a fase final do campeonato nacional de Longa Distância com a melhor marca do escalão, mas ficou com a prata, nadando no tempo de 1:04:01.69.

A fechar o pódio ficou a nadadora do Benfica, Natacha Silva que nadou no tempo de 1:07:32.53.

Mafalda Rosa com record nacional

Foto: Facebook Secção Natação Cnrm

Na prova destinada ao escalão juvenil-B – os 3000 metros – houve nova melhor marca dos campeonatos. Mafalda Rosa, do Clube de Natação de Rio Maior, bateu o tempo que tinha sido obtido precisamente por Mariana Mendes no ano passado. 36:40.47 é o novo máximo nacional do escalão.

Joana Martins, do Benfica, ficou com a prata depois de nadar em 39:07.13. Logo a seguir chegou Inês Sousa, do Náutico de Coimbra, com 39:18.67  que valeu o terceiro lugar do pódio do escalão.

Rafael Gil é o novo campeão

Com a ausência do campeão e recordista em título, Guilherme Pina, Rafael Gil (Benfica) surgia como principal favorito a vencer a prova, mas tinha adversários de peso, nomeadamente o tri-campeão da prova (entre 2012 e 2014) e recordista nacional da prova, até ao ano passado, Mário Bonança, do Sporting.

A estes dois nomes juntou-se Diogo Marques (Columbófila Cantanhedense) e o trio proporcionou uma prova bastante equilibrada, que só se começou a definir a partir dos 2200 metros, altura em que Rafael Gil “meteu a quinta” e o ritmo tornou-se insuportável para os adversários.

Gil terminou com o melhor tempo absoluto e sénior de 55:37.65 que lhe deu o título que já perseguia há várias edições do CNLD, Marques ficou com a prata absoluta e sénior com o tempo de 55:52.03 e Bonança levou o bronze absoluto e sénior com o tempo de 56:15.95.

Tiago Campos domina nos juniores

Foto: Facebook Lfnunes

O nadador do Clube de Natação de Rio Maior, Tiago Campos, foi o grande vencedor dos 5000 metros no escalão júnior. Depois de na fase de qualificação já ter operado uma melhoria de 1 minuto face ao tempo do ano passado, nesta fase final voltou a melhorar e a baixar dos 57 minutos. 56:59.67 foi o tempo que valeu ouro.

O segundo classificado veio do Náutico de Coimbra. Lucas Bastos, ainda júnior de 1º ano, nadou em 57:39.66.

No terceiro posto ficou mais um júnior de primeiro ano (nascidos em 2000). Diogo Nunes, do Fluvial Portuense, piorou ligeiramente o tempo que tinha feito na fase de qualificação e terminou com 57:53.03.

Record Nacional para Diogo Cardoso

Foto: Facebook Lfnunes

No sector masculino só houve uma nova melhor marca nacional e foi no escalão juvenil-A. Diogo Cardoso, do Colégio de Monte Maior, teve um excelente desempenho, e no final marcou 56:39.38, novo record nacional, melhorando quase 1 minuto e meio ao anterior máximo.

Diogo José, da Columbófila Cantanhedense, ficou com o segundo lugar e o tempo de 58:42.40, relegando David Cristino, da União Piedense para o terceiro posto com 59:02.41.

À semelhança do ano passado, o nível do escalão juvenil-A foi bastante elevado com o pódio a nadar abaixo da hora!

Ivan Amorim vence nos B’s

Foto: Facebook Lfnunes

O juvenil-B do Fluvial Portuense, Ivan Amorim foi o melhor nadador do escalão na distância de 3000 metros. 35:40.86 foi o tempo gasto pelo nadador nascido em 2002.

Apenas com 13 segundos de diferença chegou Paulo Frota, da Fundação Beatriz Santos, para levar a prata com o tempo de 35:53.91.

A completar o pódio ficou Bernardo Cardoso, mais um nadador da Columbófila Cantanhedense, um clube com grande tradição em campeonatos de Longa Distância. Bernardo nadou em 36:33.40

Fluvial Portuense volta a vencer

Na classificação final por equipas, o primeiro lugar do pódio voltou a ir para o Clube Fluvial Portuense que obteve 85 pontos.

A Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense ficou com o segundo posto, garantido pela obtenção de 69 pontos.

O Sporting Clube de Portugal que no ano passado tinha sido segundo classificado, desta vez baixou um lugar no pódio, marcando 61 pontos.


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