Arquivo de Alejandro Gómez - Fair Play

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Pedro CouñagoJunho 3, 201912min0

Terminou mais uma época no futebol transalpino, e foi uma pródiga em surpresas, tanto do lado positivo como do lado menos apetecível. Vejamos os principais destaques da Série A 18/19.

Fantástico ano da Atalanta

Não há palavras para o trabalho que Gian Piero Gasperini está a fazer na equipa de Bérgamo. Este é o culminar de várias temporadas a progredir, com um projeto sustentado, assente numa tática que gosta de promover a melhor qualidade dos seus jogadores e que levou, nesta época, a que a equipa fosse o melhor ataque da Série A!

É um feito verdadeiramente notável conseguir o terceiro lugar do campeonato, acima de equipas como Inter, Milan, AS Roma e Lazio. Não vale a pena dizer muito mais do que esta ter sido a melhor época de sempre do clube e que Gasperini merecia uma estátua à porta do seu estádio.

O técnico potenciou um Duván Zapata verdadeiramente letal, que fez 23 golos na Série A, praticamente um terço dos golos da equipa, em conjunto com outros jogadores tecnicistas e desequilibradores como Alejandro Gómez e Josip Ilicic (o primeiro até esteve perto de sair em janeiro). O baixinho Gómez fez 7 golos e protagonizou 12 assistências, enquanto o alto esloveno fez o inverso (12 golos e 7 assistências). Uma complementaridade e amplitude de movimentos que deixou as defesas adversárias verdadeiramente destroçadas, e, no caso de Ilicic, é impensável a forma como a Fiorentina o dispensou há dois anos, já o dando como acabado para os grandes palcos, e certamente que agora se arrepende.

Há várias temporadas que Alejandro “Papu” Gómez tem vindo a ser o principal destaque da Atalanta, mas esta época foi muito bem secundado o baixinho argentino (Foto: TheBL)

Outros destaques terão de ir para Marten de Roon e Remo Freuler, dupla de meio campo que não só destrói e pressiona como constrói muito bem e ainda para os laterais Timothy Castagne e Hans Hateboer, que subiram e muito o seu nível face a 17/18 e deram uma profundidade à equipa que estava a faltar em anos anteriores.

Será muito interessante acompanhar o que a Atalanta poderá fazer na Liga dos Campeões, sendo desde já uma experiência inesquecível para os adeptos que enchem o Estádio Atleti Azzurri d’Italia, que, pela primeira vez, ouvirá o hino mais famoso do futebol mundial. 

Fabio Quagliarella e Krzysztof Piatek, duas boas surpresas

Esta foi mesmo a liga dos avançados e da demonstração das suas veias goleadoras. Já falámos de Duván Zapata, mas e que tal falar do veterano Quagliarella e da explosão do jovem polaco Piatek? São impressionantes os números que um e outro alcançaram, um já nos seus 36 anos de idade e outro que fez a sua primeira época num campeonato de alto nível.

Quagliarella é já um senhor, não precisando de correr muito tem um posicionamento tremendo que o leva a estar sempre mais perto do golo. Já Piatek joga muito bem em transição, tem passada larga e muita frieza na hora de finalizar.

O italiano fez 26 golos, foi o melhor marcador do campeonato e fez, possivelmente, a sua melhor temporada da carreira, surpreendendo tudo e todos com o seu registo e fazendo até alguns golos memoráveis pelo meio. Além disto juntou ainda 8 assistências, combinando muito bem com Gregoire Defrel, principalmente. Já tinha feito 12 em 16/17 e 19 em 17/18, sendo esta passagem pela Sampdoria uma que o revitalizou e lhe está a oferecer o melhor período a todos os níveis. Fazer 57 golos em três temporadas no campeonato italiano é obra, uma média de 19 em cada um deles, e veremos quantos anos ainda tem ao mais alto nível. Mais um ou dois bons anos poderemos esperar do veterano italiano.

