O “Breakdown” do CN1: Évora dá show com fome pela liderança!

Francisco IsaacJaneiro 22, 20198min0

O “Breakdown” do CN1: Évora dá show com fome pela liderança!

Francisco IsaacJaneiro 22, 20198min0
O líder imbatível do CN1 foi "abatido" pelo CR Évora que lança uma candidatura séria à subida de divisão. Os MVP's, pormenores e muito mais neste artigo!

O Fair Play fará um acompanhamento semanal ao Campeonato Nacional 1, divisão onde habitam CRAV, Guimarães RUFC, RC Santarém, Caldas RC, RC Lousã, CR São Miguel, SL Benfica Rugby, Rugby Vila da Moita, RC Montemor e CR Évora. A liga já está em funcionamento mas só agora é que conseguimos fazer um acompanhamento sustentado ao CN1.

Os melhores momentos, ensaios, equipas e factos desta divisão!

EBORENSES COM “SANGUE NA GUELRA” E OLHOS POSTOS NA LIDERANÇA

O Rugby Clube da Lousã estava imbatível há 10 jogos consecutivos, destacando-se no topo da liderança com 412 pontos marcados e 62 sofridos antes de visitar o campo do Clube de Rugby de Évora. A maioria esperava por um resultado equilibrado com os visitantes a reunirem talvez uma margem de favoritismo pelo seu posto e qualidade física até aqui evidenciada.

Mas, no final dos 80 minutos quem viu (e pode agora assistir pelos Highlights) e esteve presente no campo de rugby do CR Évora percebeu que há um novo candidato ao campeonato… os eborenses derrotaram por 28 pontos a 3 os lousanenses (que mantêm o 1º lugar, mas agora só com 1 ponto de vantagem para o RC Montemor) numa exibição que se pode de classificar de perfeita.

O Évora foi um colectivo uno e extremamente sólido durante todo o encontro, mostrando-se altamente paciente e agressivo na defesa, não se assustando com a maior valia física de quem estava do outro lado. Se por vezes no jogo ao largo sentiram (muito poucas) dificuldades, quando chegavam aos seus últimos 22 metros nada passava. Defesa inteligente, carregada de raça e querer, perante um ataque adversário muito musculado mas pouco inteligente no que saber fazer com a oval.

A voz de comando de José Leal da Costa, Miguel Valente e Manuel Murteira e a postura exemplar de Miguel Valente (incrível as duas placagens em modo try save que protagonizou) foram pormenores essenciais para manter uma defesa sadia e extremamente ágil na resposta no breakdown.

Já no ataque foi um show de José Luís Cabral, com toques de genialidade de João Pedro Oliveira, que deram lugar a dois dos quatro ensaios da equipa da casa. O centro ex-GD Direito foi um “osso” muito duro de roer no contacto, vocacionado para encontrar sempre o melhor momento para atacar o ombro mais frágil do seu placador directo… aceleração total e rotura defensiva encontrada.

A Lousã, como dissemos, fez um jogo pouco expansivo, completamente longe do que as exigências deste encontro pediam. Unidades pouco sólidas, equilíbrio na defesa ao largo muito débil e sem vocação para acreditar numa possível reviravolta, acabaram “engolidos” por um Évora que promete em 2019 chegar a outro ponto.

Miguel Valente, um dos jogadores mais experientes do Évora, explicou como foi possível derrotar o ainda líder RC Lousã,

Miguel, se na 1a volta perderam com a Lousã, agora responderam com uma grande vitória. Quais foram as bases para chegar lá?

Muita coisa mudou desde esse jogo na Lousa e o deste deste fim de semana! Estamos a trabalhar cada vez mais e melhor, tanto nos treinos de equipa como no ginásio, estamos muito focados nas ideias que o Miguel Avó nos transmite e essas ideias já estão a sair melhor durante os jogos. E a entrada de alguns jogadores ajudou a melhorar bastante a equipa que assim ficou mais completa.

Depois de ganharem ao 1º classificado, qual é o vosso objectivo?

O nosso objetivo passa por tentar vencer todos os jogos que vamos disputar até ao fim do campeonato, tenho a certeza que com a nossa humildade e com muito trabalho é possível atingir mais uma vez a Final Four, e depois, a partir daí, tudo pode acontecer…

UM MONTEMOR EM VERSÃO 2.0?

Se no final de 2018 assistimos a um Montemor pouco intenso e a apresentar algumas falhas complicadas dentro de campo, já em 2019 parece que algo mudou nos mouflons, que pela 2ª semana consecutiva garantiram o ponto de bónus agora com uma vitória por 52 pontos a 7 frente aos “pelicanos”. Um jogo intratável do par de centros da equipa da casa, impôs um poderio e domínio desde o 1º minuto que a equipa das Caldas nunca conseguiu contrariar.

