Destino: Brasil, objectivo: fazer brilharete no World Rugby Trophy

Francisco IsaacJunho 28, 20199min0

Destino: Brasil, objectivo: fazer brilharete no World Rugby Trophy

Francisco IsaacJunho 28, 20199min0
É altura dos sub-20 voltarem a tentar juntar mais um feito para o rugby português em 2019 com nova participação no WR Trophy! Fica a conhecer os 26 protagonistas, os adversários e alguns pormenores deste grupo

O ano de 2019 ficará relembrado como um ano de bonança e sucesso para o rugby português em termos de resultados, com o retorno da selecção sénior ao convívio dos “grandes” da Rugby Europe (a divisão Championship, onde está a Geórgia, por exemplo) conseguido no último jogo de Martim Aguiar como seleccionador Nacional frente à Alemanha em Frankfurt, para além da subida ao pódio no Europeu de sub-18 sob o comando de Rui Carvoeira e o inédito tricampeonato dos sub-20, que voltaram a derrotar a Espanha na final em Abril passado para alcançar este feito e que garantiu a Luís Pissarra e aos seus jogadores o bilhete dourado para participar no World Rugby Trophy.

Será a terceira participação consecutiva lusa neste torneio (participação essa garantida com a conquista do Campeonato da Europa de sub-20) que garante ao vencedor da competição a subida ao World Rugby u20 Championship, a principal divisão deste escalão onde está a superpoderosa França, Nova Zelândia, Inglaterra ou Austrália, entre outras.

Nas duas edições passadas Portugal esteve sempre envolvido nos pódios, sendo que em 2017 esteve a um pequeno passado de subir ao Campeonato de Mundo do escalão e 2018 garantiu a medalha de bronze numa vitória excepcional frente à Namíbia.

Depois de três títulos europeus, uma medalha de prata e bronze nos World Rugby Trophies, será possível atingir algo nunca antes feito (ou pensado por poucos) com a conquista do World Rugby Trophy? Mas quem são os adversários que Portugal vai ter pela frente? E quem vai representar os Lobos sub-20? E Portugal tem reais hipóteses de chegar à final?

GRANDES, FORTES E… DIFÍCEIS?

Portugal ficou no grupo de Tonga, Canadá e Hong Kong, duas delas bem conhecidas dos comandados de Luís Pissarra, em especial a selecção canadiana que realizou dois jogos amigáveis em Março passado nas Caldas da Rainha, com as Quinas a garantirem 100% de vitória.

Já Hong Kong foi um dos adversários na edição de 2017 do World Rugby Trophy, na caminhada vitoriosa até à final da competição. Já o Tonga será um adversário inédito para os sub-20 e que nunca antes conseguiu o acesso à principal categoria do escalão de sub-20.

E o que joga cada uma destas selecções? A tipologia de jogo canadiana aproxima-se em alguns pontos à implementada por Portugal, mas sem o virtuosismo transversal que toca aos jogadores lusos, tendo algumas características físicas interessantes que podem ser mais notadas na formação-ordenada, mauli dinâmico e o jogo curto a partir do ruck.

Falta virtuosismo e capacidade de rasgo em situações de ataque de superioridade numérica em termos de qualidade ofensiva, a somarem-se problemas críticos na defesa ao largo ou na oposição ao jogo ao pé dos seus adversários.

Já Hong Kong é uma selecção que assume-se sempre como uma incógnita, apresentando uma mescla de atletas com um background anglo-saxónico e outros locais, transitando de um rugby agressivo na forma de fazer pressão ao ataque contrário ou de se impor na primeira cortina de defesa para uma estratégia mais “fria”, de tentar colocar pressão ao pé. Padece de alguns dos mesmos problemas do Canadá em termos de equilíbrio defensivo e resposta de qualidade no ataque, tendo conquistado apenas 6 pontos no total das últimas 7 edições do World Rugby Trophy.

Por fim, Tonga, selecção que regressa a esta competição depois de três anos eliminada na fase de apuramento da Oceania (as Ilhas Fiji e Samoa são por natureza as nações do Pacífico que marcam presença neste torneio) e que traz uma “artilharia” pesada em todos os sentidos da palavra.

A fisicalidade apresentada é das mais duras da competição e que acarreta problemas para quem não consegue oferecer uma placagem eficiente e eficaz, a somar-se uma “agressividade” positiva que procura criar uma brecha nos adversários para depois se desenrolar uma acção incisiva apontada à área de ensaio.

Uma selecção fisicamente moldada para dominar no jogo “lento”, com capacidade para fazer mossa no alinhamento, mas que tem alguns problemas na formação-ordenada ou no manter de uma boa postura na defesa, ficando à mercê de adversários que conseguiam construir um jogo ofensivo rápido e eletrizante.

Três adversários que gostam de apresentar o factor físico como cartão-de-visita, oferecendo uma ou outra nuance diferente em busca de tomar o controlo de jogo ou de viver na “sombra” para surpreender no contra-ataque. É um grupo que apresenta uma dificuldade média, em comparação com o grupo A onde só existem duas selecções com capacidade de chegar à final (Japão e Uruguai) enquanto que Brasil e Quénia estão num patamar inferior em comparação a Hong Kong ou Canadá por exemplo.

