Arquivo de CFP - Fair Play

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Rodrigo ZaccaMaio 9, 20178min0

Na segunda entrevista da série com nadadores de águas abertas convidamos Angélica André (Clube Fluvial Portuense), que é treinada pelo Técnico Rui Borges. Ela teve um bate papo com Rodrigo Zacca, nosso colunista de águas abertas, e contou um pouco sobre seu passado, presente e futuro no desporto.

 fp: Angélica, como surgiu o teu interesse pela vertente de águas abertas?

AA. No início tinha muito medo das águas abertas, tanto que acabei por desistir das duas primeiras provas que fiz, entretanto tive a oportunidade de nadar a prova aberta em Setúbal de 2km, onde no aquecimento o Rui teve que entrar comigo dentro de água, tamanho era o medo. Essa prova correu bem, ganhei com uma grande vantagem e por aí é que começou a surgir a ideia de fazer provas de águas abertas.

 fp: E qual foi a competição que mais te marcou até hoje?

AA. O Europeu de 2016 na Holanda, pois depois de Setúbal eu queria mostrar a mim mesma que era capaz de fazer novamente uma boa prova.

 fp: Fizemos a mesma pergunta à Vânia. Qual é a importância de teres como tua companheira de treino a tua maior adversária em Portugal?

AA. É sempre ótimo ajudamos-nos uma à outra, e conseguimos elevar o nível do treino.

Foto: Arquivo Pessoal

 fp: Ao contrário da piscina onde o ambiente é controlado, muitos são os fatores (como por exemplo, temperatura, correntes marítimas, etc.) que tornam cada prova de águas abertas única e muitas vezes imprevisível. Nesse sentido, como é a tua preparação nas semanas que antecedem cada prova? Estudas as características do local da prova e procuras saber detalhes sobre as adversárias?

AA. Esta é uma questão que eu estou pensando em melhorar, pois realmente é muito importante. Eu não tenho por hábito estudar pré prova com tantos detalhes, mas costumo ver o clima, ondas, temperatura da água… tenho que trabalhar mais neste sentido.

 fp: Setúbal 2016, quais as lições que ficam?

AA. Setúbal era completamente diferente de todas as provas que fizemos. Mentalizei muito o final da prova e não no percurso todo. A lição que tiro desta prova é manter o foco do início ao fim, mas principalmente ouvir o treinador.

Foto: Arquivo Pessoal

 fp: Qual era a tua estratégia de prova para esta qualificação? O que funcionou e o que não funcionou?

AA. Eu pensei em ir para a frente e depois ficar no grupo e no final tentar um lugar para garantir a qualificação. O que funcionou foi o pré prova, pois até Setúbal eu tinha muita dificuldade em alimentar-me e isto correu muito bem. O que não funcionou foi a prova em si.

 fp: A pouco mais de dois meses para o Mundial da Hungria, como avalias a tua preparação até agora?

AA. Na parte física, os treinos estão a correr muito bem. Na parte mental, falta mais experiência competitiva. As provas até o mundial servirão para afinar isso.

 fp: E quais são os teus objectivos para este mundial?

AA. Ainda não delineamos os objetivos, pois ainda dependemos da definição das nossas adversárias.

Foto: Arquivo Pessoal

 fp: Quais os principais aspetos que precisam ser ajustados na tua preparação para Tokyo2020?

AA. Esta época iniciou de uma forma diferente, tive vários fatores que me limitaram nos treinos (lesões, etc.). O ciclo até setúbal foi muito produtivo, pois tive a oportunidade de realizar diversos estágios, nomeadamente EUA, Itália e Serra Nevada e evoluí muito fisicamente. Era nítido durante as séries na piscina.

 fp: Vou ser direto, consegues dedicar-te aos treinos para Tokyo2020 com tranquilidade do ponto de vista financeiro? Tens algum apoio ou patrocínio?

