Arquivo de Herrera - Fair Play

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Diogo AlvesNovembro 16, 20174min0

Sérgio Conceição prometeu algumas surpresas quando lhe perguntaram sobre o sistema táctico a utilizar no FC Porto. Fugindo numa primeira fase ao tradicional 4-3-3 de Pedroto, a verdade é que, o novo timoneiro, no seu desenvolvimento de maturação teve de recuperar o 4-3-3 para jogos mais exigentes fora de portas.

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Fair PlayDezembro 29, 20168min1

SL Benfica, FC Porto e Sporting CP chegam ao mercado de Inverno com algumas dúvidas nos seus plantéis. Com necessidades diferentes e sectores a afinar, os ditos Três Grandes procuram reforços nesta “janela” de Mercado. Uma análise e proposta do Fair Play. O FC Porto é, hoje, o nosso foco de análise.

Nota: o artigo em questão foi escrito por cinco autores diferentes que têm seguido a época de cada um dos clubes aqui destacados. Sporting CP com José Duarte e Bruno Dias; FC Porto pela “mão” de Francisco da Silva e Francisco Isaac, com conselhos de Diogo Alves; e SL Benfica por Pedro Afonso.

FC Porto

(por Francisco da Silva, Francisco Isaac e Diogo Alves)

O FC Porto chega ao final do mês de Dezembro com só uma derrota na Liga NOS e outra na Liga dos Campeões, tendo fechado o ano só com vitórias para a Liga e Liga dos Campeões. Um FC Porto algo diferente do que aquele que se viu nos primeiros dois meses, que andou entre os picos de forma e de elegância exibicional e a inaptidão apática de criar golos. Nuno Espírito Santo idealizou o seu Porto, transformou-o conforme as suas necessidades e desígnios. Porém, algumas dúvidas “assombram” a restante temporada do FC Porto:

  • Há necessidade, da parte dos dragões, de ir ao mercado de Inverno?
  • O plantel actual conseguirá aguentar a “carga” de jogos até ao final?
  • Brahimi e João C. Teixeira são “reforços”? E a situação de Herrera e Depoitre?

Perante estas questões, o que dizer? Em relação à primeira, aos “olhos” do Fair Play, os dragões precisam de reforçar a equipa em dois sectores, curiosamente ambos do mesmo terço do campo: avançados.

Entre os primeiros cinco meses da temporada, o FC Porto virou-se, em absoluto, para a juventude (por necessidade ou vontade própria?), como prova a inclusão de André Silva, Diogo Jota, Jesús Corona, Otávio e Óliver no onze titular nos últimos meses.

Estes cinco jogadores juntos perfazem uma média de idades de 21 anos, algo que nunca foi vislumbrado durante o período de presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa. Como soluções para estes jovens, o FC Porto tem Silvestre Varela (ainda não é perceptível o papel do internacional português no plantel), André André, Hector Herrera, João Carlos Teixeira (os primeiros minutos oficiais só chegaram em Dezembro) e Laurent Depoitre.

Em boa hora, o treinador do FC Porto conseguiu “ressuscitar” um dos grandes activos do plantel: Yacine Brahimi. O extremo conquistou o seu espaço no onze (a lesão de Otávio “forçou” o FC Porto a procurar um novo fantasista na ala), com excelentes exibições em Dezembro. Desde os golos “mágicos”, às movimentações rápidas e ágeis e o trabalho de equipa (nota-se que o argelino já percebeu que tem de jogar com os seus restantes colegas), Brahimi pode estar perto de ser o jogador que o Porto necessita. A grande questão prende-se com a ida para a CAN, que o tirará dos relvados portugueses durante um mês (no máximo).

(Foto: Lusa)

Perante estes problemas, o FC Porto poderia reforçar-se em duas posições:

  • Extremo com qualidades idênticas às de Brahimi, que procure movimentações da ala para o centro, com bom poder de fogo e enorme capacidade de desequilíbrio;
  • Ponta de lança que consiga fazer “sombra”, de facto, a André Silva, com um sentido de “agressividade” posicional, faro para o golo e capacidade de movimentação na área.

Na opinião de Francisco da Silva, o reforço para o ataque poderia passar por:

  • Fernandão (29 anos, Fenerbahce SK, Internacional pelo Brasil, avaliado em 7M€);

Ao longo da 1ª metade da temporada, se há marca visível de Nuno Espírito Santo no estilo de jogo do FC Porto é a capacidade de sair rapidamente em transição ofensiva. Assim, tendo em conta esta característica, a mobilidade dos homens da frente (Jota-Silva-Corona/Brahimi) tem sido o fator-chave para o relativo “sucesso” da atual época portista. Contudo, para fazer frente a encontros mais fechados e eventuais “autocarros”, NES apostou pessoalmente em Laurent Depoitre, um “pinheiro” à moda antiga.

