Super Rugby Aotearoa 2020: os diferentes factor X

Francisco IsaacMaio 31, 20209min0

Super Rugby Aotearoa 2020: os diferentes factor X

Francisco IsaacMaio 31, 20209min0
Sem rodeios, o Super Rugby neozelandês vai ter talvez os melhores jogos de rugby do ano 2020, com vários factores a poder ajudar ou prejudicar cada uma das 5 franquias "kiwis"! Pronto para saber mais sobre o Super Rugby Aotearoa?

Está mesmo, mesmo, mesmo quase a começar o Super Rugby modo Nova Zelândia, com as cinco franquias kiwis lançadas numa corrida pelo título de campeã desta competição local que poderá marcar o contínuo domínio dos Crusaders ou proporcionar um novo “rei” num dos países mais emotivos da modalidade.

Que jogadores, treinadores ou outros factores podem influenciar/empurrar uma equipa na direcção da glória? Propomos alguns neste artigo!

BEAUDEN BARRETT (E DAN CARTER) SIM… MAS SAM NOCK FULCRAL

Sem dúvida alguma que a atenção de todos os adeptos – e quando dizemos todos, vai muito para além daqueles que suspiram pelos Blues – vai estar em Beauden Barrett e Dan Carter, dois polivalentes 3/4’s que já levantaram ambos o título de Melhor do Mundo por cinco ocasiões (três para o veterano de 38 anos e duas para o “novato” de 27), naquela que será a época de estreia pela franquia de Auckland. Contudo, há outro elemento essencial para que os homens de Leon McDonald possam desafiar os Crusaders e Hurricanes na luta pelo título do Super Rugby Aotearoa 2020 e ele é Sam Nock.

O formação tinha tido muito pouco tempo de jogo nas últimas quatro edições da mítica competição do Hemisfério Sul, mas o presente ano marcou um volte-face na sua história e registo no rugby neozelandês, ultrapassando o estatuto de suplente para titular assumido e isto se deve à qualidade de jogo que impõe tanto no fazer jogo após as fases estáticas, na voz de comando intenso e inteligente ou pelo brilhantismo técnico na saída com bola. Será peculiarmente interessante perceber se a dupla Nock-Barrett poderá escrever com letras douradas a sua história no Super Rugby, imitando uma parceria que Beauden Barrett teve nos Hurricanes com TJ Perenara (detêm o recorde de jogos em jogaram juntos num XV inicial) e a sua experiência e capacidade de fazer a diferença podem impulsionar Sam Nock a ser ainda mais eficiente na sua missão de meter os Blues a “dançar” e a dominar territorialmente. Com Dan Carter, Sam Nock pode ainda crescer mais e apurar a sua visão de jogo e capacidade de reacção após as fases estáticas, abrindo-se aqui uma possibilidade bem interessante.

Os Blues em 2020 parecem estar mais astutos, certos e lúcidos em comparação com as últimas épocas, e isso deve-se ao surgimento de jogadores como Hoskins Sotutu, Sam Nock, Dalton Papalii, Alex Hodgman, Stephen Perofeta, Mark Telea e também para o reacordar de Rieko Ioane (começa a conquistar o público como centro), Blake Gibson ou Otere Black… até que ponto pode Beauden Barrett ajudar os Blues a atingir outro patamar e o que é que a franquia de Auckland pode ajudar ao fantástico aberto desenvolver enquanto atleta?

SCOTT ROBERTSON E A MESTRIA DE CONSEGUIR DOMINAR TUDO E TODOS

É o melhor treinador do Mundo neste momento, em termos de clubes pelo menos, e os três campeonatos conquistados no Super Rugby – não esquecendo o tri também somado pela província de Canterbury – são prova disso mesmo, sendo um autêntico especialista no desmontar da equipa adversária e de conseguir manter os níveis de ambição e agressividade dos seus homens… Scott Robertson é portanto o homem a abater.

Não há dúvidas que maior parte do plantel herdado em 2017 veio das mãos de Todd Blackadder, um dos influencers principais actuais do rugby da franquia que ostenta os equipamentos rubro-negro, mas seria errado não aceitar que foi Scott “Razor” Robertson a transformar esta argila dos Crusaders em algo mais dominante, intenso e eficiente dentro e fora das quatro-linhas, desenvolvendo para isso uma equipa técnica de altíssimo nível com um foco mais contemporâneo na forma de trabalhar, para além de conseguir retirar o melhor de cada jogador sem se esquecer de limar os detalhes mais frágeis de cada um dos seus atletas.

O treinador tricampeão é uma constante ameaça para os seus adversários, não tendo dado qualquer hipótese às outras 15 equipas do Super Rugby – só os Hurricanes em 2019 ainda tiveram uma última grande oportunidade mas de nada valeu o esforço na meia-final – nestes últimos três anos, relembrando que Christchurch é uma catedral inviolável que ostenta actualmente três épocas e meia sem qualquer derrota registada, somando-se ainda as autênticas “destruições” dos seus adversários como os Rebels (vitória dos neozelandeses por 66-00), Blues (54-17 em 2018) ou Jaguares.

JORDIE BARRETT E O INÍCIO DE UMA NOVA ERA?

Como se diz na gíria, Rei Morto, Rei Posto, a saída de Beauden Barrett de Wellington abriu um vazio total tanto na posição de abertura como no criar de momentos mágicos e de alta fantasia que conseguem ser autênticos abre-latas de defesa, pressionando Ngani Laumape, Ardie Savea, TJ Perenara e Jordie Barrett a absorver a ausência de um nº10 de craveira mundial, mas será possível? O arranque da temporada 2020 não foi positivo, com duas derrotas e umas quantas exibições cinzentas que deixaram os adeptos da franquia preocupados em relação a serem ainda um candidato ao título de campeão.

Depois de ultrapassada a fase inicial atribulada, os Hurricanes foram ganhando confiança e os novatos da equipa começaram a mostrar o porquê de terem sido seleccionados por John Plumtree – sim, abandonou em Dezembro do ano passado mas foi o agora coach dos All Blacks que montou a franquia -, sem esquecer o papel decisivo de Laumape no levar a equipa para a frente ou da capacidade técnica de Jordie Barrett em fazer uso do seu jogo ao pé para conferir outra saída de jogo que já fez diferença na actual temporada.

O defesa não tem sido genial, verdade, mas tem sido consistente nas exibições, mais focado na defesa tendo evoluído bastante neste aspecto, lendo melhor o que o adversário vai ou não fazer, notando-se por exemplo esse crescimento frente aos Chiefs, jogo em que Jordie Barrett foi capaz de sonegar algumas possíveis jogadas perigosas de Damian McKenzie ou Aaron Cruden, num encontro onde até foi fundamental na conversão da penalidade vitoriosa dos Hurricanes.

Portanto, é nesta mini-competição neozelandesa que vamos perceber se Jordie Barrett é um jogador ou não diferente, se tem capacidade ou não para fazer sombra a Damian McKenzie na luta pela camisola 15 dos All Blacks e se tem a qualidade para fazer esquecer – pelo menos parcialmente – o seu irmão.

WARREN GATLAND E A CAIXA DE SURPRESAS DOS CHIEFS

Depois de dois anos tremidos, os Chiefs surgiram em 2020 fisicamente mais competentes, apresentando um elenco altamente apetrechado treinado por um dos maiores treinadores do rugby mundial dos últimos 20 anos… Warren Gatland. Aquele que é considerado uma velha raposa do Planeta da Oval, chegou, viu e venceu a maioria dos encontros da presente temporada, derrotando mesmo os Crusaders por 25-15 naquele que foi um primeiro sinal em como Gatland sabia desbloquear mentalmente o problema de aguentar a 2ª parte contra os actuais tricampeões, conseguindo impor o mesmo ritmo e dinamismo durante os momentos essenciais de jogo, algo essencial para chegar ao nível de campeões da competição.

Apesar do derrape frente aos Brumbies e Hurricanes, os Chiefs ultrapassaram aquela imagem de uma equipa divertida a jogar, perigosa no ataque mas permeável na defesa e breakdown, especialmente na defesa do ruck, sendo agora uma franquia mais compacta e dura, postulando uma defesa mordaz e que procura causar dano na construcção de jogo do adversário, desafiando o formação e avançados contrários a disputarem até ao limite todos os rucks, mauls ou placagens.

Ou seja, Warren Gatland deu alguns apertos numa “máquina” especial e fundamentalmente deu argumentos aos Chiefs para acreditarem que é possível não só ganhar aos Crusaders, como de serem um candidato crónico ao troféu do Super Rugby – neste caso o Aotearoa – já nesta época, com um Warrenball 2.0 que tem a defesa do ruck e no contra-ataque a a partir do breakdown são essenciais, sem deixar cair os aspectos fantásticos a nível do ataque, ajudando-os até atingir uma eficácia lógica e harmoniosa.

HÁ POSSIBILIDADE DE SALVAÇÃO PARA OS HIGHLANDERS?

Bem, há que digam que são os underdogs em 2020, mas esse conceito está erradamente atribuído aos Highlanders, pois quem poderá encaixar na perfeição nessa categoria são os Blues, enquanto que os Highlanders podem ser considerados aquela equipa sólida, reconhecida pelo colectivo uno e compacto que podem estar a caminhar para uma crise de resultados e competitividade devido à saída de vários dos seus principais jogadores como Ben Smith, Jackson Hemopo, Luke Whitelock, Tom Franklin, Elliot Dixon, Liam Squire, Matt Fades e Waisake Naholo, restando poucos grandes nomes para continuar a alimentar esta máquina treinada por Aaron Mauger.

Se existe possibilidade dos Highlanders terem uma franca hipótese de chegarem ao título de campeões em 2020? Não. É óbvio que numa percentagem de probabilidade há sempre um mínimo dos mínimos, mas a verdade é que todo o sistema da franquia de Otago está a sofrer uma remodelação profunda, necessitando tempo para se construir uma nova realidade para um emblema que em 2015 levantou o título de campeão do Super Rugby, caindo de ano para ano em termos de qualidade exibicional e de capacidade em bater o pé aos seus maiores rivais, sejam os Hurricanes ou Crusaders, ocupando em 2020 um dos últimos lugares da competição com apenas 1 vitória em 6 jogos.

Chegou no entretanto Nehe Milner-Skudder e há possibilidades de outros antigos jogadores juntarem-se ao elenco durante estes três meses, mas que poderá ser perigoso se a ideia de Mauger é construir um futuro sólido e baseado nas novas coqueluches como Marino Mikaele-Tu’u, Jona Nareki, Ngane Punivai, Sio Tomkinson, Josh Ioane, entre outros.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter