3 Pontos do SR 2019 Ronda 13: A lição de bem defender dada pelos Hurricanes

Francisco IsaacMaio 10, 20197min0

3 Pontos do SR 2019 Ronda 13: A lição de bem defender dada pelos Hurricanes

Francisco IsaacMaio 10, 20197min0
Foi um dérbi neozelandês intenso e disputado até aos pormenores com os Hurricanes a conquistarem uma importante vitória na 13ª jornada do Super Rugby

QUANDO UMA DEFESA “AGRESSIVA” É A CHAVE PARA A VITÓRIA

138 placagens efectivas, 12 turnovers, 3 placagens em cima da linha de ensaio… este foi o pecúlio final dos Hurricanes que estiveram mais de 15 minutos enfiados dentro dos seus 22 metros, repelindo constantemente as tentativas dos Blues em chegar aos postes, tendo sido a chave para mais uma vitória neste Super Rugby 2019. Liderados por um genial TJ Perenara, um titânico Ardie Savea e um mágico Beauden Barrett, a franquia de Wellington saiu de Eden Park com 4 pontos e muito devem ao tal esforço defensivo e mindset que tiveram durante todo o encontro.

Há momentos que definem um jogo ou mesmo uma época e para os Hurricanes existiram dois momentos decisivos iguais em períodos de jogo diferentes: entre os 15-21′ e  48-55 minutos. Os Blues estavam completamente por cima do jogo, com um domínio não só territorial mas também mental, cercando os seus adversários nos últimos 22 metros… nesses dois períodos de jogo, a equipa da casa coleccionou 9 penalidades a favor e apostou tudo em formações-ordenadas, com a clara intenção de marcar o ensaio ou forçar um ensaio de penalidade.

Se no 1º momento os Hurricanes atiraram os adversários para trás com uma excelente resposta na formação-ordenada, já no 2º tudo parecia mais díficil, já que Jeff Toomaga-Allen tinha recebido ordem de expulsão temporada, deixando os ‘canes só com 14 elementos dentro de campo. Mas aí surgiu TJ Perenara com estilo, diga-se… Akira Ioane tira a bola e o formação rouba a oval da posse do nº8 dos Blues, desequilibrando totalmente a equipa da casa num momento crítico do jogo.

A forma como a 2ª melhor franquia neozelandesa defendeu, placou, bloqueou o ataque dos Blues foi lendária, numa daquelas exibições para nunca esquecer. Com 89% de sucesso na placagem, a formação de Wellington mostrou-se mais capaz na defesa do que em outros jogos, para além de terem um contra-ataque letal (dois ensaios nasceram de uma contra-reacção defensiva, com Laumape a roubar a bola no ruck e a dar para Lam e o outro a ser uma intercepção de Beauden Barrett), tendo confirmado o seu lugar nos playoff.

Para os Blues foi mais uma exibição de qualidade mas sem a profundidade necessária para converter as oportunidades em pontos… o par de médios continua a ser um problema para a fluidez e estabilidade de jogo da franquia de Auckland e este factor foi letal no final de contas.

A CRUSADERS MASTERCLASS: PULVERIZAR A MELHOR EQUIPA DA ÁFRICA DO SUL EM 80 MINUTOS

Era o encontro mais aguardado da 13ª jornada, com a visita dos Crusaders à casa dos Blue Bulls de Pretória, num desafio que opunha os 1ºs classificados de todo o Super Rugby frente à suposta melhor franquia sul-africana da prova – em igualdade com os Sharks. Quando se podia esperar um jogo minimamente equilibrado, o resultado final revelou uma discrepância esmagadora, já que os neozelandeses ganharam por 45-13 no final dos 80 minutos.

Nos primeiros 15 minutos não houve troca de “agressões” em termos de ensaios ou penalidades marcadas, mas a partir daí começou a montanha-russa dos Crusaders a funcionar, com Richie Mo’unga a dar um autêntico show, acompanhado por um incrível George Bridge (7 defesas batidos e 7 quebras-de-linha em 110 metros percorridos… sem ensaios no final) e um cada vez mais em forma Kieran Read (conseguiu iludir Vermeulen ou Botha por mais que uma ocasião na saída da formação-ordenada).

