Seis Nações 2020 R5: A Rosa volta a sentar no trono de campeã!

Francisco IsaacNovembro 1, 20207min0

Seis Nações 2020 R5: A Rosa volta a sentar no trono de campeã!

Francisco IsaacNovembro 1, 20207min0
A soma de todos factores ofereceu o título de campeão das Seis Nações 2020 à Inglaterra e explicamos o que se passou na última ronda da competição anual europeia. Os destaques e muito mais na opinião de Francisco Isaac

Como esperado, houve razões suficientes para dotar a última ronda das Seis Nações 2020 de um dramatismo total, que terminou com a “Rosa” da Inglaterra a subir mais alto que os seus adversários, tudo graças a uma vitória da França frente à Irlanda em Paris. Os destaques e pormenores do fim-de-semana que encerrou a maior prova de selecções do Hemisfério Norte e das mais antigos do Mundo do desporto.

ESCÓCIA RESGATA A VITÓRIA E O 4º LUGAR

Monótono durante a maior parte do tempo de jogo, o País de Gales-Escócia teve poucos momentos explosivos ou incríveis de se assistir, apesar da maior insistência do lado escocês em procurar linhas de ataque algo mais energéticas, mas que raramente deram sequência a um movimento interessante. Se a selecção da casa se baseou, em excesso, no subir no terreno pelo jogo ao pé e de tentativa de recuperar o controlo da oval no breakdown ou contacto, já a Escócia foi tentando encontrar superiorizar nas fases-estáticas e no maior virtuosismo das suas unidades das linhas atrasadas com Finn Russell (forçado a sair por lesão aos 30 mintuos de jogo), Adam Hastings, Stuart Hogg e Darcy Graham a serem constantes preocupações para o bloco adversário.

Contudo, o encontro foi baseado largamente naquilo que é o classicismo do rugby europeu, de um bater contínuo no contacto, de procurar o uso do jogo ao pé para castigar a equipa contrária ou tirar a pressão de não conseguir garantir um avanço na linha-de-vantagem, esperando que surjam erros pelo cansaço defensivo, uma situação que acabou por acontecer aos homens comandados por Wayne Pivac.

O lado galês só foi capaz de conquistar 190 metros com a oval em seu poder, a larga maioria dentro do seu meio-campo, revelando uma incapacidade preocupante no criar de combinações com as suas opções nas linhas atrasadas em que Dan Biggar ou Leigh Halfpenny tiveram quase nenhum impacto com a oval em seu poder e este factor tirou qualquer possibilidade de mobilidade ofensiva do País de Gales durante os 80 minutos. Mas então como é que a Escócia não foi capaz de fazer mais do que ensaio? Dois motivos: a qualidade da placagem e capacidade de reacção defensiva do País de Gales foi de boa qualidade e a perda de sucessivos alinhamentos em zonas proibidas do terreno.

A 2ª razão é talvez a que tenha “estragado” a estratégia de Gregor Townsend em termos de atingir outros números no marcador final, pois a Escócia em 15 alinhamentos perdeu o controlo de bola por 5 ocasiões, três das quais nos últimos 10/5 metros do ataque, enquanto outras duas aconteceram dentro dos seus 22 metros, com uma das quais a resultar na jogada de ensaio dos seus adversários. É inexplicável o porquê de terem persistido em colocar a oval no último pod de salto, quando era o local mais perigoso e improvável de correr bem no alinhamento, tanto devido à inoperância do talonador Fraser Brown com o seu saltador ou pela qualidade de salto e incómodo dos saltadores galeses.

O embate clássico acabou por dar vitória para a Escócia que registou a sua 2ª vitória em solo galês no Século XXI, depois de 18 anos sem ganhar em casa dos Red Dragons, fechando as Seis Nações 2020 no 4º lugar da tabela.

INGLATERRA Q.B. PARA UMA ITÁLIA “AGRESSIVA”

Dos três jogos da última ronda das Seis Nações, o Itália-Inglaterra foi o mais caótico em termos de disciplina com 26 penalidades cometidas, 13 para cada lado, ficando bem patente uma carta agressividade excessiva em diferentes lances e embates que precipitaram o jogo para uma anarquia preocupante. A Itália foi bem mais dura e explosiva quer no contacto ou na comunicação com o árbitro em comparação com a semana anterior, com a Inglaterra a cair nessa “armadilha” e entrar no mesmo espírito, perturbando a missão e objectivo delineados por Eddie Jones, que era acumular o máximo número de pontos marcados de forma a garantir a vitória, ponto de bónus ofensivo e uma diferença de pontos superior à Irlanda.

