Highlanders, os mestres da eficiência – Ronda 10 Super Rugby 2018

Francisco IsaacAbril 21, 20188min0

Highlanders, os mestres da eficiência – Ronda 10 Super Rugby 2018

Francisco IsaacAbril 21, 20188min0
Entre ter muita posse de bola e não marcar pontos e ter pouca e ganhar jogos, qual prefeririam? Os Highlanders dão a resposta para as vossas dúvidas!

E AO FIM DE 10 RONDAS CHEGOU O PRIMEIRO RESULTADO A ZERO… NÃO É WARATAHS?

Paupérrimo jogo da equipa de New South Wales, com os Waratahs a serem completamente varridos pelos Lions, como bem diz o resultado: 29-00! Ao fim de 62 jogos da melhor competição de clubes (pelo menos do Hemisfério Sul) tivemos uma equipa sem pontuar, algo que se deve saudar. Contudo, não se pode elogiar que uma formação como a dos ‘Tahs tenha terminado a zero, ainda por mais quando jogou em casa.

Mas o que se passou com a equipa de Hooper, Foley, Naiyaravoro, Hanigan? Foi um misto de situações e apontamentos que tiraram possibilidade destes australianos de não só ganharem o jogo, como de marcarem qualquer ponto. O primeiro factor vai para os 14 avants dos Waratahs, com destaque para 9 já nos últimos dez metros, 5 dos quais a meros metros da linha de ensaio.

Um apoio ao portador da bola bastante franco, uma postura errada de quem levava a bola (Naiyaravoro foi dos piores nesse capítulo, com 5 avants) e uma estratégia que foi sempre mal executada. Os Lions estiveram soberbos na placagem, que não só tinha como objectivo de parar o adversário como de tentar roubar a bola no contacto.

Kwagga Smith e Franco Mostert foram uns autênticos predadores nesse capítulo, 2 turonvers cada um. Outro factor passou pelo facto da equipa da casa ter cometido 14 penalidades, 7 das quais nos últimos 22 metros, seja por bola presa no chão, obstrução involuntária ou “mergulhos” no ruck. Novamente, houve jogadores que tiveram culpa nesse ponto como Hanigan, Hegarty ou Wells (jogo muito abaixo das expectativas do número 8).

Michael Hooper nunca conseguiu passar as indicações correctas para a sua equipa e à medida que os minutos passavam a frustração aumentava de forma estonteante. Bernard Foley nunca disse presente, Kurtley Beale tem culpas no cartório na subida de linha (ainda não apareceu o Beale que todos anseiam por) e Dean Fitzpatrick esteve vários furos abaixo na formação ordenada ou no alinhamento.

Os Waratahs foram ultrapassados pelos Rebels na liderança da conferência e este jogo a zeros terá mesmo de ser o único, se desejam mesmo ir até aos playoff.

NÃO INTERESSA O TEMPO QUE TENS A BOLA… INTERESSA SIM O QUE FAZES COM ELA

Antes de mais, há que colocar aqui dois dados importantes para o leitor: os Blues tiveram 70% de posse de bola e 78% do território, deixando para os Highlanders 30 e 22% respectivamente. Numa primeira leitura a nível destes dados, poderíamos pensar que a vitória tinha sorrido à equipa que supostamente tinha dominado o terreno de jogo.

Todavia, quando se tratam dos Highlanders a “coisa” muda de figura. Há que entender que Aaron Mauger é um treinador que percebeu rapidamente qual era o ADN de sempre desta formação de Dunedin. Para quem não os conhece tão bem, explicamos: os Highlanders sempre gostaram de entregar a posse de bola ao adversário, colocando-os em nervos quando não conseguem passar por uma defesa tão bem articulada e mexida.

Para sorte desta formação que foi campeã em 2015 do Super Rugby, têm 5 ou 6 bons pontapeadores dentro de campo, e nós colocamos por nível de qualidade no jogo ao pé: Lima Sopoaga, Ben Smith, Aaron Smith, Rob Thompson, Waisake Naholo e Teihorangi Walden. Podemos juntar ainda Tevita Li ou Franco Smith ou mesmo Matt Faddes atingindo um número “gordo” de quase 10 bons chutadores.

Através do jogo ao pé os Highlanders colocam uma pressão muito complicada de lidar e contra adversários que têm problemas de comunicação ou não conseguem ter uma cortina defensiva ágil e rápida, esse factor é parte do caminho para a vitória.

Mas não basta só chutar bem e colocar uma boa pressão… há que também ser “esperto” na hora de defender ou recuperar a bola. Ben Smith ou Naholo são categóricos na arte do dar um pontapé por cima ou rasteiro e irem atrás da sua própria bola, Lima Sopoaga é excelente a meter a bola ao pé com todo uma inteligência que leva aos comentadores dizerem “parece que os pés têm mini-cérebros lá dentro” e a equipa no geral sabe perseguir bem a oval.

