Arquivo de Diogo Cabral - Fair Play

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Francisco IsaacJunho 9, 20176min0

O último capítulo do Diário de Manuel Nunes e Diogo Cabral, atletas da selecção sub-18 de Portugal. O fim do Europeu, o lutar pelos títulos, a recta final dos estudos e os novos objectivos. O Diário do Atleta do Fair Play

É um final de ano desportivo cansativo e exaustivo para todos… os jovens sub-18 tiveram a sua primeira experiência internacional, foram até França, descobriram até onde iam as suas capacidades e realmente o querem do rugby.

O 4º lugar da geral (3ª melhor selecção europeia na competição) no Europeu da especialidade foi um prémio justo para a capacidade e qualidade dos 26 convocados de Francisco Branco, Rui Carvoeira e João Mirra, que provaram terem as “garras e dentes” necessários para chegarem ao topo em Portugal.

Os capitães Diogo Cabral e Manuel Nunes, atletas do CF “Os Belenenses” e RC Montemor respectivamente, estiveram sob o foco das câmaras e atenções, uma vez que eram os líderes da companhia. Entre Março e Junho, muito aconteceu… o Belenenses de Cabral sagrou-se campeão Nacional, Manuel Nunes foi a grande cara do Montemor com vários jogos de alta intensidade.

O Fair Play foi ouvir os jogadores por uma última vez (com esperança que no futuro se abra outro Diário), para perceber o que se passou a seguir ao Europeu e como têm gerido o seu ano desportivo com o estudantil.

Manuel Nunes, descreve brevemente como foram os últimos meses, “Passados já quase dois meses do Campeonato da Europa, caminhamos a passos largos para o final da época. Neste último mês já muitas emoções se viveram, o voltar a casa, voltar ao clube, reinserir nos objetivos de equipa… Muito se viveu num curto espaço de tempo.“.

Diogo Cabral corrobora esta informação, “Já passaram algumas semanas desde o fim do Campeonato da Europa de sub18. Viemos com o sentimento de que podíamos ter feito melhor no último jogo contra o Japão, na disputa pelo 3º lugar, mas enfim… chegámos e o foco voltou ao clube em que cada um joga.“.

As saudades do grupo de trabalho, dos treinos de Selecção, dos seleccionadores e da experiência já “moram” na cabeça dos capitães, como sustenta o asa do Montemor, “Deste europeu levamos cada um de nós grandes amizades que se foram fortalecendo ao longo de toda a preparação e , principalmente, naqueles 10 dias bastante intensos pelas terras da Bretanha. Todos os momentos, bons e maus, foram ultrapassados com grande união por parte de toda a comitiva o que contribuiu para um grande espírito de grupo, sempre um ponto forte desta geração. O balanço é positivo, e em termos individuais, adquirimos experiências e vivências que nos são importantíssimas não só em termos de rugby, modalidade, mas também na nossa formação como seres humanos.“.

Não é fácil voltar à “realidade” após uma experiência única, mas para Diogo Cabral até foi mais “fácil” já que confirmaram a conquista do Campeonato do escalão de sub-18, “No meu caso quero mostrar satisfação pela conquista do Campeonato Nacional por parte da equipa em que jogo (Belenenses Rugby sub18). É bom chegar ao fim de uma competição destas e ver que o esforço e empenho de todos deu “frutos.”“.

Antes do salto, ser campeão! (Foto: Ines Cabral Fotografia)

Infelizmente, para ambos a Taça de Portugal terminou mais cedo com eliminações precoces na fase-de-grupos (Montemor frente ao GDS Cascais) e nas meias-finais (CF “Belenenses” claudicou ante um CDUL aguerrido).

De qualquer forma, Manuel Nunes explica o que acaba e começa para todos os jogadores de 2º ano de sub-18, ” É para muitos o fim de um processo de formação jovem, visto que para o ano irão integrar os plantéis séniores dos respetivos clubes. A inserção na principal equipa irá ser sem dúvida uma tarefa difícil que exigirá de nós maior disciplina de treino e um grande investimento no trabalho físico e de ginásio. Tudo isto será fundamental para que possamos continuar a jogar com qualidade e sermos opções para os treinadores séniores.“.

Mas antes de subirem ao escalão sénior a larga maioria dos atletas de sub-18 terão de passar por uma fase mais “complicada”… os estudos de fim de 12º ano e os exames Nacionais.

Não é uma época fácil, já que a intensidade e dinâmicos dos treinos são colocadas em “pausa” para se dar o máximo nas aulas, estudos e exames que vão determinar muito da vida dos atletas no próximo ano.

Diogo Cabral admitiu que, “No meu caso em particular, decidi focar-me mais nos estudos, tendo, infelizmente, reduzido os treinos de ginásio. Estive há pouco tempo com a seleção nacional de sevens em Paris a participar no Central Sevens. Foi uma nova experiência, boa para conhecer uma parte da realidade desta vertente do rugby, na qual foi possível jogar com diferentes equipas e com jogadores mais experientes que eu. 

Novamente realço que estou numa fase, em que os estudos são uma prioridade, nunca esquecendo o compromisso que tenho com o rugby como é óbvio.“.

Ambos os jogadores da selecção Nacional de sub-18 quiseram deixar uma mensagem de despedida deste seu Diário do Atleta (quem sabe seja só um até já).

Diogo Cabral, “Sendo este o último Diário do Atleta, quero aproveitar para agradecer ao Fair Play, nomeadamente ao Francisco Isaac, pela divulgação que fez à modalidade, mais concretamente à equipa de sub18 de Portugal!“;

Manuel Nunes, “Por fim, agradecer todo o apoio e iniciativa ao Francisco Isaac e ao Fair Play que nos acompanharam durante todo o ano e nos proporcionaram a partilha de preparações, trabalho, treino, estudo, emoções que diariamente desenvolvemos. Felicitar também por todo o trabalho que têm na divulgação desta modalidade que nos une a todos, que é o Rugby!“.

Numa nota pessoal do Fair Play, o orgulho que temos nestes atletas é imenso, merecem todo o destaque, todo o interesse, todo o carinho que o rugby português deve e tem de dispensar. O Fair Play fez a aposta nos escalões de formação do rugby Nacional (e não só) e continuará a fazê-lo daqui em diante, muito pela memória e “património” deixado por Manuel Nunes e Diogo Cabral.

