E três foi a conta que Portugal fez! – o “grubber” do Europeu de sub-20

Francisco IsaacAbril 7, 20197min0

E três foi a conta que Portugal fez! – o “grubber” do Europeu de sub-20

Francisco IsaacAbril 7, 20197min0
Portugal volta a repetir a vitória ante a Espanha e soma um 3º campeonato consecutivo histórico para a oval lusa. O último grubber do Europeu de sub-20 no Fair Play

Jogo de sofrimento mas de sofrimento que soube bem no final dos 80 minutos, com Portugal a voltar a levantar o tão desejado troféu de campeões da Europa de sub-20! Jogo que só teve direito a dois ensaios, com a entrada em rompante e inteligente de Joaquim Félix e o pontapé certeiro de Jerónimo Portela a fazerem a diferença num encontro de total domínio do bloco de avançados, que tornou Portugal tricampeão europeu, um recorde na História da Rugby Europe.

O último “grubber” do Europeu de sub-20 do Fair Play

AVANÇADOS AO RITMO DO HINO NACIONAL: MARCHAR E MARCHAR – 7 PONTOS

Não há dúvidas algumas que o bloco de avançados deu uma total dimensão ao jogo português, com sucessivas penalidades conquistadas na formação-ordenada, um maul que conquistou quase 100 metros a andar (dois deles começaram antes do meio-campo e já só terminaram na área de 22 adversária) e uma total perseverança na gestão da bola junto ao ruck ou no apoio em bolas “médias”.

Com David Gomes da Costa a liderar a 1ª linha, Manuel Pinto a “reinar” de forma soberba no breakdown e a prestação de excelência defensiva da 3ª linha (João Sousa, Manuel Nunes e José Roque formaram um trio altamente resistente às entradas dos avançados espanhóis, para além de se terem apresentado à placagem de uma forma desumana) deu outra dimensão à estratégia que portuguesa.

Não tendo uma habilidade ou mobilidade das linhas atrasadas como em anos anteriores, a ideia de passar a batuta da construção de jogo ou, melhor, de garantir uma boa plataforma para depois sair ao pontapé (Pedro Lucas acordou muito tarde para este aspecto, não tendo sido um jogo particularmente “feliz” do formação, bem substituído na 2ª parte por Joaquim Félix) e colocar uma pressão total na Espanha foi fundamental para atingir a vitória final.

Não fosse um erro dos 8 avançados numa formação-ordenada a 6/7 metros da linha de ensaio e a exibição teria roçado a perfeição… mas mesmo assim, é possível afirmar que este bloco de avançados foi o mais dominador dos últimos três anos, substituindo bem nomes como Nuno Mascarenhas, David Wallis, Duarte Costa Campos, José Rebello de Andrade, entre outros.

UM ENSAIO DE OFERTA… E 80 MINUTOS DE UMA DEFESA INQUEBRÁVEL – 7 PONTOS

Não fosse um erro aos 40 segundos de jogo, que ofereceu um ensaio à Espanha, a defesa portuguesa teria realizado um dos melhores jogos na defesa dos últimos anos. Verdade que as condições atmosféricas tiraram velocidade e o à vontade aos 3/4’s espanhóis, que ficaram com o seu ataque maniatado e sem grandes possibilidade de arriscar, forçando-os a procurar outras soluções como o jogo ao pé (excessivo e por vezes errático) ou saltos para a ponta que nunca representaram grande problema para Portugal.

Portugal defendeu com excelência o pós-pontapé, abrindo bem o leque de opções defensivo com Jerónimo Portela (foi dos melhores placadores no jogo ao largo, lendo bem as movimentações dos seus homólogos espanhóis), Manuel Nunes, João Sousa (os dois foram “gigantes” no placar, cair no chão e rapidamente disponibilizarem-se para uma nova vaga defensiva), Manuel Pinto, António Andrade a colocarem-se bem na linha e a impedir um avanço em 9 de 10 ocasiões para a Espanha.

