CN1 2019/2020: algumas curiosidades e pormenores a saber!

Francisco IsaacSetembro 29, 201911min1

CN1 2019/2020: algumas curiosidades e pormenores a saber!

Francisco IsaacSetembro 29, 201911min1
Está prestes a começar a segunda divisão de rugby em Portugal, com várias novidades a surgirem nesta nova temporada! Uma primeira análise ao CN1 2019/2020 no Fair Play

O Campeonato Nacional 1 está a 14 dias de começar e há muito para saber, desde logo o estado actual dos participantes, as equipas “novatas”, alguns dos novos protagonistas, os treinadores que deves seguir entre outros pormenores de um dos campeonatos mais expansivos a nível regional!

NOVIDADES: ELVAS E BRAGA!

O Rugby Clube de Elvas, ER Galiza (Jaguares) e o Braga Rugby são três clubes que nunca eestiveram ou pouco jogaram na 2ª divisão do rugby português mas que agora em 2019 recebem a oportunidade de actuar neste nível, trazendo não só o factor regional para o “jogo”, como também o elemento de apresentarem projectos interessantes e que valem a pena seguir.

A formação alentejana do RC Elvas passou por vários e longos anos de reconstrução tanto do clube como dos seus plantéis da formação até aos séniores, com o foco posto de não só conseguir uma equipa competitiva mas, e em especial, construir uma relação duradoura e de confiança com a população elvense, proporcionando assim um elo forte com a terra de onde pertencem.

Padecendo dos mesmos problemas que os emblemas não centralizados sofrem, o RC Elvas tem feito um trabalho de dimensões titânticas de forma a garantir um projecto sustentável, preocupado sempre com o futuro dos seus atletas e isto fica bem demonstrado com a realização de várias iniciativas que dinamizem a vida profissional e desportiva dos seus jogadores, num exemplo que deve ser aplaudido e apoiado. Não esquecer as contínuas iniciativas realizadas no seu campo para atrair atletas para o rugby, numa prova da participação activa deste clube tão especial e história da região do Alentejo.

Mais para a costa temos a Escola de Rugby da Galiza clube sediado na linha-de-Cascais e que com ajuda do Saint Julians fundou uma das equipas mais “mitológicas” da história recente do rugby português: os Jaguares. Um clube que tem se preocupado principalmente com a fomentação do rugby escolar e de formação, estes felinos da oval lusa têm desenvolvido alguns atletas de bela qualidade, com um ou outro nome a terem já singrado nas selecções jovens como Rodrigo Sampaio, Gabriel Pop (depois de ajudar a subir de divisão voltou para o GDS Cascais, sendo um dos reforços de boa qualidade da formação da Guia) ou Abraão Ambrósio.

Liderados no campo por Pedro Vital (treinador que já passou pelo CDUL challenge, tendo ajudado os universitários a levantar o título de campeões em 2018) estes Jaguares apresentam uma equipa jovem, animada e voltada para um rugby mais divertido (mas objectivo) com claras nuances de conseguir proporcionar aos seus atletas um futuro diferente, nunca esquecendo o trabalho comunitário de grande peso do ER Galiza.

Por fim, para a região do Minho temos os gladiadores do Braga Rugby, clube que tem apresentado um excelente crescimento de ano após ano e que nesta temporada terá a sua primeira experiência neste CN1, tendo como claro objectivo não só a manutenção mas garantir um lugar na aposta desportiva por parte das gentes de Braga!

Clube presidido por um dos líderes mais positivos e apaixonados pelo rugby português, Pedro Aguilar Monteiro tem tentado evitar atalhos para o sucesso, assentando o projecto num plano equilibrado e de afirmação a longo-prazo. Com um rugby mais “pesado” e de trabalho contínuo (boas placagens e um contra-ruck inteligente, diga-se), vai ser extremamente interessante perceber como é que as equipas vão lidar com o coliseu de Bracara Augusta nesta temporada!

