RWC 2023: os caminhos para chegar ao objectivo

Francisco IsaacDezembro 14, 20207min0

RWC 2023: os caminhos para chegar ao objectivo

Francisco IsaacDezembro 14, 20207min0
Como pode Portugal atingir o sonho de chegar ao Mundial 2023? Oferecemos a explicação neste artigo dedicado ao sorteio do RWC 2023

Déja vu para fijianos, galeses e australianos, desmoralizador para escoceses que caíram junto de Irlanda e África do Sul, estes são só dois exemplos dos resultados do sorteio dos grupos para o Mundial de Rugby 2023, que se realizará em terras francesas por uma 2ª vez na história da competição mais importante da modalidade.

E OS GRUPOS SÃO…

Num sorteio que tinha o seu mistério, pois existiam algumas dúvidas como um possível surgimento de um “Grupo da Morte“, ficou tudo clarificado com algum sabor repetitivo pelo meio. Os grupos finais para o RWC 2023 foram então:

Após a longa mas deliciosa fase-de-grupos seguem-se os 1/4’s de final, que ficam com o seguinte cruzamento:

1º GRUPO A vs 2º GRUPO B
1º GRUPO B vs 2º GRUPO A
1º GRUPO C vs 2º GRUPO D
1º GRUPO D vs 2º GRUPO C

Isto significa que All Blacks ou França vão “ter” de jogar frente ao campeão do Mundo em título, África do Sul, logo no primeiro encontro a eliminar, enquanto a Inglaterra terá um caminho mais suave, caso as sinergias actuais se mantiverem até 2023, algo que pode não se vir registar tanto pelo facto da Austrália e Argentina poderem vir a estar noutro patamar qualitativo devido a diferentes efeitos.

Vejamos agora o que realmente sabemos de momento, como a repetição de jogos entre País de Gales, Austrália e Fiji, selecções que se enfrentaram já em dois mundiais passados, o de 2015 e 2019, voltando a cair na mesma refrega no grupo C… será que desta vez as Ilhas Fiji poderão sonhar com algo mais? Já no grupo A, França e Nova Zelândia são os dois candidatos principais ao apuramento à fase seguinte, cabendo à Itália a fava de cair novamente num grupo particularmente complexo e que lhe impossibilita de sonhar, apesar de que as surpresas podem sempre acontecer.

África do Sul, Irlanda e Escócia vão disputar as duas vagas no grupo B, sendo uma situação minimamente pacífica para os Springboks, pois nem Irlanda e Escócia têm os argumentos reais para derrubarem os campeões em título em 2023. E no grupo D teremos uma “espécie” de Grupo da Morte entre Inglaterra, Japão e Argentina, naquele que é um grupo completamente “novo”, pois nunca as três jogaram juntas numa fase-de-grupos (Inglaterra ficou em alguns mundiais no mesmo grupo que os Pumas, mas sem o Japão inserido).

QUEM PODE LÁ CHEGAR PELAS OUTRAS VIAS?

Se os candidatos são claros, as dúvidas ficam para o que não sabemos agora mas que a partir de 2021 vai ser vagarosamente resolvido: os restantes lugares a apurar. Existem 8 lugares em aberto para as selecções restantes, seja Portugal ou Brasil, Uruguai ou Samoa, EUA ou Geórgia, e esclarecemos quem são os favoritos a conquistar estas vagas (por ordem dos grupos sorteados para o Mundial 2023):

