Sol na eira e chuva no nabal: a eterna bipolaridade Escocesa

Helena AmorimAgosto 27, 20195min0

Sol na eira e chuva no nabal: a eterna bipolaridade Escocesa

Helena AmorimAgosto 27, 20195min0
Para onde caminham os 31 seleccionados de Gregor Townsend no Mundial de Rugby 2019? Será que a selecção escocesa vai ficar de fora logo na fase-de-grupos ou vai surpreender?

Após a realização de dois jogos treino com a França em que a Escócia é esmagada no primeiro e reabilitada no segundo, impõe-se uma pequena reflexão sobre o momento da selecção do cardo.

Gales passou com mérito mas também um pouco inadvertidamente para o topo do world rugby ranking; a Irlanda é uma selecção que tem-se mantido estável em termos de resultados e exibições; Inglaterra com mais ou menos inspiração não descola do topo…mas a Escócia… a Escócia devia ser um caso de estudo!

Tanto Vern Cotter como Gregor Townsend conseguem reabilitar uma Escócia modesta mas nunca conseguem trazer o melhor da Escócia. A selecção tem uma pool de jogadores que normalmente ou ganha ou é runner up da liga Heineken ou Celta que permite embates entre galeses, irlandeses, escoceses e italianos, uma das mais competitivas ligas domésticas do Mundos! Portanto, a massa humana é de qualidade!

Os 31 seleccionados para o Mundial do Japão só serão conhecidos no dia 3 de setembro mas não são os seleccionados que interessam pois independentemente de quem seja escolhido, o problema escocês está na consistência e estabilidade das exibições e isso não depende dos executantes que são do mais alto nível mas da estratégia gizada e dos treinos dados pelo seleccionador e treinadores.

Um jogo paradigmático do que representa a selecção escocesa nos últimos tempos é o jogo que ditou um empate a 38 com a Inglaterra naquela que foi a última jornada dos 6 nações deste ano: uma equipa com uma defesa sofrível e um ataque inconsequente na primeira parte e uma equipa robusta e combativa com um frenesim de ataque, na segunda. O espírito bipolar desta selecção é a sua marca de água e parece não haver nada nem ninguém que saiba fornecer a calma e a regularidade que esta selecção exige para se equiparar aos seus mais directos rivais.

As fases estáticas , que já foram uma mais valia , são agora menos assertivas para uma equipa onde o caos parece ser o meio em que prosperam. Verdade que no 6 Nações a equipa se viu um pouco depauperada de algumas opções como  John Barclay, Ryan Wilson e Hamish Watson mas o pack escocês já não é indiscutível na sua maneira de trabalhar. As linhas atrasadas têm ao longo dos anos trazido mais dinâmica e alguma finesse, nomeadamente com Stuart Hogg , Finn Russell e com novos talentos e muito interessantes como Magnus Bradbury, Sam Skinner e Jamie Ritchie. Portanto, há renovação e há qualidade.

A 17 de Agosto a Escócia defrontou a França em Nice com uma derrota verdadeiramente estrondosa de 32-3. Encaixaram 5 ensaios com uma facilidade que não pode de maneira nenhuma repetida no próximo sábado no segundo confronto com os Franceses e muito menos na pool do Mundial onde defrontarão o Japão, a Irlanda, Rússia e Samoa. A equipa que entrou em jogo em Nice foi:

15. Stuart Hogg, 14. Darcy Graham, 13. Huw Jones, 12. Duncan Taylor, 11. Byron McGuigan, 10. Adam Hastings, 9. Ali Price, 1. Jamie Bhatti, 2. Stuart McInally, 3. Simon Berghan, 4. Ben Toolis, 5. Grant Gilchrist, 6. John Barclay, 7. Jamie Ritchie, 8. Josh Strauss.

Foram cometidos muitos erros, no alinhamento, nas disputas de bola no solo com penalidades a surgirem sem necessidade, porque é sempre isso que acontece: a escócia é muito indisciplinada e quando tem oportunidades de finalização não é esclarecida que chegue. Com o estilo preconizado por Gregor Townsend de alta rotação, se as coisas não funcionam à primeira, não há um plano de recurso porque não há paciência para circular efectivamente a bola.

No fim de semana seguinte, o re-encontro em Murrayfield revestiu-se de 14 mudanças no XV inicial, com apenas Stuart Hogg a manter-se.

A primeira parte ainda foi sofrível mas na segunda parte conseguiu-se ver um pouco de atino. Willem Nel e Gordon Reid trouxeram estabilidade à primeira linha; Blade Thomson estreou-se a terceira linha e deu muito bons apontamentos; Finn Russell voltou a abertura e viu-se a qualidade superior a nível do passe;  Barclay começou no banco; Peter Horne e Chris Harris fizeram o par de centros que só entrou em actividade visível na segunda parte; Skinner e Cummings na segunda linha foram bastante combativos. Em termos físicos a Escócia esteve melhor e é nesse ponto, a questão física, que também têm residido muitos dos problemas.

Hamish Watson deu bastante garra à terceira linha e promete baralhar as contas para o três de trás. Ainda se viu uma defesa muito mole principalmente aquando do primeiro ensaio Francês. Os ensaios Escoceses foram de Maitland e Harris.

Para o Mundial, Finn Russell terá de fazer parte dos planos de Townsend a abertura, na medida em que Adam Hastings tem boas anotações mas não é aquele jogador que faz a diferença; a primeira linha terá de contar com dados firmado se eperiência de WP Nell, Adam Del e Zander Fergusson e a segunda linha terá de ser mais aguerrida na disputa; John Barclay e Jamie Ritchie são primordiais nas asas e nas linhas atrasadas Stuart Hogg deverá rezar a todos os Santos para não se lesionar e Duncan Taylor será um valor firmado e que fornecerá alguma tranquilidade à dupla de centros.

Temo que uma excepcional exibição Japonesa (aliás, algo a que nos tem habituado), possa delegar a Escócia para um terceiro lugar na Pool. A ver vamos mas para quem é fã da Selecção Escocesa, já não há muita fé!


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