A carga dos Jaguares (Foto: Arquivo do Atleta)

OS COACH A TOMAR EM ATENÇÃO: MIGUEL AVÓ, LUÍS SUPICO, NUNO DAMASCENO E PATRICIO LAMBOGLIA

Não tirando mérito de todos os outros treinadores (a começar por Pedro Vital, um treinador jovem e que tem demonstrado uma apetência total para somar títulos e bom rugby), escolhemos 4 treinadores que pela experiência, forma de ver o jogo e trabalho fora de campo merecem o claro destaque!

Comecemos por Miguel Avó, jovem treinador do Clube de Rugby de Évora que mesmo tendo perdido 5 titulares não virou a cara à luta nem entrou num vórtice negativo, enfrentando com positividade a temporada que se segue. Ex-jogador do clube eborense, Avó tenta procurar um rugby de construção calma entre os seus 40 metros e os 40 adversários, gostando depois de incitar um pouco da costela criativa dos seus jogadores, seja pelo pontapé inesperado ou por uma saída rápida jogada em contínuo offloading. Mostra um entendimento dos ritmos de jogo de qualidade e a paciência e calma que evidencia durante toda a temporada são elementos mais que suficientes para aplaudir a postura do técnico do Évora.

Luís Supico tem a sua primeira tentativa como treinador sénior no Moita Bairrada, depois de vários anos ao serviço de escalões de formação sendo que na sua última experiência conseguiu guiar os sub-16 (a par de Manuel Amorim) da AEIS Agronomia à dobradinha histórica, evidenciando traços fundamentais para um coach de alto nível: o trabalho com as futuras gerações. Com uma voz de comando assertiva mas que proporciona aos atletas terem confiança para falar, o ex-técnico da ARS/Cascais/Agronomia tem um profundo conhecimento do jogo, sabendo fazer bom uso das “armas” que possui. Procura sempre um rugby de apoio inteligente, onde a circulação de bola tem de ser feita de forma rápida, eficiente e clara, não se deixando ir em movimentações atabalhoadas ou a “prisão” de bola na avançada.

A formação da Bairrada que está sempre pronta para embarcar no “comboio” das surpresas, consegue juntar o útil ao agradável, recebendo um líder e formador de rugby do melhor que a oval lusa tem para oferecer… boa decisão da direcção do emblema do centro de Portugal.

Ao serviço dos bulldogs do Clube de Rugby de São Miguel está Nuno Damasceno, treinador que ajudou Portugal a regressar à Elite das Seis Nações “B” e que já no ano passado tinha servido o clube lisboeta como adjunto do Professor Rui Carvoeira (depois do término de contrato com a Federação Portuguesa de Rugby, aceitou o convite do RC Lousã, um dos promovidos à Divisão de Honra desta temporada). Damasceno tem a visão colocada num rugby de não só velocidade e rasgo mas também de coesão entre as unidades de ataque, onde o trabalho no ruck e apoio é realizado de forma intensa combinando bem as virtudes técnicas com as qualidades físicas.

Com um discurso positivo e claro, Nuno Damasceno construiu uma equipa técnica de qualidade, voltado para não só dinamizar os atletas mais “velhos”, mas para proporcionar um desenvolvimento superior aos escalões de formação encaixando bem na lógica e estratégia do São Miguel.

E, por fim, Patricio Lamboglia técnico que tem sido a grande cara do crescimento dos pelicanos do Caldas Rugby Clube, é um dos coaches mais experientes deste Campeonato Nacional 1, mostrando toda aquela paixão e “fogo” própria do rugby argentino. Rugby ritmado e animado, o treinador gosta de motivar os seus atletas a dar aso à sua criatividade e genialidade, podendo tanto jogar à mão a partir do meio-campo como dentro dos seus 22 metros, abrindo um “universo” de possibilidades ofensivas que criam problemas nas defesas contrárias. Sempre efusivo, entusiástico e com um discurso de apoio, o técnico da equipa das Caldas da Rainha promete apresentar um elenco motivado em chegar à final-four dando continuidade ao crescimento dos últimos anos.

