Telma Monteiro… Obrigado

João CamachoMaio 2, 20217min0

Telma Monteiro… Obrigado

João CamachoMaio 2, 20217min0
Aos 35 anos, Telma Monteiro fez o improvável e voltou a se sagrar campeã da Europa. João Camacho explica como foi isto possível e faz o rescaldo do Europeu em Lisboa

Os Campeonatos da Europa 2021 decorreram em Lisboa, com muitos constrangimentos e desafios inerentes à crise pandémica que atravessamos. No entanto, foram um verdadeiro sucesso, ficam marcados por uma excelente organização, elogiada internacionalmente, e um conjunto de resultados de excelência, superando a prestação de 2008. A cereja no topo do bolo foi o Ouro de Telma Monteiro, que conquistou o seu 6.º título Europeu.

TELMA MONTEIRO! TELMA MONTEIRO! TELMA MONTEIRO! TELMA MONTEIRO! TELMA MONTEIRO! TELMA MONTEIRO!

Pode parecer, mas não está o prezado leitor, ou a prezada leitora, a ler um artigo do aquivo da Fair Play, Telma Monteiro voltou a fazer história no dia 16 de Abril de 2021, em Lisboa, ao conquistar o seu 6.º título Europeu e a sua 15.ª medalha em Campeonatos da Europa, medalhou em todos os Europeus em que participou!

Aos 35 anos, Telma Monteiro mostra que na sua 5.ª participação em Jogos Olímpicos – e estamos otimistas que, com, ou sem público, os Jogos Olímpicos de Tóquio irão acontecer -, poderemos ter agradável surpresa no que respeita à prestação da nossa Super Campeã. Sonhar com uma nova medalha, depois da épica prestação nos Jogos do Rio 2016, é um objetivo tangível, especialmente depois do que vimos nestes Campeonatos da Europa. Telma continua a superar-se, a mostrar uma resiliência e capacidade de sacrifício e de trabalho fabulosas e é legitimo esperar uma memorável prestação desta lendária, sim, lendária, judoca Portuguesa.

Em declarações à RTP, Telma resumia assim: “É fantástico. É difícil encontrar palavras, foi duro, foi uma preparação muito dura. Magoei-me no ombro quando estava a preparar-me para o Europeu e para o apuramento olímpico. Tinha esta oportunidade de disputar o título em casa, foi extremamente difícil, mas quando acordei de manhã senti que ia fazer história…. Foi um dia perfeito”! Se havia dúvidas, fica evidente que Portugal tem uma super-heroína!

Rescaldo dos Campeonatos da Europa de Judo, Lisboa 2021

O objetivo era ambicioso, para muitos impossível, igualar a prestação dos Europeus de 2008. No entanto, e apesar das adversidades e de muita juventude que a equipa Portuguesa apresentou, o número de medalhas foi igualado, um ouro e três bronzes, mas desta vez tivemos um quinto e dois sétimos lugares.

A prestação da equipa Lusa foi muito consistente, com destaque para Telma Monteiro, com o ouro nos 57Kg e para os bronzes de Barbara Timo, nos 70Kg, Rochele Nunes, nos +78Kg e João Crisóstomo nos 66Kg.

Começando pela prestação masculina, João Crisóstomo foi o grande destaque. Com a conquista da medalha de bronze renasce a esperança de uma presença em Tóquio, apesar de muito difícil pois, quando só faltam duas competições do circuito mundial para fechar a janela de qualificação olímpica, o Grand Slam Kazan e os Campeonatos do Mundo de Budapeste, a posição 54 do ranking de qualificação Olímpica é, à data, manifestamente insuficiente para garantir a presença em Tóquio. No entanto, esta medalha poderá ser um tónico para que João Crisóstomo se supere e consiga dois grandes resultados nestas duas etapas. Com duas prestações idênticas às que vimos nos campeonatos da Europa, acreditamos que poderemos ter uma agradável surpresa.

O 5.º lugar de Anri Egutidze foi um registo bipolar de emoções. Ao derrotar o campeão Olímpico, o Russo Khasan Khalmurzaev, e o campeão do Mundo, o Israelita Sagi Muki, ficava a ideia que Anri estava a caminho da Final, mas o Turco Vedat Albayrak tinha outros planos e, na meia final, conseguiu recuperar de uma desvantagem de wazari para carimbar a passagem para a final deixando Anri na disputa pelo bronze onde seria derrotado pelo Italiano Parlati.