AMERICAS 1: decidido pelo vencedor de um jogo que oporá EUA/Canadá (playoff de duas mãos entre as duas selecções norte-americanas) e Uruguai/Brasil/Chile/Colômbia/Paraguai (apurado aqui pelo vencedor do Sul-Americano 2021);
AFRICA 1: lugar apurado pelo 2022 Africa Cup, onde participam selecções como Namíbia, Zimbabué, Quénia e Costa do Marfim. O vencido da final qualifica-se para o Final Qualifier a decidir em 2023;
ASIA/PACIFIC 1: O Asia Rugby Championship 2021, que foi ganho em 2017 por Hong Kong, apura um lugar que terá de lutar pela vaga do Mundial com o vencedor da Oceania Rugby Cup 2021;
EUROPE 2: 2º lugar do Rugby Europe Championship 2021/2022 (somatório das duas edições);
EUROPE 1: 1º lugar do Rugby Europe Championship 2021/2022 (somatório das duas edições);
FINAL QUALIFIER WINNER: as selecções que sobram dos vários continentes encontram-se num grupo – jogado a só uma volta – que só poderá ter um vencedor. Os apurados são Europe 3 (o 3º lugar do Rugby Europe Championship 2021/2022), Americas 3 (o vencido do encontro de apuramento do Americas 2), Africa 2 (o vencido do 2022 Africa Cup) e Asia/Pacific 2 (vencido do Oceania 2);
OCEANA 1: Samoa e Tonga jogarão um playoff (ida e volta) a realizar em 2021. O perdedor vai lutar pelo apuramento no Oceania Rugby Cup em 2021, e, caso vença, jogará frente ao apurado Asia Rugby Championship 2021 para chegar ao Mundial.
AMERICAS 2: o vencido do playoff da Americas 1 vai jogar frente o vencedor de um playoff entre as selecções que anteriormente tinham sido eliminadas tanto na América do Norte (da tal series entre canadianos e os Estados Unidos da América) e que detinham o 2º lugar nas suas competições continentais. Ou seja, imaginemos que os finalistas do Americas 1 são o Uruguai e EUA, com os EUA a serem derrotados nesse encontro, caindo então para um playoff disputado frente ao Canadá e mais uma selecção sul-americana, que fica decidida pelo 2º lugar obtido no Sul-Americano 2021.

Olhando para o “meio” europeu, o que isto significa para Portugal? Que há três caminhos diferentes a fazer para se chegar ao Mundial de Rugby 2023.

OS LOBOS E OS CAMINHOS PARA SE CHEGAR (NOVAMENTE) A FRANÇA

Portugal tem claramente dois caminhos directos e que no papel são fáceis… ganhar ou ficar em 2º lugar no agregado das edições 2021 e 2022 do Rugby Europe Championship. Ou seja, os lobos de Patrice Lagisquet terão de medir forças com Geórgia (ao contrário do que se passou para o Mundial de 2019, os lelos não garantiram o apuramento directo), Roménia, Rússia, Espanha, Bélgica e Holanda/Alemanha e garantir uma das duas primeiras posições tanto nas edições de 2021 e 2022 da competição europeia para chegar directamente ao objectivo que não é atingido desde 2007.

É uma missão difícil e que exigirá todos os esforços não só dos clubes nacionais e da Federação Portuguesa de Rugby, mas também de investimento privado para garantir os apoios necessários de forma a manter os atletas que jogam no estrangeiro junto da selecção nacional. Seja Mike Tadjer, Diogo Hasse Ferreira, Samuel Marques, Thibault Freitas, Jean de Sousa, Geoffrey Moise, José Conde, José Madeira, José Lima, etc, é fulcral que todos os jogadores portugueses estão disponíveis para ir não só a jogo, como também trabalhar constantemente nas reuniões e estágios dos Lobos nos próximos três anos.

Caso não seja possível garantir o 1º ou 2º lugar, a única forma de apuramento seguinte passa por terminar em 3º lugar no Rugby Europe Championship 2021/2022 e seguir assim para o Final Qualifier Winner, onde estarão selecções das Américas (Norte ou Sul, quem ficará com a vaga?), Ásia/Pacífico e África à espera por garantir o último bilhete para o Mundial de Rugby.

Num Mundial que está cada vez mais repetitivo devido ao “surgimento” de grupos similares ou iguais em consecutivas edições da prova-rainha da modalidade, o apuramento de selecções pouco habituadas a esse meandro seria fulcral para dar outras tonalidades, seja pelo apuramento do Brasil, Chile, de Portugal e/ou Espanha, de Hong Kong, Quénia, entre outras tantas, que não têm sido capazes de atingir um patamar que está cada vez mais bloqueado pelo elitismo do rugby. A abertura para um RWC jogado por 24 selecções iria conferir outros caminhos e mais participantes, aceitando-se o caminho da diversidade, um conceito pouco “querido” às várias administrações de federações da bola oval. Para 2023, estes são os caminhos que podem levar os de “menor” dimensão a garantir um bilhete de Ouro não só para o momento, mas para o futuro.

 


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