Arquivo de Campeonato de Portugal - Fair Play

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Fair PlayMaio 10, 20175min0

Luís Cristóvão, comentador do Eurosport Portugal e sócio do Sport Clube União Torreense, aproveita o centenário do emblema de Torres Vedras para revisitar o passado, e apontar caminhos para o futuro.

O movimento desportivo popular em Portugal, no início do Século XX, gerou por cidades e vilas uma série de associações, clubes e agremiações que estariam longe de imaginar que, cem anos depois, se configurariam em embaixadores locais, tornando o desporto, como tantas vezes é repetido, a mais impactante forma de tornar esses locais mencionados na comunicação social nacional. O poder, obviamente, associa-se a essa tendência, tal como se pode comprovar com a recente visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Torres Vedras. A razão? Os cem anos do Sport Clube União Torreense.

Quem festeja um aniversário fá-lo, sobretudo, para relembrar as glórias e os feitos de uma instituição. No entanto, aquilo que hoje se marca é, acima de tudo, a sobrevivência. Porque dos muitos e variados clubes nascidos nesses longínquos anos, poucos ficaram para contar a história. No caso do nascido como Sport União Torreense, conforme registo de 1917, essa sobrevivência foi-se fazendo dos simbolismos criados em seu redor. Olhando para a história dos presidentes do clube ao longo destes cem anos, conforme pode ser confirmado no mural instalado na Exposição do Centenário, percebe-se que o clube é uma espécie de “Quem é quem” de nomes incontornáveis da história do Concelho de Torres Vedras.

CURRÍCULO EM DIFERENTES MODALIDADES

O clube foi fundamental para o desenvolvimento de um sem-número de modalidades na vila de Torres Vedras, tendo sido uma das equipas que fundou a Associação de Basquetebol de Torres Vedras em 1933. Mas foi o futebol, em conjunto com o Atletismo e o Ciclismo, aquele que lhe terá permitido mais conquistas. O Atletismo ainda hoje perdura no clube, enquanto o Ciclismo permitiu vitórias na Volta a Portugal e até a participação na Volta a Espanha, nos anos 80, como Sicasal-Torreense.

Ao futebol ficam reservadas as glórias de uma presença na final da Taça de Portugal em 1956, um título da 2ª Divisão Nacional em 1955 e seis presenças na 1ª Divisão, a última das quais em 1991/92. A história mais recente terá, como ponto alto, a vitória no Estádio das Antas, em Fevereiro de 1999, em jogo da Taça de Portugal, numa temporada em que a equipa atingiu os quartos-de-final. Actualmente, a equipa sénior encontra-se a disputar o Campeonato de Portugal, na Fase de Subida, apesar de, matematicamente, já não lhe ser possível sonhar com a Segunda Liga.

CEM ANOS E DEPOIS?

Aos clubes centenários, a principal questão que se coloca é a do seu futuro. O Sport Clube União Torreense é, hoje em dia, uma associação sem dívidas fiscais, situação ultrapassada na presente temporada, depois de anos a gerir uma dívida que lhe fez, inclusive, perder os terrenos onde se encontra o seu estádio, actualmente propriedade da Câmara Municipal. Tem, no entanto, uma dívida bancária que exige, ainda assim, muitos cuidados, como tem relembrado o Presidente António Vicente, também conhecido como Toinha, dos tempos em que foi jogador do clube. Esta tomada do poder por um antigo atleta é, sem dúvida, um dos maiores sinais de esperança, entrando em clara dissonância com a história das últimas décadas. O clube nas mãos daqueles que são o clube é uma novidade que se saúda.

Ainda que a equipa sénior seja gerida por uma SAD de maioria chinesa, os jogos do Torreense na presente temporada impõem essa visão de um regresso ao movimento popular que terá estado na génese de tantos clubes por todo o país. Novas gerações de adeptos retomaram o hábito de marcar presença no Estádio, vivendo-se em muitos jogos um autêntico ambiente de festa que sempre caracterizou o clube nos seus melhores momentos. O reconhecimento entre adeptos, jogadores e equipa técnica é outra das riquezas da situação actual do Torreense, que será tanto mais positiva se se verificar que se trata, realmente, de um novo começo.