O Campeão do Mundo Jorge Fonseca terminou em 7.º lugar na categoria dos 100Kg. Foi claramente uma das categorias mais competitivas deste campeonato da Europa. Jorge apresentou-se bem, no entanto acabou por ser derrotado pelo Russo Iliasov, velho conhecido que tinha derrotado na final dos campeonatos do Mundo de Tóquio, em 2019.

Sobre a prestação feminina, os bronzes de Barbara Timo, que regressou após um longo período de ausência devido a uma lesão, e Rochele Nunes foram a confirmação da enorme qualidade destas duas judocas- Relembro que Timo é Vice-campeã do Mundo e Rochele repetiu, em Lisboa, o Bronze dos Campeonatos da Europa de 2020. Também destaco o regresso, ainda que atribulado, de Patricia Sampaio, que entrou muito bem nestes campeonatos, depois de uma ausência de vários meses por lesão, teve nesta participação o regresso à alta-roda do Judo, sendo que passou por um momento frustrante ao lesionar-se no combate da repescagem, que lhe daria acesso à disputa pelo bronze dos 78Kg.

Em suma, o balanço da prestação Portuguesa é francamente positivo. Mesmo os atletas mais novos, que tiveram em Lisboa a sua primeira participação numa competição deste nível e com esta importância, superaram-se, sem dúvida motivados pelo ambiente, já que, apesar das bancadas despidas de público, a comitiva Portuguesa esteve sempre muito barulhenta no apoio aos atletas Portugueses. Os dois atletas que na minha opinião ficaram aquém das expectativas foram a Catarina Costa (48Kg) e o Rodrigo Lopes (60Kg). Rodrigo mostra alguma dificuldade em superar o bloqueio que o impede de chegar aos pódios.

Tenho escrito, com insistência, que “tem judo” e qualidade para chegar bem mais longe que uma segunda ou terceira ronda, no entanto, continua a claudicar em alturas fundamentais, comprometendo o sonho de participar no Jogos Olímpicos. Catarina, uma das cabeças de série do sorteio na sua categoria de peso, em que já tem a vaga para Tóquio garantida, pagou caro um erro e ficou de fora da competição ainda na fase das eliminatórias. Foi um “tropeção” no seu notável percurso desportivo e certamente voltará mais forte e confiante, pois a sua enorme qualidade, humildade e capacidade de trabalho dão-nos essa garantia.

Uma palavra também para a Federação Portuguesa de Judo e para a equipa técnica, liderada por Ana Hormigo e Pedro Soares, que há mais de um ano se têm empenhado em garantir que estes atletas se mantenham em atividade, propiciando condições de treino, organizando estágios e concentrações semanais, em que, inclusive, têm participado seleções oriundas de outros países, dado o nível, qualidade e segurança das mesmas.

Em jeito de conclusão, estão todos de parabéns! Atletas, Equipa Técnica, todos os elementos e entidades que estiveram envolvidas na organização (IPDJ, CML, entre outros) e a Federação Portuguesa de Judo! Os campeonatos da Europa de 2021 superaram as melhores expectativas!

O campeonato da Europa de Judo em Lisboa de 2021 (Foto: FPJ)

Dia 3 e Maio, o dia D para o regresso do Judo de formação

É oficial, dia 3 de Maio teremos o regresso do Judo de formação. As devastadoras consequências de mais uma paragem forçada serão inevitáveis, mas há que arregaçar as mangas e ir, literalmente, à luta para recuperar ou minimizar as consequências de mais um confinamento. Apesar das medidas de higiene e segurança, que acompanham este regresso, poderem, em algumas situações, ser bastante limitadoras, não sendo obviamente possível considerar este um regresso à normalidade pré-pandemia, confesso que começo a ver uma luz ao fundo do túnel, agora que, tirando casos pontuais, a pandemia que nos surpreendeu há mais de uma ano parece estar sob controlo.

Só com uma reforçada aposta na formação poderemos garantir novas fornadas de talentosos judocas e, assim, garantir continuidade neste conjunto de grandes resultados!


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