Lobos nos Internacionais de Inverno 2025: dados e reflexões pt.2

Francisco IsaacNovembro 30, 20255min0

Lobos nos Internacionais de Inverno 2025: dados e reflexões pt.2

Francisco IsaacNovembro 30, 20255min0
Francisco Isaac continua na leitura às prestações dos Lobos nos Internacionais de Inverno 2025, agora com os ensaios marcados a ganharem destaque

Segunda parte da nossa análise à prestação dos Lobos nos Internacionais de Inverno de 2025, com destaque agora para os ensaios marcados e consequências da indisciplina.

Vamos então só olhar para os ensaios marcados neste artigo, já que escolhemos como ponto negativo outra secção. Dos 12 ensaios marcados pelos Lobos, cinco tiveram o alinhamento como ponto de partida, sem que nunca tenha sido ensaio por maul dinâmico. Contudo, o maul captou forçou diversos adversários a se envolverem, dando espaço para que as linhas atrasadas saíssem a jogar de forma rápida. Curiosamente, dois dos cinco terminaram com um passe feito para o lado exterior, aproveitando bem a falta de placadores nessa área.

Outros quatro ensaios tiveram como ponto de partida recuperações de jogo ao pé própria (2) ou do adversário (2) conseguindo transformar essa recuperação como plataforma para assaltar a área de ensaio contrária. Nisto, importa dizer que Raffaele Storti, Vincent Pinto, Simão Bento e Nuno Sousa Guedes foram reis e senhores da recuperação aérea, permitindo que Rodrigo Marta (três quebras-de-linha a partir deste tipo de ensaio) penetrasse a defesa para marcar ensaio ou assistir para tal.

Dois ensaios foram resultado de turnovers no breakdown, com Nicolás Martins a ter sido essencial para esse fim. O asa do US Colomiers colocou as pernas a trabalhar e atirou para trás os jogadores adversários que protegiam o ruck (de forma legal), permitindo o turnover e o arranque efectivo do contra-ataque, gerando assim dez pontos para os Lobos.

Por fim, apenas um ensaio teve como ponto de partida a formação-ordenada, tendo sido curiosamente, o último desta janela internacional. FO nos 30, diversas fases em que Portugal ganhou sempre na fisicalidade com Rodrigo Marta a surgir bem lançado para chegar à linha de meta.

Posto isto, é fundamental assinalar o trabalho de Rodrigo Marta como 2º centro, e também aplaudir como Hugo Aubry e Manuel Vareiro souberam utilizar o internacional luso do Colomiers com eficácia. Ao estar mais envolvido no jogo português, Marta teve ao seu dispor um buffet maior de oportunidades, podendo assim ter outro impacto no ataque de Portugal. Não querendo entrar no capítulo defensivo (em que a sua introdução no par de centros deu outra frescura), o ex-Belenenses Rugby tem continuar a vestira a camisola 13 porque é aí que poderá ter um maior impacto na manobra geral da selecção nacional sénior.

Aubry, apesar de estar longe da sua melhor forma, e Vareiro foram bons maestros de jogo, desenhando contínuos bons lances com Nuno Sousa Guedes e Vincent Pinto que, quando tiveram capacidade de discernimento, souberam dominar o adversário. O problema é quando o opositor é uma equipa como o Uruguai, já que a resiliência física e agressividade no que toca à pressão acabou por semear dúvidas da aptidão de Portugal em chegar ao outro lado. Os erros de handling permitiram recuperação ao adversário e a indisciplina acabou por abrir a porta aos ensaios consentidos nesta janela de Novembro.

Regressando a uma das áreas mais preocupantes: disciplina. Este tem sido um tema e problema recorrente desde Fevereiro de 2024, concedendo uma torrente de penalidades que só têm ajudado as equipas adversárias a recuperar animicamente em momentos de aflição (Canadá), a encontrar formas de ultrapassar a defesa dos Lobos (Uruguai na 2ª parte, apesar do ensaio de Francisco Suárez ter acontecido devido a 5 falhas de placagem individuais) e a colocar um travão no ataque de Portugal (Hong Kong, Canadá e Uruguai).

A maioria das penalidades ocorreram em duas áreas: breakdown e saída da linha-de-defesa. Indo ao breakdown, os Lobos realizaram 19 penalidades nesta secção, com a larga maioria a ter ocorrido enquanto a equipa defendia, ou seja, jogadores que arriscaram em ir ao turnover mas que foram caçados e acabaram por abrandar a saída da bola, ou placadores que não saíram da linha de saída de bola forçando o árbitro a apitar penalidade. Se é por falta de coordenação, harmonia colectiva ou por desígnio, a verdade é que este problema tem assolado Portugal desde os tempos pós-Mundial, o que significou desaires frente a Espanha em Março passado ou contra os EUA em 2024.

Sendo que Nicolás Martins é de longe o melhor conquistador de turnovers no breakdown (e, também, no alinhamento), a verdade é que a ausência de João Granate é altamente notada nesse espectro, sendo o asa do GD Direito dos principais enforcers do rugby nacional. Os erros ao nível do ruck também advêm da falta de comunicação do médio-de-formação e também da liderança dentro de campo, com esta última área a ser uma preocupação massiva desde que Mike Tadjer e Francisco Fernandes deixaram de representar as Quinas. É fundamental o desenvolvimento de líderes ao nível do pack, mas isso só poderá advir de consistência no que concerne a minutos de jogos e experiência. Nicolás Martins, David Wallis, João Granate, Cody Thomas, Luka Begic e David Costa parecem ser os que estão mais perto desse patamar, mas será que têm as qualidades mentais e psicológicas para serem os líderes do bloco de avançados? Respostas terão de ser dadas em 2026, um ano fundamental já que serve de rampa de lançamento para o próximo Campeonato do Mundo.

Na 3ª parte iremos tentar perceber o que faltou em Novembro e em que áreas serão necessárias fortes mudanças para garantir um Portugal mais próximo do nível de 2023.


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