E Portugal, o que pode oferecer ao World Rugby Trophy 2019? Virtuosismo, velocidade e vivacidade!

O embate físico contra o Canadá (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

OS LOBOS COM (QUASE) O MELHOR SETUP DE 2019

Luís Pissarra e a equipa técnica da selecção Nacional portuguesa de sub-20 têm conseguido montar estratégias de jogo de qualidade que se adaptam mediante não só ao adversário mas também às condições do encontro, como aconteceu na final deste ano do Europeu, onde uma chuva implacável e um relvado molhado forçaram/permitiram apostar num contra-ataque inteligente e que acabou por levar Portugal à vitória no final dos 80 minutos.

Esse é um dos aspectos imperiais das selecções nacionais comandas por Luís Pissara, o jogo no chão e a qualidade das unidades portuguesas em conseguirem disputar e “roubar” a oval no breakdown.

Manuel Pinto, José Roque, José Madeira, Manuel Maia são alguns dos jogadores mais competentes neste parâmetro de jogo, combinando excelentemente com o bom jogo ao pé de Jerónimo Portela, Rodrigo Bento, Simão Bento ou Tomás Lamboglia.

Em comparação com o que se passou no Europeu em 2019, Portugal vai ter praticamente os melhores atletas à disposição de Luís Pissarra, destacando-se os retornos de Rodrigo Marta e Raffaele Storti aos convocados.

Contudo, destacamos duas ausências de peso com os asas titulares Manuel Nunes e João Tamagnini Sousa a falharem o Mundial “B” por lesão, e será interessante ver como a equipa técnica portuguesa resolve estas questões no Brasil.

Com uma linha de ¾’s que não deverá fugir muito ao esquema que apresentamos no final desta secção, Portugal tem a capacidade de imprimir uma velocidade de jogo intensa e dinâmica que vai acabar por criar roturas defensivas, especialmente em defesas contrárias que sejam menos móveis na segunda cortina defensiva ou que não consigam fazer um trabalho minimamente coerente no breakdown.

Para isto é importante que a selecção portuguesa mantenha um ritmo de jogo alto, de apoio constante às linhas de ataque ou de boa recuperação na defesa, de controlo total no breakdown e de isenção de erros nas fases estáticas, em especial na formação-ordenada.

Se as linhas atrasadas têm argumentos para criar problemas na velocidade de jogo, poder de aceleração e virtuosismo na cara do contacto, já o bloco de avançados vai ser responsável pelo bombear do “sangue” do jogo português.

Tem sido uma constante dos últimos dois anos a forma como Portugal domina na formação-ordenada, conquistando metros e penalidades mesmo frente a selecções mais poderosas como Uruguai, Ilhas Fiji ou mesmo Japão e 2019 não deverá ser muito diferente.

Com David Costa a comandar a primeira-linha, Manuel Pinto a ser uma estaca na 2ª e José Roque a dominar as operações a partir da posição de nº8, os sub-20 vão apostar numa postura irrascível nos rucks, seja para tentar capturar a oval ou para incomodar os seus adversários o suficiente ao ponto que se crie uma instabilidade na saída da bola e facilite o trabalho da linha-defensiva seguinte.

Portanto, a equipa que poderá alinhar do início na maioria dos jogos do World Rugby Trophy será: David Costa, Rodrigo Bento, Duarte Conde, Sebastião Silva, José Madeira, Manuel Pinto, Manuel Maia e José Roque; Pedro Lucas, Jerónimo Portela, Simão Bento, José do Carmo, Raffaele Storti, Francisco Rosa e Rodrigo Marta.

Os 26 convocados finais são os seguintes:

Foto: FPR

DESTINO: SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, BRASIL

Portugal entra em campo nos seguintes dias: às 23h00 no dia 9 de Abril frente à Hong Kong; 21h00 de 13 do mesmo mês ante o Canadá; e o encontro frente ao Tonga fica reservado para dia 17 de Abril às 18h00, para o último jogo da fase-de-grupos. Independentemente dos resultados a somar, os Lobos sub-20 fecham a participação no dia 21 de Abril, dia de todas as finais da competição.

O World Rugby Trophy deste ano tem a localização montada para São José dos Campos, uma das “casas” do rugby brasileiro, que vai estar presente pela 1ª vez neste torneio como selecção-organizadora.

Os jogos podem ser acompanhados na World Rugby, seja no Facebook ou website e as análises dos resultados sairão na língua portuguesa no Fair Play ou Portal do Rugby, com o acompanhamento final do 24Sapo.

Portugal parte em direcção ao Brasil com vontade de voltar a somar pontos, num momento em que o rugby nacional tem tentando crescer a nível internacional, debatendo-se com o futuro da modalidade no que toca ao número de atletas e à expressão da oval em território português.

Portugal na saída para o Mundial (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

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