RWC19: 5 “fantasistas” para seguir com (muita) atenção

Francisco IsaacSetembro 17, 20197min0

RWC19: 5 “fantasistas” para seguir com (muita) atenção

Francisco IsaacSetembro 17, 20197min0
Uma lista especial de mágicos e fantasistas que vão lançar o pânico e o deslumbramento no Mundial de Rugby 2019. Quem são os 5 a seguir com uma especial atenção?

Fantasistas… normalmente esta palavra é colada ao âmbito desportivo quando um jogador tem uma habilidade única para criar uma jogada do nada, inventar um pormenor inesperado e surpreender tudo e todos num par de segundos (ou menos que isso). No rugby foi sempre usual atribuir este papel aos homens que envergam a camisola nº10, mas é possível fugir aos aberturas e distribuir o adjectivo fantasioso por outras posições.

Em momento pré-Mundial de Rugby 2019, destacamos 5 fantasistas que merecem toda a atenção durante a competição!

BEAUDEN BARRETT (NOVA ZELÂNDIA)

É francamente normal que Beauden Barrett surja em qualquer lista com fantasistas, “magos”, velocistas, criativos, etc, etc, seja pela excelente combinação entre as componentes físicas (velocidade, poder de explosão e tempo de reacção) e técnicas (handling sublime, sidestep que facilmente alterna para diferentes moldes, panóplia de dribles) ou pela forma como pensa o jogo, encontrando soluções para atacar a equipa contrária, como o recurso a um cross-kick mortífero ou uma daquelas movimentações mirabolantes que põem o Mundo em choque.

O multifacetado 3/4 tanto pode jogar como abertura ou defesa, conseguindo dar outra forma e brilhantismo ao ataque da Nova Zelândia, onde a manipulação da velocidade, poder de aceleração e capacidade de reacção abrem claras vias de acesso ao ensaio. A defender pode ter uma ou outra falha de placagem mais complicada, mas no geral é uma unidade que consegue capturar os adversários que seguem lançados, sendo reconhecido pelas suas qualidades de try-saver.

Em 78 internacionalizações já soma 33 ensaios, mais do que qualquer outro abertura da história dos All Blacks, reconhecendo-se mais de 30 assistências para ensaio em toda a carreira pelos actuais bicampeões mundiais. Um papa-léguas com uma habilidade extraordinária que continua a desafiar as Leis da Natureza. Será a segunda participação de Beauden Barrett em Mundiais de Rugby e veremos se consegue somar mais ensaios e grandes exibições ao seu score.

HANDRÉ POLLARD (ÁFRICA DO SUL)

Inteligente, tacticamente infalível, uma voz de comando calma e paciente, estes são alguns atributos associados a Handré Pollard, o detentor da actual camisola 10 dos Springboks, que está pronto para atacar o Rugby World Cup 2019 apresentando-se em alta forma. Um 10 que parece “fixo” ao seu lugar, mais preocupado em dar uma sequência de jogo completa e intacta aos Springboks, tem levado a assumir que não é um mágico. Porém, seria errado não falar dos skills e pormenores técnicos que fazem parte do reportório de Pollard, escrevendo constantemente o seu nome no livro dos aberturas mais geniais dos últimos anos.

Se o sidestep e velocidade de pés não vos chega – e devia chegar -, então há outros aspectos que lhe permitem receber a etiqueta de fantasista: invenção de passes improváveis, um pé que desenha os movimentos mais surpreendentes possíveis apanhando os adversários completamente despercebidos, facilidade em aparecer na linha com um jeito especial para desmontar a placagem contrária e um jeito quase único para pôr a defesa contrária a “dançar” ao seu ritmo.

Tem poucos ensaios na cena internacional, verdade, mas é notório o salto que os Springboks deram desde que Rassie Erasmus atribuiu a posição de médio-de-abertura ao wonderkid de Somerset West.

JACOB STOCKDALE (IRLANDA)

21 internacionalizações, 16 ensaios e 3 assistências… ou seja, Jacob Stockdale tem uma base de incidência quase de 1 ensaio (marcado ou assistido) pela Irlanda e isto demonstra a importância do ponta na estratégia de jogo de Joe Schmidt, que procura no atleta de 23 anos um certo tipo de magia e de constante desequilíbrio.

É considerado como um dos jogadores mais rápidos do rugby mundial, tendo percorrido os 100 metros em 9,97 em mais que uma ocasião, algo que lhe confere logo um estatuto de topo, observando-se como uma constante preocupação para os seus adversários directos.

Como parar Jacob Stockdale na Irlanda? Fácil… impedir que Jonathan Sexton consiga ter espaço suficiente para colocar a oval no três-de-trás ou bloquear a saída de jogo de Rob Kearney, limitando o acesso do ponta à oval. Contudo, caso a bola vá parar às mãos de Stockdale, há que esperar o pior para a equipa contrária, vendo-se forçada a placar ou então esperar que o ponta simplesmente acelere e saia de forma expedita e isolada para a linha de ensaio.

É um jogador errático por natureza, completamente mágico nas propriedades técnicas que aplica quando tem a oval em sua posse, onde o sidestep, a finta-de-passe ou o baile de pés abrem autênticas vias até à linha de ensaio… é uma unidade das linhas-atrasadas enigmático, imperceptível na maioria das ocasiões para a equipa contrária e com a possibilidade de ser um elemento desbloqueador de defesas para a Irlanda neste Mundial.

JOE COKANASIGA (INGLATERRA)

Para quem ache que Cokanasiga é só uma montanha de músculos com poder de aceleração sem grande técnica de corrida ou de finta, então podemos dizer que está completamente errado e enganado… é só ver umas boas arrancadas do ponta para perceber que tudo em si gira em torno da capacidade em desalinhar os defesas adversários, juntando uma dança de braços com um jogo de pés ilegível e a tal capacidade propulsão ritmada que deixa qualquer um desamparado.

Com sangue fijiano a pulsar-me nas veias, a moldagem técnica adaptou-se bem ao seu alto formato físico desenvolvendo um atleta de altíssima categoria e os 5 ensaios marcados em 6 jogos pela Inglaterra são um dos seus vários “cartões-de-visita”. Sim, não há dúvidas de que faz bom uso dos 122 kilos no contacto, forçando até os melhores placadores a adoptar uma atitude reservada, mas é errado negar o capricho técnico tanto na forma como ataca a linha ou na passada eléctrica e altamente animada, tirando bom proveito de quem lhe dá demasiado espaço para fugir pela ala.

Com 21 anos nas pernas, Joe Cokanasiga promete entrar no Mundial de Rugby para ditar uma nova era, um Mundo que sente a ausência de pontas do estilo que foi Jonah Lomu ou Julian Savea… Eddie Jones percebeu essa pecha e vê no atleta do Bath Rugby uma “arma” com potência para fazer um dano letal e irreparável!

JOSUA TUISOVA (ILHAS FIJI)

Outro ponta, que pode facilmente ocupar um lugar a centro… numa lista destas era impossível negar entrada a Josua Tuisova, um dos atletas mais emblemáticos das ilhas do Pacífico, um jogador que combina as particularidades de um mágico com as de um autêntico panzer que atira potenciais placadores para trás, levando a um ruído louco por parte de quem está nas bancadas!

Formado inicialmente para dar show nas World Series, Tuisova foi coleccionando títulos na variante de 7 como um medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016, não abdicando da carreira no XV com algumas aparições pelo RC Toulonnais a partir do ano de 2013.

De 2015 para a frente, Tuisova foi enchendo os relvados do TOP14 com constantes exibições gloriosas, ensaios galopantes e espectaculares (220 pontos em 113 jogos), elevando cada vez mais o seu nome a um estatuto de lenda para os adeptos do rugby das Fiji. A combinação de um poder de choque de elevado nível com os offloads mais loucos possíveis, fazem deste fijiano um perigo completo para qualquer selecção.

Seja pelo impacto físico, pela teatralidade técnica, pelas contínuas estratégias ofensivas acompanhadas do tal baile


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