O orgulho em estar lá! (Foto: Pai Conde Fotografia)

 

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Francisco IsaacAbril 20, 20179min0

As participações de Portugal no contexto europeu fecharam no Sábado passado, com os Lobos a terminarem em 4º lugar no Campeonato da Europa sub-18. O que fica, as impressões finais e qual será o futuro?

Portugal é a 3ª melhor selecção europeia de rugby de sub-18 após o término do Campeonato da Europa Open Invitational, em que participaram as selecções dos EUA, Japão e Canadá.

Se incluirmos as Ilhas Britânicas e a Itália, Portugal está em 8º, sendo a formação com menos investimento, nº de pessoas envolvidas e menor tempo para preparação destes torneios. Porém, a estrutura actual estável, a preocupação com o desenvolvimento de atletas (e pessoas) e o interesse pelo rugby de formação (dar um grande mérito às Associações de Rugby assim como os clubes que apostam nesta secção) demonstra que Portugal tem mais que “pernas para andar” no futuro próximo.

Ao fim de vários anos, as gerações que foram aos torneios internacionais desde 2015 (até agora) tiveram direito a estar sobre o spotlight da comunicação, da divulgação, ganhando eles próprios uma voz que pouco ou nada tinham. Pode parecer um ponto sem importância, já que não é algo que entra directamente na performance dos jogadores ou nas decisões a tomar dentro de campo.

Porém, devemos discordar. Quem conhecia os vários jogadores da selecção? Que clubes pertenciam/pertencem, de onde vieram, qual a sua escola, como foi a sua formação, quem jogou nos jogos, etc. Isto eram informações que não chegavam ao público, o que desencorajava, desde logo, um interesse pelas selecções de sub-18 ou sub-20, ou qualquer outra de formação.

Durante 6 meses, o Fair Play conversou com vários atletas dessas selecções, acompanhou o seu crescimento e deu-lhes voz (assim como a Federação Portuguesa de Rugby, um dos aspectos mais positivos da actual direcção). Manuel Nunes e Diogo Cabral foram o “foco” da nossa atenção, com os seus Diários de Atleta (que podem visitar em: XXX), explicando o processo de treinos, o seu dia-a-dia, as suas dificuldades e objectivos.

A conquista do 4º lugar no Campeonato da Europa (ficaram a 7 pontos da reviravolta frente ao Japão, num encontro que terminou 22-16) volta a dar um estímulo de confiança com o que se faz no seio do rugby português, apesar de podermos melhorar muito em vários aspecto… mas sem investimento e uma maior cumplicidade entre “parceiros” do rugby Nacional será impossível atingir outro patamar.

Não obstante, a equipa de Rui Carvoeira, Francisco Branco e João Mirra realizou boas prestações e deu a resposta a muitos que diziam que não era uma boa selecção ou conjugação de selecções.

Desde Diogo Cabral (boas exibições do centro do Belenenses), Manuel Nunes (o melhor de Portugal no Campeonato da Europa), José Roque (o 8 bem que gosta de andar para a frente), José Costa (uma força da Natureza, que poderá vir a dar um jogo excelente para o futuro) a Duarte Matos (qualidades muito interessantes do defesa), entre os vários outros, os sub-18 deram provas que são de confiança, têm capacidade de luta e merecem ter atenção.

Nesse sentido o Fair Play foi recebe-los ao aeroporto no dia 16 de Abril, em pleno Domingo de Páscoa. Cansados, mas com um sorriso na cara, os atletas portugueses foram recebidos numa boa festa, com várias caras conhecidas a marcarem presença no aeroporto e que deram mais um motivo de alegria a quem tinha acabado de chegar a “casa”.

Diogo Cabral e Manuel Nunes prestaram “declarações” ao Fair Play, com um vídeo “rápido” que toca em alguns pontos do Campeonato da Europa.

Após, o “fecho de emissão”, notámos a forma como os atletas se despediram uns dos outros… amizade, compromisso e lealdade. Estes têm de ser três pontos coesos e defendidos dentro das selecções, é a única forma de se construírem grupos sólidos e competentes, que se entreguem nos jogos. Conhecer o colega do lado vai-me ajudá-l oa compreender melhor e a sacrificar-me com mais facilidade por ele.

Mas esta ideia utópica do desporto e, principalmente, do rugby não é algo que vá acontecer muito. Dar mérito a estes jogadores, que sabem diferenciar adversários de inimigos, de manterem amizade e comunhão entre eles e de quererem jogar uns contra os outros tanto como querem jogar juntos.

Para fechar o capítulo dos artigos de acompanhamento de formação, conversámos com Rui Carvoeira, um dos seleccionadores nacionais dos sub-18, tendo-lhe lançado três perguntas.

4º lugar, várias estreias com a camisola das “Quinas” e uma experiência nova de jogar contra equipas de outros Continentes. Qual é o rescaldo que faz da participação? Podia ter corrido melhor?

RC. Em termos de resultado final podia ter corrido melhor dado que, na disputa para o 3º lugar acabámos por perder o jogo por apenas 6 pontos, apesar de não termos conseguido impor o nosso jogo e colocado problemas ao adversário durante a maior parte do tempo.

Por outro lado, e tendo em conta que vemos estas competições como momentos muito importantes de crescimento e aferição do potencial técnico, tático, físico e mental dos jogadores deste escalão no seu percurso para o alto rendimento, o balanço final foi positivo. Defrontámos equipas muito fortes, com diferentes estilos e capacidades que nos foram obrigando (a todos, jogadores e staff) a constante estudo e adaptação. E a presença neste patamar mais elevado da competição europeia para este escalão foi de uma exigência  de superação muito enriquecedora e uma grande lição em todas as áreas da gestão de grupos desportivos.

Esta mescla geracional era algo diferente da de 2016, porém tem qualidades e valências que valem a pena salientar. Quais? E há espaço para um crescimento acentuado?

Como já fomos dizendo, tratou-se da equipa mais jovem dos últimos anos a participar nesta competição. Estiveram no grupo final 6 jogadores de 1ª ano (nascidos em 2000) e mais 8 participaram regularmente no processo de preparação. Há um ano atrás ainda jogavam pelos respetivos clubes no Campeonato Nacional de Sub-16.

Se por um lado isso pode trazer algumas insuficiências na maturidade, fisicalidade e estabilidade de processos que este nível de competição exige, por outro é revelador do potencial que a próxima geração já apresenta e que teve oportunidade de enriquecer e consolidar neste processo de preparação e nesta competição.

Saliento como muito positivo a performance da equipa nas fases de lançamento de jogo (alinhamento e formação ordenada), uma melhoria na utilização do jogo ao pé (tipo, pressão e organização coletiva) e uma predisposição muito interessante para a quebra da linha de vantagem junto ao ruck.

Por outro lado, não conseguimos ter um balanço positivo no ataque planeado, na organização coletiva defensiva e técnica individual de placagem e na continuidade das ações que o jogo de movimento requer.

Os últimos três anos, Portugal tem conquistado bons resultados nos torneios de formação. Houve uma mudança de modelos, de trabalho e do crescimento físico/mental dos jogadores?

Efetivamente os resultados têm sido agradáveis mas não podem ser vistos como o único indicador de “bem fazer”.

Embora o “resultadismo” seja a corrente da moda no nosso desporto, temos de ter a consciência que é o fator do treino e competição que não controlamos. Depende de muitas coisas, valor do adversário, critérios de arbitragem, nível de performance apresentado, momentos de inspiração individual e… sorte.

Disse isso a seguir à vitória sobre os EUA. Se perdêssemos não éramos os piores do mundo, tal como não passámos a ser os melhores pelo facto de termos ganho, como se veio a verificar ao repetirmos posteriormente insuficiências já detetadas nesse jogo, apesar de termos ganho.

Lutamos sempre em todos os jogos por apresentar a melhor versão possível de nós próprios, para estarmos fortes nas diferentes áreas do jogo. Mas entendemos a participação no Campeonato da Europa como uma etapa no percurso para o alto rendimento, onde procuramos atingir sempre patamares de resposta competitiva cada vez mais elevados, mas que não se encerra num resultado, seja ele bom ou mau. Neste, por exemplo, fizemos com que todos os 26 jogadores tivessem a oportunidade de representar Portugal no XV inicial.

A principal mudança está na forma séria e competente como os treinadores dos clubes têm vindo a estimular e desenvolver os seus jogadores. Os jogadores têm aparecido cada vez melhor preparados.

Da nossa parte o modelo assenta sempre no trabalho com um grupo alargado (aproximadamente 45), com igualdade de oportunidades e estimulação, e numa metodologia que tem em conta não apenas a dimensão técnico-tática mas o jogador e o seu desenvolvimento pessoal como centro do processo de transformação.

O nosso foco está no jogador e no que podemos contribuir para um futuro melhor para o rugby português.

E não posso deixar de referir a competência e a total disponibilidade e dedicação do Pedro Rodrigues, do Paulo Vital, do Francisco Branco, do João Mirra e do Carlos Castro, no trabalho desenvolvido ao longo desta época.

 O Fair Play regressa com os seus artigos de acompanhamento, promoção e análise ao rugby de selecções de formação em Julho, na antecâmara para o Mundial sub-20 a se realizar no Uruguai.

Um obrigado (Foto: Pai Conde Fotografia)
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Francisco IsaacAbril 8, 201710min0

Portugal “absorve” o maior impacto físico dos EUA e riposta com três ensaios contra zero. Lobos sub-18 carimbam o passaporte para as meias-finais após um jogo bem sucedido na defesa, uma leitura de jogo curiosa e uma vontade de surpreender. A Bola Rápida do Campeonato da Europa de sub-18

Uma entrada em grande de Portugal, conseguindo conquistar a vitória nos quartos-de-final do Europeu de sub-18. Sempre com aquela raça imprescindível, uma intensidade defensiva de qualidade e um “olho” atento aos erros do adversário.

Os Estados Unidos da América apresentaram um rugby “poderoso”, onde a diferença de físicos era notória. Felizmente, para Portugal, ficaram-se por esse ponto uma vez que não existia harmonia nas linhas atrasadas, a fluidez de jogo era “fraca” e não souberam respeitar o adversário.

Esta é a Bola Rápida do Europeu de sub-18

METER O OMBRO, NÃO DESISTIR E INSISTIR – 7 PONTOS

Belo jogo de Portugal a defender, que só consentiu um ensaio em 80 minutos que adveio de uma sucessão de fases dos EUA. Para além disso, os americanos só dispuseram de mais duas oportunidades dentro dos 22 acabando por perder a oval na placagem (excessivos avants) ou no ruck (contra-ruck de qualidade).

Os jovens lusos aperceberam-se que para ganhar tinham de “cerrar os dentes”, partir para cima do adversário e colocar o ombro de forma a que os norte-americanos caíssem no chão.

Foi um ponto de grande categoria por parte de Portugal, que soube fechar bem o centro do terreno, forçou erros sucessivos dos seus oponentes e nos momentos mais delicados conseguiu reunir forças para pôr fim às investigadas dos EUA.

Note-se que há algumas “arestas por limar”, já que na 1ª parte o nº10 furou, com facilidade, a linha de defesa e só uma excelente placagem de Duarte Matos pôs fim a essa jogada.

Todavia, no cômputo geral a nota é extremamente positiva não só pelo resultado final, mas também pela forma como conseguiram contrariar o poderio físico com placagens “duras” e que irritaram os norte-americanos a partir de um certo momento.

Manuel Nunes, Diogo Cabral, Manuel Maia, José Costa e João Almeida foram dos que mais se prestaram a ir lá “abaixo” e fazer cair o adversário. Na verdade, os 20 jogadores que entraram estiveram – quase – ao mesmo nível.

UM GUIA DE COMO SABER PRESSIONAR- 5 PONTOS

Foi notório como os jovens Lobos se aperceberam da instabilidade dos EUA em captar bolas em jogo corrido… mal começámos a colocar uma pressão ao pé, os norte-americanos foram recuando e sentindo-se menos confortáveis no jogo.

Vasco Morais (bem na 2ª parte a mudar de abertura para formação), José Costa ou Duarte Matos aproveitaram a pressão demasiado alta dos EUA para colocar a oval nas “traseiras” de forma pingada… em quase todas essas situações, os adversários dos Lobos deram-se mal e reagiram ainda pior à saída com a mesma.

Não é fácil neste escalão pedir aos jogadores para “lerem” o jogo e perceberem como podem trocar as voltas ao adversário que está à sua frente. Contudo, os sub-18 de Portugal tiveram “cabeça” para tal e arriscaram num plano que acabou por correr bem.