Ora, até ao momento, o belga tem desiludido em diversos capítulos como a finalização, técnica e velocidade. Apesar de ter desbloqueado o jogo frente ao Chaves, ainda está bem presente na memória dos adeptos portistas o lance frente ao Belenenses, por exemplo, onde Depoitre desperdiçou uma oportunidade flagrante quando seguia sozinho para a baliza e com todas as condições para desbloquear o jogo.

Esse lance é sintomático das limitações do belga, tendo em conta as características do jogo portista. O FC Porto pode até necessitar de um “pinheiro”, contudo, este tem que ser capaz de galgar metros, com ou sem bola, quando a equipa parte em transição. Assim, com este perfil em mente, fazia todo o sentido o conjunto azul e branco apostar em alguém como Fernandão.

Aos 29 anos, o brasileiro de 1,92m é um dos avançados mais letais e possantes do futebol turco, não precisando de muitos minutos para fazer balançar as redes. Regressado recentemente de uma lesão prolongada, Fernandão seria uma adição muito interessante para os portistas, uma vez que é um avançado veloz, forte no jogo aéreo, de remate fácil e potente, isto é, tudo ingredientes que podiam torná-lo num desbloqueador nato de encontros ou num bom parceiro regular de André Silva.

Se há algo que parece faltar a este novo FC Porto é um “toque de samba” na frente de ataque, nomeadamente ao nível da versatilidade e espontaneidade de fazer o golo. Para além das suas qualidades futebolísticas, o brasileiro aufere anualmente entre 1,5M€-2M€ de salário líquido, ou seja, um prémio salarial bem inferior aquele que teria de ser despendido pelo reforço atacante mais cogitado para os dragões, Luiz Adriano.

Para a posição de extremo, ao jeito do que vem sendo a política de transferências do FC Porto, o mercado sul-americano tem alguns atletas que podem rechear os dragões de “magia”:

  • Luan (Grêmio, 23 anos, internacional pelo Brasil, avaliado em 18M€);
  • Cazares (Atlético MG, 24 anos, internacional pelo Equador, avaliado em 10M€);
  • Christian Cueva (São Paulo, 25 anos, internacional pelo Peru, avaliado em 15M€);
  • Gonzalo Martínez (River Plate 23 anos, Argentino, 9M€);

Do Brasileirão, Luan, Cazares, Cueva são os alvos mais apetecíveis, uma vez que trazem todo aquele “fogo” e malabarismo que os extremos/avançados dessa competição gostam de produzir. Luan é o jogador mais em voga, com uma interessante visão de jogo, para além do drible categórico que o complementa. O problema é o preço final pedido pelo Grêmio, que nunca será abaixo dos 15M€.

Cueva, o virtuoso extremo do Peru, pode ser o jogador mais alcançável, já que as boas relações com a equipa do São Paulo podem possibilitar um negócio interessante para ambas as partes. O peruano destacou-se, sobretudo, na Copa América de 2015 onde se exibiu a grande nível, cotando-se como uma das boas revelações da prova.

Se o mercado de terras de Vera Cruz não for de bom agrado para os “cofres” do Dragão, uma ida até à Argentina pode ser uma solução de recurso. Gonzalo “Pity” Martínez é descrito, por Diogo Alves (responsável pela Liga Argentina no Fair Play), como “intenso, dotado de finta curta, com boa velocidade e maturidade interessante”, o que o torna um alvo apetecível para os dragões.

Posto isto, o FC Porto tem boas possibilidades no mercado de Janeiro, sendo que os reforços têm de chegar para dar outras soluções a Nuno Espírito Santo no período mais crítico da época. Não acreditamos que aconteçam saídas precipitadas na reabertura de mercado; contudo, a “fome” dos clubes da Chinese Super League por Hector Herrera aumenta de dia para dia.

Pinto da Costa não negará uma transferência por “bons cifrões” pelo internacional mexicano que é também o actual capitão de equipa. Mas estará o plantel do FC Porto pronto para perder um dos seus líderes? Questões a responder perante a actuação do FC Porto no mercado de Janeiro.

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Diogo AlvesDezembro 22, 20168min0

Costuma-se dizer que há males que vêm por bem, e, no caso do FC Porto, a lesão de Otávio permitiu que o argelino Brahimi voltasse às contas de Nuno Espírito Santo. O regresso de Brahimi foi muito importante, não só no jogo com o Braga – quando entrou para substituir Otávio -, mas em todos os encontros que se seguiram para o FC Porto, entre os quais um desafio decisivo diante do Leicester. Um olhar sobre os Dragões em Dezembro.

Otávio desde que regressou ao FC Porto tornou-se rapidamente uma das principais peças no onze de Nuno Espírito Santo. O pequeno criativo brasileiro teve um início de época soberbo onde encantava os adeptos com dribles desconcertantes que deixavam os rivais de cabelos em pé. Otávio actuava a extremo-esquerdo e relegou para o banco o argelino Yacine Brahimi que no início da época parecia estar de saída do Futebol Clube do Porto. Apesar de não ter muito golo – apenas dois -, o médio brasileiro era fundamental na criação de jogo do FC Porto no último terço.

O bom momento de Otávio terminou com o Braga, embora já nos jogos anteriores o médio brasileiro começasse a dar sinais de alguma fadiga e já não solucionava muito bem os problemas que iam surgindo ao longo do jogo, tornando-se por vezes num jogador que emperrava a equipa.

As soluções para substituir o médio não eram muitas e naquela altura só havia mesmo Yacine Brahimi, que parecia esquecido e até mesmo excluído do plantel do FC Porto,. Mas, por obra do acaso (ou não), a verdade é que nos últimos tempos revelou-se como pedra fulcral nas recentes vitórias dos azuis e brancos. A lesão de Otávio acabou por abrir a porta a Brahimi que parecia, a dada altura, fechada.

Entrou no decorrer do jogo com o Braga – ainda na primeira parte – e foi um dos maiores agitadores do jogo a favor do Porto. É verdade que Rui Pedro foi o herói e Diogo Jota o obreiro, mas muito do jogo ofensivo do Porto passou – e bem – pelos pés de Brahimi.

Cimentou o seu lugar no pós-Braga e não mais saiu do onze, assim como também nunca mais Nuno Espírito Santo mexeu na equipa titular. Nos três jogos seguintes ao seu regresso, Brahimi fez questão de dar sinais de total compromisso com o treinador, com os colegas e com o clube. Mais comprometido em missões defensivas, mas sobretudo mais assertivo nas acções ofensivas. Menos individualista e mais colectivo. O drible em vez do passe estará sempre lá, porque é-lhe intrínseco, corre-lhe nas veias, mas já vemos um Brahimi a usar esse lado mais individual para ajudar mais a equipa e menos para jogar para ele e para a plateia ver.

Diante do Leicester, Feirense e Marítimo, o argelino apontou três golos, um em cada partida. Com o Leicester apontou um dos golos mais bonitos desta fase de grupos da liga milionária: de calcanhar a fazer lembrar outro argelino que passou pelo FC Porto, o inesquecível “mago” Rabah Madjer.

O que trouxe Brahimi à forma de jogar de Nuno

O 4x4x2 de Nuno Espírito Santo ganhou assim dois extremos “puros” em ambos os corredores e possibilitou que Óliver – indirectamente também beneficiou com a saída de Otávio – se posicionasse, em exclusivo, no corredor central ao lado de Danilo. Com Corona e Brahimi a partir dos flancos, a manobra ofensiva do FC Porto melhorou em relação aos jogos anteriores. Viu-se mais dinâmica, mais criatividade, mais fluidez e, finalmente, apareceram os golos.

No entanto, a manobra ofensiva do FC Porto, ainda precisa de ser refinada e terá de levar com afinações nas oficinas do Olival. Ainda é tudo muito feito na base da individualidade e não tanto, para já, com trabalho colectivo através de ideias colectivas ou de jogadas padronizadas. Embora haja sinais de melhorias que podem deixar os adeptos do FC Porto esperançados numa segunda parte da época com melhor rendimento em todas as fases do jogo.

Um FC Porto que cada vez mais é paciente com bola, menos futebol directo e mais pausado, uma construção mais bem definida com Danilo próximo dos centrais, mas a soltar-se cada vez mais, apesar de algumas limitações a nível de visão de jogo, passe e criatividade. Enquanto isso, o criativo Óliver aparece mais numa segunda linha da fase de construção e aproxima-se do último terço do campo, associando-se mais com Diogo Jota e com os extremos Brahimi e Corona.

Os laterais continuam a dar a profundidade e largura nas faixas e deixam que os extremos, Brahimi e Corona, tenham liberdade para aparecer em zonas interiores, que é onde jogadores como o argelino e o mexicano poderão ser mais preciosos para desmontar as defesas compactas que habitam na Liga NOS.

A saída do onze do mexicano Héctor Herrera também tem de ser analisada como algo positivo para a forma como a equipa quer jogar, e não apenas como o “castigo” do pós-Benfica. Com Herrera na meia-direita, o FC Porto era pouco assertivo a atacar e as decisões nem sempre eram as melhores nem as mais céleres, porque Herrera sentia-se como peixe fora de água a jogar numa posição mais de extremo e menos de médio-interior. Tornava muitas vezes o jogo mais físico e pouco fluido e sem a imprevisibilidade e criatividade que há agora com Corona na meia-direita.

