23 Mai, 2018

Internacionais de Outono #2 – Stuart Hogg ficou a metros do impensável

Francisco IsaacNovembro 20, 20176min0

Internacionais de Outono #2 – Stuart Hogg ficou a metros do impensável

Francisco IsaacNovembro 20, 20176min0
Segunda semana de jogos e a Nova Zelândia quase que caía ante os pés da Escócia e de Stuart Hogg... como? A nossa análise dos Internacionais de Outono!

O MOMENTO – OS METROS DO IMEMORÁVEL FICARAM… A KM’S!

Respira de alívio a Nova Zelândia, num jogo electrizante e memorável para todos os adeptos do Planeta da Oval. Infelizmente para os escoceses não ficará na memória, pois tiveram tudo para pelo menos empatar o jogo ante os bicampeões do Mundo. O 22-17 que se registou no final dos 80′, prova a ideia de que o encontro em Murrayfield foi super-equilibrado, algo inesperado antes do apito final.

A excelente coordenação do XV escocês, forçou aos All Blacks concederem várias faltas no chão (o apoio voltou a ser um problema sério dos neozelandeses) ou de fora-de-jogo. Porém, Finn Russell (que realizou uma boa exibição a atacar e uma sólida prestação a defender) só conseguiu converter em pontos uma penalidade em duas que dispôs. As restantes faltas foram atiradas para o alinhamento, com os All Blacks a contra-atacarem com qualidade e porem fim às tentativas de ensaio da equipa da casa.

Fazendo um fast forward para o momento crucial (passamos à frente dos ensaios mágicos de Mckenzie e Barrett – destaque para a importância de SBW em ambos), a Escócia conseguiu relançar o jogo aos 75′ com um ensaio de Huw Jones (um dos jogadores mencionados pelo Fair Play na antevisão aos Internacionais de Inverno) e colocou enorme pressão sob a Nova Zelândia.

Nos minutos finais, Huw Jones recebe a bola e faz um passe soberbo para Stuart Hogg (jogo monumental do defesa, que está em alto nível desde que regressou). O nº15 passeou pelo meio de vários All Blacks e quando parecia certo o ensaio surge Beauden Barrett, que como uma “lança” super-sónica chega e põe termo às intenções de ensaio da Escócia. Hogg ainda tentou um offload mas… a bola foi para a frente.

Um pormenor decisivo para os All Blacks… já para Hogg aquilo que parecia uma questão de poucos metros, ficou a km’s de distância no final do encontro.

A EXIBIÇÃO – LAUNCHBURY… O HOMEM QUE MERECIA TER SIDO LION

Podemos arguir que a arbitragem do jogo de Twickenham foi no mínimo estranha, com uma dualidade de critérios muito complicada e que os australianos podem questionar… porém, também é verdade que a melhor equipa ganhou. Um jogo algo pobre durante 70 minutos, que acabou por sofrer significativas mudanças no placard com três ensaios nos últimos oito minutos de jogo, passando de 13-06 para 30-06.

A entrada de Danny Care foi fundamental para esse desfecho final, com o formação a surpreender a equipa adversária com dois pontapés estratégicos que apanharam Beale e Hodge desprevenidos. A chuva e o relvado molhado ajudaram aos jogadores ingleses a deslizar com facilidade para dentro da área de ensaio.

Todavia, o resultado inglês construiu-se a partir da defesa, com a selecção de Sua Majestade a aguentar bem a pressão australiana (Michael Hooper foi sempre um dínamo no ataque à linha de defesa inglesa) e a invocar não só uma placagem quase perfeita, como também uma excelente entrega no colectivo e uma comunicação bem trabalhada entre parceiros de defesa.

Em particular há que destacar o “monstro” da segunda-linha, Joe Launchbury que contribuiu com 19 placagens, quatro turnovers, dois roubos de alinhamentos e duas excelentes contestações de ruck. É um defesa soberbo, um atacante resiliente e um homem fadado para liderar a sua equipa. Porque não, no futuro, promover Joe Launchbury a capitão?

Exibição de capricho e que eleva a fasquia na selecção inglesa.

A DÚVIDA – ESTÁ A GEÓRGIA PRESTES A BATER À PORTA?

Um calafrio imenso terá varrido as bancadas do Millenium Stadium em Cardiff… a Geórgia teve a metros de fazer algo impensável… derrotar um dos grandes mundiais. O País de Gales fez uma exibição muito sofrível, com demasiados erros a atacar (deixaram escapar três ensaios em cima da linha de ensaio), onde cada jogador queria marcar ensaios invés de os ajudar a montar.

A Geórgia pelo seu lado fez um jogo extremamente sério, dedicado e com uma estratégia de elevado calibre, passando muito pela eficácia dos seus avançados (conquistaram nove das suas dez formações ordenadas e catorze dos seus quinze alinhamentos) e inteligência “agressiva” da sua linha de 3/4’s. Não foi uma exibição gloriosa em termos de rugby jogado, mas foi uma prestação bem curiosa e que merece uma atenção do Mundo do rugby.

Os galeses, como dissemos, tiveram mais “sorte” que “juízo”, construindo o resultado nos primeiros 20 minutos com o único ensaio do jogo a ser concretizado por Amos. Pouco, mas muito pouco se viu do País de Gales que começa a levantar perguntas complicadas sobre a qualidade de jogo imposta por Gatland.

A grande pergunta agora é: merece a Geórgia uma oportunidade para subir de “patamar” na Europa? Ou esta exibição foi uma em cem e o 06-13 foi um mero “acaso”?

O QUE FALTA – FIJI TÃO PERTO DE SURPREENDER

Uma dúvida que se lança em relação à qualidade dos fijianos… o que falta para surpreender o Mundo do rugby em definitivo? Na essência falta eficácia, frieza e uma maior concentração nos momentos capitais. Os jogadores da Fiji cometem erros “infantis” em momentos cruciais do jogo, como ficou demonstrado naquela última falta que possibilitou à Irlanda desfazer o 20-20 para pôr um 23-20 no marcador.

Com uma linha de três-quartos que pesava em média 100 e poucos kilos (só Nadolo pesa 135 kilos), os fijianos lançaram o pânico em plena Irlanda, com uma série de jogadas de belo efeito, com os típicos offloads e entradas em máxima velocidade, uma das quais resultou num dos melhores ensaios de todo este mês de test-matches.

Contudo, é no gerir o jogo que os fijianos têm de melhorar. Por vezes o brilhantismo tem de ser “amordaçado” ou trabalhado de forma a que equipa não conceda certos erros no jogo ofensivo, como as faltas no breakdown (falta de apoio) ou a forma como vão ao contacto (a falta que dá vitória à Irlanda foi desnecessária, com o defesa Murimurivalu a virar ilegalmente um jogador irlandês).

As Fiji têm tudo para ser uma selecção brilhante, gloriosa e altamente elétrica para o Mundo do rugby, mas precisa de rapidamente dar o salto em termos de estratégia e eficácia.

MELHOR JOGADOR: Stuart Hogg (Escócia)
MELHOR ESTREANTE: Luke Hamilton (Escócia)
“PATINHO FEIO” DA SEMANA: Kurtley Beale (Austrália)
MELHOR ENSAIO: Henry Seniloli vs Irlanda (min. 40)
MELHOR PLACADOR: Louis Picamoles (França)
MELHOR JOGO: Escócia vs Nova Zelândia


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