Já Piatek começou a temporada a todo o gás no Génova, onde chegou este verão e começou a época com 9 golos marcados entre a 2ª e a 8ª jornada, marcando em todos os jogos. Até janeiro, marcou mais 4 golos, com o AC Milan a não perder tempo e a garantir desde logo a sua contratação. Até ao fim da temporada, o ponta de lança fez mais 9 golos em 18 jogos, um registo muito bom para um avançado que apenas esta temporada se deu a conhecer ao mundo do futebol ao mais alto nível. Higuain foi um flop e, desde logo, Piatek pegou de estaca na equipa.

O polaco terminou com o registo de 22 golos, sendo este bem promissor para os próximos anos que aí vêm. Se continuar a marcar golos em catadupa na próxima temporada, talvez o Milan esteja mais perto de voltar à Champions.

De total desconhecido para prodígio em apenas uma época. 22 golos, escala em Génova e estação terminal em Milão. Que podemos esperar para 19/20? (Foto: International Champions Cup)

Época de despedidas para a AS Roma

Esta foi uma época complicada para os romanos, com muitos altos e baixos e que, na verdade, terminou em desilusão, pois a equipa estará fora da Liga dos Campeões na próxima temporada.

Recordemos que há cerca de um ano esteve a equipa a disputar as meias da Champions perante o Liverpool e que, nesta temporada, disputou a passagem aos quartos com o FC Porto, desiludindo e sendo essa a gota de água para a saída de Eusebio di Francesco do comando técnico do clube.

Claudio Ranieri ainda conseguiu estabilizar um pouco o barco e tornar a equipa mais sólida, sobretudo a nível defensivo, mas não foi suficiente. O último jogo perante o Parma, que terminou com vitória romana por 2-1, terminou portanto com sabor agridoce.

Ainda assim, sobraram momentos bonitos de se ver no futebol. Este foi o último jogo de Daniele De Rossi como jogador da AS Roma, sendo imensas as homenagens protagonizadas a um verdadeiro guerreiro da loba. Também Ranieri, um homem da casa, fez o seu último jogo no comando técnico da equipa.

Será necessário sangue novo e a próxima época poderá ser uma de recomeço depois do investimento feito na última temporada. Vejamos até que ponto o clube consegue segurar nomes como Kostas Manolas, Cengiz Ünder e Lorenzo Pellegrini para conseguir voltar à melhor competição de clubes no mundo, tudo isto com Alessandro Florenzi a ser o novo líder romano e a querer certamente chegar aos números que Daniele de Rossi chegou.

Mais um domínio avassalador da Juventus, resta perceber quem é o timoneiro no próximo ano

Esta foi mais uma temporada sem história no que toca à disputa pelo título. A Juventus ganhou o campeonato ainda com várias jornadas por disputar e selou assim o heptacampeonato. Desde 2012 que é sempre a vencer para o conjunto bianconeri, com maior ou menos dificuldade, e tal não parece estar para terminar nos próximos tempos, tal é a diferença da Juve para os restantes conjuntos.

No entanto, não se pode afirmar que tenha sido uma época particularmente positiva para o conjunto de Turim. Verdade que venceram mais um troféu (Supertaça, ao AC Milan), mas foram eliminados nos quartos de final tanto da Taça de Itália (pela Atalanta) como da Champions (Ajax). A contratação muito badalada de Cristiano Ronaldo tinha como missão imediata o troféu mais importante de clubes na Europa, e a eliminação aos pés de uma equipa jovem como o Ajax deixou marcas. Depois desse jogo, apenas venceu por uma vez nos últimos seis jogos da temporada e, ainda que tenha rodado a equipa e jogado sem a pressão de ganhar, notou-se apatia decorrente da surpresa que havia acontecido na Liga dos Campeões.

A conquista da Série A e da Supertaça de Itália, com golo seu, fazem desta uma época normal, mas não ao nível que se esperava em termos de títulos para CR7 (Foto: GettyImages)

Massimiliano Allegri está de saída do comando técnico do clube e entrará um novo técnico. Poderemos certamente esperar mudanças profundas no plantel, com a falada saída de jogadores como Pjanic, Cuadrado ou a reforma de Barzagli. Resta esperar para ver quem chegará ao clube além do já confirmado Aaron Ramsey. A Juventus é, desde já, totalmente favorita para a vitória na próxima edição da Série A, resta ver o que mais fará com as armas à sua disposição.

