Entre Rebels e lesões, já há “candidatos” – Ronda 3 Super Rugby 2018

Francisco IsaacMarço 4, 20187min0

Entre Rebels e lesões, já há “candidatos” – Ronda 3 Super Rugby 2018

Francisco IsaacMarço 4, 20187min0
Na Austrália há um "candidato" inesperado, os Chiefs sobreviveram a Auckland e os Lions continuam vitoriosos. Esta é a análise à Ronda 3 Super Rugby 2018

PELA VOZ DE GENIA, PELO SPEED DE MADDOCKS E PELA DUREZA DE MAFI

Os Rebels entraram a “matar” nesta edição do Super Rugby, iniciando uma temporada como há muito (e é muito mesmo) que não se via. Não é só por terem conquistado duas vitórias em dois jogos, mas também pelo facto de terem conseguido dois pontos bónus ofensivos o que lhes vale o primeiro lugar isolado no topo da conferência australiana. Na visita ao campo dos Sunwolves, a formação comandada por Wessels sobreviveu a uns primeiros 40 minutos muito “duros”, para raptar os 5 pontos no final.

Mas o que mudou nesta formação de Melbourne? A introdução de Will Genia, Dane HaylettPetty, Jermaine Ainsley (belo primeira-linha, excelente no trabalho individual e forte no colectivo) ou Matt Philip deu outros argumentos a uma equipa que em 2017 tinha só conquistado uma vitória em todo o Super Rugby, terminando em 2017 com 9 pontos. Ou seja, em pouco mais de duas semanas já fugiram ao seu pior score e agora perseguem o sonho.

Com a entrada do reputado formação australiano a equipa ganhou uma voz de comando que tem noção de como tudo tem de andar, coordenando bem o trabalho inicial da formação ordenada, para além da saída de bola dessa fase estática. A sua qualidade como manobrador de jogo e formação garantem sempre uma saída de bola elegante e fácil, o que torna tudo mais fácil e prático.

A somar a Genia há Haylett-Petty (tem estado excelente neste início de época com já 200 metros conquistados), o super speedster ex-7’s Jack Maddocks que fez o seu primeiro hattrick nesta sua 2ª época no Super Rugby, Amanaki Mafi (o nipónico é um bulldozer de grande qualidade) e um excelente 5 da frente que permite aos Rebels conquistar quase 100% das suas bolas nas fases estáticas (para além de roubar ao adversário, como as 5 que “tomaram” neste jogo contra os Sunwolves).

O problema dos Rebels? Faltas. 16 penalidades no final do jogo é excessivo para uma equipa que quer chegar aos play-off… contra equipas mais fortes como Waratahs, da sua conferência, ou equipas neozelandesas, vão acabar por ser castigados estes “rebeldes” que passaram de um 10-10 na primeira-parte para ganhar aos Sunwolves por 37-17 nos segundos 40 minutos.

CHIEFS RESILIENTES… MAS ATÉ QUANDO?

A equipa de Waikato termina a 2ª ronda com uma excelente vitória em Auckland (não perde para os Blues desde 2012) por 27-21, mas nem por isso há grandes notícias para os Chiefs festejarem.

O “tsunami” de lesões está a tirar profundidade e capacidades aos comandados de Colin Cooper e passamos a mencionar os mais importantes: Nepo Laulala (desconhece-se o tempo de paragem), Kane Hames, Dominic Bird, Charlie Ngatai (continua o calvário do All Black), Broadie Retallick (baixa de última hora, antes do jogo, devido a uma lesão ocular), Tim Nanai-Williams, Atu Moli são os nomes mais significativos numa lista que tem 15(!) lesionados.

No jogo contra os Blues, a equipa dos Chiefs ressentiu-se em alguns momentos do jogo, em especial na primeira-parte, da falta de alguns dos seus melhores jogadores, abrindo algumas brechas à equipa da casa para explorar.

Mas com Sam Cane em grande forma (defensivamente foi o líder que os Chiefs necessitavam, com 11 placagens e 2 turnovers), Damian McKenzie a “saltitar” (bom  jogo do agora médio-de-abertura, que por acaso levou duas placagens de “outro” Mundo de Duffie) e Solomon Alaimalo a rasgar (sigam este jovem de 22 anos, munido de uma grande determinação e uns pés de veludo), os Chiefs saíram com a vitória… infelizmente, também levaram para casa mais lesões.

