25 Mai, 2018

Portugal a 240 minutos do Mundial de Rugby 2019

Francisco IsaacNovembro 19, 20177min0

Portugal a 240 minutos do Mundial de Rugby 2019

Francisco IsaacNovembro 19, 20177min0
Os Lobos voltaram às vitórias com um 45-12 esclarecedor frente à República Checa. Portugal segue assim no caminho para o Mundial de rugby 2019

A corrida para o Mundial 2019 começou da melhor forma para a selecção portuguesa, que “abateu” a República Checa com uma exibição de bom nível, especialmente a partir dos 20 minutos da primeira parte. Com um 45-12, Portugal apresentou-se da melhor forma ao seu público no Jamor, com vários estreantes à mistura.

O maior “peso” físico dos checos não significou maior poderio nas formações ordenadas, ou rucks, provando que Portugal tem boas armas (mas será que são suficientes?) para ir mais além nos “sonhos”.

O Fair Play analisa o jogo em quatro pontos diferentes, naquela que foi, simultaneamente, o primeiro jogo do Rugby Europe Trophy e o jogo de qualificação para o Mundial de Rugby 2019.

O MVP: Parceria Lima-Rodrigues de sucesso

Não há dúvida que a introdução de José Rodrigues no XV da Selecção Nacional alterou por completo a capacidade ofensiva dos comandados de Martim Aguiar. O médio-de-abertura da AEIS Agronomia foi bastante seguro com a bola nas mãos (iniciou dois dos quatro ensaios de Portugal), abrindo bons espaços e pondo a oval no sítio certo à hora certa. Na defesa ainda foi responsável por um turnover, para além de ter apresentado uma placagem bastante interessante, que ajudou aos asas de Portugal (belo jogo de Villax no ataque ao breakdown) na disputa. E ao pontapé foi simplesmente magnifíco, não só pelas conversões (7 em 7), mas também pela colocação da bola longe da área de Portugal, o que tirou “pressão” e deu outra confiança aos Lobos.

Já José Lima foi categórico na forma como atacou a linha (tem apenas um erro a meio da segunda parte, quando opta por mudar o sentido de jogo e resulta numa penalidade contra Portugal), abrindo espaço para três ensaios dos seis ensaios de Portugal, em especial o segundo de Tomás Appleton (nota bastante positiva do centro convertido a ponta para este encontro). A exibição portentosa do centro do Oyonnax começou bem com um belo ensaio de apoio a uma entrada fulgurante de Manuel Cardoso Pinto.

O MOMENTO DO JOGO: Sousa Guedes e o repor de energias

Portugal entrou para a segunda-parte a jogar “à defesa”, encaixando bem a pressão dos checos, que tentaram de várias formas chegar à área de ensaio. Contudo, uma excelente prestação defensiva, onde a primeira placagem quase sempre entrou e a cortina defensiva rapidamente aparecia, garantiram “paz” para os Lobos – embora a República Checa esteja muito longe de ser uma equipa que joga bom rugby, denotando-se claros problemas no abrir de bola e no jogar rápido.

Todavia, aos 60′ o jogo mudou de “feição”, com a entrada do elétrico Nuno Sousa Guedes. O jogador do GD Direito entrou para o lugar de Manuel Cardoso Pinto (boa exibição do nº15, que co-assistiu o ensaio de José Lima com um excelente offload) e  ligou os Lobos à “ficha elétrica”, abrindo espaços com a bola nas mãos, entrando com velocidade e certeza neles e “desfragmentando” por completo a defesa checa.

O ensaio de Tomás Appleton aos 63′ veio das mãos de Guedes, que sai a jogar dos seus 15 metros, passando por mais de seis placadores/defensores, abrindo, a cada novo passo, um buraco no qual fugir por… mesmo em cima dos dez metros entrega a bola a Appleton, com o ponta a mergulhar e a dar o ensaio do 31-05.

Ter jogadores como Sousa Guedes no banco (ou de início) é uma forma de dar outras “armas” ao jogo português, que por vezes peca pela sua lentidão e forma demorada de trabalhar o jogo ofensivo. Contudo, a linha de três-quartos do jogo contra a Rep. Checa é o que mais se adequa às qualidades da tipologia de jogador português: velocidade, “manha”, capacidade de “desaparecer” e de decidir em momentos cruciais.

Electrizante (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

O SIN BIN: Gonçalo Uva… crosskick e a perda de uma oportunidade

Aos 13 minutos de jogo, uma jogada rápida de Portugal resultou num conquistar consecutivo de metros, que deixou Portugal à beira da área de ensaio checa. O juiz do jogo não teve outra solução senão apitar falta a favorecer a equipa da casa. O normal seria jogar para o alinhamento para formar um maul (Portugal viria marcar um desta maneira já ao minuto 81′ por Corte-Real) ou montar uma formação ordenada que poderia resultar numa entrada de José Lima ou uma abertura de José Rodrigues para um ataque do três de trás. Ou seja… o normal.

Contudo, Gonçalo Uva do nada segue a bola de foram rápida e atira um crosskick para a outra extremidade do campo, permitindo uma recuperação de bola para a República Checa e aquilo que reiniciou um contra-ataque dos forasteiros, que só não terminou pior graças a uma seguríssima defesa portugueses. Todavia, contra uma selecção mais experiente e móvel, este tipo de situações pode ter outra fatalidade.

Para além disso, este tipo de “pormenores” são problemáticos para uma selecção que está a tentar encontrar o seu caminho e só demonstra alguma falta de lógica e falha na voz de liderança. Gonçalo Uva é um jogador importante para os avançados dos Lobos, mas não pode estar a cima dos princípios de jogo, da metodologia implementada e, especialmente, da equipa. Portugal ganhou… mas em caso que tivesse terminado num taco-a-taco, esta penalidade poderia ter feito a diferença.

 

O PORMENOR: “Segunda linha” de opções para ficar?

As ausências de Francisco P. Magalhães, Nuno Penha e Costa, Manuel Picão, Duarte Diniz, Francisco Bruno/José Leal da Costa e Adérito Esteves foram bem “preenchidas” por Manuel Queirós, José Rodrigues, Geordie Mcsullea, Nuno Mascarehas, Gustavo Duarte e António Cortes Monteiro, com todos a rubricarem boas/excelentes exibições.

Em especial há o tal destaque para José Rodrigues, mas também para Nuno Mascarenhas e Gustavo Duarte (formaram um trio de categoria com Bruno Medeiros, sustendo bem a pressão e peso da República Checa, apostando ainda em boas entradas e boas disputas de bola, onde o talonador do Cascais foi dos melhores em campo) que souberam fazer frente à ameaçadora primeira-linha forasteira.

Já António Cortes Monteiro conseguiu trazer uma série de “ferramentas” para a Selecção Nacional: placagem “agressiva” e eficaz, capacidade de aceleração no momento necessário, raça e espírito de combate e “manha” com a bola nas mãos.

Num jogo sem algumas das “estrelas” do Universo da Alcateia, Martim Aguiar conseguiu montar uma equipa bem homogénea, que tinha uma média de 15 internacionalizações no total do XV titular (227 internacionalizações, com Gonçalo Uva a deter 94, enquanto que Rodrigues e Monteiro eram estreias absolutas), o que não deixa de ser um pormenor curioso e interessante sobre a capacidade de surpreender da selecção Nacional.

Portugal volta a jogar em Fevereiro para o Rugby Europe Trophy, frente à Holanda e Suíça… já o caminho para o Mundial não deverá ser antes dos jogos finais da competição europeia “B” da Rugby Europe.

Renovada a esperança (Foto: Miguel Rodrigues Fotografia)


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