[Foto: Record.xl.pt]

O que se segue para Nuno Espírito Santo em 2017

O grande desafio para Nuno Espírito Santo agora em 2017 será o de conseguir trabalhar a manobra ofensiva com o mesmo afinco que fez com a organização defensiva – aí ninguém tem dúvidas que o FC Porto melhorou significativamente. É uma das melhores defesas da Europa com apenas 7 golos sofridos, e para trás ficam 7 jogos sem sofrer qualquer golo.

Essa boa solidez defensiva deve-se muito às boas rotinas criadas entre Felipe e Marcano que contam também com o bom momento de Iker Casillas e o trabalho “invisível” de Danilo, que tem sido fundamental na manobra defensiva da equipa. Danilo tem sido o jogador mais importante para impor uma pressão alta e agressiva no momento da perda de bola. No entanto, sente-se em toda a equipa muito empenho para recuperar logo a bola quando a perde. Tudo muito bem trabalhado até aqui.

Com Brahimi na CAN como será?

Nuno Espírito Santo não terá apenas o desafio mais táctico para solucionar em 2017, o treinador portista terá de agora lidar com a ida de Brahimi para a Taça das Nações Africanas (CAN) já no início de Janeiro. Perderá o jogador mais influente actualmente na manobra ofensiva da equipa, um jogador que lhe estava a trazer golo, assistências e ajudava a desbloquear os jogos quando estes estavam mais complicados.

Voltará a ter Otávio e ganhará um jogador mais altruísta e disciplinado tacticamente ao contrário de Brahimi, mas será que Otávio conseguirá ter o mesmo peso do argelino no onze? Uma resposta que só saberemos em meados de Janeiro, data prevista para o regresso de Otávio, que, por agora, continua em recuperação.

João Carlos Teixeira nas próximas semanas poderá ter a verdadeira oportunidade de se mostrar, e até poderá ser o substituto imediato de Brahimi no onze. Nuno Espírito Santo tem lançado o jogador português nos últimos jogos e este tem entrado sempre para o lugar de Brahimi. Por natureza João Carlos Teixeira é mais um médio-interior, mas também poderá actuar como ala esquerdo no 4x4x2 de Nuno Espírito Santo, uma vez que no Liverpool começou a jogar mais vezes como ala e menos como médio-interior.

João Carlos Teixeira poderá ter a sua oportunidade [Foto: Global Imagens / Leonel de Castro]

Em Janeiro abre também o mercado de inverno e o FC Porto, como os outros clubes, estará atento a bons negócios que possam surgir, seja para vender ou para comprar. Nos últimos tempos têm surgido rumores de que os dragões estarão interessados em mais um avançado e a imprensa vai avançado com insistência o nome de Luiz Adriano. Não saberemos se o brasileiro a actuar no AC Milan virá ou não, mas certo é que o Fair-Play estará atento e trará artigos sobre este defeso de inverno.

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Diogo AlvesNovembro 28, 20167min0

Zero. Zero é o número de golos que o Futebol Clube do Porto marcou nos três últimos jogos consecutivos. A crise de golos agudiza-se de jogo para jogo, e mais, a crise será só dos golos? Ou da forma como a bola chega à zona de finalização? Uma questão que só o técnico azul e branco pode responder, mas de conferência em conferência, Nuno Espirito Santo refugia-se apenas, e somente, na «falta de eficácia». Portanto, atira as culpas para o último momento do jogo: a finalização.

O FC Porto continua numa espiral negativa e acumula maus resultados que deixam os adeptos à beira de um ataque de nervos, ansiedade, revolta e sentimento de frustração perante o futebol anárquico, pouco pensado e rudimentar que os dragões têm praticado neste mês frio de Novembro. Novembro ficará marcado pelo mês em que o FC Porto foi eliminado na Taça de Portugal, em Chaves, após 0-0 no tempo regulamentar e prolongamento, os dragões acabaram eliminados nas grandes penalidades. Para piorar adiaram o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, empatando a zero em Copenhaga e viram o rival Benfica aumentar a vantagem pontual. De 5 para 7 pontos.

A SAD quando contratou Nuno Espirito Santo esperava que o treinador português pudesse dar aos jogadores que tem à disposição ferramentas que os levassem de novo à rota dos títulos, mas neste início de época não é isso que se tem visto. Temos visto um Nuno Espirito Santo muito tenebroso e indeciso nas decisões que tem tomado de jogo para jogo. Muda o jogar da sua equipa de jogo para jogo e isso não tem contribuído em nada para o processo evolutivo da ideia de jogo que o técnico portista tanto tem falado ao longo dos últimos meses.