A perspectiva de crescimento do parque desportivo municipal, com a construção de novos campos onde as camadas jovens do clube possam evoluir, junto ao Estádio, é outro dos pontos positivos da actualidade do clube. O passo mais seguro para esta retomada do clube pelas pessoas do clube passará, sem dúvida, por alargar a proximidade às equipas de formação, um costume do passado (“ir ver os miúdos do Torreense”) que se perdeu com a passagem dessas equipas para outras localidades do concelho.

Mas o futuro do Sport Clube União Torreense não pode ficar por aqui, porque a sua missão de unir e desenvolver o desporto no concelho de Torres Vedras exige um rasgo de quem o dirige para que se possa concretizar em pleno. A um modo de jogar futebol “à Torreense” que sempre se reconheceu na forma exigente como as bancadas do Manuel Marques apoiaram o seu clube, é preciso associar o desenvolvimento da modalidade num caminho que aproveite todas as potencialidades da região.

O Sport Clube União Torreense continua a ser o clube com mais história e maior potencial na Região Oeste. Afirmá-lo, não apenas em termos de passado, mas sobretudo através de uma marca distintiva na formação de jogadores, com capacidade de influenciar os clubes em seu redor e apresentando-se como símbolo de um projecto desportivo global é o passo que se exige.

No fundo, ver o clube como um marco regional fundamental pela sua capacidade transformadora e não pela sua capacidade mediática. Existirão sempre Presidentes da República prontos a visitar a cidade em dias de festa. Aquilo que se exige e espera é que o Sport Clube União Torreense possa ser um transmissor de evolução pessoal e comunitária no seu quotidiano. Haverão mais cem anos para o conseguir.

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António Pereira RibeiroNovembro 15, 20162min0

Na Ilha Terceira mora uma das equipas mais destacadas do Campeonato de Portugal. O SC Praiense segue isolado na liderança da Série F, imbatível ao final de dez jornadas. O Fair Play foi tentar perceber os motivos deste arranque bem-sucedido, em vésperas do jogo frente ao Sporting CP para a Taça de Portugal.

Vivem-se tempos de esperança no que ao futebol açoriano diz respeito. O CD Santa Clara vai ocupando os lugares cimeiros da Ledman LigaPro, enquanto Operário Lagoa e SC Praiense surgem nas posições de subida das suas respectivas séries no terceiro escalão nacional. Marco Monteiro, presidente do emblema terceirense, saúda as boas relações que mantém com as direcções dos restantes clubes insulares, desejando a continuidade dessa união que “só nos torna mais fortes”.

Alcançar uma subida inédita ao segundo escalão é objectivo assumido, mas antes de tudo há que garantir um dos dois primeiros lugares da série que dão direito a lutar pelo sonho. Para já, com mais de metade do caminho feito, as perspectivas são animadoras.

“Quando se joga para ganhar, é muito mais fácil não perder”, remata João Peixoto, sub-capitão, e uma das figuras mais experientes do plantel. Resume o sucesso da equipa em três palavras: “trabalho, humildade e união”. Uma tríade essencial que tem colocado a derrota longe da órbita dos açorianos.

Sobre o grande desafio que está ai à porta contra o Sporting CP, João Peixoto revela que o plantel encontra-se acima de tudo motivado. “Defrontar o Sporting é um prémio justo para nós, pelo trabalho que temos feito durante a época. Qualquer equipa gostava de estar no nosso lugar, e essa motivação também joga a nosso favor”.

Visitar o Estádio de Alvalade será também um reencontro especial para o treinador do SC Praiense, Francisco Agatão. O técnico de 55 anos foi adjunto de Carlos Manuel em inúmeras ocasiões, uma delas no clube leonino, decorria a temporada 1997/98.

O encontro referente à 4ª Eliminatória da Taça de Portugal entre o SC Praiense e o Sporting CP está agendado para a próxima quinta-feira, dia 17, pelas 20h15. Na semana a seguir, o emblema açoriano retorna à sua rotina habitual do Campeonato de Portugal, e recebe o UD Vilafranquense, na Praia da Vitória.


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