Bolonha e Udinese acabam bem, Génova e Fiorentina com o credo na boca

Foi uma época bastante complicada para muitos dos históricos da Série A, mas alguns conseguiram reerguer-se na ponta final do campeonato e deixar boa impressão para o ano que aí vem.

O Bolonha esteve praticamente metade do campeonato nos lugares de descida, arrastando-se sem conseguir implementar o seu futebol até que chegou Siniša Mihajlović, o técnico sérvio que até esteve para treinar em Portugal mas nem o chegou a fazer, rescindindo meros dias depois de assinar pelo Sporting. A equipa conquistou 30 pontos em 17 jogos desde a chegada do sérvio, fazendo assim uma segunda volta espetacular que a levou ao décimo lugar final, apostando sobretudo num futebol de ataque e melhorando os erros individuais defensivos da primeira volta.

Também a Udinese conseguiu acabar melhor o ano do que se previa, não ficando a lutar até à última jornada pela manutenção. Muito o pode agradecer a Rodrigo de Paul, um dos principais destaques das equipas menos poderosas da Série A esta temporada, que participou em 17 dos 39 golos marcados pela equipa (9 golos e 8 assistências). Se não permanecer em Udine este verão, tem de ser rapidamente encontrado um substituto à altura do tecnicista argentino.

Já a época da Fiorentina foi verdadeiramente um desastre e, quando há pouco tempo escrevemos sobre a Fiore, a equipa estava meio caminho entre o Top 8 da liga e a zona de descida, sem muito a ganhar nem muito a perder, isto por volta do passar das 30 rondas da Série A. A verdade é que acabou apenas a 3 pontos dos lugares de descida e a 18 do referido Top 8, foi uma segunda volta verdadeiramente inacreditável para a equipa viola, que termina a Série A numa série histórica de 14 jogos sem vencer. São números calamitosos e, na próxima temporada, há muito a fazer para recuperar o estatuto e, essencialmente, o orgulho dos adeptos. A grande questão passa é pelas possíveis saídas de Federico Chiesa e Jordan Veretout, que seriam duas perdas enormes para a equipa viola, dois dos principais motores de uma equipa que está em desespero por contratações de qualidade. Vincenzo Montella pode dar a volta à questão na próxima temporada e tem a obrigação de fazer melhor, veremos é se o consegue.

Chiesa é um dos que deve abandonar o barco de Florença para voos mais altos, ele que já merece jogar a um nível mais exigente, ainda para mais depois da derrocada de 18/19 para a Fiorentina (Foto: sportsmole.co.uk)

Já o Génova sofreu claramente do síndrome pós-Piatek e foi por mesmo muito pouco que não desceu de divisão, tudo graças a um Empoli muito aguerrido que renasceu nas últimas jornadas mas não conseguiu garantir a manutenção em casa do Inter na última jornada. Em dezembro os sinais começaram a surgir após a eliminação da Taça de Itália perante o Virtus Entella, da terceira divisão. Depois saiu o seu abono de golos e a equipa nunca mais foi a mesma, sendo capaz do melhor (vitória por 2-0 à Juventus) e do pior, terminando com uma série de 10 jogos sem ganhar e apenas 14 golos marcados para o campeonato depois da saída do atacante, que tinha marcado 13 sozinho na primeira volta. Acabou por, ainda assim, ser uma pequena consolação para os adeptos apaixonados da equipa de Miguel Veloso, Iuri Medeiros e Pedro Pereira, que sofreram com a tragédia da queda da Ponte Morandi e a sua equipa tentou jogar para os orgulhar.

Uma descida anunciada do Chievo, veremos o futuro deste histórico

O Chievo estava condenado logo desde o início do campeonato e, simplesmente, este foi um ano que não teve história para a equipa Gialloblu. Talvez seja pelo melhor esta descida de divisão, que permite ao clube reorganizar-se e repensar a estratégia para o seu futuro. Desde problemas económicos a problemas na justiça italiana, a vida não estava fácil e terminou com a conquista de apenas 20 pontos nesta temporada (na verdade 17 pois a equipa iniciou 18/19 com -3 pontos). 25 golos marcados e 75 sofridos não deixam margem para dúvidas e esperemos que, depois de 11 anos consecutivos na Série A, o Chievo possa rapidamente voltar ao lugar que merece, não caindo no esquecimento.