Nuno fala em dinâmicas em vez de sistemas (4.3.3, 4.4.2, etc…), mas não temos visto um Porto com grandes dinâmicas nem ideias em jogo. Defesas-centrais sem apoios na primeira fase de construção, os médios com dificuldades em juntar-se para associarem-se com os avançados, e o avançado – André Silva – a ter de sacrificar-se muitas vezes para comunicar com o resto da equipa em vez de estar numa posição privilegiada onde “apenas” tivesse de finalizar.

Diogo Jota foi o último jogador a marcar pelo FC Porto Foto: maisfutebol.iol.pt
Diogo Jota foi o último jogador a marcar pelo FC Porto
Foto: maisfutebol.iol.pt

Tem sido um Porto com um futebol pouco elaborado e daí a pergunta inicial: É um problema de eficácia ou de processo? O que temos visto e cada vez mais é visível é que quando a bola chega à zona de finalização, nem sempre chega nas melhores condições para que os homens mais adiantados consigam ter sucesso na finalização.

Em Belém foi altamente notório a dificuldade que o FC Porto teve em conseguir construir uma jogada com qualidade, apenas uma em que aí sim, pode-se “culpar” Óliver pela decisão duvidosa que tomou quando estava na cara do guarda-redes e decidiu passar em vez de rematar. Mas, tirando essa jogada não houve mais nenhuma em que os avançados, ou médios, pudessem finalizar com qualidade.

Pelo meio há também decisões muito duvidosas que Nuno Espirito Santo tomou ao longo do mês. O afastamento súbito de Yacine Brahimi da equipa quando o argelino é claramente um dos melhores jogadores do plantel, não se entende a sua ausência nas duas últimas deslocações (Copenhaga e Belém), e o porque de não ter entrado com o Chaves ou o Benfica, por exemplo.

Por explicar está também a ausência de Adrián Lopez, Sérgio Oliveira, o porquê de João Carlos Teixeira não ter uma oportunidade digna e justa na equipa e o desaparecimento súbito do capitão Herrera das opções no pós-Benfica. Estará a pagar pelo erro cometido no último lance com o Benfica? Uma questão que só Nuno e a SAD poderão responder.

Empate dramático com o Benfica terá destruído psicologicamente os jogadores?

Foto: maisfutebol.iol.pt
Foto: maisfutebol.iol.pt

O jogo com o Benfica teve uma carga emotiva muito grande em cima dos atletas do FC Porto, mais do que jogar bem, os adeptos e toda a massa associativa pediam que fossem Porto e dessem tudo em campo para conseguir os 3 pontos que tão importantes eram naquele momento, uma vez que podiam reduzir a desvantagem de 5 para 2 pontos.

A mensagem para dentro do grupo era clara: ganhar ou ganhar. E os jogadores entenderam isso, até porque na véspera do jogo Óliver disse que «Domingo vamos morrer em campo» e Felipe nas redes sociais também deixou uma mensagem a toda a nação azul e branca «Vai ser até à última gota de sangue». Portanto, os jogadores estavam decididos em vencer e prometeram a tal raça que os adeptos muito gostam.

E justiça seja feita aos atletas e a Nuno, a primeira parte e os primeiros quinze minutos da segunda parte mostraram que havia um FC Porto decidido a vencer e, mais que isso, houve uma ideia de jogo, houve dinâmica, houve um FC Porto a praticar um futebol que o adepto gosta de ver e se delicia, mas faltou ser contundente na hora de “matar o jogo”.

A vencer por 1-0 Nuno Espirito Santo decidiu recuar a equipa e defender a sete chaves o resultado mínimo. Mas a mensagem que passou para a equipa não foi a melhor e os últimos vinte minutos foram já de extrema dificuldade em conseguir reter bola e colocar o Benfica longe do seu meio-campo. Nuno conseguiu em vinte minutos estragar o que estava de bom na equipa e viu a sua equipa sofrer um golo aos 90+2’ minutos. Dramático e cruel.

Após este jogo o FC Porto não mais marcou, não mais voltou a jogar um futebol refrescante e entretido que mostrou em 60’ minutos com o Benfica e mostrou sinais de fraqueza. Se desportivamente o FC Porto não estava muito bem, parece que psicologicamente este empate com o Benfica esvaziou por completo o tanque motivacional dos jogadores. Amorfos, sem ideias, pouco lestos e muito perdulários em vários momentos.