AA. Tranquila nunca estou, pois nem sempre posso contar com apoio da família. Tenho bolsa atleta da federação que dura apenas um ano, mas tentarei renovar no mundial com uma boa classificação. Sou muito grata ao apoio de todos que seguem comigo, o Dr. Jaime Milheiro da CMEP, que me dá todo suporte nas questões multidisciplinares, a AQUALOJA que me tem fornecido material de treino e a ESCOLA EDUARDO CIRÍLIO MÉTODO DEROSE que me tem me ajudado muito a aprimorar a minha concentração, foco e mentalização.

 fp: Como vês o desenvolvimento das águas abertas em Portugal?

AA. Acho que está a evoluir. Tivemos marcas muito boas no último indoor… Já aparece um número maior de nadadores e nadadoras, muito evoluídos tecnicamente. Mas será possível verificar isso mesmo na próxima competição já este mês.

 fp: Há cada vez mais jovens nadadores a optar pela variante de águas abertas. És sem dúvida uma referência dentro e fora d’água para estes jovens. Como vês isso?

AA. Eu tento fazer o meu melhor. No ano passado não faltei uma única vez aos treinos. Raramente saio à noite. Acredito que aqueles que treinam comigo diariamente veem em mim uma boa referência.

Foto: Arquivo Pessoal

 fp: Que conselhos darias para os nadadores de piscina que se querem iniciar nas águas abertas?

AA. Eu sugiro experimentar as provas mais curtas e informarem-se com a organização da prova e conversarem com seus treinadores. Existem muitas em Lisboa e Algarve.

 fp: Quem são os nadadores e nadadoras de futuro das águas abertas em Portugal?

AA. Talentos existem muitos, mas ainda estão a optar pela natação pura. 

 fp: Há Fair Play nas águas abertas?

AA. Por vezes não existe fair play nas águas abertas, mas muita porrada (risos). A maior parte das nadadoras tem fair play. Nas águas abertas somos todos muito mais simpáticos, talvez por ser um grupo mais restrito, todos se conhecem. Em Portugal somos uma família, e mesmo lá fora nos damos todos muito bem, até entrarmos na água.

Foto: Arquivo Pessoal

Muito obrigado Angélica André e votos de sucesso para o futuro!

Perfil Oficial de Angélica André no Twitter

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Rodrigo ZaccaMaio 2, 201711min0

Para dar início à uma série de entrevistas com nadadores de águas abertas, nada mais justo o Fair Play com a nadadora Olímpica Vânia Neves (Clube Fluvial Portuense). Treinada pelo Técnico Rui Borges, ela teve um bate papo com nosso colunista de águas abertas Rodrigo Zacca, e contou um pouco sobre Treinos, Clube, Rio2016, Mundial, Tokyo2020.

 fp: Vânia, como descreverias a tua transição da natação pura para as águas abertas?

VN. No meu ponto de vista foi uma transição natural, pois sendo uma nadadora de fundo e gostando bastante desse tipo de distâncias, o mais natural era mesmo passar por uma experiência em águas abertas que acabou por se tornar bem mais que uma experiência.

fp: Hoje ainda te vemos competindo nas piscinas, mas obviamente tua preparação é focada na época de águas abertas. O que as competições em piscina agregam para seu foco principal, as águas abertas?

VN. Neste momento as competições em piscina têm tido dois objetivos: analisar o estado de forma e a preparação que está a ser feita, mas também servem como treinos com intensidades mais elevadas.

fp: E como se prepara um nadador de águas abertas? Fazes muitos treinos em mar?

VN. O mais correto e aquilo que seria esperado era um nadador de águas abertas associar os treinos de piscina a treinos de mar, mas, infelizmente não é o que acontece na minha realidade. 99% da minha preparação é feita em piscina e sinto que isso é uma desvantagem depois em competição, pois adversárias que diariamente estão perante situações de ondulação, correntes, água salgada etc. estão muito mais preparadas para todas as adversidades que nos vão aparecendo em competição.

fp: Como é a tua preparação em seco?