A defender são uns autênticos “monstros” já que completaram 50 placagens certeiras em 30 minutos de jogo, com 3 turnovers, forçando o adversário a cometer erros com a oval nas mãos. Os Blues voltaram a cometer erros de principiante na questão do handling e abriram bastantes brechas para dar espaço aos Highlanders de furar e ir ao ensaio (12-00 logo nos primeiros minutos de jogo).

Vitória merecida de uma equipa que aposta mais na estratégia e em modelos diferentes (não joga um rugby tão total como os Hurricanes ou tão pesado e forte como os Crusaders) que têm resultados práticos e dão outro sabor ao Super Rugby.

O PARA-CHOQUES DE QUEENSLAND: SAMU KEREVI

Os internacionais de Junho estão prestes a chegar e Samu Kerevi já tirou a “senha” para ter lugar na convocatória de Michael Cheika. O centro dos Queensland Reds tem estado imparável regressando à sua melhor forma, algo que não aconteceu durante o ano de 2017.

Os números são claros: 321 metros, 3 ensaios, 37 defesas batidos, 10 quebras-de-linha, 34 linhas de vantagem “batidas” e 50 placagens (95% de eficácia). O internacional australiano tem sido um dos nomes fortes do elenco de Brad Thorn, assumindo um papel importante no lançamento do jogo após uma 2ª ou 3ª fase mais curta.

É o primeiro 3/4’s a receber a bola quando é necessário fazer uma investida a meio do terreno, sendo fundamental que Kerevi ganhe pelo menos a linha de vantagem, estabilize no contacto até chegar o apoio e caia imediatamente para dar seguimento a uma fase mais rápida em que Daugunu ou Toua aproveitem para sprintar e desaparecer da vista de todos.

É um trabalho “ingrato”, pois Kerevi acaba por ser um dos alvos a abater desde o 1º minuto de jogo. Mas isso não o preocupa, e a forma como se bate no contacto é sinal de um atleta que sabe perfeitamente o que tem de fazer para garantir posse de bola e uma “ponte” estável para os seus Reds.

Frente aos Chiefs foi o koala mais inconformado dentro de campo, com dois ensaios, 70 metros conquistados e 7 defesas “driblados” ou atirados para trás como se fosse um camião TIR em máxima velocidade. O resultado de 36-12 a favor dos neozelandeses foi justo, com os Reds cada vez mais últimos das equipas australianas do Super Rugby.

REBELS NÃO SOBREVIVEM À ALTITUDE… E A UNS BULLS FURIOSOS!

Se na semana passada os Rebels tropeçaram em casa frente aos Jaguares, nesta ronda a situação da franquia de Melbourne piorou por várias razões. Primeiro pela derrota por 28-10 frente aos Bulls, uma equipa que está extremamente motivada para tentar fazer o improvável: chegar à fase final.

A formação de Pretória apresentou-se bastante forte no contacto e no jogo ao pé, com Warrick Gelant e Handré Pollard a criarem complicações aos australianos.

Os Rebels tiveram sérias dificuldades em controlar a bola durante todo o encontro e esse problema piorou, largamente, sempre que os Bulls colocavam uma pressão muito alta e extremamente agressiva, com disputas no ruck ou com sprints na direcção de Ruru, formação da equipa australiana,  quando este queria fazer um chuto para aliviar.

Outro ponto prendeu-se com o facto de uma série de jogadores terem pedido para sair, com caimbras e/ou lesões musculares a surgirem em massa… chegou ao ponto que os dois talonadores dos Rebels tiveram de abandonar o terreno de jogo, o que forçou que a formação ordenada perdesse o seu factor de disputa por não estarem reunidas as condições mínimas.

O cansaço dos Rebels foi evidente, que não conseguiram “fintar” a altitude do campo dos Bulls. A falta de oxigénio foi tal, que a quantidade de avants atingiu uns números preocupantes para uma formação que até estava a jogar bom rugby até à 8ª ronda. Os Bulls foram colhendo os erros dos adversários, foram atacando melhor, seguindo de forma rigorosa o plano de jogo traçado por John Mitchell.

Os sul-africanos foram sempre mais aguerridos, sérios e compactos, conquistando praticamente todas as suas fases estáticas e saindo a jogar com sapiência e a intensidade necessária para colocar os Rebels a andar para trás.

Ao fim de três derrotas consecutivas, os australianos vão agora até ao campo dos Stormers, que também estão numa sequência de três derrotas consecutivas… qual destes é que vai elevar a sua fase negra para quatro derrotas seguidas?

DESTAQUES

MVP da Ronda: Shannon Frizell (Highlanders)
Jogo da Ronda: Reds-Chiefs
Placador da Ronda: Dillon Hunt (Highlanders)
Agitador da Ronda: Samu Kerevi (Reds)
Vilão da Ronda: Waratahs


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