As ideias do treinador já são tenebrosas, mas que será deste FC Porto com jogadores fisicamente e psicologicamente em baixo? Dias negros aproximam-se e dentro do FC Porto alguém terá de reabilitar rapidamente a equipa para que não se volte a repetir o filme da época passada, de há duas épocas e há de três épocas atrás.

São muitos anos sem conquistar títulos e os adeptos mostram sinais de impaciência e por este andar já nem o amado presidente Jorge Nuno Pinto da Costa fugirá à contestação. O FC Porto precisa rapidamente de reconquistar a cultura de vitória que tem feito tanta falta nos últimos anos.

Foto: maisfutebol.iol.pt
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Francisco IsaacSetembro 1, 201612min2

Jorge Nuno Pinto da Costa, Antero Henrique e Alexandre Pinto da Costa são os protagonistas de um Mercado de Transferências de pesadelo para o Dragão. Sem contratações sonantes ou reforços para colmatar as claras deficiências do plantel, Nuno Espírito Santo enfrentará a vaga de críticas sozinho e sem apoio. Um Manual de como não dirigir um plantel.

Voltemos, por escassos momentos, ao final de temporada do FC Porto de 2015/2016. Final da Taça perdida para o Braga, 3º lugar longe do 1º e 2º, e um plantel debaixo de um coro de assobios e críticas. E aonde estavam os membros da direcção da SAD e/ou do Clube? Escondidos atrás do púlpito, sem grandes manifestações ou promessas… para além da notícia de que Rafa, Josué e Paciência iriam ser reforços para a nova temporada dos Dragões (curiosamente nenhum dos três ficou às ordens de Nuno Espírito Santo).

Com o término da época, os adeptos e analistas desportivos apressaram-se em indicar que sectores estavam com claras deficiências, apontando, desde logo, a faixa da defesa (três centrais e todos eles de qualidade média-baixa) ou a questão de ser necessário um nº 10 criativo que fizesse o público vibrar. Porém, ao fim de dois meses de Mercado, o FC Porto conseguiu fazer quase o oposto, numa política de transferências caótica, anormal e sem rumo aparente. Nem o apuramento para a Liga dos Campeões valeu de alguma coisa para os Dragões, que tiveram sérias dificuldades em convencer jogadores de gabarito europeu/mundial a aceitar entrar nas contas de Nuno Espírito Santo. A questão do fairplay financeiro também terá preocupado os administradores da SAD que acabaram por voltar a ter um ano horriblis em termos de mercado e de preparação da equipa para a nova época. Observemos por sectores as mudanças (ou não) em termos de chegadas e saídas, para além de perceber se o plantel ficou deficitário.

Na baliza tudo igual, com Iker Casillas a iniciar o seu 2º ano de Dragão ao peito sem a competição de Helton (a saída do lendário guarda-redes brasileiro foi tudo menos agradável) mas com José Sá a ganhar a confiança da equipa técnica. Até que ponto Casillas conseguirá ser mais um protagonista de vitórias do que um arauto da “desgraça”? Para já, e perante o cenário actual, o FC Porto fica bem apetrechado.

Uma Defesa de Betão feita de Madeira

É na defesa que começam os graves problemas e as questões mais críticas: saídas de Maicon, Reyes, Indi, José Angel ou Lichnovsky colmatadas com a vinda de Felipe (ex-Corinthians, muito criticado no Brasil pela falta de capacidade de lidar com a pressão), Willy Boly (um negócio em cima da linha de meta) e Alex Telles (temporada mediana ao serviço do Inter de Milão). Por isso, para a nova temporada o FC Porto vai lutar pelo campeonato com quatro centrais: Felipe (começou com a “cabeça quente”, apontando dois golos), Marcano (um dos responsáveis por algumas das derrotas dos Dragões nas últimas duas temporadas), Boly (transferência de última hora, com as opiniões a divergirem em relação à real qualidade do central) e Chidozie (o nigeriano acabou por ser uma “ilusão” e nem na equipa B tem sido uma escolha consensual).

Por escassos segundos a faixa central iria ficar ainda mais “pobre” do que na temporada transacta, com a contratação de Boly a pacificar – q.b. – a massa adepta. Dificilmente o FC Porto aguentará estar em quatro competições diferentes só com 4 jogadores (se contarmos com Chidozie) para o lugar de defesa-central. Nas faixas, Alex Telles chegou para a esquerda, tendo Layún conseguido a tão desejada renovação. Maxi Pereira ficou “sozinho” na direita, com a invenção de Peseiro a estender-se a Espírito Santo, colocando Silvestre Varela como um lateral direito de recurso. Se Telles é um lateral de origem, com uma qualidade interessante, com picos e quedas (uma crítica geral em todos os clubes por onde passou), já não se ter assegurado mais um lateral direito de raiz poderá ser um problema de maior. Ou seja, nada mudou em 3 anos: o FC Porto continua numa política de invenções no que toca à defesa, um sector que foi sempre tratado como realeza no Reino do Dragão.