Poderíamos ter pressionando melhor a seguir ao pontapé, já que por duas vezes os EUA aproveitaram a subida intermitente dos portugueses para sair a jogar nas alas e quase irem ao ensaio… por uma vez conquistaram 60 metros de terreno.

Com a França não teremos estas benesses, porque o adversário é bem mais avançado que os EUA e não se deixaram atemorizar com os pontapés… mas, se Portugal ler o jogo com calma e paciência – sem perder a intensidade – pode causar incómodos, sérios, aos gauleses.

Foto: Instagram FPR

FORMAÇÃO ORDENADA NO ALTO E ALINHAMENTO NO BAIXO – 3 PONTOS

Os três pontos vão, exclusivamente, para a forma como Portugal trabalhou na formação ordenada, conquistando todas as suas e fazendo só uma falta na dos EUA. Os pontos até seriam mais, mas a prestação medíocre do alinhamento (apesar do último ensaio ter nascido desse ponto) penaliza este aspecto.

Não se podem perder sucessivas bolas no alinhamento e proporcionar saídas de ataque a equipas que fisicamente (e tecnicamente, no caso da França) são superiores a Portugal. Há que ser rápido, eficaz e garantir a bola no ar, custe o que custar.

O erro aconteceu, na maior parte das situações, pela alguma lentidão e/ou falta de comunicação que permitiu aos americanos roubarem 5 bolas nos alinhamentos.

É uma situação “normal” nestas idades, uma vez que estão a ambientar-se à maior pressão nas fases estáticas. Todavia, a França vai abusar deste aspecto e estará sempre com os dois “olhos” e “ouvidos” em cima dos erros nesta fase.

A formação ordenada foi o tal regalo de ver, com os Lobos sub-18 a bloquearem os norte-americanos, a não arredarem pé e até conquistarem metros nas próprias fases do adversário.

Para uma equipa mais pequena e menos física, Portugal soube trabalhar a sua suposta “fraqueza” para a tornar um ponto importante na vitória frente aos EUA.

COMUNICAR E COMBINAR ANTES DE ARRISCAR – 0 PONTOS

Podíamos falar de mais um ou dois pontos (positivo e negativo), mas vamos optar por trabalhar num território “nulo”, ou seja, as combinações nas linhas atrasadas.

Portugal foi vítima de duas interceptações, uma delas algo perigosa, que nasceram de más combinações entre as linhas atrasadas de Portugal.

Os jovens Lobos tiveram dificuldades em construir jogadas de boa qualidade, seja pela boa pressão americana, pela falta de profundidade e arranco em falso das unidades de ataque ou os passes não terem a dinâmica necessária.

Vasco Morais, um puro fantasista da oval, não conseguiu demonstrar o seu melhor com a bola nas mãos, tendo tido uma jogada de risco mas de categoria com um pontapé rasteiro bem colocado dentro da área de 22.

Diogo Cabral e José Costa estiveram bem no espaço curto, na gestão de bola e no apoio ao portador da bola, apesar de algo arredados das movimentações e jogadas de ataque. O segundo esteve, especialmente, bem a trabalhar no contacto.

Uma atenção final para Francisco Afra, que marcou dois ensaios de bom recorte, sendo que o primeiro é de uma boa astúcia (salto no ar, colocando a oval dentro da área de ensaio… impossibilitando os seus potenciais placadores o meterem fora do campo) e o segundo é feito após uma excelente pressão a uma bola perdida da França e pontapé de José Costa, para fugir até à área de validação.

NOTA FINAL – 15 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: Formação ordenada de qualidade, bom sentido de oportunismo, defesa realizou uma pressão de alto nível, placagens com a dose de agressividade pedida, vontade de assumir o risco e colectivo unido;

ASPECTOS NEGATIVOS: Alinhamentos descoordenados, pressão aos pontapés em nível médio, comunicação e movimentações nas linhas atrasadas teve falhas, falta de profundidade da linha de ataque;

PORTUGAL: João Almeida, João Carneiro, David Costa, Martim Bello, Manuel Barros, Manuel Maia, Manuel Nunes, José Roque, Pedro Lucas, Vasco Morais, Francisco Afra (5+5), Diogo Cabral, José Costa (3+3+3+2), Tomás Marrana e Duarte Matos.
Suplentes: Manuel Giões, Francisco Simões (5), Duarte Conde, Tiago Norton, António Cunha, José Borralho, José Câmara, Rodrigo Marta, Francisco Nobre e Francisco Almeida.

PRÓXIMO JOGO: FRANÇA, quarta-feira 11 de Abril às 17h00

RESCALDO DO JOGO POR RUI CARVOEIRA (SELECCIONADOR NACIONAL SUB-18)

fp.Os primeiros 15 minutos foi de “conhecer” o adversário, onde Portugal superou as expectativas, concorda? Qual foi a “chave”, ou “chaves”, para termos conseguido empurrar para trás o maior físico norte-americano?
RC. Queríamos começar forte, para impor ritmo e intensidade com a bola na mão e criar uma defesa agressiva sobre o portador da bola. Fizemos inclusive um aquecimento nesse sentido.
Conseguimos parar bem o ataque adversário mas não tivemos muita clarividência na utilização da bola.
Mas foi o elevado espírito competitivo que nos colocou, em nossa opinião, no caminho certo.
fp.Notou-se uma “alma” à Lobo na defesa, especialmente junto ao ruck ou nas pontas. Como é que este colectivo chegou a este ponto?
RC. Fomos insistindo ao longo da preparação nesta área do jogo, conjugando técnica individual com organização colectiva.
Os atletas têm vindo a assimilar bem esta metodologia que se baseia na aplicação das fases sequenciais da defesa colectiva. E esta tem de constituir uma marca do rugby nacional, a defesa agressiva, com coragem e eficácia.
fp.Satisfeito com o resultado de 26-05? Onde poderíamos ter estado melhor? E o que espera das meias-finais?
RC. O resultado é bom porque dá visibilidade ao rugby português e nos continua a dar a possibilidade de competirmos com os melhores. Mas só por si não nos põe ao nível dos habituais finalistas, França e Georgia.
Não passamos a ser os melhores do mundo nem seríamos os piores se tivéssemos perdido. Temos consciência dos inúmeros pontos de melhoria que temos pela frente e que os objectivos de performance e da qualidade do jogo individual e colectivo estarão sempre como prioridade no processo de formação. 

Vemos as meias finais como mais uma oportunidade de teste ao carácter e competência desportiva destes jovens.

