Diário do Atleta: Manuel Cardoso Pinto e a saga em terras holandesas

Fair PlayNovembro 7, 20183min0

Diário do Atleta: Manuel Cardoso Pinto e a saga em terras holandesas

Fair PlayNovembro 7, 20183min0
O fantástico defesa/ponta português emigrou para a Holanda como semi-profissional em busca de novos voos e ensaios! Manuel Cardoso Pinto e o seu Diário do Atleta no Fair Play

Desde já agradecer ao Francisco Isaac por esta oportunidade e pedir desculpa pela demora!

Interrompi os estudos em Lisboa, pois sempre tive em mente fazer um ano a jogar rugby e aventurar-me noutro país. Escolhi Holanda porque gostei da proposta, da conversa com o treinador e pesquisei a cidade (Leiden) na Internet e pareceu-me muito interessante. Há quem questione: “porquê Holanda?” “porque não França ou Inglaterra, onde o nível é superior?”

Honestamente, queria perceber o que realmente quero e gosto, decidindo “atirar-me” para uma experiência semi-profissional e não para uma coisa tão séria como academias.. Isso poderá ficar para o futuro porque ainda sou jovem e acho que devo aproveitar todas as oportunidades que me são dadas e retirar o melhor possível delas.

Estou 2 anos atrasado na faculdade, mas sem preocupação, o primeiro porque fui para um curso que acabei por odiar e o segundo porque vim para Leiden que estou a adorar.

Cheguei ao RC Diok (da principal divisão de rugby holandesa) há 1 mês e 2 semanas um bocado nervoso e ansioso como é normal. Ainda por mais porque vim magoado, com uma lesão no pé resultando do jogo contra as Fiji em setembro e se havia coisa que eu não queria, era começar esta aventura lesionado.

Não tive escolha e a lesão afastou-me dos 2 primeiros jogos, aparte disso, fui muito bem recebido pelos outros estrangeiros que vieram para a Holanda jogar, complementando com estudos ou trabalho. Somos 7 numa casa que é denominada como “Rugby House” (uma “senhora” casa de um dos patrocínios): um samoano, dois argentinos, dois ingleses, um holandês e um português e este português teve alguma dificuldade a adaptar-se ao inglês fluente que todos falam mas passado um mês já se habituou e melhorou bastante.

Este português (que para além de jogar está a trabalhar, teve 2 semanas a trabalhar numa empresa de IT Service, fazendo cópias e scans das dezenas de milhares de documentos da empresa. Eles diziam que era bom ter um português a tratar disso porque não percebia nada dos documentos confidenciais. Levantava-se todos os dias às 5h30 da manhã!

Lá ia ele com 3 casacos, cachecol, luvas e gorro, foi duro até se habituar. Depois dessas 2 semanas, ficou a “living the dream” (expressão usada quando alguém fica sem fazer nada em casa) durante uma semana. Agora começou um trabalho novo em que conta o stock de um armazém gigante, fá-lo com o samoano, riem-se muito durante o trabalho, fartam-se de fazer pausas e às vezes quando estão lá em cima de tudo ficam a cantar e fazer “batuques” com as caixas!

Acho que tive sorte e azar ao mesmo tempo com estas primeiras semanas… Sorte por me ter adaptado bem e ter um clube onde as pessoas o receberam tão bem e azar por ter estado 2 meses parado e ainda não se sentir a 100% apesar de já ter jogado 2 jogos.

Fica aqui um resumo do resumo da vida deste português. Ahh sim, os 2 jogos… esqueci-me que ele já jogou 2 jogos mas isso talvez fique para a próxima.


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