O jogo do meinho com os mesmos protagonistas? 

Avancemos para o sector intermediário. Danilo Pereira continuará a lutar com Rúben Neves pelo lugar de trinco (as questões divergem no tipo de médio-defensivo que o Porto precisa), com Héctor Herrera (muito associado ao Nápoles, acabou por voltar a ficar) e André André a enfrentarem a competição de João Carlos Teixeira, Diogo Jota e Óliver Torres (o reforço mais sonante do Porto), com Evandro e Sérgio Oliveira a serem suplentes dos suplentes.

Em Alvalade, na derrota por 2-1 frente ao Sporting CP, a equipa de Nuno Espírito Santo vacilou neste sector, com Danilo a perder quase todos os confrontos físicos e técnicos, Héctor Herrera a falhar mais de 55% dos passes (especialmente para zonas mais dianteiras, com as tentativas de passes profundos a não surtirem qualquer efeito) e André André a aguentar apenas 45 minutos de jogo (foi a unidade que melhor conseguiu movimentar-se, mas caiu a pique na segunda metade do jogo). Mas o técnico azul-e-branco optou por colocar Adrián López (um regresso que até tinha começado com o pé direito mas as exibições têm vindo a piorar) e Laurent Depoitre (um reforço “mistério” para os lados do Dragão), mantendo intocável o meio-campo até ao minuto 75′, quando retirou André André do campo. Óliver Torres estreou-se, porém sem qualquer papel importante no jogo (natural a falta de entrosamento), não querendo isto dizer que o “mago” espanhol não vá ser fundamental para a manobra ofensiva do FC Porto.

Por isso, as vindas de Jota e Teixeira serão reforços a sério ou apenas recursos de 2ª categoria? Só o tempo dirá se Nuno acredita ou não nestas soluções para o meio-campo. Para já, o FC Porto tem soluções mas parece que só algumas contam, num meio-campo titular muito pálido, estático e confuso.

Juventude ao Cubo no ataque aos golos

Depois no sector mais avançado do terreno, Otávio, Corona e André Silva têm composto o tridente de ataque (se recuarmos 6 anos atrás, a frente de ataque estava dividida por Varela, Hulk e Falcão, um tridente  com mais experiência, qualidade e força), com Adrián López, Óliver Torres e Laurent Depoitre a apresentarem-se como os substitutos.

Há, claro, Yacine Brahimi que ficará mais uma temporada (ou pelo menos até Janeiro) a jogar no Dragão. Todavia, o argelino nunca foi opção para Nuno durante a pré-temporada e terá agora que fazer uma autêntica “revolução” mental para surgir como opção na lista de convocados do treinador português. André Silva tem qualidade e ao jeito que foi com Gomes, Domingos Paciência (o filho poderia ter entrado nas contas para uma 3ª solução para a frente de ataque), Hélder Postiga e Hugo Almeida, o Reino do Dragão volta a confiar a frente do ataque a um jovem português das camadas jovens. Se tem qualidade para fazer 20 golos por época? Dependerá de como as alas e meio-campo forneçam jogo ao bomber luso. Corona é sempre um vertiginoso, com Otávio a assumir um papel preponderante, apesar da tenra idade.

Todavia, até que ponto a juventude em excesso pode comprometer em jogos de maior impacto contra equipas com maior experiência? Adrián López e Laurent Depoitre são os substitutos, com o avançado belga a ser uma “espécie” de Marc Janko ou Edgaras Jankauskas (parece possuir um toque de bola mais apurado) e o extremo espanhol a não reunir a capacidade mental para se afirmar no onze do FC Porto (bom final de temporada pelo Villarreal, com 16 jogos, 4 golos e 3 assistências).

Queda anunciada de um Gigante ou reforma para o longo-prazo?

Por isso, em dois meses de contratações (não dando o mês de Abril e Maio de graça) o clube liderado por Jorge Nuno Pinto da Costa reforçou-se só com 8 jogadores, sendo que apenas 3 entraram para o sector defensivo.

E o que dizer das vendas – ou, melhor, não vendas? O FC Porto que tinha assumido o estatuto de maior exportador até 2014, acabou no último lugar, mesmo atrás de SC Braga ou Vitória SC (Guimarães). Isto demonstra descrédito do FC Porto no seio europeu? Rafa, Paciência, Martins Indi, Josué, Diego Reyes, Alberto Bueno, Moussa Marega, Hernâni, Licá, Andrés Fernandéz, Suk ou Aboubakar renderam cerca de 12M€ (9M€ por Maicon e 3M€ por Aboubakar) aos cofres do FC Porto, uma vez que saíram todos por empréstimo. Curiosamente, alguns destes nomes teriam lugar no plantel do FC Porto como solução para o banco de suplentes (Bueno, Josué ou Reyes), só que não foi essa a ideia do novo treinador dos portistas ou da direcção.