VN. Neste momento estou a fazer 4 treinos em seco, dois treinos com carga e dois treinos mais focados em prevenção de lesões e trabalho de core. Temos tido imenso cuidado no que toca à prevenção de lesões pois devido à agressividade das nossas provas e o desgaste a que estamos sujeitos isso é essencial para evitar surpresas desagradáveis em fases cruciais da época.

fpE em piscina, diz-nos uma série de referência que seja habitual fazeres?

VN. Uma série que fazemos habitualmente antes das competições em natação pura (piscina) é 8×100 + 8×50 a ritmo de prova de 800. Antes de uma prova de águas abertas o ritual é um treino de reconhecimento do percurso e retirar as máximas referências possíveis no mar e uma séria de 30×50 em piscina progredindo a cada 10.

fpNa época passada transitaste para o Clube Fluvial Portuense onde reencontraste uma antiga companheira de treino e, simultaneamente, a tua maior adversária em Portugal, a Angélica André. Quais as vantagens de ter uma companheira de treino como ela? Existem desvantagens?

VN. Uma das principais vantagens é a competitividade em treino, penso que isso foi uma mais valia não só para mim como para ela. Claro que em algum momento uma estar muito melhor que a outra poderia trazer aspetos menos bons, mas tal não se verificou pois sempre houve muita entreajuda entre as duas.

fp: E em relação ao CFP, um clube de referência no treino das águas abertas em Portugal, é de facto um clube vocacionado para esta vertente? O que se faz diferente no clube para alcançar estes resultados?

VN. O CFP não é um clube só vocacionado para as águas abertas pois tem também excelentes nadadores de natação pura, com resultados bastante interessantes. Mas penso que o facto de ter duas referências da disciplina a treinar incentiva os mais novos a quererem experimentar e a olhar com outros olhos para a mesma. E o número elevado de nadadores que praticam águas abertas ajuda a que se possa fazer um treino mais diferenciado, pois evita estarem apenas 2 ou 3 nadadores a fazerem um treino diferente da restante equipa. As condições da infraestrutura também facilitam bastante esta gestão, pois como existe imenso espaço até treino de contorno de boias nos é possível fazer.

Foto: Arquivo Pessoal

fp: Quem são os nadadores e nadadoras do futuro das águas abertas de Portugal?

VN. Essa é uma pergunta difícil. Penso que existem muitos talentos em Portugal para a disciplina, mas infelizmente, esta não é tão apoiada quanto deveria o que acaba por levar a que os nadadores optem pelo caminho com mais apoio, ou seja, a natação pura.

fp: Na tua opinião, como vês a atenção dedicada por clubes e treinadores portugueses para as águas abertas?

VN. As águas abertas continuam a ser um campo cinzento para muita gente no nosso país. Já temos alguns treinadores a fazerem um trabalho interessante, clubes que até apoiam, mas no geral ainda há muito a melhorar.

fp: Logo no primeiro ano a treinar no CFP chegaste aos Jogos Olímpicos. Estava no teu horizonte conseguires essa participação? Se sim, quando percebeste que a vaga era possível?

VN. Sendo o mais sincera possível eu sabia que iria nadar a qualificação Olímpica e que logo aí teria uma hipótese, mas para mim era apenas isso. Eu estava a nadar para 1 hipótese contra 1 milhão de contrariedades. Encarei a prova da melhor forma possível, mas sem grandes pressões ou ansiedades. E só me apercebi verdadeiramente que a vaga estava mesmo ali quando terminei a prova e vi a posição em que tinha ficado.

fp: Uma prova de águas abertas tem sempre muita história, como nos relatarias a história da prova realizada no RIO2016?

