Porquê jogar Touch Rugby?

Francisco IsaacSetembro 24, 20188min0

Porquê jogar Touch Rugby?

Francisco IsaacSetembro 24, 20188min0
O Rugby continua na sua expansão a nível mundial, mas nem sempre é pelo rugby de contacto, existindo a opção de "toque". Porquê jogar Touch Rugby? E tem futuro a variante?

Touch Rugby… para os mais puritanos, o Touch não tem ligação ao Rugby Union (15 jogadores dentro de campo, entre outras diferenças) mas sim ao Rugby League (13 jogadores dentro de campo e… não há rucks), o que não deixa de ser rugby e de ter ligação ao desporto da bola oval em que se tem de passar para trás (a não ser que seja com o pé… aí um chuto para a frente é válido de ser apanhado) e ganhar metros de forma consecutiva para atingir a linha de ensaio.

Nos dias de hoje, o Touch Rugby enfrenta um dos seus melhores momentos em termos de expansão e relação com o público, mas também iniciou uma “espécie” de uma “guerra” com a sua confusão com o rugby. A Federação Internacional de Touch, tenta ao máximo afastar-se da sua casa-mãe, colocando-se como uma modalidade completamente diferente e independente.

A nível de instituições, a World Rugby continua a padecer de conseguir juntar as suas várias variantes debaixo do mesmo tecto, alienando “famílias” apesar de uma extraordinária expansão do jogo com a bola oval. O rugby é uma febre mundial, com vários países a apaixonarem-se cada vez mais pelas regras, leis e valores do jogo, tentando entrar no circuito quer seja dos 7’s, XV, Touch, Rugby League, entre outros.

TOUCH RUGBY: OS DESAFIOS DO SÉCULO XXI

Por isso, depois desta (excessivamente) breve introdução da génese do Touch Rugby, o que há para discutir? O que realmente diferencia? Qual é o público-alvo que pode “atacar” em Portugal? E tem futuro?

Antes de mais, já tínhamos explicado do que se trata do Touch Rugby nos artigos de Lourenço Corrêa Monteiro (podem ver tudo aqui: O que é o Touch Rugby?) e rapidamente lembramos: seis contra seis, campo completo, cada equipa pode carregar a bola durante seis toques, sendo que após este tem de deixá-la no sítio onde por último foram tocados entregando a posse à equipa adversária; bola que caia no chão reverte para a equipa adversária também, não há pontapés, não há formações-ordenadas ou alinhamento nem rucks.

Por isso, de certa forma é um jogo que se palmeia pela velocidade, inteligência e capricho em conseguir ludibriar o “placador” adversário (não pode placar, só pode tocar…e é um toque ao de leve!). Exige disponibilidade física para tanto atacar e ganhar metros, como de recuar quando se toca no adversário para dar nova vaga defensiva à equipa. É um desporto que dá para todos, inclusivé aos que nunca jogaram e especialmente a aqueles que jogaram mas por uma razão ou outra deixaram de se poder “divertir” no Rugby Union.

Nesse sentido, está aqui uma das primeiras razões do “Porquê jogar”: atletas que tenham praticado rugby mas que já não tenham capacidade física (lesões e idade mais avançada) e mental (tempo e disponibilidade para ir 3x por semana para o relvado treinar defesa, contacto, ataque, formações-ordenadas, toda a panóplia do Rugby Union) de aguentar essa entrega, podem voltar a importar no contexto da bola oval.

Para a maioria dos ex-atletas do rugby de XV (quinze), praticar uma modalidade em que não há qualquer contacto, desprovida de choque e fuga e daqueles momentos únicos que se alcança no Union, não vale a pena sequer tentar por não apresentar grande desafio.

Contudo, este é um pensamento verdadeiramente errado. O Touch Rugby para os adultos que já não podem jogar rugby ou que nunca jogaram e não se sentem confortáveis com as placagens e afins, é perfeito, pois força tanto a um trabalho físico diário (sem o peso da placagem, pede-se compromisso em termos de ritmo físico, de fazer umas corridas semanais importantes para uma vida sã) como de inteligência (Touch é um jogo de estratégia e há várias tácticas a usar… umas mais arriscadas que outras), desafiando os curiosos a ganhar o gosto por uma variante que pode criar ainda mais público no rugby do que se pensa.

