Seis Nações 2020: que experiências vai Eddie Jones fazer no nº8?

Francisco IsaacJaneiro 20, 20206min0

Seis Nações 2020: que experiências vai Eddie Jones fazer no nº8?

Francisco IsaacJaneiro 20, 20206min0
A Inglaterra quer ultrapassar um ano 2019 que terminou da pior forma possível e Eddie Jones já escolheu os representantes da Sua Majestade. Mas que problemas se avizinham para a Rosa?

Os vice-campeões do Mundo marcham para as Seis Nações com várias novidades no grupo de trabalho, deixando no ar uma série de questões que precisam de ser respondidas mas avançamos com a mais crítica de todas: quem vai estar a comandar os avançados como nº8? Billy Vunipola deve falhar todos os encontros da competição lendária europeia, o que vai forçar uma mudança de planos a Eddie Jones, que no entanto não passarão pelos estonteantes 3ª linha-centros Sam Simmonds e Alex Dombrandt. Por isso, quem vai assumir a responsabilidade de ser o 8 da Inglaterra?

Propomos algumas possibilidades, sendo que fica a nota da escassez de opções dentro dos 35 escolhidos!

LUDLAM OU CURRY PARA UMA NOVA ESTRATÉGIA?

Billy Vunipola foi o nº8 da Inglaterra durante todo o ano de 2019 e raramente saiu das escolhas de Eddie Jones mesmo em jogos mais acessíveis como os EUA ou Tonga no Rugby World Cup 2019, o que prova o quão essencial é o atleta dos Saracens para a estratégia e modelo de jogo da Inglaterra. Não significa isto que seja imprescindível, mas a verdade é que o timoneiro da Rosa confia pouco nas opções dispostas como ficou provado quer com Nathan Hughes (só jogou em 2018 porque Sam Simmonds sofreu uma pequena lesão) ou Mark Wilson (foi o “banco” de Vunipola durante as Seis Nações e RWC19), tendo sido Sam Simmonds a última grande experiência de Jones nesta posição – que correu parcialmente bem contra o País de Gales e Itália, mas caoticamente mal na recepção à Irlanda, isto me 2018.

Não existindo Hughes ou Wilson (um dos nove jogadores que foram ao Mundial mas que não receberam chamada para as Seis Nações 2020) na 3ª linha, quem foram então as restantes opções? Ben Earl (Saracens, asa e sem internacionalizações no currículo), Ted Hill (atleta do Bath Rugby, normalmente alinha como 6), Lewis Ludlam (continua em grande forma nos Northampton Saints), Tom Curry (outro nome que não baixou de forma após o RWC) e Sam Underhill (o enforcer do Bath Rugby vai ser o camisola 7 da Rosa). Ou seja, juventude ao quadrado com uma média de idades de 22 anos e com um máximo de 19 internacionalizações (Tom Curry) oferecendo assim espaço para erguer uma nova era da selecção inglesa que procura criar uma base sólida com os olhos já postos no próximo Mundial de Rugby.

Vejamos os dois estreantes absolutos: Ben Earl é um dos asas mais promissores em Inglaterra onde as características técnicas no que concerne ao jogo defensivo e de contra-resposta, impondo uma fisicalidade que Eddie Jones aprecia, sendo assim um jogador similar a Tom Curry e Sam Underhill. E Ted Hill, que consideramos um novato por só ter uma internacionalização, é um dos principais jogadores dos Worcester Warriors ocupando com excelência a posição de asa-fechando, onde mostra uma “agressividade” na placagem altamente dominante e que criar sérias dificuldades a ataques que reagem mal a uma pressão alta.

