Rugby Youth Player: Will Jordan, a nova “estripe” de nº15?

Francisco IsaacOutubro 4, 20194min0

Rugby Youth Player: Will Jordan, a nova “estripe” de nº15?

Francisco IsaacOutubro 4, 20194min0
Foi uma das coqueluches dos Crusaders em 2019 e promete tomar controle do Mundo do Rugby nos próximos anos. Will Jordan e uma nova era para a posição de defesa no Planeta Oval

Nova rubrica do Fair Play que tem como objectivo apresentar e analisar novas estrelas jovens do rugby mundial, sempre entre os 17 e 22 anos de idade. Desta feita, avançamos para Will Jordan um dos novos “mágicos” do rugby mundial que na sua época de estreia pelos Crusaders conseguiu fazer vários ensaios e encher os campos por onde passou.

WILL JORDAN – A ESCOLA NEOZELANDESA INVENTOU MAIS UM PASSO NA EVOLUÇÃO DO RUGBY?

Comecemos pelos números do ano de estreia de Will Jordan: 386 minutos divididos por 9 jogos (42 média), 8 ensaios, 583 metros conquistados, 11 quebras-de-linha, 23 tackle busts, 24 placagens (90% de eficácia), 6 pontapés que cobriram a distância de 120 metros (20 de média). Estes dados foram registados nesta primeira temporada do espectacular defesa de 21 anos, com alguns dos ensaios marcados ou jogadas de ataque a ficarem na retina devido à sua espectacularidade e fantasia, “imitando” quase Israel Dagg, quando o agora retirado All Black estava no topo da sua forma.

Will Jordan é um “filho” de Christchurch, tendo crescido com o sucesso dos Crusaders entre os anos de 1998 e 2008, algo que sempre mexeu com o internacional sub-21 pela Nova Zelândia desde tenra idade. Como vários novos talentos do rugby neozelandês, começou a jogar a nível escolar e foi subindo de nível a cada ano que passava, chegando ao campeonato inter-escolas secundárias neozelandês ao serviço do Christchurch Boys’ High School em 2015, pelo qual foi um jogador sensacional. Nessa temporada, Will Jordan foi um dos responsáveis por levar o colégio ao título de campeões do UC Championship, imperando no final da competição como o melhor marcador de ensaios com 19 em apenas 11 jogos.

A versatilidade, velocidade instantânea, passada eléctrica, capacidade de inventar “espaços” e uma genialidade pura que ultrapassava qualquer bloco defensivo no jogo ao largo eram elementos que elevavam o jovem defesa de Christchurch a um patamar de soberba categoria, conquistando atenção de observadores de equipas de província e, até, de ex-All Blacks como Andrew Mehrtens. Mas não era só no campo de rugby que Will Jordan demonstrava uma apetência para ser extraordinário, já que no críquete fazia exactamente o mesmo, ao serviço da equipa de desenvolvimento dos Crusaders Knights.

Um dos ensaios pelos Christchurch Boys’ High School 2015

Em 2017 fez a decisão de se ficar pelos campos de rugby, uma decisão tomada em grande parte devido à sua inclusão na selecção sub-20 All Blacks (Baby Blacks) e ao contrato de dois anos oferecido pelos Tasman Makos, equipa da Mitre 10 Cup (principal competição de rugby a nível de clubes das províncias, ou seja, um patamar antes de se chegar ao Super Rugby).

Até então, todos os treinadores que lidaram com Will Jordan só tinham boas opiniões, elogiando a capacidade de trabalho ou facilidade em adquirir novas técnicas, reinventando-se a cada nova época, impondo a si próprio o desafio de se superar.

Perante este crescimento e volatilidade em termos de abrir soluções ofensivas, para além da consistência a nível exibicional, os seleccionadores nacionais da Nova Zelândia convocaram-no para o Mundial de Rugby sub-20 2017 e na competição voltou a ser dos melhores. 6 ensaios, 8 assistências, 10 quebras-de-linha, 28 defesas batidos, foram alguns dos números de Jordan, que ajudou os Baby Blacks a subirem ao pódio como os campeões desse Mundial sub-20 (consigo estavam alguns actuais All Blacks, como Dalton Papalii’, Braydon Ennor, Asafo Aumua, Luke Jacobson), numa das prestações de maior domínio dos kiwis.

Avançamos para o ano de 2019 e Will Jordan é chamado a jogar pela sua equipa de sempre, os Crusaders, recebendo a confiança de Scott Roberston e Ronan O’Gara, que viram brilhantismo num jogador que tanto podia alinhar a nº15 como a nº14/11. E para a primeira época de serviço à franquia mais bem sucedida da história do Super Rugby, o defesa não esteve nada mal com os tais 8 ensaios em 9 jogos.

Mas à parte dos títulos conquistados, dos ensaios marcados e dos problemas causados ao adversário, o que interessa perceber é a gentileza com que Will Jordan passeia pelos relvados, a forma simples como transita de um tipo de manobra para outra e a capacidade em mudar as velocidades de jogo e ritmo num instante, sem que o adversário consiga acompanhá-lo ou perceber o que vai inventar logo de seguida.

É um três-quartos que mistura elementos próprios da criatividade de Israel Dagg, os rasgos técnicos de Nehe-Milner Skudder, a genialidade e velocidade de Beauden Barrett e a cultura de jogo de David Havili (um jogador muitas vezes colocado de lado, mas que merece outra atenção), sendo uma das novas potências do rugby neozelandês. A forma como foi trabalhado e moldado à cultura de jogo dos All Blacks, pode levar a Will Jordan a um patamar e dimensão que só Ben Smith conseguiu atingir, isto quando falamos de nºs15.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter