Portugal na Final com História! – Breakdown do Euro de sub-20

Francisco IsaacAbril 11, 201810min0

Portugal na Final com História! – Breakdown do Euro de sub-20

Francisco IsaacAbril 11, 201810min0
Um jogo muito "suado" e complicado nos primeiros 40 minutos adiou por momentos o sonho de Portugal que chegou na 2ª parte: Portugal na final pela 2ª vez consecutiva

Portugal carimbou passagem à final do Campeonato da Europa de sub-20 pela 2ª vez em dois anos, algo histórico para as Quinas. A vitória portuguesa só chegou na 2ª parte, após uns primeiros 40 minutos de alto domínio mas sem que pontuassem mais que um ensaio convertido.

Na segunda metade do encontro Portugal apresentou-se exemplar na defesa (a Holanda nunca passou dos 30 metros nesse período do jogo), sendo que o ataque foi mais eficaz e “duro”, conseguindo chegar a uma boa e estável vantagem de 22-07.

O Fair Play aponta os pormenores deste momento histórico para Portugal, que agora terá de ombrear com a sua “vizinha” da Espanha pelo Ouro e um bilhete para o World Rugby Cup Trophy a realizar em Setembro de 2018.

PENSAR NAS OPORTUNIDADES E APROVEITÁ-LAS – 3 PONTOS

Dados importantes para a análise:

Penalidades – Portugal 3; Holanda 14; Ensaios – 3 (2 convertidos); Holanda – 1 (convertido); Quebras de Linhas – Portugal 14; Holanda; 3; Defesas batidos – Portugal 13; Holanda 5. Sem contarmos os metros (Portugal terá conquistado aproximadamente 300 a 400, o que corresponderá o dobro da selecção holandesa) foi notório o domínio dos jovens Lobos ao longo dos 80 minutos.

Contudo, nem sempre os jogadores da casa decidiram bem na hora do que fazer com as penalidades, optando na primeira-parte por atirar aos postes do que ir à formação ordenada ou alinhamento.

Na teoria, o ir aos postes é o caminho mais “fácil” para conquistar uma vantagem importante num jogo do mata-mata, contudo olhando para a prática, Portugal decidiu mal tendo em conta os seguintes argumentos: os portugueses tiveram sempre vantagem na formação ordenada (terminaram o encontro com 9 faltas conquistadas nesta fase estática), galgando metros e abrindo espaço para os que holandeses se sentissem desesperados; a formação lusa foi sempre mais preponderante no ganhar de metros, nas saídas rápidas e no ataque apoiado; por último, após os dois primeiros pontapés falhados (sempre mal esboçados, evidenciando algum nervosismo) era necessário repensar a estratégia para o jogo.

Isto foi o retrato da primeira-parte de Portugal que pecou por escassa, já que a Holanda só foi por duas vezes aos 22 metros conseguindo um ensaio numa delas, após um erro no ruck de Portugal, existindo mais demérito português que mérito holandês.

Mas a segunda-parte foi completamente diferente, com os portugueses a fazer uso e abuso da formação ordenada (um dos ensaios nasce a partir daqui, para além de um amarelo para o talonador do País das Tulipas) pondo os seus adversários encostados às cordas e sem grandes soluções para fugir do seu próprio meio-campo.

Ao ser dominada na formação-ordenada, a Holanda sentiu bastante medo em arriscar com a bola nas mãos, fazendo passes curtos e jogadas menos intensas, de forma a evitar um avant tóxico e que os pusesse a andar para trás mais uma vez. As penalidades conquistadas por Portugal permitiram andar para a frente, optando por ir à FO e alinhamento ou até seguir rápido (Martim Cardoso, Rodrigo Marta e João Lima foram matreiros neste aspecto) abrindo espaço para a vitória final.

Com a Espanha não existirá este domínio e nas oportunidades que Portugal dispuser tem de as aproveitar com excelência.

DOMÍNIO TERRITORIAL MAS FALTOU “MATAR” – 5 PONTOS

Nos últimos dois/três anos, as selecções nacionais jovens têm assumido um maior dinamismo com a oval, ocupando bem o espaço, gerindo bem a posse de bola, apresentando uma postura inteligente, calma e mais experiente, sem entrar em pânico ou desespero.

No jogo frente à selecção holandesa, Portugal foi a selecção que quis mandar no jogo, com largos períodos de controlo do encontro ou um domínio territorial “agressivo” (média de tempo dentro dos 22 metros da Holanda rondou os 3 minutos).

Foram várias as oportunidades conquistadas pelas movimentações atacantes, com Manuel Cardoso Pinto, Duarte Pinto Gonçalves (excelente jogo do ponta do CDUL, a par do seu colega, Diogo Cardoso) e, em especial, o par de centros João Lima e Rodrigo Marta (o nº13 do CF “Os Belenenses” foi um problema para a defesa holandesa, batendo o pé, fugindo a placadores e abrindo “brechas”) a conquistarem diversas quebras-de-linha para Portugal.

Infelizmente, faltou uma segunda cortina mais rápida e célere que aproveitasse estas oportunidades para sair rapidamente num segundo ataque de modo a marcar ensaios e os pontos necessários para garantir “paz” no resultado.