VN. Por mais que tente expressar tudo que senti e vivi durante aquelas duas horas penso que nunca o conseguirei fazer. Foi uma experiência única! O mar estava com uma temperatura ótima (23º), ondulação dentro dos padrões que eu me sinto confortável e o ambiente na praia era surreal. Centenas de pessoas a ver a prova, bandeiras de todos os pais entre a multidão… e a prova em si foi única. Ritmos bons onde me senti confortável (sabia que estava bem preparada) e depois de ter sofrido um “confronto” onde descolei do grupo e fiquei sozinha continuei a sentir-me bem, feliz. Resumidamente essa é a palavra que descreve tudo… eu fui muito FELIZ.

Fotos: Arquivo Pessoal

fp: Esse apuramento surgiu no seguimento da prova praticamente perfeita que fizeste em Setúbal no ano passado, onde ficaste à frente de nomes como Mireia Belmonte e Kristel Kobrich, mas ainda tiveste de esperar pela confirmação. Como viveste esse mês entre a prova de Setúbal e a certeza que ias estar no Rio?

VN. Foi um mês tranquilo. Como sabia que era uma decisão que não iria depender de mim em parte alguma foquei-me na minha preparação para o Europeu e deixei o destino tomar conta dessa decisão.

fpE quais são os objectivos para a Hungria?

VN. Será o meu primeiro Campeonato do Mundo pelo que não dá para traçar objetivos muito concretos. Mas claro que meus objectivos passam por uma prova de 10Km feita no grupo da frente e ainda estamos a analisar uma possível loucura e participar na prova de 25km. Quero mesmo ser capaz de fazer uma prova destas para provar a mim mesma as minhas capacidades. É uma prova onde mais que a preparação física o psicológico manda e acredito que depois de ultrapassar uma barreira como esta serei uma nadadora mais completa e mais forte psicologicamente.

fpO que funcionou na preparação para RIO2016 e o que precisa funcionar para Tokyo2020?

VN. Não se pode dizer que tenha tido propriamente uma preparação focada nos Jogos do Rio pois não tive qualquer tipo de apoio a nível federativo nesse aspeto. A minha “preparação” foi feita sem competições internacionais e sem estágios em ano olímpico. Para Tokyo 2020 há ainda muita coisa a melhorar: preparação mais especifica em águas abertas com treinos de mar mais frequentes e estágios em que isso nos seja possível; apoios a um leque mais alargado de nadadores pois as surpresas acontecem sempre. Enfim, os erros que se verificaram em preparações olímpicas anteriores continuam presentes nos dias de hoje.

fpTens os anéis olímpicos no currículo e tatuados na pele… Mas afinal, o que estes anéis lhe trouxeram de bom do ponto de vista financeiro? O que significa para um atleta ter estes anéis olímpicos em Portugal? Consegues dedicar-se aos treinos para tokyo com uma certa tranquilidade ou segues na luta para conciliar treinos, estudo e trabalho?

VN. Pergunta muito pertinente. Do ponto de vista financeiro NADA mudou, continuo sem apoios por parte de Federação, clube ou qualquer entidade. O único apoio que tenho tido é por parte da Aqualoja que me tem fornecido material de treino e procura ajudar em tudo que é possível. Ter estes anéis no currículo de pouco ou nada me tem servido o que é triste pois depois de ter conseguido atingir o lugar onde muitos querem estar sem qualquer apoio merecia um pouco mais de respeito. Ou seja, para Tokyo neste momento continuo na luta “sozinha” (tendo sempre apoio da família como é obvio) e procurando conciliar a vida académica, com o trabalho e com os estudos pois quero continuar a fazer aquilo que gosto, mas infelizmente as contas não se pagam sozinhas.

fp: Há Fair Play nas águas abertas?

VN. Mais do que na natação pura, mas há muita coisa a ser trabalhada ainda.

Muito obrigado Vânia Neves e votos de sucesso para o futuro!