Os Crusaders foram completos em toda a medida, com uma defesa altamente “elástica” e reaccionária, que nunca entrou em desespero mesmo nos momentos de maior pressão dos Bulls, para depois assumir toda uma velocidade e letalidade no ataque, imparável na combinação entre o 10-13-11/14, procurando constantemente em criar todo um “caos” organizado que permita chegar o mais longe possível no terreno.

Os Bulls tentaram fazer oposição a esse caos com um rugby baseado no pontapé e pressão entre os seus 22 metros e o meio-campo e na construção de fases pensadas e bem limadas a partir dos 40 metros dos neozelandeses, mas na realidade toda a estratégia ruiu mal começaram a perder bolas no ruck ou em maus passes, com os ‘saders a converter todas as ocasiões em pontos.

Os Crusaders demonstraram que são a equipa “perfeita” e inabalável, enquanto os Bulls continuam a tropeçar no seu próprio crescimento e podem mesmo ficar de fora dos playoff caso não voltem às vitórias nas últimas 5 jornadas.

LIONS-WARATAHS… EMOÇÃO EM JOGO DE AFLITOS

Foi o jogo mais intenso do fim-de-semana já que Lions e Waratahs estão desesperados por pontos para chegar aos playoff, e uma derrota podia comprometer ainda mais a temporada quando já só faltam 4 jogos para o final da fase regular do Super Rugby. No final dos 80 minutos os 4 pontos foram parar ao “bolso” da equipa da casa, depois de um contest muito curto que terminou em 29-28.

Em termos de emoção houve um pouco de tudo, desde um drop final de Bernard Foley aos 75′ que passou ligeiramente ao lado dos postes até a entradas no contacto que levantaram os placadores no ar, com alguns ensaios de grande recorte à mistura (o de Michael Hooper é uma jogada do princípio ao fim de pura elegância) para dar outro “sabor”a este clash entre desesperados.

Os bi vice-campeões em título da competição não estiveram bem a defender, com vários erros de placagem minimamente preocupantes, o que ofereceu uma série de espaços à formação de Nova Gales do Sul, bem aproveitadas na maioria das ocasiões. Por outro lado, o ataque os sul-africanos foi de qualidade na 1ª parte, com Harold Voster a ascender como o melhor elemento das linhas atrasadas.

O centro foi uma espécie de cabo-de-ligação entre as linhas de ataque, sempre com os olhos postos nos espaços defensivos contrários, acelerando no momento certo para aproveitar e abrir uma boa linha de ataque para os Lions.

Os Waratahs acabaram por ser vítimas da sua ânsia para chegar à vitória na 2ª parte, perdendo algumas boas ocasiões graças a más movimentações ou passes mal executados, apesar de exibições consistentes da parte de Kurtley Beale e Bernard Foley.

Mesmo com a vitória, os Lions estão no 4º lugar da conferência sul-africana e os Waratahs podem ficar em penúltimo, a 5 pontos de diferença para o 2º classificado. Semi-finalistas em 2018… será que vão estar lá em 2019?

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Curwin Bosch (Sharks) – 100% eficácia (2 conversões e 3 penalidades)
Melhor Placador: Luke Jacobson (Chiefs) – 19 placagens e 2 turnovers (100% eficácia);
Melhor Marcador de Ensaios: Sevu Reece (Crusaders) – 3;
Melhor Marcador de Pontos: Richie Mo’unga (Crusaders) – 20 pontos (2 ensaios e 5 conversões);
O Rei das Quebras-de-Linha: George Bridge (Crusaders) – 7 (e 7 defesas batidos);
O Jogador-Segredo: Sio Tomkinson (Highlanders) – 1 ensaio, 1 assistência, 32 metros, 4 quebras-de-linha e 3 defesas batidos;
Lesionado preocupante: Nada a Apontar;
Melhor Ensaio: Matias Moroni (Jaguares) vs Highlanders: uma combinação perfeita; Brad Webber (Chiefs) vs Sharks: começa nos 10 metros próprios e só acaba no outro lado!


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