Super Rugby 2020: 3 “chefões”, 3 candidatos e 3 (potenciais) desilusões

Francisco IsaacJaneiro 29, 20208min0

Super Rugby 2020: 3 “chefões”, 3 candidatos e 3 (potenciais) desilusões

Francisco IsaacJaneiro 29, 20208min0
O Super Rugby 2020 vai começar dentro de momentos e fomos explorar 9 itens de interesse... os treinadores que nos movem, as equipas que assumem a candidatura e as desilusões esperadas!

Está prestes a começar o Super Rugby 2020, que arranca no dia 31 de Janeiro pelas 6 da manhã (hora portuguesa) com um sempre animado, frenético e louco Chiefs-Blues, seguindo-se dois dias de jogos, rivalidades e início da compeitção mais apaixonante do Mundo do Rugby!

Deixamos três treinadores que vão ser ouvidos muito atentamente toda a temporada, três clubes que têm o primado de serem considerados favoritos e ainda três emblemas que deverão sofrer com as consequências de um mau mercado, frágil preparação e muito mais!

A ESTREIA OFICIAL DE GATLAND PODERÁ PÔR PROBLEMAS AO IMPÉRIO DE ROBERTSON?

Warren Gatland está de volta… melhor, vai finalmente se estrear no Super Rugby depois de 31 anos como treinador de rugby. O homem que liderou o País de Gales durante doze anos, pelo qual ganhou quatro Seis Nações, regressa ao seu país de origem e assume o lugar de treinador da franquia da sua cidade natal: os Chiefs. Gatland, para aqueles que não sabiam, foi jogador de Waikato (ITM Cup) durante vários anos e chegou a treinar este clube que compete a nível do rugby de províncias da Nova Zelândia, sendo supostamente o último nível antes de se atingir o Super Rugby. Contudo, depois de uma aventura bem longa pela Europa e Hemisfério Norte, Gatland aceitou o desafio de comandar uma equipa recheada de talento e que finalmente terá a sua oportunidade de conquistar o título de campeão depois de seis anos de seca consecutiva, esperando que seja assim uma injecção fundamental para os All Blacks.

Com Damian McKenzie, Solomon Alaimalo, Sam Cane, Luke Jacobson, Broadie Retallick (só retorna na época seguinte… mas retorna!), Brad Weber, Anton Lienert-Brown, Nathan Harris, Aaron Cruden (o regresso mais acertado para o abertura internacional pela Nova Zelândia) e os “putos-maravilha” Lachlan Boshier, Kini Naholo e Quinn Tupaea nas suas fileiras, Warren Gatland tem ao seu dispor toda a argamassa necessária para edificar uma nova era para os Chiefs, podendo surpreender tudo e todos quando inventar o Warrenball 3.0 ou, melhor ainda, criar uma estratégia nova que se baseia na criatividade de McKenzie, Cruden, Lienert-Brown e Alaimalo.

Contudo, não muito longe deste novo principado dos Chiefs, estão os actuais tricampeões em título que não vão simplesmente libertar o domínio que alcançaram nos últimos anos… Scott Robertson é o alvo a abater. Depois de não ter conseguido ser designado como o novo seleccionador dos All Blacks (há-de chegar a sua hora, seja daqui a 4 ou 8 anos), o treinador que voltou a trazer brio e confiança aos saders (não esquecer o trabalho de Todd Blackadder na reedificação da franquia baseada em Christchurch) está pronto para provar que sem os “ovos de ouro” consegue fazer uma “omelete” muito similar. O que significa esta afirmação? Bem, os tricampeões perderam Jordan Taufua, Kieran Read, Matt Todd, Samuel Whitelock (só por uma temporada), Owen Franks, Ryan Crotty e Ngane Punivai (uma das promessas mais significativas “fugiu” para os Highlanders), recorrendo ao “mercado interno” para realimentar principalmente a avançada deixando desde já o alerta para seguirem Tom Christie, Cullen Grace e Sione Havili nesta temporada.

Os Crusaders têm o rugby mais mortífero e letal do Hemisfério Sul, conseguindo tanto apresentar um estilo baseado no alto domínio territorial e de procura incessante pelo ensaio como de se fechar nos seus 40 metros, procurando causar um erro ao adversário para depois infligir dano profundo no contra-ataque. O três-de-trás espectacular que ostentam – Sevu Reece, George Bridge e David Havili, para além de Will Jordan -, o par de centros letais – Braydon Ennor e Jack Goodhue – e as novas possíveis referências nos avançados – vejam o quanto Quinten Strange vai crescer ou como Scott Barrett vai fundar a sua era na modalidade – vão fazer a diferença na soma de todas as partes.

O outro homem a seguir com muita atenção é Dan McKellar, treinador dos Brumbies que na época passada surpreenderam e conseguiram mesmo chegar às meias-finais da competição perdendo para os Jaguares em Buenos Aires. Em 2019, ninguém esperava que os Brumbies fossem o vencedor da conferência australiana uma vez que estava um super Rebels (Will Genia e Quade Cooper), um sempre “candidato” Waratahs (Hooper, Foley, Folau, entre outros) e os babies dos Reds, superando assim os seus adversários durante a época regular.