A colocação de Francisco Afra Rosa e Francisco Salgado nas pontas, com apoio de Simão Bento na posição de defesa, criou um três-de-trás operacional na defesa, que muitas vezes foi apoiado quer por Tomás Lamboglia (não tendo realizado um jogo de alta qualidade, foi importante na 2ª parte no que toca aos pontapés e ao estancar os mesmos da Espanha) ou Jerónimo Portela, naquilo que tem de ser entendido como uma solidariedade total dos jovens Lobos sub-20 neste Campeonato da Europa.

Jogar contra a França-Aquitânia e Holanda (4º e 3º classificados respectivamente) ofereceu este desenvolvimento defensivo que trouxe só experiência, agressividade e bons processos a Portugal. Defesa de requinte, colectivo total e uma voz una na hora de defender e atirar os adversários para trás.

FALTA DE EQUILÍBRIO NAS LINHAS ATRASADAS FORÇA BOA ADAPTAÇÃO – 2 PONTOS

O tempo não ajudou nem Portugal ou Espanha (principalmente para os espanhóis), tirando possibilidade de ataques mais móveis, hábeis e de alto risco, forçando a passar a estratégia de jogo pelo pontapé e esperar um erro do adversário. Os lobos sub-20 jogaram bem a partir desta plataforma do pontapé, apesar de terem arremessado 4 ou 5 pontapés sem grande preparação, com a Espanha a mostrar-se ainda menos inteligente para fazer uso destas “ofertas”.

Contudo, porquê é que os jogadores da casa não arriscaram mais nos momentos em que jogavam vantagem? Por falta de opções. Tomás Lamboglia mal recebia a oval já tinha pelo menos 1 ou 2 adversários a fechar os caminhos, ficando sem possibilidade de transmiti-la na direcção do par de centros ou em algum dos elementos de três de trás, com o problema a começar na lentidão de saída de bola do ruck e na defesa rush up da Espanha.

Em outros anos a fisicalidade e o maior sentido de “magia” dos elementos das linhas atrasadas resolveram jogos para Portugal, com Vasco Ribeiro, José Luís Cabral, Manuel Cardoso Pinto, Manuel e Rodrigo Marta, Martim Cardoso ou Jorge Abecassis (entre outros) a serem alguns desses responsáveis, sendo todos jogadores bem diferentes dos actuais novos campeões da Europa.

José do Carmo e Jerónimo Portela não conseguiram fazer uma boa parelha no ataque, o três-de-trás optou por ficar mais na expectativa à espera dos pontapés dos seus adversários (excelente prestação na recepção dos mesmos), com estes elementos a mostrar a maior paralisação portuguesa na criação de jogadas.

Não foi boa a exibição, mas a chuva, campo molhado, a defesa em alta pressão e a pouca harmonia entre jogadores dos 3/4’s foram pormenores críticos para este facto.

PONTUAÇÃO FINAL: 16 PONTOS

Pontos Positivos: formação-ordenada, maul dinâmico de alto calibre com várias penalidades conquistadas; boa gestão da posse de bola, com as unidades junto ao ruck a aguentarem bem o impacto próximo segurando a oval; defesa inteligente e sempre pronta para fechar o espaço exterior; luta no breakdown decisiva para a conquista da bola em momentos críticos; excelente adaptação ao jogo pé da Espanha e ainda melhor no colocar de pressão ao pé sobre a Espanha;

Pontos Negativos: pontos fáceis perdidos aos postes; mau aproveitamento de momentos em que Portugal dominava o jogo, com uma formação-ordenada perdida nos últimos metros no terreno de jogo; linhas atrasadas pouco predispostas a participar em movimentações ofensivas mais arriscadas;

XV TITULAR COM SUPLENTES (1 A 15 COM MARCADORES)

David Costa, Rodrigo Bento, Duarte Conde, Manuel Pinto, Sebastião Silva, João Sousa, Manuel Nunes, José Roque, Pedro Lucas, Tomás Lamboglia, Francisco Salgado, José do Carmo, Jerónimo Portela (2), Francisco Rosa e Simão Bento

Suplentes: Max Falcão, Frederico Simões, João Nobre, Manuel Barros, António Andrade, Manuel Maia, Joaquim Félix (5), Martim Otto, Baltasar Melo, Vasco Carvalhais

Foto: Luís Cabelo Fotografia

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