Durante a maior parte do encontro a Inglaterra teve em seu poder a oval e esteve mesmo “acampada” entre os últimos 30 metros do meio-campo transalpino, mas a disposição e foco mental e a má execução técnica foram razões mais que suficientes para não se dar um resultado mais largo no final dos 80 minutos.

Owen Farrell não esteve bem como abertura, já que raramente foi capaz de procurar soluções na defesa de alta pressão da Itália, acabando por fechar em demasia o ataque da Inglaterra e a limitar o fluxo de rugby contínuo da Rosa, que pouco explorou a velocidade desenfreada e skills técnicos de Jonny May e Anthony Watson, tendo isto também sido culpa do fraco envolvimento de George Furbank nas movimentações da Inglaterra. Mesmo assim, a dureza e fisicalidade dominante dos ingleses foi suficiente para manipular a muralha defensiva da Itália a partir dos últimos 20 minutos, altura em que surgiu a melhor Inglaterra, muito por conta da participação da sua 3ª linha e Henry Slade, fabricando os espaços suficientes para subir no território e fazer os ensaios suficientes para atingir o ponto de bónus e uma vantagem boa entre pontos marcados e sofridos.

Mesmo com alguns tons de cinzento a imperar em demasia a prestação da Inglaterra, a verdade é que garantiram uma vitória justa e merecida perante uma Itália que está visivelmente com outra fibra no que toca à capacidade mental, faltando agora esperar pelo crescimento de jogadores-sensação como Paolo Garbisi ou Jake Polledri.

CAOS, DRAMA E TRAGÉDIA NA LUTA…PELO 2º LUGAR

Naturalmente foi este o melhor jogo das Seis Nações 2020, muito devido à necessidade das duas equipas terem de procurar a vitória por largos pontos de modo a conseguirem chegar ao título… ou seja, a receita certa para um excelente espectáculo no ataque, mas um “manto” de retalhos no espectro defensivo.

A França foi largamente o melhor conjunto com excelentes inserções no ataque pelas mãos de Antoine Dupont e Romain Ntamack, com o formação e abertura a forçar erros repetidos na Irlanda, mostrando toda aquela genialidade entusiasmante que desconcerta qualquer linha-de-defesa, como se prova pelas seis quebras-de-linha (3 cada), cinco defesas batidos (o 10 dos Les Bleus foi autor de 2 e o nº9 foi capaz de enganar 3 adversários) e quatro assistências para quebras-de-linha dos companheiros de equipa – Gäel Fickou foi quem melhor aproveitou os passes de qualidade de Ntamack e Dupont.

A Irlanda conseguiu ter bons períodos durante o encontro mas foi demasiado inconsistente no uso da posse de bola concedendo demasiados erros no contacto ou efectuou faltas em zonas proibidas do campo, como aconteceu naquela placagem ilegal de Caelan Doris que acabou em ensaio de penalidade, apesar de ter sido o lado com menos penalidades cometidas com sete, enquanto que os Les Bleus terminaram nas catorze faltas. Jonny Sexton foi bem “fechado” pela 3ª linha adversária, enquanto Connor Murray não esteve bem nas opções tomadas a partir das fases-espontâneas, especialmente quando já estavam dentro dos últimos 10 metros defensivos dos seus adversários, consentindo turnovers críticos quando não podia se dar essa situação.

A França relembrou a tudo e todos que foi a melhor selecção em termos de dar uso à oval (o ensaio de Vakatawa é um hino ao que há de melhor no rugby) e no breakdown durante este (longo) ano de 2020 (o ensaio de Fickou faltando uma ponta de sorte e cabeça naquela visita a Murrayfield, que acabou por ser uma espécie de perda do título anunciada na altura.

REGISTOS DA 5ª RONDA

MVP da Ronda: Romain Ntamack (França);
Placador da Ronda: Grégory Alldritt (França) – 24 placagens e 1 turnover;
Melhor Marcador da Ronda: Romain Ntamack (França) – 18 pontos (1 ensaio, 2 conversões e 3 penalidades);


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