Dan McKellar montou uma avançada que primou por transformar todas as oportunidades em pontos (que o diga o talonador Folau Fainga’a com 12 ensaios) e uns 3/4’s inteligentes e resolutos, onde o destaque ia para a super recuperação de Christian Lealiifano. O treinador australiano chegou a ser pensado como um dos nomes para assumir os Wallabies, acabando por perder a corrida para Dave Rennie, o que possibilita dar continuidade ao bom trabalho desenvolvido na franquia sediada em Canberra. Veremos como ultrapassa os problemas das saídas, pois Sam Carter, Rory Arnold, David Pocock, Matt Lucas, Christian Lealiifano e Henry Speight já não poderão ser soluções para esta época.

CRUSADERS PARA O TETRA MAS COM SURPRESAS À ESPREITA?

Muito rapidamente: Crusaders, Waratahs e Chiefs. Poderíamos também colocar os Stormers neste “pote”, já que foram a franquia da África do Sul que menos sofreram com o pós-Mundial 2019, reforçando-se ainda com Jamie Roberts, para além de contarem com Siya Kolisi, Pieter-Steph du Toit, Frans Malherbe, Steven Kitshoff e Damian Willemse.

Dos Crusaders já explicámos o porquê de serem um claro candidato à vitória, muito devido à eficiência e trabalho profundo levado a cabo pela equipa técnica liderada por Scott Robertson e ainda por ter uma série de jogadores que estão no máximo das suas capacidades.

Já os Waratahs têm uma onda de jovens bem interessante que vão dar outro contraste a uma franquia que necessita superar os problemas recentes para chegar a outro patamar… basta agora ultrapassar uma fase bem intensa na conferência australiana (os grandes rivais vão ser os Brumbies e Reds). Chegou por exemplo Jack Maddocks, um dos reforços-surpresa que vai dar outra profundidade ao ataque da formação de Sidney para a temporada que se avizinha.

Por fim, Chiefs… que também já apresentámos a explicação. Warren Gatland tem as credenciais todas para assombrar a competição esta temporada, possuidor de um livro de estratégias de alta qualidade que coloca em xeque as pretensões dos seus rivais, não esquecendo o plantel rico e bafejado por qualidades de uma categoria quase única.

BULLS À MÃO DE CILINDRAR E HIGHLANDERS EM RECONSTRUÇÃO

Bulls, Highlanders e Rebels. Bulls perderam praticamente toda a equipa, como Handré Pollard, RG Snyman, Lood de Jager, Paul Schoeman, Duane Vermeulen, Jano Venter, Jesse Kriel ou Schalk Brits, reforçando-se com poucas caras conhecidas (Josh Strauss, Morné Steyn ou Nafi Tuitavake) e perante as fragilidades do plantel, Pote Human terá de inventar e dar consistência a um elenco que precisa de tempo.

Os Highlanders têm um plantel interessante, mas durante a pré-época ficou demonstrado as fragilidades sentidas na gestão e controlo da posse de bola, com a 2ª e 3ª linha a concederem demasiado espaço à oposição na luta no breakdown ou contacto. Foi de longe a franquia da Nova Zelândia que mais saídas sofreu e só um toque de génio de Aaron Mauger poderá garantir-lhes um lugar na fase final da competição… porém, e atenção a este pormenor, os Hurricanes perderam o treinador no arranque da pré-época (John Plumtree ingressou nos All Blacks) e o facto de Ardie Savea só regressar em finais de Abril e terem perdido Beauden Barrett poderá abrir o flanco necessário para que os Highlanders possam respirar um pouco melhor e não estarem constantemente debaixo dos holofotes negativos.

Finalmente, Rebels! A franquia que conseguiu em 2017 pontapear a Force para fora do Super Rugby está a atravessar uma das piores fases da sua existência, e David Wessels vai ter que provar a sua qualidade enquanto treinador para salvar a equipa de Melbourne do penúltimo lugar da competição (isto se os Sunwolves não surpreenderem durante este seu último ano Super Rugby). Lembrar que Jack Maddocks abandonou a equipa já durante a pré-época para ingressar ao serviço dos Waratahs, numa transferência que causou alguma apreensão por parte dos apoiantes dos Melbourne Rebels. Sem Quade Cooper, Will Genia, Adam Coleman, Robbie Abel, Sam Talakai, Tetera Faulkner, veremos em que posição terminam nesta época.

ANÚNCIO FANTASY

Em 2020 não haverá Super Rugby Fantasy do Fair Play, uma vez que a Rugby Magazine encerrou a sua Fantasy da competição e a Fox Sports manteve a sua decisão de não ressuscitar o seu sistema. Lamentamos por este facto, mas nenhuma das outras hipóteses estudadas reunia as qualidades necessárias para ser aposta do Fair Play.


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