A Holanda placou bem, mas não tinha a energia para apresentar uma linha defensiva expedita que fizesse logo “muro” para impedir os avanços das linhas atrasadas da formação lusa… perderam-se algumas oportunidades em certos momentos do encontro. Todavia, ainda assim Portugal raramente errou na transmissão da oval (os poucos erros que surgiram deram-se nos últimos 10 minutos, altura em que a equipa da casa sentiu-se confortável no resultado e começou a arriscar), fazendo um jogo bem executado, ritmado e ponderado.

Com a passagem de João Lima para médio-de-abertura o jogo abriu-se para Portugal, com o centro/abertura a dar outra fluidez e confiança no ataque à linha de vantagem.

Contra a formação dos Leones sub-20, o domínio territorial poderá não ser tão claro e as quebras-de-linha não serão tantas como na meia-final. O que quer isto dizer? Que Portugal terá de aproveitar todas as fugas e buracos para não só ganhar metros, mas para marcar pontos!

Manuel C. Pinto em grande fuga (Foto: José António Fernandes Fotografia)

O QUE ERA UM PROBLEMA É AGORA UMA FORÇA – 8 PONTOS

É extraordinário a evolução portuguesa na formaçãoordenada nos últimos anos, passando de uma zona cinzenta e problemática, para algo estável e olhado como uma solução nos jogos. É ainda mais extraordinário ouvir nas bancadas os adeptos de Portugal a gritar “vai à formação-ordenada!”, um pormenor impensável há 6 ou 5 anos atrás.

O 5 da frente destes Lobos sub-20 têm feito um trabalho excelente, enviando os seus adversários para trás, ganhando espaço de manobra e, mais importante de tudo, o conquistar de penalidades que permitem avançar no terreno.

Frente à Holanda, David Costa, Nuno Mascarenhas, José Pimentel, José Roque (passou de nº8 para 2ª linha sem perder aquela vontade de participar no ataque, assumindo um gosto por carregar a oval) e Manuel Peleteiro foram essenciais para a vitória final, com um poderio físico e técnico que não se ficou só pela FO, já que surgiram no jogo aberto em alguns momentos.

Nota para a excelente entrada de José Sarmento (um trabalhador nato, entrou com tudo no jogo, com três boas entradas), Martim Cardoso (o formação é um jogador mais fadado para este tipo de jogos mais “caóticos”, em que é necessário meter a equipa adversária cansada e sem que consiga respirar) e Manuel Dias (grande entrada do centro de Agronomia, com uma boa passada indo ao contacto e criando boas situações de ataque.

A final no sábado será uma guerra na formação-ordenada, alinhamentos (Portugal esteve” morno” neste aspecto com quatro perdidas na luta pelos “ares”), rucks, no contacto, nos saltos e no breakdown. Tudo isto terá de ser uma força do jogo português.

PONTUAÇÃO FINAL – 16 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: Formação-ordenada foi completamente dominada por Portugal, com várias penalidades conquistadas; sem faltas no chão, com boa leitura defensiva e de quando e como arriscar na luta no chão; gestão de posse de bola de qualidade, com bom apoio ao portador da bola; placagem agressiva e que raramente consentiu espaço aos adversários; comunicação foi exemplar; domínio territorial na 2ª parte, não dando oportunidade à Holanda de ir para além dos 30 metros

ASPECTOS NEGATIVOS: Alguns alinhamentos perdidos nos últimos metros ofensivos; más decisões nas penalidades, forçando o pontapé quando poderiam ter ido à formação-ordenada ou alinhamento; ausência de uma segunda cortina de ataque em vários momentos do jogo, não aproveitando as boas oportunidades dispostas pela formação adversária

PORTUGAL | 1 – David Costa, 2 – Nuno Mascarenhas, 3 – José Pimentel, 4 – José Roque, 5 – Manuel Peleteiro, 6 – Manuel Pinto, 7 – João F. Vital, 8 – Duarte C. Campos, 9 – Duarte Azevedo, 10 – Tomás Lamboglia (2), 11 – Duarte P. Gonçalves, 12 – João Lima (5+3+2), 13 – Rodrigo Marta (5), 14 – Diogo Cardoso, 15 – Manuel Cardoso Pinto (5).

Suplentes: 16 – João F. Lima, 17 – José Sarmento, 18 – Filipe Granja, 19 – Manuel Barros, 20 – Sebastião Silva, 21 – Frederico Simões, 22 – Martim Cardoso, 23 – António Puerta, 24 – Manuel Dias, 25 – Simão Van Zeller

O Fair Play entrevistou no final do encontro João Lima (centro da selecção nacional) e Luís Pissarra (seleccionador nacional) sobre o encontro frente à Holanda

JOÃO LIMA (AEIS AGRONOMIA)

João, o jogo de hoje foi “duro” nos primeiros 40 minutos, mais por nosso demérito que por mérito do adversário. O que mudou na segunda-parte?
JL. O jogo foi duro os 80 minutos, a diferença foi que conseguimos concretizar a nossa supremacia em pontos na segunda parte, resultado de mais calma e menos erros individuais
Onde é que sentiste que a equipa esteve bastante bem e aonde temos que melhorar para a final?

JL. Sem dúvida nenhuma na formação-ordenada estivemos em grande a nível, ao que se juntou uma ótima defesa. A melhorar temos a concretização em pontos de jogo criado e a grande quantidade de erros individuais

Declarações de Luís Pissara, seleccionador nacional de sub-20, a colocar assim que possível
Foto de Destaque de José António Fernandes
João Lima converte (Foto: José António Fernandes Fotografia)

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