4 estrelas de clubes que têm de ter uma oportunidade nas selecções

Francisco IsaacFevereiro 24, 20205min0

4 estrelas de clubes que têm de ter uma oportunidade nas selecções

Francisco IsaacFevereiro 24, 20205min0
David Havili é uma das estrelas mais cintilantes dos Crusaders mas raramente foi chamado aos All Blacks, num caso estranho do rugby kiwi. Mas será 2020 o ano da afirmação destas estrelas no cenário internacional?

Na história dos clubes e selecções do Planeta da Oval surgiram e continuam a surgir algumas situações em que grandes jogadores do primeiro “Mundo” não conseguem ganhar lugar nos elencos nacionais. Contudo, para estes quatro casos o tempo ainda joga a seu favor, assim como a sua qualidade técnica, física e encaixe táctico, podendo ainda atingir o patamar mais alto do rugby internacional!

DAVID HAVILI (CRUSADERS)

Tricampeão pelos Crusaders praticamente sempre como titular, David Havili tem conquistado uma reputação como um jogador confiável, elétrico, coeso e que pode alterar o ritmo de jogo num par de passos. Forçou a ida de Israel Dagg para a ponta nos Crusaders e esse facto, por si só, bastaria para compreender a qualidade inegável de um jogador que pode alinhar tanto a defesa, abertura, ponta ou centro… ou seja, joga praticamente a qualquer posição na linha de 3/4’s.

Lá atrás garante total segurança seja na recepção dos pontapés ou na devolução dos mesmos, equilibrando constantemente quer a linha de defesa ou ataque, mostrando-se um jogador inteligente e consciente de como tem de intervir e afirmar o seu impacto na estratégia dos Crusaders nestas últimas cinco temporadas. Em 69 encontros, já vai em quase 30 ensaios sendo uma referência da franquia de Christchurch e a sua polivalência faz total diferença, até porque nos All Blacks esse factor tem sido decisivo nas convocatórias.

Com Ben Smith retirado da cena internacional, David Havili tem de ser tomado em conta como um dos possíveis nomes para o lugar de defesa ou do três-de-trás de uma das maiores selecções mundiais.

MARCUS SMITH (HARLEQUINS)

Temos feito uma autêntica apologia a favor do abertura de 20 anos dos Harlequins, seja pelas características técnicas sensacionais (sidestep que incapacita os adversários durante alguns momentos) ou a sua leitura profunda de jogo que possibilita à sua equipa entrar noutro prisma a nível do ataque. Por isso, Marcus Smith merece já neste momento escalar ao patamar dos convocados de Sua Majestade? Sim, até porque parece não haver solução para substituir George Ford e Owen Farrell na camisola 10.

Agora há Jacob Umaga (sobrinho de Tana Umaga, lenda dos All Blacks), mas o atleta dos Wasps não parece figurar mesmo como uma opção por parte de Eddie Jones, podendo ser visto mais como um aprendiz de Ford do que um nome a ser tomado em conta para os convocados da Inglaterra. Por sua vez, Marcus Smith jogou por uma ocasião pela Inglaterra e simplesmente foi genial com 26 pontos marcados, resultantes de 1 ensaio e de 95% de pontapés encaixados entre os postes, um registo digno de ser assinalado e mencionado.

Extremamente rápido, manhoso com a troca de pés e finta de passe e um entendimento de jogo apurado, o abertura dos Quins merece ser chamado à responsabilidade pela Inglaterra num futuro-próximo!

RUAN ACKERMANN (GLOUCESTER)

É uma das máquinas imprescindíveis do Gloucester de Johan Ackermann e um asa com excelente reputação na Premiership, apetrechando as suas exibições com placagens dominantes, portagens de bola agressivas e um espírito de missão que inspira todos à sua volta. Portanto, Ruan Ackermann é um claro candidato à terceira-linha dos Springboks, e merece-o pelo que tem apresentando no campeonato inglês desde 2017.

Consegue ocupar com elegância e eficiência a posição de asa-fechado/aberto e nº8, moldando-se com qualidade perante as necessidades da equipa onde a atitude agressiva e fisicalidade intensificada assumem-se como decisivas em todas as acções que o avançado sul-africana submete-se. Conquistou respeito dos seus colegas e adversários, tem amassado portadores de bola e sido responsável por abrir autênticos corredores no ataque, pautando-se cada vez mais como um dos melhores estrangeiros a jogar em Inglaterra e falta só receber a merecida chamada à África do Sul.

CURWIN BOSCH (SHARKS)

Um dos maiores talentos do rugby sul-africano dos últimos anos, Curwin Bosch é um dos melhores jogadores dos Cell C Sharks e na época actual tem se assumido como um dos elementos essenciais para uma franquia que sonha em chegar à final do Super Rugby. O polivalente três-quatros é detentor de um dos pés mais calibrados do Hemisfério Sul, seja em jogo corrido ou nas cobranças de conversões e penalidades, tendo conseguir relegar Robert du Preez (até a época passada era o chutador principal) para o banco de suplentes, sobrepondo-se como o médio-de-abertura da formação de Durban.

Com já 300 pontos marcados pelos Sharks, o já Springbok por duas ocasiões tem de ser uma das opções da selecção da África do Sul para os amigáveis de Junho e o Rugby Championship, mantendo, claro, a forma que apresenta actualmente. Como defesa acelera o jogo como poucos, procurando um espaço para passar e assim oferecer uma plataforma de perigo iminente que resulta normalmente em avanço exponencial de território, sendo que caso vá para abertura (como se tem afirmado na temporada actual) temos um criador e movimentador de bola irrequieto, imprevisivel, explosivo e que gosta de polvilhar o campo com pequenos pormenores mágicos que alteram por completo com o sentido de jogo.

A formo como vê e analisa rapidamente as fragilidades dos opositores e as capacidades físicas são outros aspectos que fazem parte do portfólio de Curwin Bosch e merece, sem dúvida alguma, uma oportunidade para se afirmar nos Springboks.


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