Portugal no Men’s RE Championship 2026: dados e ideias pt.2
Depois de termos olhado para as prestações individuais, e tendo feito um ligeiro interregno de duas semanas, vamos saltar directamente para a seguinte questão: o que mudou nos Lobos comparativamente com 2025? Como é que Portugal foi capaz de sair de uma situação complicada, com derrotas ante os seus mais directos rivais para não só garantir uma nova vitória ante a Roménia, como obter o melhor resultado de sempre ante a Espanha e o título frente à Geórgia? Comecemos pela defesa, um dos principais fundamentos do sucesso de Portugal entre os anos de 2021, 2022 e, claro, 2023.
Em 2025, os Lobos tinham demonstrado diversas fragilidades no que toca à defesa ágil, com a segunda cortina defensiva a ser um tremendo problema especialmente ante a Espanha, o que acabou por forçar não só diversos erros de coordenação de placagem como disciplina. Mesmo que jogadores como Nicolás Martins, José Madeira, João Granate ou Diego Ruiz, tenham atingido bons números no que toca a placagens (média de 88% de eficácia entre estes quatro), turnovers e disputas nos ruck, de nada valeu no final de contas, já que a estratégia defensiva pareceu ruir quando Portugal viu-se dominado fisicamente, a exemplo do que aconteceu ante a Espanha e Roménia – a quantidade de linhas-de-vantagem conquistadas pelos Leones foi assustadora, chegando aa ultrapassar os 65%.
Um ano volvido, e Portugal mostrou-se uma equipa completamente diferente na hora de defender, com três aspectos a serem decisivos para os Lobos só consentirem 60 pontos em cinco jogos: velocidade do placador em sair do chão; eficácia na placagem; e leitura defensiva colectiva. Na final do Men’s Rugby Europe Championship, foi nítido a capacidade dos jogadores portugueses em voltarem à linha de defesa após realizarem uma placagem, auxiliando a equipa uma e outra vez, o que acabou por frustrar a Geórgia, com estes a se precipitarem e a tomarem diversas más decisões.
No que toca aos números a nível da placagem, Portugal terminou com uma percentagem de 85% de eficácia, sendo a melhor formação a par da Geórgia. A leitura defensiva foi outro ponto de altíssima qualidade dos comandados de Simon Mannix, com o jogo contra a Espanha a ser um excelente exemplo para analisar. Se os Leones não foram o conjunto mais imprevisível nesse jogo, não é só por culpa própria, mas também pela capacidade de Portugal em amordaçar os principais criadores de jogos adversários, forçando a Lucien Richardis e JW Bell a optarem sempre pela pior opção, o que até acabou por alimentar o contra-ataque português – o primeiro ensaio de Rodrigo Marta foi resultado de um contra-ataque que teve a sua origem num pontapé sem direção do abertura espanhol.
🇵🇹 2026 Rugby Europe Champions!!! pic.twitter.com/8JSD7Zsh7U
— Rugby Europe (@rugby_europe) March 15, 2026
Sendo que já fizemos os destaques individuais no artigo anterior, importa dizer que David Wallis, Nicolás Martins, Tomás Appleton (que retorno), Samuel Marques, Hugo Camacho, Simão Bento e José Madeira foram peças-chave nesta área, liderando a equipa nesses momentos defensivos com constantes prerrogativas e comandos, que acabaram por ser cruciais em diversos momentos. Esta ligação total do jogo português foi extraordinária, com os Lobos a terem somado 717 placagens efectivas em 845 tentativas, significando uma média de 25 erros de placagem directa por jogo.
Sendo que iremos falar das fases-estáticas na terceira parte, importa dizer que o número de alinhamentos roubados e mauls adversários desmantelados foi também crucial para garantir a vitória na final, entrando os seguintes números no exercício defensivo colectivo: 15 alinhamentos roubados ao adversário (1º lugar entre as oito equipas participantes do Men’s Rugby Europe Championship) e nove mauls adversários ganhos (três dos quais contra a Geórgia). O trabalho de Andi Kyriacou no que toca ao aparelho defensivo e ao trabalho dos avançados foi exímio, tendo sido uma das mudanças de staff no Verão de 2025, acabando por surtir os efeitos desejados não só a nível da prestação dos Lobos jogo após jogo, mas também no que toca a conquistar troféus.
Posto isto, o reedificar da identidade defensiva de Portugal assente nos pilares já descritos foi tão fulcral e importante como marcar ensaios ou converter pontapés aos postes, mostrando que era possível regressar aos níveis do passando recente, mesmo com a saída de alguns atletas-chave como Mike Tadjer, Francisco Fernandes, Thibault Freitas ou Jerónimo Portela.
No artigo seguinte iremos olhar para o ataque e como a reinstalação dos fundamentos de 2022-2023 foram cruciais para devolver não só ensaios e vitórias, mas também alegria, excitamento e energia positiva a uma equipa carregada de talento.