Uma placagem que conta a “história” toda (Foto: Michel Renac – Via FPR)
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Francisco IsaacAbril 6, 20178min0

Findado o Campeonato da Europa sub-20, Portugal segue para o Campeonato da Europa de sub-18 onde vai defender o “Bronze” conquistado em 2016. A selecção de Rui Carvoeira, Francisco Branco e João Mirra segue para Quimper com vontade de jogar no “risco” e de mostrar os irrequietos Lobos sub-18

Primavera na Europa significa altura de conclusões dos campeonatos da Europa de rugby, desde os séniores aos sub-18. Na categoria máxima, a Roménia levou o título para “casa”, com Portugal a garantir o Grand Slam na divisão secundária (e que poderá dar acesso à máxima divisão, dependendo do playoff com a Bélgica em Maio).

Os sub-20… já sabemos a história, com os nossos Lobos da especialidade a agarrarem o ceptro e a terem sido coroados campeões da Europa em Bucareste.

E os sub-18? Bem, é agora o momento deles, já que partem esta quinta-feira, 6 de Abril, em direcção a Quimper, cerca de Nantes em França.

Lá irão defrontar algumas selecções europeias assim como de outras partes do Globo, naquilo que ficou como U18 Rugby Europe Championship Open Invitation, o que significa que os “convites” estenderam-se a outras selecções fora da Europa.

E, coincidentemente, Portugal irá logo “apanhar” com uma dessas nações: os Estados Unidos da América! Um encontro bem interessante que acontecerá logo no dia 7 de Abril às 18h30 (17h30 em Portugal) em Quimper.

Não será um Campeonato da Europa “fácil”, aliás nunca o é mas Portugal não gosta de “voltar costas” a um bom desafio e os Estados Unidos serão um com toda a certeza.

Em caso de vitória, Portugal segue para as meias-finais onde irá jogar contra a França ou Espanha. Os franceses são campeões em título (vitória em Lisboa frente à Geórgia), o que seria uma prova de fogo para os jovens Lobos se lá chegarem.

Voltando aos “básicos” quem são os jovens que nos vão representar em França?

Os 26 Lobos (Foto: FPR)

Rui Carvoeira, Francisco Branco e João Mirra (a equipa técnica dos sub-18)  – para além de Paulo Vital (fisio), Pedro Rodrigues (Director de equipa) e escolheram 26 jogadores de vários clubes com destaque para a Agrária que conseguiu ter um dos seus jogadores (José Borralho) na convocatória.

Outro destaque é que o CR Évora, campeão da 2ª divisão e que garantiu a subida para o Grupo A dos sub-18 na próxima época, também tem um convocado: Manuel Giões.

GD Direito com seis, CF “Os Belenenses” com cinco são as equipas mais representadas, sendo que a AIS Agronomia (2), CDUL (3), Técnico (2), Montemor (3), Cascais (3), Académica AC (1) e CDUP (1) são os restantes clubes a fornecer jogadores à selecção Nacional.

Diogo Cabral e Manuel Nunes (jogadores que acompanhamos desde Novembro pelo nosso Diário do Atleta) são os capitães de equipa e que prestaram mais algumas palavras ao Fair Play.

fp. É agora o momento do “tudo ou nada”, como acham que foi a vossa preparação para o C. Europa?

DC. Prefiro não chamar o momento de “tudo ou nada”, como falámos entre nós esta é uma etapa para o nosso crescimento como eventuais jogadores de seleção . Acho que a equipa está bem preparada,, temos de nos superar e por à frente os nossos objetivos e valores, e jogar por aqueles que nos acompanharam, mas que não ficaram ma convocatória final. Tivemos treinos intensos, jogos de treino, nos quais fomos bem postos à prova, como no caso dos sub20 e Escolinhas da Irlanda. Além de resultados, é importante pôr em prática o trabalhado.

MN. A meu ver, a nossa preparação foi bastante positiva, pois treinámos com regularidade e realizámos diversos jogos com grande intensidade e grau de dificuldade muito semelhante ao que vamos encontrar em França. Toda esta consistência de treinos e jogos fomentou uma grande união e um bom espírito de grupo. Com isto sentimos que estamos preparados para enfrentar e superar todas as dificuldades que nos apareçam neste campeonato da Europa, e certamente, dando sempre o nosso melhor.

fp. A equipa está divertida e animada, mas ao mesmo tempo focada? Quais são as vossas valências como grupo e individuais?

DC. Animados estamos todos, focados ainda mais. Já em vários momentos discutimos que o foco é essencial, por isso acho que a vontade e determinação estarão à vista. Como grupo temos tudo,, embora tenhamos de ser mais consistentes em diversos momentos. Uma “arma” nossa é boa relação que todos temos e a entreajuda que ao longo do caminho demonstrámos. Penso que nos temos de agarrar às nossas capacidades e virtudes para nos chegarmos à frente, o foco deve estar em nós, na equipa, desde a 1ª linha ao três de trás. As qualidades individuais devem ser aproveitada no âmbito de todo um bom resultado coletivo.

MN. Nesta etapa, embora sintamos todos o peso da responsabilidade procuramos conviver e desfrutar dos momentos que estamos juntos conseguindo um ambiente tranquilo e saudável, que proporcionará confiança e garra que nos vai ser preciso em muitos momentos difíceis não só dentro, mas também fora de campo.O espírito positivo e amistoso é sem dúvida uma das nossas grandes valências. Sendo esta uma equipa que se complementa com os tributos e qualidades de cada um.

fp. Se pudessem levar alguma coisa convosco de Portugal o que seria? E sentem que estão a ser apoiados por todos?

DC. Levar de Portugal…. Sinceramente acho que não levaria nada, o meu foco é representar o meu país e modalidade, meter em prática o que temos trabalhado é o mais importante.

MN. O sentimento de apoio e o carinho sentido já por tantos que se cruzaram connosco desejando boa sorte, resulta numa grande motivação e demonstra que não estamos sós neste desafio. Estou a falar da família, de toda a equipa dos nossos clubes, amigos, professores, colegas…  Aquilo que levaria de Portugal, felizmente, tenho a sorte e a honra de poder levar comigo, refiro-me à alma portuguesa, de querer vencer!

Sinto todo o apoio, desde o início de todo o processo.. Da família em 1º lugar e de todos os treinadores que acompanham o meu crescimento na modalidade desde o início.  Temos todas as condições para fazer um bom trabalho, com certeza que a distância afetará minimamente, estaria a mentir se dissesse o contrário, no entanto ultrapassar isso não será um problema devido ao grupo coeso que somos.