A avançada montemorense voltou a apresentar os melhores índices possíveis no trabalho não só nas fases estáticas como também no jogo corrido, movendo-se com muita facilidade, com várias perfurações de qualidade tanto de José Roque como de Manuel Nunes ou Luan Almeida.

A 3ª linha mouflon está outra vez perto da sua melhor forma e a harmonia como que Gouveia, Nunes e Roque se entendem e se revezam nos processos ofensivos são claros indicadores de que o Montemor está novamente fixado em garantir o 1º lugar.

Mas e o que dizer da dupla de centros Thankgod Okafor e José Leal da Costa? O nigeriano continua a derrubar defesas e a encontrar espaço para criar constantes quebras-de-linha, identificando-se como um dos melhores estrangeiros a actuar em Portugal. É notória a intensidade que impõe durante 80 minutos, tendo sido um autêntico pesadelo para as linhas atrasadas do Caldas RC, que apresentou-se algo lento na saída com bola.

Por outro lado, José Leal da Costa (finalmente) apareceu a querer atacar a bola com outra vontade, num ritmo bem mais alto do que tinha até agora apresentado. Dois ensaios de cada um dos centros dos mouflons ajudou a equipa a chegar a um resultado justo de 52-07, que lhes permite sonhar com o 1º lugar após a queda da Lousã.

CRAV RENOVADO (E COM PERMANÊNCIA GARANTIDA) E BENFICA DE MÍNIMOS

Como subtítulo indica, o CRAV garantiu a manutenção em casa do Guimarães RUFC, depois de fazer uma exibição de excelência onde a 3ª linha liderada por Viriato Teixeira e Ebraheem Davids fizeram mossa de tal forma que saíram para o intervalo com uma vantagem de 33 pontos. A equipa da casa mostrou-se estranhamente apática nos primeiros 40 minutos e consentiu constantes erros de placagem, sobretudo a nível individual, bem aproveitadas pelos arcuenses.

A reacção do Guimarães na segunda metade do jogo chegou demasiado tarde, com Manuel Machado a tentar dar outra cor a uma exibição “cinzenta” que só teve alguns momentos de qualidade.

Já o Sport Lisboa e Benfica esteve a perder por 6-7 na recepção ao RC Santarém, um resultado inesperado na primeira parte. As “águias” de Carlos Castro e Francisco Aguiar efectuaram demasiados erros no jogo à mão e permitiram que os “cavaleiros” garantissem uma primeira e segunda cortina de defesa.

Um ensaio não convertido nos segundos 40 minutos foi o suficiente para concluir uma reviravolta no marcador. Exibição muito abaixo do que se esperava do Benfica, que continua a ocupar o 3º lugar mas em igualdade pontual com o CR Évora.

LAMA, CHUVA… E RUGBY DÉBIL NA MOITA

O campo do Rugby Vila da Moita já viu melhores dias e a constante chuva, vento e frio trataram de criar dificuldades sérias à equipa da casa e ao CR São Miguel, num encontro que terminou com ponto de bónus ofensivo para os visitantes, de forma merecida.

O actual detentor do 5º lugar entrou mais capacitado na missão de conquistar pontos, enquanto que os atletas moitenses assumiram um estilo de jogo mais caótico, ficando à mercê da sua própria desorganização e também de uma defesa bem trabalhada do São Miguel no breadown. João Duarte foi um dos melhores (ou menos maus) durante todo o encontro, tendo carimbado uma dezena de placagens, uma delas num sprint de 40 metros.

Com uma avançada cada vez mais adaptada ao fijiano Robert Delai, os miguelistas foram dominantes em todos os aspectos do jogo, apesar dos constantes erros que foram fazendo durante todo o jogo, registando-se contínuos avants na captação da bola a partir de pontapés ou de passes. Estas falhas acabaram por impedir que o resultado ganhasse outra dimensão, até pela quase inexistência do Moita em termos de bola de mão.

A equipa da casa teve duas oportunidades para fazer pontos e só por uma ocasião chegaram à área de validação contrária, num excelente contra-ataque. Diogo Pina voltou a registar uma boa exibição, com três quebras-de-linha e 7 defesas batidos no contacto, estando cada vez mais adaptado à posição de 1º centro.

O São Miguel fica deste modo isolado no 5º lugar, antes de receber o CR Évora e SL Benfica nas próximas duas jornadas… RC Santarém e o Caldas RC estão a 6 pontos, mas tudo pode se inverter num par de semanas.

Foto: FPR

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