O melhor dérbi de sempre australiano – Ronda 16 Super Rugby 2018

Francisco IsaacJunho 3, 20186min0

O melhor dérbi de sempre australiano – Ronda 16 Super Rugby 2018

Francisco IsaacJunho 3, 20186min0
Está quase a acabar a fase regular do Super Rugby e o melhor ficou para o fim! O melhor dérbi de sempre do rugby aussie aconteceu entre Reds-Waratahs! Como foi? Toda a explicação

OBRIGADO PELO ESPECTÁCULO REDS WARATAHS

15 ensaios…15 ensaios! Isto foi a quantidade de tocas de marca nas áreas de ensaio que tivemos direito a ver entre Reds e Waratahs, uma das maiores rivalidades de sempre do rugby mundial. Há mais de 100 anos que a formação de Queensland anda em “guerra” com a de New South Wales e em 2018 tivemos direito a um dos melhores jogos de sempre da competição.

Foi sempre a acelerar, com as duas equipas a lançarem-se em ataques frenéticos, com uma bela sequência de fases quase imparáveis. Em parte, ajudou o facto que a média de sucesso de placaggens rondou os 73% com ambas as formações a falharem 55 placagens em 179 tentativas.

Foquemos-nos nos pontos positivos: 29 quebras-de-linha (Izaia Parese com 3 foi o melhor nesse sector), 52 defesas batidos (Duncan Paia’aua deu “baile” a 8 placadores) e 1227 metros conquistados (Izaia Parese com 150 metros também foi o “rei” neste aspecto) são indicativos suficientes para considerar que o jogo foi um sucesso ofensivo. Faz falta ao rugby australiano este tipo de espectáculo, com duas equipas sedentas de provar que sabiam usar a bola em seu poder.

A vitória dos Waratahs por 52-41 corou coloca-os a um pequeno passo do apuramento para a fase final, quando estamos a poucas rondas do final da fase regular!

Vale a pena reverem o jogo e basta clicarem no seguinte link para efectuarem o download: Reds Waratahs.

JORDIE BARRETT: A ESTRELA ESTÁ ECLIPSADA

2ª derrota consecutiva para os Hurricanes e algo não está bem numa das melhores equipas desta competição. O rugby atacante vibrante, que não pára de galgar metros e lançar as suas linhas atrasadas para um assalto espectacular à linha de vantagem, está cada vez mais emperrado e, em parte, o problema provém das exibições menos boas de alguns dos seus melhores jogadores.

Ngani Laumape está vários furos abaixo em relação ao ano passado; Julian Savea está numa autêntica montanha-russa exibicional e a falta de soluções para fugir à direita é uma preocupação; Milner-Skudder ainda está à procura da sua melhor forma… porém, na posição de defesa não será o melhor sítio para voltar ao seu melhor; e Jordie Barrett.

O jovem defesa/ponta/centro (e isto é outro dos problemas do irmão mais novo dos Barrett) não tem feito um bom Super Rugby e nem o ensaio que marcou frente aos Highlanders salva-o de uma exibição apagada. Esteve constantemente envolvido em escaramuças, preocupou-se mais com o posicionamento dos colegas que o seu, o jogo ao pé nunca entrou e falhou na conquista de terreno.

Na posição de centro, Jordie Barrett tem de estar ao nível de Jack Goodhue, Rob Thompson, Anton Lienert-Brown, Ryan Crotty e até mesmo Rieko Ioane, e tem sido notório que o jovem não consegue atingir esse patamar. Contra os Highlanders foi completamente suprimido pelos seus adversários, sendo apanhado pela 3ª linha da formação de Otago em diversas ocasiões.

Será que o hype está a tirar espaço a Jordie Barrett? A derrota por 14-30 lança um véu de preocupação para com os vencedores de 2016. Conseguirão voltar em final de Junho na sua melhor forma?

MATT TODD: O MAIOR INJUSTIÇADO DO RUGBY NEOZELANDÊS?

Enquanto Jordie Barrett é um jogador que tem uma atenção sobre si de forma excessiva, Matt Todd é um asa que pouco ou nada lhe é reconhecido o valor de ser um dos melhores na sua posição na Nova Zelândia.

Na vitória dos Crusaders na casa dos Chiefs, por 34-20, Todd voltou a ser fundamental para a avançada dos campeões em título. Não contando com o ensaio, fruto de um maul dinâmico bem executado, o asa foi essencial neste jogo. Como? Na parte da liderança. Sem Samuel Whitelock e Ryan Crotty, coube a Todd o trabalho de capitão, que o realizou com categoria.

Os Crusaders foram sempre um colectivo “duro” e que mesmo perante algumas das melhores tentativas dos Chiefs, aguentaram e foram para a frente. Todd placou com 100% de eficácia (10 placagens) e foi um dos “segredos” no breakdown (3 turnovers e uma placagem que merece ser chamada de try-saving), tirando margem de manobra a uma equipa que sentiu a ausência de Sam Cane mais do que o esperado.

Por falar em Sam Cane, a lesão do nº7 não está de todo resolvida, o que valeu a Todd uma nova chamada aos All Blacks para os amigáveis de Junho!

REBELS PÕEM FIM A OUTRO RECORDE NEGATIVO

Ao fim de 3 anos de “sofrimento” e derrotas atrás de derrotas, uma equipa australiana conseguiu ganhar em solo neozelandês! Os Rebels, aquela equipa que o ano passado foi feita de “tapete” pela maioria das outras franquias do Super Rugby, obteve uma importante vitória por 20-10 ante os Blues.

Não foi de todo um jogo bom de rugby, com mais de três dezenas de erros próprios, algo que começa a ser comum na franquia de Auckland… bolas perdidas no contacto, avants, alinhamentos perdidos (3 em 13), 23 penalidades cometidas (Blues cometeram 13, alguns deles decisivos para o desfecho final) foram alguns pormenores que explica o jogo mais “fraco” de ambas as franquias.

Os Rebels foram mais eficientes no ataque, conseguiram encontrar soluções para um jogo acidentado, em que Haylett-Petty e Bill Meakes foram dois dos grandes responsáveis pela conquista dos 4 pontos dos australianos em solo neozelandês.

Mas onde é que os Rebels ganharam o jogo? No garantir das suas fases estáticas, com 19 alinhamentos e 10 formações-ordenadas “coleccionadas” durante os 80 minutos, algo que lhes deu a força suficiente para evitarem algum tipo de reviravolta dos Blues. Mesmo com uma exibição monumental de Jerome Kaino (19 placagens, 2 turnovers e 20 metros conquistados) e Stephen Perofeta (vai ganhando espaço no Super Rugby, com mais uma série de bons detalhes no ataque) de nada lhes valeu, já que voltaram a perder.

Para os Rebels estão na luta por um lugar na fase-final, mas necessitam de ganhar todos os seus jogos até ao final para ultrapassarem os Waratahs no topo da conferência australiana.

DESTAQUES

MVP da Ronda: Henry Speight (Brumbies)
Jogo da Ronda: Waratahs-Reds
Placador da Ronda: Jerome Kaino (Blues)
Agitador da Ronda: Izaia Parese (Reds)
Vilão da Ronda: Avançada dos Hurricanes


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter