Taça Ibérica IV – Sporting CP e Corteva Cocos Rugby na luta pelo ceptro

Francisco IsaacDezembro 18, 20207min0

Taça Ibérica IV – Sporting CP e Corteva Cocos Rugby na luta pelo ceptro

Francisco IsaacDezembro 18, 20207min0
Pela 4ª vez na história do rugby europeu será jogada a Taça Ibérica feminina e fomos perceber a importância deste jogo! Entrevistas com Maria Heitor e Larissa Lima neste artigo

É mais que sabido de que 2020 foi um ano extremamente madrasto, decepcionante e triste desde Fevereiro passado, forçando a 90% dos eventos mundiais a serem cancelados, adiados ou reformulados – onde se incluiu o desporto -, lutando assim para controlar a situação pandémica que assolou todos os continentes e países. No desporto, uma boa parte das modalidades foi capaz de repor as suas competições internas masculinas a funcionar, adaptando-se às novas regras sanitárias, sendo que nos femininos a realidade foi diferente, pois foram impostas alterações ligeiras a outras mais profundas/drásticas, lançando uma sombra de dúvida no futuro do desporto feminino, especialmente o profissional.

Contudo, e apesar dos medos (e possível realidade) de corte de financiamento e investimento ou na reformulação parcial/total de competições do desporto feminino, a verdade é que ainda tivemos a possibilidade de ver algumas boas novidades, como os dois jogos entre Inglaterra-França passados em horário nobre e em canal aberto dos dois países europeus, e, mais localmente, a manutenção da Taça Ibérica, uma competição de valor e interessante que coloca as campeãs portuguesas e espanholas frente-a-frente.

Pelo 4º ano consecutivo, a Taça Ibérica feminina sénior será realizada em Portugal (Campo A do CAR Jamor) e volta a merecer transmissão em directo via RugbyTV, o que ajuda a demonstrar a importância do rugby feminino para o futuro do desporto português e espanhol, isto quando se assiste a um crescimento auspicioso da modalidade junto de mulheres de todas as idades pelo globo fora. Reunindo esta competição uma importância económica e desportiva de alto quilate, a equipa sénior feminina do Sporting Rugby, treinada por Pedro Leal e Frederico Caetano Nunes, segue para a sua quarta final na competição, podendo conquistar já este sábado o terceiro título de campeões ibéricos caso conseguiam derrotar as espanholas de Corteva Cocos Rugby da Universidade de Sevilha.

Depois de três meses de poucos jogos a nível local tanto devido aos limites impostos pela situação actual, que afectou a organização de jogos fora dos concelhos ou à escassa captação de novas atletas jovens ou veteranas, as leoas vão tentar ainda fazer mais história depois de terem somado um bicampeonato ibérico em 2019, sendo que este ano o elenco é praticamente todo português com destaque para as internacionais portuguesas Isabel Ozório, Maria Heitor ou Marta Ferreira, sem esquecer a inclusão de Larissa Lima, atleta que alinha na liga neozelandesa Farrah Palmer Cup (ao serviço dos Counties Manukau), para dar um reforço extra a já um contingente bem apetrechado.

Na combinação desta experiência e juventude, senioridade e jovialidade, pragmatismo e virtuosismo, encontramos um dos plantéis mais bem trabalhados e compactos das últimas duas décadas do rugby português e ibérico, com vários títulos e feitos marcantes e sonantes, sendo que só se pode lamentar o facto de ter sido pouco celebrado a nível de media, isto com o objectivo de conseguir atrair ainda mais atletas para a modalidade em Portugal, apesar do algum crescimento de clubes como o CR São Miguel (em parceria com o Belas Rugby Clube) ou RC Tondela.

Contudo, o dia 19 de Dezembro de 2020 tem de ser recordado como uma data histórica e de demonstração que o desporto feminino importa e tem de ser igualmente apoiado, tudo para encontrarmos a rota do sucesso e de reconhecimento que as atletas portuguesas, e não só, merecem. Entre as várias atletas que estarão dentro de campo para a 4ª edição da Taça Ibérica, falámos com uma das mais emblemáticas de sempre, que chegou inclusivé a se sagrar bicampeã no campeonato francês pelo LMRCV em 2016 e 2017… falamos de Maria Heitor. A antiga internacional lusa falou com o Fair Play e explicou a importância deste encontro não só para o rugby português mas também para si, em especial neste ano…

Num ano extremamente difícil para todos, terem conseguido jogar entre setembro e dezembro foi uma vitória. Foi a preparação suficiente para esta final?