Twitter oficial de Vânia Neves: @VniaNeves

 

 

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João BastosDezembro 19, 201610min1

Os Campeonatos Nacionais da 1ª e 2ª divisão tiveram lugar a 17 e 18 de Dezembro na piscina olímpica da Póvoa de Varzim. A 2ª divisão teve em compita 16 clubes masculinos e 16 clubes femininos. Saiba tudo sobre o escalão secundário da natação nacional

2ª Divisão Feminina

Iniciamos esta análise, como convém, pelas senhoras. Num campeonato disputado até ao fim, o primeiro lugar esteve sempre controlado pelas nadadoras do Benfica. Já a luta pelo segundo esteve ao rubro até à última braçada.

Confira os destaques da prova:

SLB para além de Diana

Equipa do Benfica | Foto: FPN

Na antevisão da 2ª divisão, o FairPlay colocou o Benfica como um dos dois candidatos à subida de divisão mas na verdade, as nadadoras do Prof. Mário Madeira dominaram e controlaram o escalão secundário, de tal forma que as bases da candidatura ao título da 1ª divisão do próximo ano parecem estar lançadas.

O Benfica mostrou logo ao que vinha, com duas vitórias nas duas primeiras provas do programa por intermédio dos dois principais reforços desta época. Diana Durães venceu os 400 metros livres com novo record dos campeonatos (ver mais à frente neste artigo) e Jéssica Brito venceu os 50 metros mariposa.

Diana Durães venceu mesmo as três provas (máximo permitido por nadador) que nadou: 400 livres, 200 livres e 400 estilos, fazendo o pleno de recordes dos campeonatos.

Mas não foi a única no lado dos encarnados. Cláudia Borges dominou as provas de bruços, vencendo os 50, 100 e 200 bruços. Nos 50 e nos 100 também foi a mais rápida de sempre da 2ª divisão.

O Benfica fez ainda mais dois lugares nos três primeiros, nas estafetas de 4×100 livres e 4×100 estilos.

Para além das citadas, nadaram ainda pela equipa da Luz: Sofia Rolão, Maria Beatriz Lopes, Ana Graveto, Ana Luísa Santo, Sara Loureiro, Filipa Grilo, Ana Raquel Ferreira e Joana Martins.

O Benfica concluiu o conjunto das 19 provas com 252 pontos.

Os Belenenses de volta ao topo

Equipa do CFB | Foto: Luís Filipe Nunes

A equipa feminina do Clube de Futebol “Os Belenenses” é uma equipa histórica da 1ª divisão. Desde 2008 que não participa neste escalão, mas chegou a disputar o título quando contava com uma equipa com nomes como Ana Rita Santos, Patrícia Conceição, Daniela Inácio, Harrieth Smith ou Sara Amaral.

Com o abandono da piscina do Restelo, a equipa passou por momentos de menor fulgor, mas agora está de volta ao escalão maior da natação portuguesa (quer em femininos, quer em masculinos).

Sob a liderança dos primeiros lugares de Jéssica Vieira nos 50 e 100 livres e integrando a estafeta vencedora de 4×100 livres, e bem coadjuvada pelos segundos lugares de Laura Rodrigues nos 50 e 100 mariposa e da estafeta 4×100 estilos, as nadadoras de Belém alcançaram ainda outro top-3 nos 4×200 livres.

Para além de Jéssica e Laura, compuseram a esquadra azul as nadadoras Margarida Pimenta, Ana Pereira, Ana Rita Martins, Luana Rodrigues e Rita Costa.

Os Belenenses foram vice-campeãs da 2ª divisão com 235 pontos.

Marinha Grande, Fluvial e Braga sempre na luta

Muita da animação da 2ª divisão feminina esteve na luta pelo 2º lugar. Durante a competição, foram muitas as alterações no lugar de acesso à 1ª divisão.

O Desportivo Náutico da Marinha Grande fechou o pódio a apenas 3 pontos da subida. O FairPlay já tinha colocado a equipa marinhense no pelotão da frente, mas as jovens do DNMG tiveram um excelente fim-de-semana de superação.

Giovanna Vargas venceu os 200 mariposa, Ana Costa fez terceiro nas três provas de bruços, assim como Mónica Domingos nos 200 costas, Bruna Simões nos 100 mariposa e a estafeta 4×200 livres (Bárbara Teodósio, Giovanna Vargas, Ana Elói e Mónica Domingues).

Tendo em conta a idade média da equipa, estará aqui, certamente, uma das mais fortes candidatas à subida em 2017.

A equipa feminina do Clube Fluvial Portuense em 2013 estava a disputar a fase de qualificação da 4ª divisão. Há 3 anos que vem subindo patamares. No ano passado já militava na 2ª divisão e ficou em 9º. Este ano em 4º.

Para além da mariposista Madalena Machado que fez um 1º e dois 3ºs nas provas de mariposa, as nadadoras de águas abertas também se destacaram fora do seu “habitat natural”. Angélica André nadou bruços (100 e 200) e estilos (400) e foi 2ª nas três provas. Vânia Neves nadou 200 livres (3ª), 200 costas (1ª) e 200 estilos (4ª). Nas estafetas, as portuenses fizeram 1º lugar nos 4×200 livres e 4×100 estilos e ainda 3º nos 4×100 livres.

O Sporting Clube de Braga era apontado pelo FairPlay como a equipa favorita a vencer. E de facto, as minhotas tinham (e terão, certamente, em edições futuras) argumentos para chegar à primeira divisão. Para além da olímpica Tamila Holub, o Braga conta com nadadoras como Maria Madalena Silva e Juliana Freixo.

Nos lugares de pódio, nas provas em disputa, apenas ficou Tamila Holub (1ª nos 800 livres, 2ª nos 200 livres e 2ª nos 400 livres) e Juliana Freixo nos 50 e 100 costas.

Relegadas para a 3ª

Na parte inferior da tabela ficaram as equipas do FOCA de Felgueiras (que desce um ano após ter subido), do Fluvial Vilacondense (privado de Ana Catarina Monteiro), do Clube de Natação da Amadora (que ainda no ano passado disputou a 1ª divisão) e o Clube de Natação da Maia (de onde saíram várias nadadoras esta época, juntamente com o anterior treinador).

Recordes dos campeonatos – 2ª divisão feminina

O FairPlay fez o levantamento das melhores marcas de sempre feitas nos CNC da 2ª divisão. Convém esclarecer vários pontos:

  • O formato de nacionais em piscina olímpica disputava-se até 2003 e depois só voltou em 2014, sendo que durante 11 anos foram nadados em piscina curta;
  • A análise ficou limitada aos anos posteriores a 2002, uma vez que não estão disponibilizados resultados anteriores;
  • Em 2015 foram disputados dois campeonatos: em Abril, em Oeiras, relativo à época 2014/2015 e em Dezembro em Coimbra, respeitante à época 2015/2016.
Fonte: FairPlay

As nadadoras benfiquistas estiveram em evidência também neste parâmetro ao estabelecerem novos recordes dos campeonatos nos 200, 400 livres e 400 estilos (Diana Durães) e nos 50 e 100 bruços (Cláudia Borges).

Também o Fluvial Portuense estabeleceu um novo máximo, na estafeta de 4×100 estilos.

2ª Divisão Masculina

Nos homens, a grande luta foi para o título. Os “vizinhos” Sport Algés e Dafundo e Clube de Futebol “Os Belenenses” protagonizaram um duelo de alto nível. A vitória final sorriu aos algesinos, que tiveram um fim-de-semana memorável, com a vitória na 2ª masculina e na 1ª feminina.

Algés superior

Equipa do SAD | Foto: FPN

O Algés é um clube histórico da natação portuguesa e sempre teve equipas masculinas que marcaram gerações. A última grande equipa do Algés, que foi tetra-campeã nacional da 1ª divisão masculina, contava com nadadores como Nuno Laurentino, Pedro Silva, Hélder Lopes ou Egas Bastos.

No passado fim-de-semana escreveu-se outra página dourada da História do SAD com o regresso à 1ª divisão.