Ficam aqui os principais destaques desta época, em próximos artigos exploraremos aquilo que será a próxima, já com movimentações interessantes principalmente em Milão.

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Tomás da CunhaJunho 26, 20177min0

Maus resultados, escassez de talento e, sobretudo, uma falta de identidade preocupante. As equipas de formação de Itália atravessaram um período bastante negativo na viragem da década e nos anos que se seguiram, o que fez surgir uma necessidade incontornável de reestruturação. Tão importante como o trabalho federativo é o contributo dado pelos clubes, que se começa a reflectir nas gerações que agora evoluem. Há talento espalhado por todos os emblemas da Serie A, campeonato do passado que ano após ano se coloca como um campeonato de futuro.

À selecção de sub-21, que já garantiu a presença nas meias-finais do Euro, ninguém fornece mais jogadores do que a Atalanta, que conseguiu um notável quarto lugar no Calcio. Com toda a naturalidade, o seleccionador Luigi Di Biagio convocou quatro jogadores dos nero blu (Grassi esteve emprestado pelo Nápoles), aos quais se pode juntar Roberto Gagliardini, transferido para o Inter em Janeiro mas com formação feita no clube. O sucesso desta Squadra Azurra deve-se, em boa parte, à aposta frutífera do emblema de Bérgamo.

Mattia Caldara, já contratado pela Juventus, foi um dos centrais em evidência no futebol europeu na última temporada e mantém o nível elevado ao serviço da selecção. Fazendo parelha com Rugani, possivelmente o seu futuro companheiro em Turim (e que dupla será!), o jovem da Atalanta tem sido praticamente intransponível, liderando o sector defensivo com enorme personalidade. Ficou no banco na segunda jornada e, por coincidência ou não, a Itália foi derrotada pela República Checa. Tem apenas 23 anos, mas reúne todas as características para vir a ser uma referência na posição. Muito concentrado sem bola, lendo e antecipando, destaca-se pelo que oferece ofensivamente, tanto no passe como em condução (ficou na retina o túnel a Dahoud). As bolas paradas são outro capítulo em que faz a diferença, tendo marcado uns incríveis 7 golos na Serie A.

Caldara em acção no Juventus Stadium
Foto: JN24.it

O entendimento eficaz de Caldara com Andrea Conti resulta das rotinas que foram criando ao longo da temporada. Tal como no clube, o lateral-direito da equipa projecta-se constantemente, sendo um dos principais receptores das bolas longas do central. Habituado a jogar como ala na Atalanta, devido ao sistema com três centrais, Conti é um autêntico cavalo de corrida no flanco, impressionando pela resistência com que executa o vaivém. Não sendo muito refinado, é um jogador com competências técnicas ao nível da recepção e do passe e explora o jogo interior com inteligência. Para o confirmar surge um registo assinalável de 8 golos apontados na Serie A, que o coloca como o segundo melhor marcador da equipa. Defensivamente, apesar de ter algumas lacunas ao nível do posicionamento, é forte a reagir à perda e muito agressivo em todos os duelos que disputa. Ao que tudo indica vai fazer parte do novo projecto do AC Milan, com a Atalanta a encaixar cerca de 25 milhões de euros.

Desta geração, Roberto Gagliardini foi o primeiro a cativar o interesse de um dos maiores clubes da Serie A. Emprestado pela Atalanta ao Inter, que tem opção de compra do passe, o médio conquistou rapidamente o seu espaço no Giuseppe Meazza e pode tornar-se um dos principais rostos do conjunto de Spalletti. Sempre de cabeça levantada, dá muita fluidez à saída de bola na construção, ora procurando o passe vertical a queimar linhas, ora variando o centro de jogo em busca do homem livre. Contra a Alemanha fê-lo de forma exímia, assinando uma exibição para mostrar como cartão de apresentação. Além do que ofereceu com bola, permitiu que a equipa pressionasse em zonas adiantadas, dando cobertura aos interiores Pellegrini e Benassi. Um ‘6’ bastante culto tacticamente.

