Internacionais de Inverno: desastre patrocinado pelos Teros

Francisco IsaacNovembro 9, 20255min0

Internacionais de Inverno: desastre patrocinado pelos Teros

Francisco IsaacNovembro 9, 20255min0
Os Teros vieram a Lisboa passar por cima dos Lobos, com vários problemas a surgirem para a equipa técnica comandada por Simon Mannix

O pior cenário acabou por acontecer, com os Lobos a terem saído vergados do Estádio Nacional do Jamor num encontro em que os Teros a darem a volta ao resultado em 30 minutos, numa exibição francamente negativa por parte da selecção nacional.

MVP: RODRIGO MARTA

Dos poucos que efectivamente cumpriu com as suas obrigações dentro de campo e que conseguiu lutar contra o marasmo geral sentido, não só pelo ensaio marcado, como pelas várias boas acções no ataque ou nos dois erros causados ao ataque dos Teros. No fim dos 80 minutos, Rodrigo Marta tinha sido o jogador português com maior número de metros galgados com a oval em sua posse, para além de oito defesas batidos, duas placagens dominantes, sete entradas no contacto e duas quebras-de-linha, dando músculo e velocidade a uma equipa que pouco mostrou frente a um dos seus principais adversários deste patamar. A par de Marta, destacar Nicolás Martins (doze placagens efectivas, um turnover e dois alinhamentos roubados), Cody Thomas (um turnover em cima da linha-de-ensaio que evitou males maiores na 1ª parte e umas boas formações-ordenadas), Vincent Pinto e Luka Begic.

MELHOR PONTO: O SEPARAR DO TRIGO DO JOIO

Dificilmente é possível encontrar um ponto positivo numa das exibições mais perturbadoras da selecção nacional dos últimos tempos (incrível que desde Julho de 2024 já se tenham registado pelo menos 5 do mesmo nível), mas o facto dos atletas que jogam em França terem demonstrado que têm a capacidade de dar força à equipa, foi algo positivo. Rodrigo Marta foi preciso na maioria das suas acções, Nicolás Martins foi gigante no alinhamento, perturbando o Uruguai na primeira parte, enquanto Raffaele Storti, Anthony Alves, Cody Thomas, Luka Begic e Samuel Marques (com alguns erros individuais à mistura) tentaram remar noutra direção.

Por maior respeito que se possa ter por quem tem representado os Lusitanos, não se podem estar a oferecer internacionalizações como prémio pelas boas exibições registadas na Rugby Europe Super Cup. A competição não tem o mesmo nível de competitividade de 2021, 2022 ou 2023, e deixar de fora jogadores como Manuel Vareiro ou Maixent da Costa é chocante, especialmente no momento actual que vivem os Lobos.

PONTO NEGATIVO: FIO DE JOGO INEXISTENTE

Caos. A exibição portuguesa pode se resumir a esse conceito, já que o ataque nacional nunca fez sentido, com a estratégia montada pela equipa técnica a ser imperceptível para quem assistiu o encontro, enquanto a defesa só cumpriu quando o Uruguai decidiu ir em frente, com os atletas portugueses a se mostrarem desconexos e perdidos no espaço e tempo. A somar a isto, o banco de suplentes trouxe zero dinamismo e energia numa altura em que era necessário uma injeção de moral, sendo inexplicável a não convocação de Manuel Vareiro, António Campos, João Granate e Maixent da Costa que poderiam ter dado algo mais. Não querendo sequer falar do ensaio marcado pelo pilar do Uruguai que correu mais de 65 metros sem oposição, os Lobos foram inexistentes como equipa durante a maior parte do jogo, com Portugal a se aguentar no jogo à conta das grandes individualidades que (ainda) detém. Mais de 35 placagens falhadas, seis penalidades consentidas na formação-ordenada, um alinhamento sem rei nem roque, um jogo ao pé sem direção e nexo, tudo pontos profundamente negativos.

A situação é, no mínimo, extremamente grave e preocupante, já que Portugal soma apenas quatro vitórias em onze jogos desde que Simon Mannix tomou controlo dos destinos dos Lobos. É imperceptível como é que numa equipa carregada de alguns dos jogadores em melhor forma da Pro D2, que Portugal tenha sido completamente feito num trapo por Uruguai que está há semanas sem actividade e com diversos dos seus principais jogadores de fora por lesão ou por opção dos clubes.

O discurso de Simon Mannix pós a derrota altamente pesada frente à Irlanda já tinha sido preocupante, com o seleccionador nacional a desmerecer o resultado por via de Portugal ser uma equipa francamente inferior, denotando-se uma falta de ambição gritante, algo que tem vido a ser a imagem de marca dos Lobos desde que assinou com a Federação Portuguesa de Rugby. Portugal vai acabar por calhar num grupo destrutivo no Mundial de Rugby após esta sequência de resultados, algo que pelos vistos não é visto como preocupação por parte da FPR, que assiste impávida e serena perante este cenário.

Lembrar que Patrice Lagisquet foi empurrado para fora da FPR, que David Gérard ou Luís Pissarra não foram sequer contactados para assumir o cargo e que outros nomes foram recusados por via de pressão interna, com o cenário actual a ser resultado desta falta de coragem e interesse pelo bem comum. Portugal está em queda e pelos vistos parece não ser um problema.  A continuar neste caminho, os Lobos arriscam a lutar pelos últimos 4 lugares do Men’s Rugby Europe Championship 2026. Se isso acontecer, o discurso da equipa técnica será o mesmo? Talvez é altura de mudanças estruturais profundas a tempo de não só salvar a equipa sénior, como todos os escalões de formação da selecção nacional.

Foto de destaque de Luís Cabelo Fotografia. 


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