Dos dois, um poderá perfeitamente entrar para a titularidade do elenco de Eddie Jones, com Earl a possuir mais experiência no alto nível (3ª época nos Saracens) e uma leitura de jogo de categoria, enquanto Hill é um elemento onde o físico imponente (quase 2 metros de altura e 115 kilos) e a dureza da placagem fazem-no de uma ameaça constante. Porém, Earl e Hill podem vir a apenas ser opções de banco, pois a teoria mais aceitável é a de que Sam Underhill fique com o lugar de 7, restando duas opções: Lewis Ludlam e Tom Curry. Qual dos dois vai ficar com a camisola 8?

Curry foi extraordinário 6 durante todo o RWC 2019, com uma classe e eficácia tremenda na placagem (dos melhores, com 90% e 58 placagens… podem saber quem foram os melhores placadores do RWC neste artigo: melhor placador e defesa), na rápida reação à disponibilização defensiva, um equilibrado jogador na saída da formação-ordenada e um “predador” em redor do breakdown, pormenores que desde o 1º minuto apaixonaram a equipa técnica inglesa. É importante não esquecer do seu bom envolvimento nas componentes ofensivas, postulando-se como um tackle buster da melhor espécie, onde a velocidade e poder de explosão fazem toda a diferença na linha-de-vantagem. Esta é a defesa de Tom Curry e de como pode ser uma real boa escolha na camisola 8 da Rosa… todavia, seria errado não dar uma oportunidade a Lewis Ludlam como 3ª linha centro, até porque a nível do virtuosismo ofensivo e alta intensidade defensiva é um atleta especial e que do nada, em 2019, figurou nas escolhas de Eddie Jones.

Ludlam pelos ingleses alinhou tanto como 6 e 7, facilmente passando de uma posição para outra dependendo do que o staff técnico da Rosa procurava impor e trabalhar no tabuleiro de jogo, olhando para o atleta dos Northampton Saints como um polivalente moderno e de refinado. Entre Curry e Ludlam, o mais similar a Billy Vunipola é o último e é só ver como encaixa bem nos carries da sua responsabilidade, tendo somado melhores números no ataque que qualquer um dos asas titulares da Inglaterra no Mundial de Rugby – 1 ensaio, 3 quebras-de-linha, 5 defesas batidos e 90 metros batidos.

Estranhamente ficaram de fora dois nomes que facilmente poderiam ocupar o lugar de 8, Sam Simmonds e Alex Dombrandt. Ambos estão a realizar uma excelente temporada nos Exeter Chiefs e Harlequins, com Dombrandt a mostrar uma componente física que normalmente Eddie Jones aprecia. Já Sam Simmonds chegou a ser titular na Inglaterra de Jones em 2018, mas depois de uma lesão que durou mais de 10 meses acabou preterido das escolhas.

Vai ser uma das lutas titânicas por uma das posições mais importantes desta Inglaterra, que aposta no bullinismo físico acompanhado de uma pressão desesperante que vai criando sérias dificuldades em equipas que não consigam ombrear fisicamente durante a maior parte do encontro. Porém, a introdução de Curry a 8 poderá se revelar como a opção por uma 3ª linha mais de defesa e de espera de recuperação de bola quer seja no contacto ou no breakdown? Caso a solução passasse por Ludlam na vaga de Vunipola, seria a aposta no mesmo modelo?

A verdade é que o mastermind Eddie Jones continua a guardar bem o “jogo” em certos momentos, e a convocatória que saiu deixou algumas pessoas surpreendidas até porque houve várias novidades em outras posições, com a saída de 9 jogadores que foram ao RWC 2019: Billy Vunipola (lesão), Joe Cokanasiga, Henry Slade, Dan Cole, Jack Singleton, Mark Wilson, Piers Francis, Ruaridh McConnochie e Jack Nowell (lesão). No lugar destes nove entraram Tom Dunn, Bean Earl, Ollie Thorley, Frases Dingwall, George Furbank, Alex Moon, Will Stuart e Jacob Umaga (sim, da família de Tana Umaga), oferecendo assim uma série de estreias à Inglaterra que procura recuperar o título das Seis Nações, algo que lhes foge desde 2018!


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