Os 3 destaques da 2ª jornada das Seis Nações 2021

Francisco IsaacFevereiro 14, 20216min0

Os 3 destaques da 2ª jornada das Seis Nações 2021

Francisco IsaacFevereiro 14, 20216min0
E só há duas selecções imbatíveis nas Seis Nações 2021, com Gales e França a garantirem o 1º lugar. A nossa análise ao que se passou na 2ª jornada

Um registo negativo foi desfeito e, também, um sonho caiu por terra, somando-se uma vitória mais que esperada naquela que foi a 2ª jornada das Seis Nações 2021. Quem foram os verdadeiros vencedores? E quem sai com os objectivos incólumes para a 3ª ronda?

UM AR DA GRAÇA DA ROSA E DE DR. WATSON

A Itália não teve capacidade para aguentar o maior pendor ofensivo da Inglaterra, tendo sido totalmente dominada a partir dos 10 minutos de encontro, com os homens de Eddie Jones a mostrarem outra voracidade e foco em comparação do que se passou contra a Escócia, um mal que os italianos tinham sofrido já frente à França. 6 ensaios contra 2, 561 metros conquistados para 325, domínio de 56% da posse de bola e 64% do território, 14 quebras-de-linha e 31 defesas batidos, são números mais que suficientes para aceitar que os ingleses realizaram uma prestação de qualidade, com Anthony Watson a ser o protagonista da tarde, e não foi só pelos dois ensaios marcados.

O ponta inglês foi um agitador contínuo da Rosa, abrindo linhas de ataque e espaços na defesa italiana, que o próprio explorou ou assistiu um colega para que esse aproveitasse e infligisse dano, agitando assim com o tabuleiro de jogo durante os 80 minutos, com os números individuais a revelarem uma das melhores exibições até ao momento: 138 metros, 4 quebras-de-linha, 7 defesas batidos, 2 ensaios, 6 tackle-busts, 3 assistências para quebra-de-linha, 5 bolas conquistadas no ar.

Apesar da vitória por 41-18, as forças inglesas voltaram a revelar falhas em certos sectores, a começar na gestão de bola entre o par de centros, a falta de participação de Billy Vunipola na estrutura de jogo – só 1 metro em 60 minutos – e a incapacidade para aplicar uma defesa totalmente agressiva e dominante, concedendo erros de placagem algo inesperados ou a não conseguirem impor uma subida defensiva minimamente agressiva.

ESCÓCIA DÁ LIÇÃO DE SUPERIORIDADE… SEM GANHAR

Sabem quando tudo e todos se queixavam da Escócia ter uma falta de confiança e crença total, ao ponto que os escoceses pareciam desejar que o jogo acabasse o mais cedo possível, entregando-se a uma prestação mais cinzenta e sem chama? Bem, frente ao País de Gales aconteceu exactamente o contrário e acabou por terminar numa derrota, mas com tonalidades bem positivas. O que queremos dizer sobre isto, é que a selecção do cardo teve oportunidades para ir aos postes invés de ir ao alinhamento ou formação-ordenada, acabando por escolher a segunda opção pois o desejo era marcar ensaios e fazer valer o seu rugby positivo, entusiasmante e acelerado, em contrapartida da estratégia mais “mastigada” e cínica por parte do País de Gales.

Contudo, esta voracidade escocesa acabou por ser nociva para os seus desígnios, consentindo erros nessas plataformas de ataque quando não podiam-no fazer, dando uma centelha de esperança aos galeses, que acabariam por dar a volta ao 07-17 da primeira-parte já nos últimos 10 minutos do encontro, para a infelicidade de um conjunto escocês que sonhou no fim com um ensaio perdido num avant de Stuart Hogg (o offload era difícil de captar). Mas deverá a derrota forçar a mudança de estratégia e pensamento da Escócia? Não, decididamente que não, já que o brilhantismo, a virtude de querer ter a oval na mão e a vontade de procurar um ataque mais agressivo e incisivo têm ajudado os comandados de Gregor Townsend a ganhar outra dimensão, e se não fosse pelo cartão vermelho de Zander Fagerson e umas quantas penalidades escusadas, sem esquecer o approach errado de Stuart Hogg ao último ensaio de Louis Rees-Zammit (o defesa podia ter esperado um pouco mais invés de subir desenfreadamente), não há dúvidas que o vencedor teria sido outro.

É só ver a diferença quase abismal de números entre os dois lados: Escócia fez 508 metros de conquista com a bola em seu poder, enquanto os galeses só chegaram aos 188, para além dos 27 defesas batidos para os 6 dos visitantes que acabam por ter na mão a hipótese de ganhar o Grand Slam… tempos estranhos, estes das Seis Nações 2021.

FRANÇA COM DEFESA DE CAMPEÃO

Começamos por aplaudir a exibição de Charles Ollivon, o capitão destes Les Bleus que foram capazes de voltar a vencer a Irlanda em Dublin ao fim de 10 anos, motivando grandes festejos e sonhos de que a vitória nas Seis Nações vai finalmente chegar. A Irlanda foi cínica quando tinha a oval sob seu controle, aproveitou melhor as oportunidades para explorar os poucos erros defensivos da Irlanda e manteve uma crença total baseada numa defesa dominadora na maior parte do tempo, especialmente naqueles 10 minutos em que os irlandeses tinham uma superioridade numérica, impondo uma placagem de categoria e um mindset só ao nível dos verdadeiros campeões.

A estrutura de defesa da França é inteligente e prática, com alguns pormenores curiosos e relevantes como o posicionamento dos dois médios de criação em locais opostos do campo, já que Antoine Dupont estava sempre no corredor esquerdo – movendo-se ligeiramente para o centro, dependendo do posicionamento do abertura adversário -, enquanto Mathieu Jallibert ficava estacionado na direita a complementar a linha-defensiva junto do ponta, o que dava espaço para um contra-ataque rápido caso a oportunidade surgisse.

Shaun Edwards, o treinador de defesa dos gauleses, impôs este ritmo, agressividade e resiliência como base para chegarem a um equilíbrio estável no encontro, ganhando pelo caminho a confiança suficiente para superarem o adversário e colocarem-se no topo das acções, mesmo que isso não signifique domínio do território ou posse de bola. Nem com mais penalidades cometidas, menos tempo com a oval nas mãos ou com menor presença em fases mais avançadas do terreno de jogo, a França nunca claudicou perante uma Irlanda que queria chegar aos pontes, mas que foi perdendo lucidez à medida que não conseguiam chegar à linha de ensaio.

ALGUNS DADOS

Stuart Hogg e Anthony Watson foram os únicos jogadores a ultrapassar a meta dos 100 metros conquistados, com o escocês a somar 113 e o inglês a atingir os 138;

Charles Ollivon foi o placador da ronda, com 20 placagens efectivas e 1 turnover, seguido de perto por Taulupe Faletau com 19, com o 3º lugar a ser partilhado por Lucas Bigi e Hamish Watson (nova grande exibição do asa escocês) com 18;

Stuart Hogg, Anthony Watson e Louis Rees-Zammit foram ao mesmo tempo os jogadores que mais quebras-de-linha protagonizaram com cerca de 3;

O Irlanda-França foi o encontro com menos penalidades, com os da casa a somarem 5 penalidades e a França com 9;


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