Essencialmente é uma selecção menos física que os de 2016, mas talvez mais “rápida”, criativa e que, em igualdade com a anterior equipa, gosta de jogar no risco, um dos complementos mais interessantes destas gerações do rugby português.

Centrámos este artigo nos “miúdos” e apostámos em dois vídeos com os capitães. Um mais a sério, com questões sobre o C.Europa, o ambiente de equipa e como trabalharam e outra numa série de perguntas com algumas armadilhas pelo caminho.

No final, ficámos para a assistir ao captains run aonde marcaram presença vários treinadores que estiveram no processo de crescimento dos jogadores, como Carlos Castro (SL Benfica) Henrique Garcia (Federação Portuguesa de Rugby), Luís Cavaco (AIS Agronomia) ou Martim Aguiar (seleccionador nacional de seniores de Portugal).

Assim ficou encerrada a preparação da equipa de Portugal para o Campeonato da Europa Sub-18, com partida marcada para esta quinta-feira em direcção a Nantes, França.

É a primeira vez que 90% desta selecção irá experienciar um campeonato da Europa, uma prova de fogo no seu desenvolvimento como atletas. Nunca é fácil deixar tudo o que conhecem para trás (mesmo que sejam só 11 dias) e ir em busca de novos objectivos, provando, a si próprios principalmente, que conseguem ir mais além do que pensavam inicialmente.

O jogo contra os EUA está marcado para as 17:30 de sexta-feira dia 7 de Abril com transmissão em directo na Rugby Europe Live TV (clicar aqui).

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Francisco IsaacMarço 17, 20178min0

A pouco mais de três semanas da partida para França, os jovens lobos, Diogo Cabral e Manuel Nunes, voltaram a falar-nos do seu quotidiano e a preparação para o Campeonato da Europa de sub-18. O Diário do Atleta no Fair Play

Por fim, a Primavera começa a brotar por todos os cantos e recantos, permitindo aos relvados nacionais ganharem outra postura e disponibilidade para receber os pitons dos jogadores.

Em particular, os campos do Jamor têm recebido semana sim, semana não, os atletas da Selecção Nacional de sub-18, liderados pela equipa técnica de Rui Carvoeira, Francisco Branco e João Mirra.

Surpreender e lutar são dois dos princípios “impostos” pela equipa Nacional que ambiciona voltar a conquistar um lugar no pódio do Campeonato da Europa de sub-18.

Desde Setembro de 2016 que quase 45 jogadores lutaram por um lugar na convocatória e agora só 30 poderão ir a Quimper, na região da Bretanha francesa.

Sem tempo para Carnavais

Como sempre, conversámos com Diogo Cabral (centro dos CF “Os Belenenses”) e Manuel Nunes (asa do RC Montemor), os capitães desta nova “dose” geracional que promete fazer estragos e rasgos em terras gaulesas.

Perguntámos qual tinha sido a exigência física e psicológica dos treinos de Fevereiro, uma altura em que o staff técnico gosta de testar os seus jogadores. Diogo Cabral confidenciou que,

O último estágio que tivemos, o de Carnaval, foi muito positivo. Fizemos um trabalho específico de recuperação de bola, de defesa e também treinámos o nosso modelo de ataque. Foram treinos intensos, da parte de todos houve um empenho e “investimento”, tornando elevada a qualidade do treino e do trabalho que fizemos.“.

Estágio de Carnaval significa exigência ao máximo e pedimos a Manuel Nunes que explicasse do que se tratou esse “evento”,

A dar início à contagem decrescente para o campeonato da Europa em França, o grupo voltou a reunir-se em mais um estágio em épocas de Carnaval. Onde se realça o grande espírito de grupo, trabalho e empenho por parte dos jogadores e equipa técnica para a realização do estágio, que sem este esforço de todos e com algumas adversidades alheias ao grupo e staff, não se teria realizado.

Tudo isto culminou num grande estágio, onde todos os progressos e desenvolvimento têm um balanço bastante positivo, demonstrando assim que todo o esforço valeu a pena.

Diogo Cabral exprimiu ainda que o estágio foi,

Muito positivo. Fizemos um trabalho específico de recuperação de bola, de defesa e também treinámos o nosso modelo de ataque. Foram treinos intensos, da parte de todos houve um empenho e “investimento”, tornando elevada a qualidade do treino e do trabalho que fizemos.

No último dia de estágio fizemos jogo entre nós, o qual fez sobressair muito do trabalho realizado nos dias de treino anteriores. No entanto, também foi possível identificar algumas falhas técnicas, falhas estas que teremos mais em conta nos próximos momentos.“.

Foto: Fernando Vieira Dias

Ambição e Objectivos obrigam a trabalhar diariamente

Era visível que ambos estavam mais “duros” e calejados desde a 1ª vez que falámos com ambos em Dezembro de 2016 (ver a 1ª página do Diário em: goo.gl/ePYRLj), onde a vontade de provar que não são inferiores aos seus homólogos de 2016 é tão grande como a sua capacidade de evoluir.Manuel Nunes continuou a explicar qual é o sentimento do grupo e como estão focados nas missões que vão ter de “placar” nas próximas semanas,

A responsabilidade aumenta e a margem para erro diminui, com o estreitamento do grupo, pois sabemos que, infelizmente, não podemos ir todos. Isto dá-nos a obrigação de trabalharmos todos os dias ultrapassando os nossos limites demonstrando que merecemos continuar e respeitando todos aqueles que queriam, certamente, estar no nosso lugar.

É um nível exigente, é a alta competição e como jogadores de seleção temos que nos superar e transcender todas estas exigências, para que no coletivo nos tornemos um grupo forte e com bastante qualidade.

Há uma cumplicidade de sentimentos e de ideias, como fica patenteado com as palavras de Cabral perante a observação de Nunes,

Além do trabalho “mais físico”, também nos reunimos para delinear objetivos que nos caracterizem enquanto equipa. É importante reforçar que o Europeu está cada vez mais próximo, assim, devemos estar focados e reforçar o nosso trabalho.

É importante que todos percebam que isto são jogadores com apenas 17 anos de idade, que ainda têm os tempos universitários para chegar, o que faz deles “miúdos” para alguns… mas na verdade, pela forma como falam e ambicionam são homens com uma paixão sem igual.