É uma questão de experimentar, mais que uma vez atenção, de ir aos vários campos de rugby em Portugal e procurar pelos touchers que andam por aí às dezenas/centenas a mexer não só com ex-jogadores mas também com pais e mães que se envolvem positivamente com o desporto que os filhos praticam. Invés de ficarem a observar o treino dos filhos, sem perceber na maioria o que se passa (isto para os pais e mães que nunca jogaram ou tiveram contacto com rugby), calçam umas botas, metem uns calções e desafiam-se a participar na vida activa desportiva.

O CASO PORTUGUÊS: SUCESSO?

Em Portugal foi uma das raízes do crescimento do Touch Rugby e tem de ser apoiado com outro “peso”, para despertar ainda mais famílias a envolverem-se com uma modalidade desafiante, que força o exercício mental como físico. Posto isto, ficámos a perceber o que diferencia, o público-alvo a atacar e do que se trata, ficando a faltar a questão mais importante de momento: tem futuro?

O Touch Rugby em Portugal está potenciado pela Associação de Touch Rugby Portugal, que tem tomado conta dos calendários anuais da variante, para além de apoiar os novos clubes ou secções, garantindo formações e aprendizagens importantes para um desenvolvimento positivo e evolutivo. Neste momento, o crescimento tem sido exponencial com não só vários clubes de rugby a abrirem esta secção, como também a formação de emblemas só dedicados ao Touch Rugby, existindo já um Circuito Nacional da variante, para além dos vários torneios regionais.

Falta, talvez, mais apoio por parte da entidade que regula o rugby em Portugal, pois nos últimos anos grande parte do crescimento do Touch foi garantido e conquistado por parte da Associação e clubes de rugby, que perceberam como atrair novo público e novos activos pela variante (os activos, neste caso, não são “crianças” mas sim graúdos). Para além disso, já existem duas selecções nacionais de Touch Rugby, tendo participado no último Europeu em Nottingham (2018) com um escalão: M40. Existe também o M45 mas não participou no evento referido atrás.

O Touch Rugby a nível mundial tem “focos” de grande agitação, como o caso australiano onde a população local pratica esta variante logo pela manhã para se agitar fisicamente e partirem para a vida laboral mais “frescos”. Por cá, o Touch é mais praticado como a maioria das modalidades no contexto nacional: pelo fim de tarde. Podem ir até ao Estádio Universitário (CDUL), Olaias (Técnico Rugby, foto no final do artigo) ou 1º de Maio (CR São Miguel) no caso lisboeta; no Algarve, o Clube de Rugby Universitário do Algarve promove a modalidade como poucos; muito para norte, em terra de Arcos de Valdevez têm mais que um campo para se divertirem no touch; a Lousã é casa do rugby português e, claro está do Touch; na Guia também já se despertou a vontade pelo Touch; a Madeira já está a desenvolver a variante, sendo possível aos Domingos comparecer em São Gonçalo para um treino; entre outros.

Por assim dizer, têm muito por onde escolher e descobrir uma variante que nasceu há quase 40 anos atrás no seio do Rugby Union/League e nos últimos dez anos tem caminhado por uma estrada peculiar e de interesse para o desporto em geral.

Se o Rugby de contacto é um desporto idílico para os atletas que querem se entregar a uma modalidade exigente a nível físico e de recuperação muscular, que vai dos 6 até aos 36 (após esta idade é raro o atleta que ainda joga), o Touch Rugby pode e deve albergar e interessar todos aquele que não queiram ou já não possam entrar na linha do contacto, destacando-se não como um “parente pobre” mas como o “irmão” mais novo do Rugby.

Em nota pessoal, experimentei Touch Rugby depois de não ter tido possibilidade de continuar a jogar Rugby Union… sendo um ex-pilar, com algum peso, poderia não ser fácil a adaptação… todavia, o Touch Rugby forçou-me/força-me a procurar outras opções que não o contacto e de explorar os handling skills e posicionamento tanto no ataque como defesa. É uma modalidade perfeita para quem deixou de jogar e não quer arbitrar ou se envolver no rugby como treinador. 

A Festa do Touch Rugby (Foto: Associação de Touch Rugby Portugal)

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