MH. Num momento tão atípico como aquele que estamos a passar não consigo afirmar que tivemos a melhor preparação para este jogo, mas dentro das limitações que temos sim sem dúvida. Aproveitámos ao máximo todos os momentos de preparação individual e de grupo para estarmos à altura do desafio. Acredito que nos encontramos em pé de igualdade com a Universidade de Sevilha visto que ambas as equipas tiveram poucos momentos de competição de forma a prepararmos este grande momento.

Já jogaste e ganhaste todas as Taças Ibéricas… É um jogo que mexe contigo? Tens alguma recordação em especial de alguma das anteriores finais?

MH. Já joguei 3 e ganhei 2 delas. Recordações há muitas… acredito que a que me foi mais especial foi a que jogámos em 2018 no campo de honra do Estádio Universitário de Lisboa onde tive a oportunidade de ter a minha família quase toda presente no campo, e poder celebrar com a presença das minhas sobrinhas. Momento esse que não será provavelmente repetido nos próximos tempos.

Maria… quase duas décadas a jogar, inúmeros jogos, vários adversários, conquistas incontáveis e a final de amanhã será o teu último momento como jogadora… estás pronta? Estás mais sorridente ou sentes alguma amargura?

MH. Foram 17 anos como jogadora e acho que acabar amanhã a carreira vai ser num momento muito especial e espero conseguir a cereja no topo do bolo com a vitória. É um sentimento agridoce, por um lado feliz por encerrar um capítulo de uma forma muito especial, a disputar uma taça ibérica, por outro aquela noção de que muita coisa vai mudar. Tenho a sorte de ter a arbitragem a ajudar-me neste processo, já que consigo manter-me em campo mas noutros moldes. foram muitos anos, muitos jogos, muitos treinos, muitas conquistas e também muitas derrotas, e acima de tudo excelentes aprendizagens, amizades e momentos que levo para o resto da vida.

Larissa Lima, um dos únicos reforços do Sporting Rugby para esta Taça Ibérica, também se disponibilizou a conversar connosco e respondeu a duas questões,

Larissa, atravessar meio Mundo para vir dar uma ajuda ao teu Sporting. Porque é que tomaste esta decisão?

LL. Não foi/é uma decisão difícil para mim, primeiro porque voltar a casa é sempre bom e, segundo, é sempre um orgulho representar o Sporting, principalmente por poder jogar ao lado de grandes amigas!

O que esperas do jogo de amanhã? Depois de teres jogado no maior campeonato de rugby feminino (Farrah Palmer Cup), o que significa jogar na Taça Ibérica?

LL. Espero um grande jogo, pois é sempre uma final e, que apesar de ser a nível de clubes, é praticamente um Portugal-Espanha! Estou positiva assim como toda a equipa e estamos bem preparadas para o jogo. Jogar na FPC é espectacular para qualquer jogadora, o nível do rugby é incrível, é a melhor competição para se jogar lá fora e já ter feito 4 épocas é gratificante. A Taça Ibérica também é o jogo em que qualquer equipa ou jogadora de ambos os países gostaria de participar. Poder fazer isso em casa é ainda mais especial. Espero de verdade conquistar a nossa terceira Taça!

O 23 convocado para o encontro de amanhã, sábado dia 19 de Dezembro, que passará em directo na RugbyTV com hora marcada para as 11h00, é (um agradecimento à Maria Heitor e Pedro Leal por terem possibilitado esta revelação):

Tânia Semedo , Inês Marques, Marta Ferreira, Maria Branco, Ana Freire, Catarina Pragana, Larissa Lima, Maria Heitor, Margarida Cunha, Beatriz Marques, Catarina Esaguy, Joana Morgado, Ana Simões, Marta Pedro, Isabel Ozório, Francisca Baptista, Josefa Gabriel, Antónia Martins, Marcela Máximo, Leonor Amaral, Matilde Pedro, Teresa Guegues, Madalena São Mamede.

O Belenenses Rugby também disputará a Taça Ibérica no âmbito masculino, com jogo marcado para dia 27 de Dezembro em Pepe Rojo frente ao detentor do troféu, o supercampeão, VRAC.

 


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