É notório isto quando perguntámos a ambos qual tem sido o seu dia-a-dia ou a forma como trabalhavam diariamente para estarem prontos para as “batalhas” que se avizinham.

Manuel Nunes fez a sua “resenha” de como têm de trabalhar,

Exigindo o máximo de concentração e dedicação de nós em cada momento de trabalho juntos quer nos estágios, quer nos treinos a meio da semana. Para estarmos aptos para tudo isto é fundamental que sejamos disciplinados com o nosso trabalho individual, o ginásio e todo o trabalho tecnico e tatico pessoal tem que aspirar a perfeição para que possamos estar completamente aptos para ajudar a equipa e estarmos preparados para todas as adversidades que nos apareçam pela frente.

Foto: Inês Cabral

Diogo Cabral optou por explicar como têm sido postos à prova nos treinos do Jamor, com os jogos contra os sub-20 (selecção que também está prestes a “rumar” até Bucareste para o Campeonato da Europa local),

No último treino todos juntos, também realizámos três partes de jogo contra os sub20. Inicialmente a prestação não foi a melhor, mas a 2ª e a 3ª parte revelaram a qualidade defensiva que conseguimos ter jogando com adversários fisicamente maiores.”.

Adversários no Campeonato, colegas na Selecção

Com uma concentração muito “carregada” nas conversas a três, tentámos “mexer” com eles ao perguntar como ia a rivalidade (saudável) no Campeonato Nacional de Sub-18 (Belenenses segue em 1º e o Montemor em 2º).

Manuel Nunes revelou que,

A par de tudo isto, temos um campeonato nacional ao rubro, onde todos os fim de semanas disputam-se jogos de grande qualidade e alta intensidade.

Nota-se um elevado nível de rugby a ser praticado em todas as equipas tanto no grupo dos cinco primeiros, como nos cinco de baixo. Todo este despique jornadas após jornadas leva a grandes rivalidades ao sábado, mas que culminam em brincadeiras e picardias saudáveis quando nos encontramos como seleção à quarta.

Diogo Cabral com um “sorriso” estampado na cara, já que o seu Belenenses conquistou uma vitória importante frente ao Montemor, completou,

Relativamente ao meu clube, os treinos têm sido exigentes e a atitude da equipa tem permitido desenvolver um bom trabalho. As nossas duas últimas vitórias, frente ao Montemor e Direito, elevaram a nossa equipa, estamos muito coesos e com vontade de ficar no topo da classificação.

É imenso e incrível que dois colegas de Selecção e que são adversários a nível de clubes, tenham tamanha cumplicidade, amizade e partilha de ideias.

É isto o espírito do rugby, independentemente ser amador ou profissional, os princípios têm de existir e serem alvo de uma luta intensa todos os dias.

Manuel Nunes e Diogo Cabral, assim como os seus colegas, têm uma postura que nos deixa não são orgulhosos mas esperançosos para o futuro que se avizinha para todos eles.

A Selecção Nacional de sub-18 agora está a afinar os seus últimos pontos e erros para chegar ao jogo com os Estados Unidos da América (uma das equipas convidadas a participar no Torneio Europeu) com a capacidade de ir não só ao ensaio, mas também de mostrarem que Portugal é um dos futuros da comunidade oval mundial.

Segue-se um estágio nas Caldas para dar por terminado a fase de preparação para o Campeonato da Europa, que se inicia no dia 8 de Abril.

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Francisco IsaacJaneiro 25, 20179min0

Voltamos a abrir o “livro” de Diogo Cabral e Manuel Nunes, atletas do CF “Os Belenenses” e RC Montemor, respectivamente: o estágio de Natal, a paragem no campeonato, o relançamento e o chegar cada vez mais próximo do Europeu de sub-18. Este é o Diário do Atleta do Fair Play

O Natal Fim de Ano representam “intervalos” e “descanso” para a maioria, uma vez que é uma época de festejos, festa e “brincadeira”. Todavia, em Lisboa e Montemor, os atletas da Selecção Nacional de sub-18, Diogo Cabral e Manuel Nunes meteram o “pé no acelerador” de forma a não se precipitarem para uma quebra de forma.

Como Diogo Cabral diz, “A última vez que falámos foi uns dias antes do Natal… devo dizer que o início deste novo ano, foi bastante cansativo. Todos sabemos que no contexto desportivo, esta época festiva não é muito favorável, porque acaba por nos fazer recuar um bocado na nossa condição física.

Assim, o regresso ao ginásio e os treinos de resistência, que fiz juntamente com o David Costa (Cheesy) e o com o Francisco Rosa o meu grupo de treino físico, revelaram-se difíceis numa fase inicial. Contudo, já começamos a sentir a diferença e uma condição melhor, isto derivado do trabalho que temos feito.

Além do rugby, houve o regresso à escola, que naturalmente é de extrema importância e que incluiu um teste na segunda semana de aulas, que por acaso até correu bem.”.

Esta forma de estar é corroborada por Manuel Nunes, que não soube parar na quadra natalícia, “Durante a época natalícia, a par dos momentos de convívio com a família e amigos, importantes para nos restabelecermos emocionalmente, pude também intensificar os treinos físicos, além do trabalho dentro do próprio clube. Com a passagem para 2017 vieram também as rotinas e com elas a típica motivação de início de ano para mais um esforço no estudo e nos nossos objetivos, como agora perspetivando a nossa preparação para futuros confrontos internacionais.

Iniciámos os treinos semanais, essenciais para a nossa preparação, para nos conhecermos melhor e interagirmos de forma mais fluente e eficaz. A maior frequência destes momentos em que estamos juntos torna-nos mais coesos e por isso podemos tirar maior partido daquilo que cada um constrói dentro de campo.”.

Manuel Nunes (Foto: Pai Conde Fotografia)

Esta forma de estar destes dois jovens atletas demonstra a ambição, raça e vontade desta(s) nova(s) geração/gerações do rugby Nacional. Sabem que para chegar ao topo têm de trabalhar o dobro, senão o triplo, onde o grande objectivo é, para já, chegar ao Campeonato da Europa sub-18.

É ao falar com os dois atletas que se percebe o quão importante é o rugby nas suas vidas, tendo moldado a sua forma de pensar, a sua capacidade de ir mais além e de que quando assumimos um compromisso temos de o levar até ao fim.