Foto: Luís Cabelo Fotografia

WATCH OUT 4 THE PLAYERS: SABATA MOKHACHANE, OSCAR D’AMATO, MATHEUS DANIEL E SAMUEL LEMOS

Verdade que escolhemos só quatro de um “mar” de outros nomes que poderiam constar nesta lista e é sempre problemático individualizar nomes quando estamos estamos a falar de um desporto colectivo… contudo, não há dúvidas do poder e impacto de certos jogadores ao ponto que podem mudar um jogo de sentido, ritmo e resultado. Escolhemos dois avançados e dois 3/4’s!

O CR São Miguel apresentou o reforço mais sonante da temporada, com a chegada do asa Sabata Mokhachane, atleta que ajudou a AEIS Agronomia a levantar o título de Campeão Nacional na temporada transacta, reforçando o bloco de avançados dos bulldogs. “Agressivo” na placagem, dominante no breakdown, o sul-africano formado na academia dos Cell C Sharks, vai proporcionar uma dimensão física superior à equipa lisboeta, impondo ainda um maior ritmo físico e técnico a uma equipa que quer surpreender nesta temporada.

Para as Caldas da Rainha habita um misto de papa-léguaspanzer, de seu nome Oscar D’Amato. O argentino é daqueles jogadores que sabe da sua potência física, utilizando-a bel-prazer, criando constantes falhas defensivas nos adversários dos pelicanos, enchendo bem os relvados. Mas não é só a arte física que define D’Amato, há bem mais para além disso, pois é possuidor de um entendimento de jogo de elevada qualidade, com noção de quando deve bater o pé e entrar ou de arrancar e tentar meter a bola nas mãos do apoio mais próximo.

Mais para o Ribatejo, os cavaleiros do RC Santarém têm formado a sua dose de bons jogadores (como Martim Faro, internacional sub-18 em 7’s) mas também tem tentado atrair alguns jogadores com selo internacional como é o caso da dupla brasileira Rafael Morales e Matheus Daniel. Os dois ex-Tupi (internacionais pelo Brasil) são armas extremamente perigosas no plantel dos escalabitanos, em especial o asa que gosta de se bater e arranjar problemas no contacto, para além de toda uma apetência desconcertante por ir roubar a bola no ruck. Matheus Daniel é dos 3ªs linhas mais completos do Campeonato Nacional 1 e, apesar do brilhantismo técnico do seu companheiro Morales, não há dúvidas que grande parte da confiança e estabilidade defensiva do Santarém depende da performance do nº7!

Por fim, em Guimarães está uma “flecha” com duas pernas à solta na equipa minhota, de seu nome Samuel Lemos. O defesa/ponta é um autêntico perigo não só com a oval em sua posse mas também sem a mesma, uma vez que está sempre à espreita de aparecer como apoio do portador da bola e receber um offload para disparar e ir até à área de ensaio. Detentor de uma compreensão de jogo de qualidade, a forma como ataca a linha de vantagem e as boas linhas de corrida fazem-no de um dos principais elementos do elenco vimaranense que procura garantir um lugar mais alto na classificação.

Foto: Luís Cabelo Fotografia

QUANDO COMEÇA O ESPECTÁCULO?

O Campeonato Nacional 1 tem data marcada para dia 12 de Outubro e vai até Maio do próximo ano, num campeonato jogado a 18 jornadas, seguindo-se meias-finais e final para o Top-4 desta 2ª divisão do rugby português sénior. CR Évora, Caldas RC, CR São Miguel, RC Santarém, Guimarães RUFC, RV Moita, Jaguares, Bairrada Rugby, Braga Rugby e RC Elvas são os 10 clubes que vão lutar para chegar à fase-final, lutar pela manutenção ou evitar uma descida ao CN2.

Sem confirmação absoluta ainda, o Fair Play anunciará se os jogos do Campeonato Nacional 1 terão cobertura não só de resumos escritos dos jogos, mas também de highligts, ensaios da jornada, entrevistas com os intervenientes e muito mais!

O Campeonato Nacional 1 é munido de emblemas que estão a fazer um trabalho efectivamente de qualidade com o objectivo assente no crescer de números de associados junto da modalidade, indo do Minho ao Alto Alentejo, passando pela cidade do futuro das Caldas Rainha, até à nova capital do desporto português que é Braga. Pronto para acompanhar?


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