Com uma equipa em renovação, o Algés superiorizou-se à concorrência e levou o título com o total de 270 pontos.

O “capitão” Pedro Santos esteve em destaque ao vencer os 100 mariposa e os 200 estilos (esta última, pela 4ª vez consecutiva) e ao ser 3º nos 50 mariposa.

O júnior Roberto Gomes abriu a competição logo com a vitória dos 400 livres e ainda foi terceiro nos 200 mariposa, enquanto o brucista Hugo Pon fez segundo nas três provas de bruços (50, 100 e 200).

Francisco Machado fez dois segundos lugares, aos 50 e 100 livres, e os irmãos Miguel e Afonso Bate contribuíram com um segundo lugar cada um (Miguel nos 1500 e Afonso nos 200).

Os algesinos venceram a estafeta de 4×100 livres e ficaram em 2º lugar nas outras duas (4×200 livres e 4×100 estilos).

Para além dos citados, nadaram ainda Filipe Félix e Carlos Almeida.

CFB segue para a 1ª com as duas equipas

Equipa do CFB | Foto: Luís Filipe Nunes

Os homens do Restelo imitaram as senhoras, ficando também com o 2º lugar e a consequente subida.

O FairPlay indicava os azuis como a equipa que partia na pole-position, mas por apenas 5 pontos de diferença “Os Belenenses” quedaram-se pelo segundo lugar.

O clube do Restelo até teve mais primeiros lugares que o Algés (6 vs 4), por intermédio de Francisco Quintas (50 e 100 bruços), Bruno Ramos (200 livres e 200 costas) e as estafetas (4×200 livres e 4×100 estilos) mas a homogeneidade de resultados da equipa algesina ditou o resultado final.

Nuno Quintanilha encontrou um Pedro Santos e um Diogo Carvalho intransponíveis e fez 2º nas suas 3 provas (100 mariposa e 200 estilos contra Pedro Santos e 200 mariposa contra Diogo Carvalho). André Gonçalves imitou-o nos 400 livres e 400 estilos e também fez segundo lugar em ambas as provas.

Francisco Quintas fez 3º nos 200 bruços, assim como a estafeta 4×100 livres.

Completaram a equipa os nadadores Fábio Figueira e Filipe Silveira.

SCBraga no pódio, Galitos quase lá

A luta pelo pódio foi uma verdadeira luta de gerações: de um lado o Sporting Clube de Braga com dois nadadores juniores em evidência (José Paulo Lopes e Jorge Silva) e do outro os Galitos de Aveiro, liderados pelo incontornável Diogo Carvalho e que voltou a contar com o nadador menos jovem em prova: Gonçalo Pereira (37 anos).

Levou a melhor a juventude, com o Braga a pontuar 215 pontos contra os 209 dos Galitos.

José Paulo Lopes venceu os 1500 livres e ficou em 3º nos 100 e 200 costas. Jorge Silva foi o 3º dos 200 estilos.

Do lado dos Galitos de Aveiro – e como já é tradição na 2ª divisão – Diogo Carvalho venceu as três provas individuais que nadou (200 bruços, 200 mariposa e 400 estilos). João Laranjeira ficou em 2º nos 100 costas e em 3º nos 50, assim como a estafeta de 4×100 estilos.

O amargo sabor da descida

Académico de Viseu (despromovido por apenas 1 ponto), Bairro dos Anjos, Naval Amorense e Pimpões foram os infelizes contemplados com a descida à terceira divisão do próximo ano.

Recordes dos campeonatos – 2ª divisão masculina

Os únicos novos recordes dos campeonatos nacionais de clubes da 2ª divisão masculina estabelecidos na edição de 2016 vieram por intermédio do mesmo nadador: o brasileiro do FOCA, Gláuber Silva.

Foram nos 50 costas e nos 50 mariposa.

Confira o quadro total:

Fonte: FairPlay

* Tempo feito no primeiro percurso de estafetas.

 


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