Um grupo muito sui generis, ao jeito do gosto de Rui Carvoeira, Fancisco Branco e João Mirra, que procuram, incansavelmente, em “espremer” o melhor dos seus atletas ajudando-os a potenciar as suas técnicas, leituras estratégicas e formas de trabalhar.

Mas recuemos uns dias antes da Celebração do dia de Natal, ou seja, até ao estágio das selecções de sub-18 e sub-20. Na quarta-feira, dia 21 de Dezembro, quatro gerações mescladas em duas selecções nacionais jogaram entre si, num jogo bem disputado, ardiloso e com algum perfume (sobretudo de Jorge Abecassis nos sub-20) técnico ou a procura incessante pela placagem (Manuel Nunes não parou de armar e “atacar” com placagens os seus adversários) que premiaram o público que se deslocou ao Jamor nessa manhã de Inverno.

Manuel Nunes recorda-nos como foi o estágio, “Na continuidade do trabalho em grupo para a equipa nacional sub-18 reencontramos-nos no estágio que teve lugar nos dias 20 e 21 de dezembro de 2016. Mais uma vez havia muita curiosidade e expectativa neste estágio. Era importante saber como estava o grupo física e moralmente.

Penso que nos encontrávamos todos com a consciência de que teríamos que dar o nosso melhor para uma avaliação profunda da situação da equipa, e foi o que aconteceu.  Nada melhor que um jogo frente à seleção nacional sub-20 para nos pormos à prova, pois muitas dificuldades que encontrámos nestes jogos irão ser semelhantes a possíveis  dificuldades nos jogos internacionais do nosso escalão.

Com a certeza que seria um desafio difícil, toda a equipa se empenhou conseguindo construir e realizar momentos muito bons no jogo.  Entre estes momentos positivos é de destacar, em minha opinião,  uma boa organização defensiva assim como uma boa construção ofensiva da equipa, que nos permitiu avançar muitas vezes no terreno de jogo. Sabendo que com trabalho estes momentos serão mais prolongados acredito que nos facilitará o jogo e nos tornará uma equipa ainda melhor.

Terminei o estágio com a convicção de que a expectativa sobre nós está cada vez mais alta e exigente e que da nossa parte teremos que responder à altura e sinto que todos queremos trabalhar a esse nível, o que é bastante positivo para conseguir resultados. Uma equipa motivada dá sempre o seu melhor e pode colher os frutos desse esforço.”.

A fugir para o ensaio (Foto: Vieira Dias Fotografia)

Para quem esteve de fora, o jogo foi intenso e físico, com os sub-20 a perceberem a necessidade de elevarem o seu jogo para alguns pontos máximos uma vez que os sub-18 não iam virar a “cara à luta”. O olhar atento dos seleccionadores nacionais (Martim Aguiar do XV e António Aguilar dos 7’s marcaram forte presença) era agraciado com trocas de placagem, movimentações de alto risco (Vasco Morais tentou “assustar” os seus adversários com uma série de “trocas de pés”) e uma prestação de alta raça.

Posto o fim do Estágio (no qual já falámos na primeira página do Diário de ambos, que podem consultar em: goo.gl/LFDQwK), as férias e o relançamento dos treinos e jogos, Diogo Cabral falou-nos de como foi o reinício da “aventura”, ” Partindo agora para o primeiro treino nacional que o grupo dos sub18 realizou na quarta-feira, dia 11 de janeiro, quero realçar a grande vontade que todos demonstrámos em fazer um bom trabalho e o foco que impusemos nos diversos momentos.

Além disso, tivemos a integração de “novos” jogadores, os quais tiveram uma grande atitude, todos eles contribuíram com as diferentes qualidades que têm, elevando o nível do treino.”,

No meio da conversa com Diogo, o centro do Belenenses, ainda analisou a transformação do grupo desde Outubro até agora, “Acho que estamos a formar um grupo coeso, com uma vontade especial de fazer um bom trabalho e de ter uma boa prestação no Campeonato da Europa! Além da continuidade que temos de dar ao desenvolvimento técnico/tático e físico, os valores que foram discutidos no estágio anterior e que nos devem caracterizar enquanto equipa, devem estar bem interiorizados e presentes naquilo que são as nossas ações individuais e coletivas.”.

Raça de Diogo Cabral (Foto: Pai Conde Fotografia)

Entre os estágios da selecção de sub-18 (neste dia 25 está a decorrer mais um treino da Selecção) e treinos de equipa, o campeonato de sub-18 seguiu para a Final Five, que já teve alguns “solavancos” administrativos, que estão a ser apurados pela Federação Portuguesa de Rugby.”.

Na primeira página do Diário, tivemos a oportunidade de perguntar a Manuel Nunes sobre a sua época a nível de clube, desta vez abrimos a “porta” a Diogo para falar dos seus azuis, “Quanto ao meu clube… o início desta segunda fase não foi propriamente o melhor, uma derrota no primeiro jogo, e na bola de jogo,  não é o melhor arranque.  Mas apesar dessa situação menos favorável para o nosso percurso no campeonato nacional, os treinos têm corrido muito bem! Estamos todos empenhados e com o nosso objetivo bem definido, agora só nos resta levantar a cabeça, avaliar o que fizemos de menos bom e continuar um bom trabalho, até porque de uma derrota muitas vezes aprende-se imenso. Confiamos todos uns nos outros e no potencial e capacidades que temos . É como nos foi dito, o caráter  de cada um e mesmo enquanto equipa, vai ser fundamental para elevar o nosso nível e posição.

Ainda no contexto do clube, e com o objetivo de querer fazer sobressair o nosso trabalho e a confiança/amizade que existe, quero fazer referência a uma conversa que tive com o meu treinador João Nabais. Discutimos o nosso desenvolvimento e a preocupação que têm relativamente ao esforço físico, que normalmente resulta em cansaço, que realizamos para alcançar os nossos objetivos enquanto jogadores. Com isto pretendo mostrar um agradecimento especial aos treinadores que tenho e a boa relação que toda a equipa tem.”.

Diogo Cabral e Manuel Nunes são dois jovens com uma vontade de irem mais além, onde as férias são substituídas com mais treinos e trabalho, onde o descanso não significa desresponsabilização e o futuro significa presente. Como eles, são todos os seus colegas de selecção, atletas que querem representar Portugal da melhor forma, ao melhor ritmo e com o maior dos prazeres.

Diogo Cabral (Foto: José Vergueiro Fotografia)

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