Isto sem falar dos investimentos em vários jogadores que têm corrido da pior forma possível, com a parceria com a Doyen Sports a verificar-se “dolorosa” (o caso Imbula ainda paira na memória). Para além da ideia que os media portugueses foram transmitindo, de que Jorge Mendes iria fornecer jogadores de qualidade acrescida ao plantel do FC Porto como forma de “ajuda” ao seu treinador (Nuno é agenciado por Jorge Mendes) que acabou por se provar uma ideia estapafúrdia e desprovida de qualquer sentido. Não houve os investimentos duvidosos de outrora, o que acaba por ser um ponto positivo – o despesismo com alguns jogadores como Juan Quintero, Yacine Brahimi, Aboubakar, Adrián López, Marega ou Reyes demonstra a perda de qualidades dos departamentos de scouting e desportivo dos dragões –, pondo fim, para já, às constantes “brincadeiras e devaneios” de agentes e administradores do clube da Invicta.

Os rivais da Luz e Alvalade souberam “capturar” excelentes activos para a nova época, com as chegadas de Markovic, Bas Dost, Castaignos, Campbell ou Meli (perderam o “mágico” João Mário e o “matador” Islam Slimani) no Sporting CP. Já o SL Benfica ganhou a corrida por jovens pérolas como Cervi, Cellis ou Horta, para além dos fortes reforços como Carrillo, Danilo e Rafa (a “novela” do extremo terminou no último dia de mercado), num ano em que ‘apenas’ perderam Renato Sanches e Gaitán. Ou seja, o FC Porto está em clara desvantagem perante os seus rivais de sempre e terá de fazer algo de “milagroso” para “roubar” o título a qualquer um dos clubes de Lisboa.

Alguns números que interessa observar:

2014/2015

Valor gasto em entradas: 40M€
Transferência mais cara: Adrián López (11M€ por 70% do passe)
Pior transferência: Martins Indi (7,7M€)
Transferência para o futuro: Otávio (3M€)
Valor total ganho em saídas: 80M€
Transferência mais rentável: Eliaquim Mangala (35M€);
Pior decisão de transferência: Jorge Fucile (rescisão a custo zero)

2015/2016

Valor gasto em entradas: 38M€
Transferência mais cara: Gianelli Imbula (20M€)
Pior transferência: Gianelli Imbula (20M€) / Moussa Marega (3,5M€)
Transferência para o futuro: José Sá (valor não divulgado)
Valor total ganho em saídas: 100M€
Transferência mais rentável: Jackson Martínez (35M€)
Pior decisão de transferência: Rolando (rescisão a custo zero)

2016/2017

Valor gasto em entradas: 30M€
Transferência mais cara: Felipe (7M€)
Pior transferência: Zé Manuel (valor não divulgado)
Transferência para o futuro: Nenhuma
Valor total ganho em saídas: 12M€
Transferência mais rentável: Maicon (9M€)
Pior decisão de transferência: Diego Reyes (empréstimo)

Em suma, o que dizer do Mercado de Transferências do FC Porto? Um caos total, acompanhado de várias desilusões, um tremer irreconhecível e uma falta de ideias e/ou categoria sem igual. O FC Porto de 2016/2017 relembra o FC Porto de 2001/2002 quando chegaram Quintana, Alessandro, Rafael, Ruben Junior, Paulo Costa, Mário Silva ou Esnáider/Kaviedes às Antas, naquilo que, para além de desastre classificativo e de temporada, viu José Mourinho assumir o lugar de treinador a partir de Janeiro de 2002.

Neste momento ainda há alguns sorrisos e abraços, uma harmonia entre direcção e treinador, muito pelo feito de se ter conquistado a eliminatória da CL frente à Roma. Mas como aconteceu com José Peseiro, Paulo Fonseca e Julen Lopetegui, mal haja uma queda de forma e resultados a ganharem contornos “negros”, a administração do clube e da SAD desaparecerá da “tela”, abandonando Nuno Espírito Santo ao acaso dos assobios, lenços brancos e críticas. O fracasso no Mercado de Transferências deverá ser uma “desculpa” para Nuno Espírito Santo em caso de uma época negativa? Ou o treinador dos azuis-e-brancos terá as soluções necessárias para fazer uma temporada de mudança e de luta pelo título?

A chama findou no Dragão? (Foto: Lusa)
A chama findou no Dragão? (Foto: Lusa)

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