Outro dos aspectos decisivos para o triunfo italiano sobre os alemães foi a presença de Bernardeschi como falso 9, que acrescentou agressividade à primeira fase de pressão e condicionou a saída de bola do adversário. Andrea Petagna, titular nos dois encontros anteriores, perdeu o lugar na última partida, mas certamente não perdeu a confiança de Luigi Di Biagio. É, juntamente com Andrea Belotti, um dos pontas-de-lança italianos mais cotados, apesar de o registo de golos na Serie A não impressionar (apenas 5). Formado no AC Milan, encontrou em Bérgamo um espaço de afirmação e tornou-se uma peça indispensável para Gasperini. Mesmo sem marcar muito, é sempre a referência nas bolas longas e a sua presença entre os centrais impõe respeito. Não tem grande mobilidade mas associa-se facilmente, oferecendo apoios frontais constantes e aproveitando a capacidade de jogar de costas para a baliza, talvez a sua principal qualidade. Segura ou entrega ao primeiro toque (sobretudo com o pé esquerdo, o seu preferido), aspecto em que também é forte. Com as características que possui, será difícil que a próxima época não traga mais golos a Petagna.

Vender ou manter: o dilema da Atalanta

Kessié já se transferiu para o AC Milan
Foto: Goal.com

A concentração de jovens promissores ajuda a explicar o surpreendente quarto lugar da Atalanta. Não tendo o poderio financeiro de outros emblemas, os nero blu vão apostando de forma continuada na sua formação e têm tirado bastante proveito desse investimento, não só pelos resultados desportivos mas também pela extrema valorização dos seus activos. Agora, depois de uma época tão bem sucedida, o dilema está em vender ou tentar manter a base da equipa, o que parece difícil face ao assédio de vários clubes.

Os objectivos iniciais eram os de sempre: assegurar a manutenção rapidamente e tentar terminar na metade superior da tabela. Não haveria argumentos para melhor do que isso, poderia pensar-se. Mas Gian Piero Gasperini, treinador que guiou a Atalanta nesta época brilhante, aproveitou a vontade de afirmação de vários jogadores que se tinham destacado na Serie B e construiu uma equipa capaz de vingar na Serie A.

Todos os jogadores que fazem parte da selecção de sub-21 deram provas de valor no competitivo escalão secundário de Itália. Conti passou pelo Perugia e pelo Virtus Lanciano, ganhando o bilhete de volta para Bérgamo. Caldara foi um dos destaques do Cesena em 2015/16, já depois de ter representado o Trapani. Petagna, apesar de só ter 21 anos, jogou no Latina e no Vicenza, antes de uma época excelente ao serviço do Ascoli. Também Gagliardini esteve cedido, juntando ao currículo as passagens pelo Cesena, pelo Spezia e pelo Vicenza. Mérito para a Atalanta, que soube gerir da melhor forma a transição para seniores das suas principais promessas.

Além dos jovens italianos, Gasperini contou com o contributo importante de nomes como Franck Kessié, médio costa-marfinense que já se mudou para Milão, Jasmin Kurtic, desequilibrador esloveno com boa chegada à área, e sobretudo AlejandroPapu’ Gómez, que fez a melhor temporada da carreira. Criativo, tecnicista e com golo (apontou 16 no campeonato), o argentino aproveitou bem o facto de Petagna fixar os centrais para ter mais espaço em zonas de perigo. Um dos melhores jogadores do último Calcio.

Pouco habituada às andanças europeias, a Atalanta terá em 2017/2018 o desafio de se manter competitiva em várias frentes. Já se percebeu que será difícil segurar a espinha dorsal da equipa, pelo que a chave do sucesso estará no critério com que o clube vai atacar o mercado. Fazer muito com pouco foi o lema desta temporada mas, continuando assim, em breve deixará de ser. Para já, é preciso provar que 2016/2017 não foi um episódio único.


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