Até que ponto isto pode prejudicar os Chiefs? Bastante, já que desses 15 nomes, 10 são titulares ou candidatos a jogar de início. A “sorte” de Colin Cooper é que os Chiefs têm uma semana de descanso antes de voltar à competição no dia 16 de Março frente aos Bulls. Destaque para o jogo de Tiaan Falcon um dos maiores talentos de momento do rugby neozelandês, que jogou na posição de defesa e garantiu neste seu primeiro jogo.

ALERTA… A MELHOR AVANÇADA DO SUPER RUGBY APANHOU UMA “LOMBA”

Os Crusaders, campeões em título da competição, apanharam um susto a certa altura do jogo contra os Stormers, num jogo que acabou por findar com uma grande vantagem a seu favor (45-28). A vinte minutos do fim, os Stormers estavam bem dentro dos 22 metros da equipa da casa, aplicando uma boa pressão no contacto, com apenas 10 pontos de diferença no marcador, depois de terem saído para o intervalo a ganhar por 31-07.

O que se passou? Bolas perdidas no alinhamento (3), formações ordenadas que acabaram em penalidades (3) e faltas por fora de jogo junto ao ruck ou no chão (de um total de 11 penalidades, 7 foram desses departamentos). A avançada que esteve às ordens de Samuel Whitelock teve momentos supremos no jogo, como infelizes, claudicando em certos minutos que permitiram aos sul-africanos erguer um tipo de reacção à desvantagem.

Owen Franks e Joe Moody fazem uma falta tremenda, sendo que nem Wyatt Crockett ou Michael Alaalatoa são titulares suficientemente bons para assegurar uma época inteira (o australiano comete faltas excessivas, com uma agressividade que por vezes sai do legal), ressentindo-se disso na formação ordenada na segunda-parte (numa altura em que Crockett começava a demonstrar sinais de cansaço), a começar logo aos 50 minutos.

Esta “lomba” neste jogo parece ter sido fácil de ultrapassar se só olharmos para o resultado final, contudo terá de ser devidamente notada e analisada por Scott Robertson, já que em jogos grandes (Lions, Highlanders ou Waratahs, que são as equipas que apresentam boas primeiras-linhas neste Super Rugby) podem vir a sofrer problemas maiores e que não se resolvem com tanta facilidade como o aconteceu frente aos Stormers.

SUPER DERBY ENTRE “TOUROS” E LEÕES

Quem diria que os Bulls ofereceriam resistência perante dois candidatos do Super Rugby em duas jornadas, sendo que na primeira conseguiram mesmo “abater” os Hurricanes. Contra os bi-vice-campeões da competição, a equipa de John Mitchell ainda esteve por cima durante uns minutos, mas depois deixou os Lions rugir mais alto e tomar o controlo do campo por completo.

Foi um jogo espectacular em todos os sentidos, com mais de 84 pontos marcados no total, algo que é bem raro de se ver entre equipas sul-africanas. Mas qual foi o facto decisivo para a vitória dos Lions? Concentração, capricho e organização. Swys de Bruin não está a desiludir nada neste início de época como novo treinador da equipa de Joanesburgo, estabelecendo uma avançada poderosa, que replica qualquer adversidade, para além de ir ao ensaio.

Só no jogo de hoje, cinco dos sete ensaios vieram exactamente das mãos e trabalho daquele pack de 8 jogadores: Ruan Dreyer (início de época tremendo do primeira-linha, sendo um destaque claro destes Lions), Van Rooyen, Marvin Orie e Malcolm Marx. O 5º proveio de um ensaio de penalidade a castigar um derrube de maul pelos Bulls, que nunca conseguiram fazer frente à avançada dos vice-campeões.

Malcolm Marx vai sendo a grande “cara” desta equipa, que não perdeu uma ponta do seu vigor. Os Bulls pelo seu lado parecem ter adoptado um jogo mais “anárquico” mas que causa sérias dificuldades às equipas adversárias, especialmente aquelas que perdem rapidamente a paciência na luta nos rucks ou nos mauls.

O 49-35 só prova que estávamos algo errados em relação aos Bulls, já que podem fugir do lugar de “pior” equipa sul-africana neste momento, após a saída dos Cheetahs e Kings.

DESTAQUES

MVP da Ronda: Jack Maddock (Rebels)
Jogo da Ronda: Bulls-Lions
Placador da Ronda: Samuel Whitelock (Crusaders)
Agitador da Ronda: Richie Mo’unga (Crusaders)
Vilão da Ronda: Avançada os Bleues


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